Relógios 1Relógios públicos das freguesias
Relógios
Descrição dos relógios públicos da Madeira, sobretudo do relógio da Sé Catedral do Funchal: o antigo, construído em 1775, e o que o substituiu, oferecido pelo Dr. Michael Grabham e instalado em 1921–1922. Enumera também os outros relógios públicos das ilhas e refere o antigo costume de um funcionário remunerado assinalar as horas.
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1Relógios públicos das freguesias
Além do da Sé Catedral do Funchal, existem relógios destinados a indicar ao publico as horas, nas seguintes localidades: S. Martinho, Monte, Camacha, Santa Cruz, Ponta do Sol, Canhas e Estreito da Calheta (1921). Na torre da igreja paroquial de Machico houve outrora um relógio que deixou de funcionar em 1824.
O relógio da igreja de S. Martinho foi inaugurado em 1922; o da igreja do Monte foi adquirido pela fabrica da mesma igreja no tempo do falecido vigário cónego Francisco José Rodrigues de Almada; o da Camacha (V. este nome), que está numa torre ao sítio da Achada, e o de Santa Cruz, foram oferecidos, este pelo falecido R. Blandy e aquêle pelo Dr. Grabham; o dos Canhas, colocado na levada do Poiso, é propriedade dos heréus desta levada; e o do Estreito da Calheta, foi oferecido por um grupo de rapazes naturais dessa freguesia e ausentes na Africa do Sul. Na torre da igreja do Porto Santo desde 1899 que existe um relógio adquirido pela Câmara Municipal.
2O relógio da Sé
O actual relógio da Sé Catedral foi oferecido pelo Dr. M. Grabham á Câmara Municipal em sessão de 3 de Agosto de 1914, mas só chegou á Madeira a 8 de Novembro de 1921, a bordo do vapor Walmer Castle. Foi benzido pelo Prelado Diocesano a 23 de Fevereiro de 1922, assistindo á cerimonia o falecido imperador de Austria Carlos de Habsburgo. A 27 de Julho, do mesmo ano, declarou o vice-presidente da Camara que fôra já entregue á Municipalidade o mesmo relogio, tendo a colocação de dois dos ponteiros, o ultimo trabalho que nele se realizou, sido ultimada a 30 de Junho.
O antigo relogio da Sé, apeado a 6 de Dezembro de 1921 para a montagem do relogio oferecido pelo dr. Grabham, foi mandado fazer em 1775, durante o govêrno de João Antonio de Sá Pereira e tem nos seus maquinismos a seguinte inscrição: «Este relogio foi mandado fazer por administração do Ill.mo e Ex.mo Gov.or João Antonio de Saa Pr.ª Anno 1775 Paulo de França fecit.
Em 6 de Agosto de 1776 nomeou a Câmara o primeiro empregado para cuidar do relógio da Sé, e, desde então, nunca mais deixou o mesmo relógio de estar a cargo da Municipalidade, que era quem nomeava os relojoeiros. Não ha nos registos da Câmara nota alguma que explique a maneira como o relógio foi entregue á Municipalidade.
Em 1823, mandou a Câmara fazer um grande conserto no referido relógio, que importou em 85$000 réis e foi executado por José Pedro Pereira, serralheiro, que nada levou pelo seu trabalho «visto ser obra do publico, a quem desejava ser util». «O relógio, diz um antigo documento, ficou perfeito, tendo estado para ser abandonado, e em Lisboa ninguém o concertava por menos de 400 patacas».
O primitivo sino das horas do relógio da Sé, partiu-se, ignoramos em que circunstancias, tendo sido substituído por um sino do extinto convento de S. Francisco, requisitado pela Câmara em 1835. Pela mesma época, foi trocado por um sino da igreja do Colégio de S. João Evangelista, o sino dos quartos do mesmo relógio. O sino partido foi posto em praça pela Câmara e arrematado pela quantia de 2$400 réis cada arroba.
Os quatro mostradores de pedra do antigo relógio da Sé e que foram aproveitados para o relógio actual, têm 2m,3 de diâmetro, e as letras 0m,35 de altura; os ponteiros, que não puderam ser utilizados por não marcarem os minutos, mediam 1m,35 de comprido.
Nos tempos em que não havia relógio na torre da Sé Catedral, eram as horas anunciadas ali por um relojoeiro, que foi pago a principio pela renda da imposição do vinho e depois pelos sobejos dos dízimos da Alfandega. O documento mais antigo que conhecemos referente a esse funcionário é de 11 de Abril de 1713, mas tudo leva a crer que já no século XVII houvesse um encarregado de bater as horas ou algumas delas, visto ser isso uma necessidade para estabelecer uma certa regularidade nos serviços públicos e particulares, sobretudo em épocas em que os relógios de parede e de algibeira eram ainda muito pouco frequentes no Funchal.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 10-
Data de 1713 o mais antigo documento conhecido sobre o funcionário encarregado de dar as horas na Sé Catedral do Funchal.
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O governador João António de Sá Pereira mandou construir e instalar um relógio na torre da Sé Catedral do Funchal.
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A Câmara nomeou o primeiro encarregado do relógio da Sé Catedral.
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José Pedro Pereira efetuou uma grande reparação no relógio da Sé Catedral.
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O antigo relógio da torre da Igreja Matriz de Machico deixou de funcionar.
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A Câmara requisitou um sino do extinto convento de São Francisco para o relógio da cidade.
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A Câmara Municipal instalou um relógio na torre da igreja do Porto Santo.
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O Dr. Michael C. Grabham ofereceu à Câmara Municipal do Funchal um novo relógio para a Sé Catedral.
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O novo relógio da Sé Catedral do Funchal chegou a bordo do Walmer Castle.
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O antigo relógio da Sé Catedral do Funchal foi retirado.
