Camacha (Freguesia da) 1Origem e criação da paróquia
Camacha (Freguesia da)
Artigo sobre a freguesia da Camacha, nas terras altas acima do Caniço, criada entre 1676 e 1680, que aborda a sua igreja, o seu papel na invasão miguelista de 1828, as quintas, as levadas, a Casa de Abrigo do Poiso e a sua célebre indústria de vimes.
1Origem e criação da paróquia
Pertenceu á paróquia do Caniço até o ano da sua criação. Era a parte alta e montanhosa desta freguesia e ficou constituindo o limite norte dela. Parece ser bastante antiga a denominação de Camacha, e, sem duvida alguma, muito anterior á época do seu desmembramento do Caniço. Conjectura o dr. Alvaro de Azevedo que este nome provenha de algum sesmeiro ou povoador de apelido Camacho, que porventura ali possuísse terrenos ou tivesse ali moradia. Não julgamos plausível a ideia de atribuir a origem desta denominação a um primitivo colonizador que, como recordação da pátria distante, desse aqui nome igual ao dalgum logar ou povoação do continente, pois pelo que pudemos averiguar, não se encontra esse nome em território português, a não ser num pequeno sítio na ilha do Porto Santo.
Ignoramos quando começou o arroteamento e povoação das terras da Camacha, mas devemos supor que não o teria sido após os primeiros anos da descoberta da ilha, porque os terrenos do interior não foram sujeitos a uma imediata exploração agrícola. No entretanto, nos princípios do ultimo quartel do século XVI já aqui, por certo, existiria um núcleo muito importante de população para justificar a sua separação do Caniço e a sua erecção em paróquia independente. Há noticia de que por esta época eram moradores na Camacha o capitão Antonio Figueira, casado com D. Maria Henriques Figueira, Bartolomeu de Freitas, Braz de Freitas, Domingos da Mota, Francisco de Sousa, Inacio de Caires Caldeira, José de Lamego, João de Freitas Belchior, além de outros.
Foi o alvará régio de D. Pedro II, de 28 de Dezembro de 1676, que autorizou o bispo diocesano D. Antonio Teles da Silva a criar esta paróquia, que somente parece ter ficado definitivamente constituída no ano de 1680. Foi Gaspar Pinto Correia o seu primeiro pároco no período decorrido de 1680 a 1699, tendo-lhe imediatamente sucedido os padres Manuel Simão de Gouveia, Antonio Gomes Germano e Manuel João
Barreto, até meado do século XVIII. Desde a sua criação até o presente, têm trinta e um sacerdotes exercido funções paroquiais nesta freguesia, como párocos efectivos dela. O primitivo vencimento do vigário foi de 10.000 réis anuais, um moio e meio de trigo e uma pipa e meia de vinho, que, com o decorrer dos tempos e aumento do numero de fogos, sofreu alguns acrescentamentos. O crescimento da população, que parece ter sido rápido, levou o prelado da diocese, D. Luiz Rodrigues de Vilares, a pedir a criação dum curato, o que se deu no ano de 1801, sendo primeiro cura o padre Inacio Cristovão da Silva. Vários curas tiveram moradia permanente na freguesia, mas há já algumas dezenas de anos que ali não residem.
A sede da paróquia estabeleceu-se na capela da invocação de S. Lourenço, que foi o orago da nova freguesia, e que nos informam ter sido construída por Francisco Gonçalves Salgado. Nada sabemos acerca do ano e local em que se ergueu o pequeno templo, mas conjecturamos que não era no mesmo logar onde depois se veio a erigir a actual igreja paroquial. Em 1746 já esta capela se encontrava em adiantado estado de ruína.
Há a vaga tradição de que no sítio dos Salgados existiu uma pequena ermida, ignorando nós se seria porventura nesta que se instalou a paróquia por ocasião da sua criação. A primeira pedra para a construção da actual igreja foi lançada a 30 de Setembro de 1783. Por 1886 se reconstruíram as paredes laterais, que ameaçavam iminente derrocada. Nos últimos anos têm esta igreja e respectivo adro sofrido grandes reparações e sido consideradamente melhorados no seu embelezamento e adorno, devido ao zelo de alguns párocos.
