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Elucidário Madeirense Início
Relógios 1Relógios públicos das freguesias
Artigo Nº 3148 Monumento Santa Cruz Vol. III · pp. 336–337 3 min de leitura

Relógios

Descrição dos relógios públicos da Madeira, sobretudo do relógio da Sé Catedral do Funchal: o antigo, construído em 1775, e o que o substituiu, oferecido pelo Dr. Michael Grabham e instalado em 1921–1922. Enumera também os outros relógios públicos das ilhas e refere o antigo costume de um funcionário remunerado assinalar as horas.

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No estrangeiro

Mapa: Arquipélago da Madeira (17)

1Relógios públicos das freguesias

Além do da Sé Catedral do Funchal, existem relógios destinados a indicar ao publico as horas, nas seguintes localidades: S. Martinho, Monte, Camacha, Santa Cruz, Ponta do Sol, Canhas e Estreito da Calheta (1921). Na torre da igreja paroquial de Machico houve outrora um relógio que deixou de funcionar em 1824.

O relógio da igreja de S. Martinho foi inaugurado em 1922; o da igreja do Monte foi adquirido pela fabrica da mesma igreja no tempo do falecido vigário cónego Francisco José Rodrigues de Almada; o da Camacha (V. este nome), que está numa torre ao sítio da Achada, e o de Santa Cruz, foram oferecidos, este pelo falecido R. Blandy e aquêle pelo Dr. Grabham; o dos Canhas, colocado na levada do Poiso, é propriedade dos heréus desta levada; e o do Estreito da Calheta, foi oferecido por um grupo de rapazes naturais dessa freguesia e ausentes na Africa do Sul. Na torre da igreja do Porto Santo desde 1899 que existe um relógio adquirido pela Câmara Municipal.

2O relógio da Sé

O actual relógio da Sé Catedral foi oferecido pelo Dr. M. Grabham á Câmara Municipal em sessão de 3 de Agosto de 1914, mas só chegou á Madeira a 8 de Novembro de 1921, a bordo do vapor Walmer Castle. Foi benzido pelo Prelado Diocesano a 23 de Fevereiro de 1922, assistindo á cerimonia o falecido imperador de Austria Carlos de Habsburgo. A 27 de Julho, do mesmo ano, declarou o vice-presidente da Camara que fôra já entregue á Municipalidade o mesmo relogio, tendo a colocação de dois dos ponteiros, o ultimo trabalho que nele se realizou, sido ultimada a 30 de Junho.

O antigo relogio da Sé, apeado a 6 de Dezembro de 1921 para a montagem do relogio oferecido pelo dr. Grabham, foi mandado fazer em 1775, durante o govêrno de João Antonio de Sá Pereira e tem nos seus maquinismos a seguinte inscrição: «Este relogio foi mandado fazer por administração do Ill.mo e Ex.mo Gov.or João Antonio de Saa Pr.ª Anno 1775 Paulo de França fecit.

Em 6 de Agosto de 1776 nomeou a Câmara o primeiro empregado para cuidar do relógio da Sé, e, desde então, nunca mais deixou o mesmo relógio de estar a cargo da Municipalidade, que era quem nomeava os relojoeiros. Não ha nos registos da Câmara nota alguma que explique a maneira como o relógio foi entregue á Municipalidade.

Em 1823, mandou a Câmara fazer um grande conserto no referido relógio, que importou em 85$000 réis e foi executado por José Pedro Pereira, serralheiro, que nada levou pelo seu trabalho «visto ser obra do publico, a quem desejava ser util». «O relógio, diz um antigo documento, ficou perfeito, tendo estado para ser abandonado, e em Lisboa ninguém o concertava por menos de 400 patacas».

O primitivo sino das horas do relógio da Sé, partiu-se, ignoramos em que circunstancias, tendo sido substituído por um sino do extinto convento de S. Francisco, requisitado pela Câmara em 1835. Pela mesma época, foi trocado por um sino da igreja do Colégio de S. João Evangelista, o sino dos quartos do mesmo relógio. O sino partido foi posto em praça pela Câmara e arrematado pela quantia de 2$400 réis cada arroba.

Os quatro mostradores de pedra do antigo relógio da Sé e que foram aproveitados para o relógio actual, têm 2m,3 de diâmetro, e as letras 0m,35 de altura; os ponteiros, que não puderam ser utilizados por não marcarem os minutos, mediam 1m,35 de comprido.