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Foi inaugurado o relógio da igreja de São Martinho.
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O bispo benzeu o novo relógio na presença do imperador Carlos da Áustria.
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O novo relógio ficou concluído com a colocação dos dois ponteiros e, mais tarde, foi noticiado que tinha sido entregue ao município.
Lugar
Lugares mencionados · 17- Relógios · Assunto
Santa Cruz
Descrição dos relógios públicos da Madeira, sobretudo do relógio da Sé Catedral do Funchal: o antigo, construído em 1775, e o que o substituiu, oferecido pelo Dr. Michael Grabham e instalado em 1921–1922. Enumera também os outros relógios públicos das ilhas e regista o antigo costume de um funcionário remunerado assinalar as horas.
- Achada
Santa Cruz. Local onde se situa a torre do relógio da Camacha.
A Achada é um pequeno planalto junto à igreja paroquial da Camacha. Tem a torre do relógio da Camacha e uma capela de São José do século XX; os estrangeiros conheceram-na outrora como campo de jogos do Jogo da Bola.
- África do Sul
South Africa. País onde viviam os emigrantes que ofereceram o relógio do Estreito da Calheta.
A África do Sul é referida como o lugar onde o príncipe Eugénio Napoleão morreu na Guerra Zulu. Foi o ponto terminal do cabo da Eastern Telegraph Company. Importava vime e vergas da Madeira antes de desenvolver a sua própria indústria de cestaria, e emigrantes ali residentes ofereceram o relógio do Estreito da Calheta.
- Camacha
Santa Cruz. Tem na Achada uma torre com um relógio oferecido pelo Dr. Grabham.
A Camacha é uma freguesia situada nas terras altas acima do Caniço, no concelho de Santa Cruz, fundada em 1676 com sede na Capela de São Lourenço. O Elucidário aborda a sua igreja, o seu papel na invasão miguelista de 1828, as quintas, as levadas, a Casa de Abrigo do Poiso, a romaria do Pentecostes, as saias acolchoadas das mulheres, as plantas e os jardins, e a sua célebre indústria de vimes, iniciada por Hinton.
- Canhas
Ponta do Sol. O seu relógio situa-se na Levada do Poiso e pertence aos titulares dos direitos de água da levada.
Os Canhas são uma freguesia do concelho da Ponta do Sol, na costa sul da Madeira, cujo nome provém da família Canha. Criada em 1577, teve a sua primeira sede na Capela de São Tiago. O Elucidário regista a sua igreja e as capelas, o vestuário e a fala locais, as atividades económicas e os sítios, como Outeiro e Carvalhal e Carreira, a irrigação por uma pequena levada particular e a sesmaria de Martim Afonso da Cunha.
- Convento de São Francisco
Funchal. O convento extinto forneceu o novo sino das horas em 1835.
O Convento de São Francisco foi um convento franciscano fundado no Funchal em 1473 e assinalava o limite ocidental da cidade em 1508. A sua igreja foi demolida em 1865, e os seus objetos, livros, lápides e ossadas foram para o cemitério das Angústias, o museu e a Biblioteca Municipal. Os edifícios albergaram presos durante um breve período, até 1836, e a polícia em 1857.
- Estreito da Calheta
Calheta. O seu relógio foi oferecido por emigrantes da freguesia residentes na África do Sul.
O Estreito da Calheta é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira, delimitada pela Ribeira de São Bartolomeu e pela Ribeira Funda. A sua igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça foi fundada pela família França, e o verbete aborda os primeiros proprietários, as capelas, os sítios, as escolas e a irrigação pela Levada Nova do Rabaçal; os Prazeres foram separados da freguesia em 1733.
- Igreja do Colégio
Funchal. A igreja forneceu o sino que assinalava os quartos de hora.
A Igreja do Colégio (São João Evangelista) é a igreja do colégio dos Jesuítas na freguesia da Sé, no Funchal, construída após 1508. Foi ponto de partida de várias procissões, palco das cerimónias de ação de graças de 1776 e dos Te Deum comemorativos, e local de sepultura de D. Francisco Henriques. Alberga uma pintura do século XVI.
- Levada do Poiso
Câmara de Lobos. Localização do relógio dos Canhas e dos seus proprietários.
Localização e proprietários do relógio dos Canhas.
- Lisboa
Portugal. Segundo um documento antigo, ninguém em Lisboa teria reparado o relógio por menos de 400 patacas.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Machico
A torre da sua igreja teve um relógio que deixou de funcionar em 1824.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Monte
Funchal. A sua igreja tem um relógio público.
Freguesia de Nossa Senhora do Monte, acima do Funchal, a cerca de 600 m de altitude, onde o aparecimento das folhas ocorre mais tarde do que no Funchal. Inclui os sítios do Jardim Botânico, da Igreja e dos Marmeleiros e a Quinta de Sant'Ana. O Elucidário regista as suas numerosas plantas, entre elas acácias e Sonchus fruticosus.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 07- Carlos de Habsburgom. 1922
Último imperador da Áustria, exilado na Madeira, que assistiu à bênção do novo relógio da Sé Catedral em 1922.
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Cónego e vigário do Monte, em cujo tempo a fábrica da igreja comprou o relógio da igreja do Monte.
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Governador da Madeira que mandou construir o antigo relógio da Sé Catedral em 1775.
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Serralheiro que realizou uma grande reparação do relógio da Sé Catedral em 1823, sem cobrar pelo trabalho.
- Michael C. Grabhamn. 1840
Médico residente na Madeira que ofereceu o relógio da Camacha e o atual relógio da Sé Catedral do Funchal.
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Construtor mencionado na inscrição do antigo relógio da Sé Catedral, de 1775.
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Membro já falecido da família Blandy que ofereceu o relógio público de Santa Cruz.