Quando a 23 de Agosto de 1828 as forças absolutistas desembarcaram em Machico e tomaram esta ilha (V. Ocupação da Madeira por tropas miguelistas), o governador e capitão general Travassos Valdez, encarregou o major Francisco Xavier Pereira da Silva, mais tarde conde das Antas, de ocupar as alturas da Camacha, o que consta da seguinte participação, feita por este oficial ao governador da Madeira:
Tenho a honra de participar a V. Exa. que, em cumprimento da ordem que de V. Exa. recebi em Porto Novo, a meia noite passada marchei a tomar o comando deste ponto, ao qual cheguei às quatro horas da manhã: a posição é fortissima, e com trezentos homens e duas peças de artilharia que a guarnecem, tenho toda a certeza de defende-la, se os soldados não recusarem bater-se, como hontem fizeram ao tenente coronel Schwalback”.-Pereira da Silva destacou parte destas forças para o Palheiro Ferreiro, e depois teve de retirar para o Funchal, quando os seus soldados, ao terem conhecimento do desastre do Porto Novo, começaram vergonhosamente a debandar. As forças miguelistas que vieram até ás alturas da Camacha, já não encontraram as tropas constitucionais, que fugiram desordenadamente para a cidade, como fica dito.
2Paisagem, quintas e levadas
É esta uma das freguesias mais pitorescas da Madeira. Um distinto poeta que nela residiu e ali compôs alguns dos seus mais inspirados versos, escreveu a seu respeito:
No seu aspecto geral, nas opulentas espécies arboreas que a povoam, nas bellas quintas que a adornam e pela frescura e pureza atmospherica que se mantem naquela altitude, a Camacha é a localidade, talvez única, que maior semelhança offerece e mais pontos de contacto tem com a freguesia do Monte, denominada a Cintra madeirense.
É o Monte, visto por uma lente augmentativa, ampliado nas dimensões dos seus panoramas, com estradas mais vastas e planas e horisontes mais bellos e dilatados, abrangendo as freguesias do litoral - Caniço e Gaula, que se desenrolam a seus pés numa depressão gradual e sucessiva do solo, delimitada pelo oceano.
O contraste entre estas ultimas localidades e a primeira, é frizantissimo, tanto pelo que respeita á flora, como pelas condições climatéricas.
Em baixo, no litoral, a auzencia de árvores florestaes, as culturas da canna doce, da vinha e dos variados géneros hortícolas; lá em cima a topear com a serra, a Camacha, os immensos pinheiraes, os bosques de frondentes robles, onde vegetam promiscuamente o carvalho, o castanheiro, o cedro, o til, o folhado, o loureiro, a faia, a tilia, o sovereiro, o pau de mil homens, a árvore de prata, e diversas outras espécies indígenas e exóticas, provavelmente ali implantadas pelos primeiros fundadores de quintas, na sua maior parte estrangeiros ricos, que outr’ora tinham por aquella pittoresca localidade a maior predilecção”.
Fora do Funchal, é a freguesia que tem mais belas e numerosas quintas, entre as quais se destaca a do Vale Paraíso, pertencente aos viscondes do mesmo título, que é uma encantadora vivenda, digna de ser visitada. É também uma bela e aprazível casa de campo a antiga residência de verão da família Ornelas, de que é hoje proprietário o conselheiro Aires de Ornelas de Vasconcelos que ali nasceu em Março de 1866. Merecem ainda especial menção as antigas quintas Grabham, Taylor, Bean, Hinton e Francisco Nunes, além doutras de menor importância. Afora a quinta Ornelas, todas as outras foram construídas por súbditos ingleses, que tinham pela Camacha uma grande e justificada predilecção.
Um dos atractivos dos visitantes desta freguesia é a conhecida Achada, um campo de relativa extensão e absolutamente plano, que aos madeirenses causa uma certa admiração e surpresa, por viverem numa região muito montanhosa e em que o relevo e o acidentado do terreno se mostram por toda a parte, com excepção do planalto do Paul da Serra. Fere logo a atenção do visitante, ao entrar neste campo a torre que num dos extremos dele se levanta, situada dentro dos limites da quinta que pertenceu ao dr. Miguel Grabham. Foi este medico inglês que há cerca de 40 anos fez construir esta torre e nela colocou um excelente relógio, de aprimorado fabrico, que é, por certo, um dos melhores que existem nesta ilha. No interior da torre vê-se uma lápide de mármore, que tem a seguinte inscrição: The Clock And Bell Here Placed, Were Brought From the Parish Church of Wolton Near Liverpool By Michel C. Grabham, M. D. F. L. S. E. R. C. P.-Who built this Tower For their Reception, And the Clock Was Set Going By Mary Anne Grabham (Wife of the above) On Easter Monday 6.th April 1896. A construção desta torre e relógio foi um excelente serviço que o dr. Miguel C. Grabham prestou aos habitantes desta paróquia.