Nos tempos em que não havia relógio na torre da Sé Catedral, eram as horas anunciadas ali por um relojoeiro, que foi pago a principio pela renda da imposição do vinho e depois pelos sobejos dos dízimos da Alfandega. O documento mais antigo que conhecemos referente a esse funcionário é de 11 de Abril de 1713, mas tudo leva a crer que já no século XVII houvesse um encarregado de bater as horas ou algumas delas, visto ser isso uma necessidade para estabelecer uma certa regularidade nos serviços públicos e particulares, sobretudo em épocas em que os relógios de parede e de algibeira eram ainda muito pouco frequentes no Funchal.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 10
  1. Data de 1713 o mais antigo documento conhecido sobre o funcionário encarregado de dar as horas na Sé Catedral do Funchal.

  2. O governador João António de Sá Pereira mandou construir e instalar um relógio na torre da Sé Catedral do Funchal.

  3. A Câmara nomeou o primeiro encarregado do relógio da Sé Catedral.

  4. José Pedro Pereira efetuou uma grande reparação no relógio da Sé Catedral.

  5. O antigo relógio da torre da Igreja Matriz de Machico deixou de funcionar.

  6. A Câmara requisitou um sino do extinto convento de São Francisco para o relógio da cidade.

  7. A Câmara Municipal instalou um relógio na torre da igreja do Porto Santo.

  8. O Dr. Michael C. Grabham ofereceu à Câmara Municipal do Funchal um novo relógio para a Sé Catedral.

  9. O novo relógio da Sé Catedral do Funchal chegou a bordo do Walmer Castle.

  10. O antigo relógio da Sé Catedral do Funchal foi retirado.

  11. Foi inaugurado o relógio da igreja de São Martinho.

  12. O bispo benzeu o novo relógio na presença do imperador Carlos da Áustria.

  13. O novo relógio ficou concluído com a colocação dos dois ponteiros e, mais tarde, foi noticiado que tinha sido entregue ao município.

Lugar

Lugares mencionados · 17
  1. Relógios · Assunto

    Santa Cruz

  2. Achada

    Santa Cruz. Local onde se situa a torre do relógio da Camacha.

  3. África do Sul

    South Africa. País onde viviam os emigrantes que ofereceram o relógio do Estreito da Calheta.

  4. Camacha

    Santa Cruz. Tem na Achada uma torre com um relógio oferecido pelo Dr. Grabham.

  5. Canhas

    Ponta do Sol. O seu relógio situa-se na Levada do Poiso e pertence aos titulares dos direitos de água da levada.

  6. Convento de São Francisco

    Funchal. O convento extinto forneceu o novo sino das horas em 1835.

  7. Estreito da Calheta

    Calheta. O seu relógio foi oferecido por emigrantes da freguesia residentes na África do Sul.

  8. Igreja do Colégio

    Funchal. A igreja forneceu o sino que assinalava os quartos de hora.

  9. Levada do Poiso

    Câmara de Lobos. Localização do relógio dos Canhas e dos seus proprietários.

  10. Lisboa

    Portugal. Segundo um documento antigo, ninguém em Lisboa teria reparado o relógio por menos de 400 patacas.

  11. Machico

    A torre da sua igreja teve um relógio que deixou de funcionar em 1824.

  12. Monte

    Funchal. A sua igreja tem um relógio público.

+ 5 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 07
  1. Último imperador da Áustria, exilado na Madeira, que assistiu à bênção do novo relógio da Sé Catedral em 1922.

  2. Cónego e vigário do Monte, em cujo tempo a fábrica da igreja comprou o relógio da igreja do Monte.

  3. Governador da Madeira que mandou construir o antigo relógio da Sé Catedral em 1775.

  4. Serralheiro que realizou uma grande reparação do relógio da Sé Catedral em 1823, sem cobrar pelo trabalho.

  5. Médico residente na Madeira que ofereceu o relógio da Camacha e o atual relógio da Sé Catedral do Funchal.

  6. Construtor mencionado na inscrição do antigo relógio da Sé Catedral, de 1775.

  7. Membro já falecido da família Blandy que ofereceu o relógio público de Santa Cruz.

Na folha R

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