A Camacha é atravessada na sua maior extensão pelo rico e abundante caudal que se chama a Levada da Serra e á qual nos referiremos no logar competente. Quando se projectou e realizou a tiragem desta levada, muitos proprietários cederam gratuitamente os terrenos para a sua construção e respectiva vereda marginal, persuadidos de que ela iria beneficiar esta freguesia pela irrigação, mas concluídos os trabalhos e feita a distribuição das águas, viram com funda mágoa que a Camacha fora inteiramente esquecida e não compartilhara dos benefícios concedidos a outras freguesias. É verdadeiramente encantador um passeio através da esplanada desta levada, pelos variados e surpreendentes panoramas que dali se disfrutam. A vereda que margina este aqueduto, plana e de piso suave, estende-se, em condições de ser atravessada, desde a Choupana até o Santo da Serra, num percurso superior a 40 quilómetros.
São dois importantes mananciais as levadas da Azenha e do Pico do Arvoredo, principalmente destinadas á irrigação da freguesia do Caniço, e que também irrigam a freguesia da Camacha, embora numa proporção pequena do seu giro. Nasce a primeira no Pico da Silva e a segunda nas serras do Poiso. No sítio dos Salgados é alimentada pela ribeira do Porto Novo, nasce a levada chamada de Baixo, que fertiliza os terrenos desta freguesia e também do Caniço.
Fica dentro dos limites desta paróquia a casa do sítio do Poiso. Reconhecendo o benemérito governador civil José Silvestre Ribeiro a necessidade duma casa no alto da serra, destinada a prestar abrigo e socorro aos viandantes que transitavam entre os concelhos do Funchal e Sant’Ana, mandou edificar uma casa no sítio do Poiso, cuja construção custou cerca de um conto e quinhentos mil réis e se deu por concluída em princípios de 1852. Segundo as próprias palavras do ilustre governador, ali deviam estar permanentemente um homem ou uma família “a toda a hora promptos a receber os passageiros - a mandar-lhes aquecer água, se preciso for - a ter sempre um bom deposito de lenha, a fim de que durante o inverno se encontre ali o conforto de um bom lume - a prestar a todos os necessitados o socorro possível”. A manutenção deste excelente serviço, que se tem prolongado até a actualidade, ficou a cargo das câmaras do Funchal e de Sant’Ana, existindo umas instruções superiormente aprovadas, que regulam a maneira de manter-se o funcionamento desta casa.
3Obra de vimes e outras notícias
A conhecida obra de vimes da Camacha, que é verdadeiramente importante e digna dum particular estudo, constitue uma indústria quasi privativa desta freguesia. Embora fora dela se produzam também artefactos de verga, é, porém, certo que de aqui se irradiou esta indústria para outros pontos, e é aqui que fica o mais considerável centro produtor da mesma indústria. É uma importantíssima fonte de receita, e a ela se deve principalmente o aumento rápido da população, não tendo a paróquia, além dela, outros apreciáveis elementos de riqueza, pois que os seus terrenos só se prestam á exploração das chamadas culturas pobres. No entretanto, os operários não tiram dos produtos da sua indústria proventos suficientemente remuneradores do trabalho empregado, ao passo que as casas exportadoras, segundo se afirma, fazem lucros muito consideráveis, e algumas fortunas se têm realizado em poucos anos á sombra deste negocio. Tudo aconselha a formação entre os operários da Camacha dum sindicato, cooperativa ou agremiação de caracter especial, não só destinado a desenvolver e aperfeiçoar esta indústria, mas também a promover a colocação dos seus produtos nas nossas colónias e no estrangeiro.
O engenheiro sr. Vitorino José dos Santos, chefe da secção do trabalho industrial na Madeira, publicou no numero 4 do Boletim do Trabalho Industrial, de 1907, uma excelente e desenvolvida monografia acerca da indústria dos artefactos de verga na Madeira, donde vamos transcrever alguns períodos relativamente á sua provável origem e primitivo desenvolvimento na freguesia da Camacha.
”A indústria dos moveis de vimes teve o seu aparecimento ha aproximadamente 60 annos, e começou pelo trabalho em cadeiras, copiados os processos de factura, do fabrico de outras cadeiras construídas então na Madeira com palha de centeio, por presos da cadeia do Funchal. Supõe-se ter sido algum preso da freguesia da Camacha quem levou, ao sahir para esta freguesia, os conhecimentos que havia adquirido na aprendizagem feita na cadeia, e assim se foi lenta e progressivamente desenvolvendo a indústria naquele meio, que foi durante muitos anos o único ponto em que ela se exerceu. Um súbdito inglês, de nome William Hinton, importante industrial ha poucos anos falecido na Madeira, em avançada idade, parece ter também influído nas tentativas iniciais desta indústria, auxiliando os primeiros obreiros com os conhecimentos que tinha da indústria destes moveis, já fabricados na Inglaterra e Alemanha com hastes de cipó, por cuja flexibilidade e outras propriedades se assemelham muito aos vimes madeirenses”.
Informação recebida directamente desta freguesia, de pessoa que ali se dedicou a algumas investigações sobre o assunto, não contradiz na essência as noticias fornecidas pelo autor da monografia citada, acrescentando apenas que “Foi Antonio Caldeira o introdutor do trabalho de vimes, o qual desmanchando uma esteira que tinha vindo do estrangeiro por intermédio dum membro da família Hinton, estudou a forma e fabrico dela, tomando como ponto de partida para atingir o seu ideal, a flexibilidade do vime”.
Afirma-se que esta indústria, embora em estado muito rudimentar, começou nesta freguesia pelos anos de 1812. Foi depois de 1870 que ela começou a ter um notável incremento, tendo nos últimos 40 anos atingido um desenvolvimento extraordinário. A monografia que deixamos citada, contém informações muito interessantes sobre a cultura do vime, processos no fabrico da obra de verga, seu desenvolvimento, exportação, etc.
Tem esta paróquia uma escola oficial para cada sexo, sendo a do sexo masculino criada em 1862, e a do sexo feminino, por decreto de 12 de Agosto de 1914. A primeira, desde a sua criação, tem tido como professores Miguel Luiz Valerio, Luiz Teixeira de Vasconcelos, Constancio Figueira da Silva e Manuel de Jesus de Antas e Almeida. A primeira professora da escola do sexo feminino foi D. Maria das Mercês Lopes de Faria.
O cemitério paroquial foi construído em 1856, por ocasião da epidemia colérica, em terreno para esse fim oferecido pelo Conde do Carvalhal, que era um dos maiores proprietários desta freguesia.
Os sítios principais desta paróquia são: Igreja, Rochão, Achadinha, Casais de Além, Vale Paraíso, Ribeiro Fernando, Nogueira, Ribeirinha, Salgados e Ribeiro Serrão.
Ha alguns sítios ou logares que, pelo pitoresco da paisagem ou pelos belos e vastos panoramas que deles se disfrutam, merecem menção especial, tais como o Poiso, Pico do Infante, Pico da Silva, Mirante do
Marcado, no caminho dos Salgados, Eira de Fora, etc.
A Camacha tem como freguesias confinantes ao norte, S. Roque do Faial e Porto da Cruz, ao sul, o Caniço, a leste, Santo Antonio da Serra, Santa Cruz e Gaula e a oeste Santa Maria Maior e Monte. Dista 9 quilómetros e meio da sede do distrito, e aproximadamente 12 da sede do concelho e da comarca, 6 da freguesia do Caniço, e 9 de Santo Antonio da Serra.
Não queremos encerrar este ligeiro artigo sem nos referirmos ao bemquisto e prestimoso cidadão Manuel Filipe Gomes, natural da freguesia de S. Roque, que em idade muito avançada faleceu na Camacha, há aproximadamente 40 anos, e nela teve residência num período de tempo superior a meio século. Era de uma grande austeridade de caracter e da mais proba e inconcussa honradez, deixando o seu nome vinculado á historia desta freguesia, pelos desinteressados serviços que a ela prestou, nomeadamente na construção e melhoramento de várias estradas e caminhos, na construção do fontanário que fica no sítio da Igreja, na aquisição de terreno na Achada para logradouro comum, etc., o que tudo lhe fez conquistar uma subida consideração e um justificado prestigio entre os habitantes desta freguesia. As suas qualidades pessoais e relações que mantinha com os estrangeiros que frequentavam a Camacha, contribuíram consideravelmente para os melhoramentos que ali realizou, alguns dos quais empreendidos e levados a cabo com grande e manifesto prejuízo dos seus haveres.
E natural desta freguesia o conselheiro Aires de Ornelas de Vasconcelos, de quem nos ocuparemos em artigo especial.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 10-
A freguesia da Camacha foi criada e separada da do Caniço, com sede na Capela de São Lourenço, tendo sido definitivamente constituída em 1680.
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Na sequência da resolução do príncipe regente de outubro de 1676, cartas régias de D. Pedro II, datadas de 28 de dezembro de 1676, criaram várias freguesias e curadorias, incluindo as do Paul do Mar, Prazeres, Santa Luzia, Camacha, Serra de Água, Arco de São Jorge, Achadas da Cruz, Estreito e Arco da Calheta; foram extintos benefícios da colegiada de Câmara de Lobos para financiar algumas delas.
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Foi lançada a primeira pedra da atual igreja paroquial da Camacha.
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Foi criada uma curadoria na Camacha.
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Segundo consta, a indústria de vimes teve início na Camacha.
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A esquadra miguelista bombardeou Machico, desembarcou tropas e ocupou a Madeira, entrando no Funchal sem oposição em 23 de agosto; o Forte de São João Baptista disparou contra o brigue Infante D. Sebastião.
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A Casa de Abrigo do Poiso ficou concluída no início de 1852.
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Uma epidemia de cólera, trazida pelo Regimento de Infantaria n.º 1, assolou a Madeira de julho a outubro de 1856, causando, segundo a tradição, cerca de dez mil mortes e deixando muitos órfãos. Álvaro Rodrigues de Azevedo, Luiz Albino Gonçalves e outros prestaram serviço durante a epidemia.
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Foi criada uma escola para rapazes na Camacha.
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Foi posto a funcionar o relógio da torre de Grabham, na Camacha.
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Foi criada por decreto uma escola para raparigas na freguesia da Camacha.
Lugar
Lugares mencionados · 29- Camacha · Assunto
Santa Cruz
A Camacha é uma freguesia situada nas terras altas acima do Caniço, no concelho de Santa Cruz, fundada em 1676 com sede na Capela de São Lourenço. O Elucidário aborda a sua igreja, o seu papel na invasão miguelista de 1828, as quintas, as levadas, a Casa de Abrigo do Poiso, a romaria do Pentecostes, as saias acolchoadas das mulheres, as plantas e os jardins, e a sua célebre indústria de vimes, iniciada por Hinton.
- Camacha · Assunto
Porto Santo
A Camacha é um dos principais sítios do Porto Santo. É um local arenoso que funciona como reservatório de infiltração, onde a água captada deveria ser deixada a infiltrar-se no solo.
- Achada da Camacha
Santa Cruz. Terreno plano onde se ergue a torre do relógio de Grabham.
A Achada da Camacha é um terreno plano na freguesia da Camacha onde se ergue a torre do relógio de Grabham. Foi outrora um pasto comum, onde se jogou críquete pela primeira vez em 1888 e onde Hinton deu o primeiro pontapé numa bola de futebol.
- Caniço
Santa Cruz. Freguesia de origem da qual a Camacha foi separada.
O Caniço é uma freguesia do concelho de Santa Cruz, situada na fronteira entre as capitanias do Funchal e de Machico. Entre os seus primeiros povoadores contavam-se Gaspar Rego, Vasco Fernandes Rego e Álvaro de Ornelas, cuja família aí instituiu morgados; o seu alcaide e juiz eram nomeados pelo Senado do Funchal. Na freguesia encontram-se a estátua do Garajau, a residência dos Jesuítas no Socorro e a Quinta do Barão da Conceição.
- Choupana
Funchal. Ponto de partida do caminho pedonal ao longo da levada.
A Choupana é um sítio da freguesia de Santa Maria Maior, no Funchal, a sul do Pico do Infante, onde termina a Levada da Serra do Faial. Ali se encontram as Quintas do Miradouro e da Choupana, tendo nesta última sido realizada uma festa durante a visita régia. Cultivam-se aí Acacia dealbata e eucaliptos, e o sítio foi atingido por um projétil no bombardeamento de 1917.
- Funchal
Sede do distrito; a sua Câmara Municipal mantinha a Casa do Poiso.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Gaula
Santa Cruz. Freguesia costeira situada abaixo da Camacha.
Gaula é uma freguesia costeira do concelho de Santa Cruz, na Madeira, situada abaixo da Camacha e criada em 1558. A origem do seu nome, incluindo uma alegada ligação ao romance Amadis de Gaula, é controversa. Abrange o Pico dos Eirós, a Achada de Gaula e, na costa, o Calhau e Porto da Aldonça. Foi terra da família Cardoso e sede do seu morgadio de São João de Latrão; esteve também associada às famílias Nunes e Madureira e a um morgadio do Conde da Calçada.
- Levada da Azenha
Santa Cruz. Levada que nasce no Pico da Silva e rega o Caniço e a Camacha.
A Levada da Azenha nasce no Pico da Silva e irriga o Caniço e a Camacha.
- Levada da Serra
Santa Cruz · Machico · Funchal · Santana. Levada que atravessa a Camacha sem a regar.
A Levada da Serra é uma levada da Madeira que passa perto de Alpires e atravessa o Ribeiro Frio. É uma das levadas que irrigam o Caniço e uma das quatro principais que irrigam Câmara de Lobos, mas atravessa a Camacha sem a irrigar. O asilo de mendicidade do Funchal detinha direitos de água nesta levada e, no Lombo da Raiz, as suas águas são separadas para um canal próprio.
- Levada de Baixo
Santa Cruz. Levada que rega a Camacha e o Caniço.
A Levada de Baixo irriga as freguesias da Camacha e do Caniço.
- Levada do Pico do Arvoredo
Santa Cruz. Levada proveniente das serras do Poiso.
A Levada do Pico do Arvoredo é uma levada proveniente das serras do Poiso que irriga o Caniço. Os seus estatutos foram publicados em 1877.
- Machico
Local de desembarque das forças miguelistas em 1828.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 21- Aires de Ornelas1866–1930
Natural da Camacha, nasceu em 1866 na casa de veraneio da família Ornelas.
- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Estudioso que conjecturou que o nome Camacha derivava do apelido Camacho de um povoador.
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É-lhe atribuída localmente a introdução da indústria de vimes, após ter estudado uma esteira importada.
- António da Silva Figueiran. 1887
Um dos primeiros moradores da Camacha, no final do século XVI.
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Grande proprietário que doou terreno para o cemitério de 1856.
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Bispo autorizado a criar a freguesia da Camacha em 1676.
- D. Luís Rodrigues de Vilaresm. 1810
Bispo que requereu a criação da curadoria em 1801.
- D. Pedro IIm. 1706
Rei cuja carta régia de 1676 autorizou a criação da freguesia.
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Segundo consta, construiu a Capela de São Lourenço, primeira sede da freguesia.
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Major incumbido de defender as alturas da Camacha em 1828, mais tarde Conde das Antas.
+ 11 mais
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Primeiro pároco da Camacha, entre 1680 e 1699.
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Primeiro cura da Camacha, a partir de 1801.
- José Lúcio Travassos Valdez1787–1862
Governador e capitão-general da Madeira durante a invasão miguelista de 1828.
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil que mandou construir a Casa de Abrigo do Poiso, concluída em 1852.
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Benemérito natural de São Roque que melhorou os caminhos, a fonte e os terrenos baldios da Camacha.
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Primeira professora da escola para raparigas da Camacha.
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Mulher do Dr. Grabham, que pôs a funcionar o relógio da torre em 1896.
- Michael C. Grabhamn. 1840
Médico inglês que construiu a torre do relógio na Achada da Camacha em 1896.
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Tenente-coronel cujos soldados se recusaram a combater em Porto Novo em 1828.
- Vitorino José dos Santos1863–1928
Engenheiro que publicou, em 1907, uma monografia sobre a indústria de vimes madeirense.
- William Hinton1817–1904
Industrial inglês que se julga ter contribuído para o início da indústria de vimes da Camacha.