Conferencias de S. Vicente de Paulo 1Fundação e expansão das conferencias
Conferencias de S. Vicente de Paulo
Descrição das Conferências de São Vicente de Paulo na Madeira, pequenas associações caritativas de leigos que prestam auxílio aos «pobres envergonhados» nas suas casas, com as datas de fundação das conferências do Funchal e das zonas rurais a partir de 1875 e dados estatísticos de 1916 e 1939.
1Fundação e expansão das conferencias
As conferencias de S. Vicente de Paulo são sociedades ou agremiações de um reduzido numero de individuos, que as destinam exclusivamente ao socorro dos pobres envergonhados, nos seus proprios domicilios. Tem esta cidade três conferencias: a da freguesia de S. Pedro, que se estabeleceu a 10 de Janeiro de 1875, a de Santa Maria Maior instalada a 19 de Julho de 1908 e a de Santa Luzia, a 8 de Dezembro de 1911. No ano de 1913 foram criadas Conferencias nas freguesias suburbanas de S. Martinho, Santo Antonio, S. Roque, Nossa Senhora do Monte e S. Gonçalo, e nas rurais de Machico e Santa Cruz. Em 1914 estabeleceram-se Conferencias nas paroquias de Camara de Lôbos Arco da Calheta, Pôrto do Moniz e Serra de Agua; em 1915 nas freguesias do Pôrto da Cruz, Sant’Ana, Ponta do Sol, Gaula, Camacha e Caniço; e em 1916 nas do Campanario Estreito de Camara de Lôbos.
Há relatorios impressos do movimento destas Conferencias, referentes a diversos anos, sendo o relativo ao ano de 1916 o ultimo que pudemos examinar. O total de receitas e despesas destas Conferencias respeitante ao referido ano de 1916, foi respectivamente de 5:974$50 e 4:760$37 escudos.
2Estado actual das conferencias
Dando actualidade ás informações que acima ficam exaradas, diremos que esta cidade tem 6 conferencias: a da freguesia de S. Pedro que se estabeleceu a 17 de Janeiro de 1875, a de Santa Maria Maior, instalada a 19 de Julho de 1908, a de S. Luzia fundada a 8 de Dezembro de 1911, a da Sé estabelecida a 8 de Dezembro de 1927, a de S. Luiz de Gonzaga e de S. João Evangelista, respectivamente organizadas pela Juventude Católica e pelos Estudantes do Liceu.
Existem conferencias, além das acima indicadas, nas freguesias de S. Antonio (4 conferências: duas paroquiais e duas no sitio do Trapiche e Alecrins); S. Martinho, S. Roque, S. Gonçalo, Monte, Santa Cruz, Gaula, Camacha, Caniço, Machico, Pôrto da Cruz, Camara de Lôbos, Calheta, Pôrto do Moniz, Ribeira Brava, Campanario, Serra de Agua, Prazeres, Paul do Mar, Santana, Faial, S. Roque do Faial, S. Jorge, S. Vicente, Ponta do Sol e Pôrto Santo.
O Concelho Central da Sociedade de S. Vicente de Paulo tem sua sede no Funchal, e é constituido por sete membros, que anualmente publica um relatorio do movimento de tôdas as conferencias existentes na Madeira. Do relatorio referente ao ano de 1939, extraímos os seguintes dados estatisticos: —Numero de Conferências no Arquipelago da Madeira—36. Existem 842 membros activos, 19 aspirantes e 730 subscritores. São visitadas anualmente 671 familias pobres. Durante o ano de 1939 as Conferencias distribuíram esc. 80.507$50.
A 8 de Dezembro de 1939 foi igualmente constituído o Conselho Central das Conferencias Femininas. Existem 10 Conferências Femininas respectivamente no Colegio de S. Luiz (Funchal), Santa Luzia, Santa Maria Maior, Santo Antonio, Camacha, S. Martinho, Sant’Ana Machico, Arco da Calheta e Faial.
Possuem 150 membros activos, 20 aspirantes, 267 subscritores, tendo sido visitadas 164 familias pobres durante o ano de 1939, ultimo do relatorio que consultámos. As mesmas Conferencias distribuíram durante o referido ano, a quantia de esc. 10:483$65.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Foi fundada em São Pedro, no Funchal, a primeira Conferência de São Vicente de Paulo da Madeira.
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Foi instalada a Conferência de São Vicente de Paulo de Santa Maria Maior.
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Foi fundada a Conferência de Santa Luzia da Sociedade de São Vicente de Paulo.
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As Conferências de São Vicente de Paulo estenderam-se às freguesias suburbanas e rurais.
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Foi estabelecida a Conferência da Sé.
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Foi constituído o Conselho Central das Conferências Femininas de São Vicente de Paulo.
Lugar
Lugares mencionados · 11- Alecrins
Funchal. Local de uma das conferências de Santo António.
Alecrins é um sítio da freguesia de Santo António, no Funchal, e a sede do morgadio dos Alecrins, instituído em 1577. Ali se situavam a desaparecida Capela de Nossa Senhora da Quietação (1670) e a respetiva quinta, bem como uma das conferências de São Vicente de Paulo de Santo António.
- Funchal
Sede do Conselho Central.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Machico
Conferência rural fundada em 1913.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Porto Santo
Tinha uma conferência em 1939.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Santa Cruz
Conferência rural fundada em 1913.
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
- Santa Luzia
Funchal. Conferência fundada em 8 de dezembro de 1911.
Santa Luzia é uma das quatro freguesias urbanas do Funchal, situada na parte alta e norte da cidade. Foi criada em 1676 a partir de áreas das freguesias da Sé e do Monte; a sua igreja atual foi concluída por volta de 1741, e em 1927 passou a constituir um julgado da comarca do Funchal. É referida como a zona mais húmida do Funchal, e o arquivo da Câmara esteve ali guardado a partir de 1807.
- Santa Maria Maior
Funchal. Conferência instalada em 19 de julho de 1908.
Freguesia parcialmente urbana na zona oriental do Funchal, a mais antiga do arquipélago, também conhecida como Nossa Senhora do Calhau ou Socorro. A sua igreja é a antiga Igreja de São Tiago, e a freguesia destaca-se pelas bordadeiras que produzem os trabalhos mais finos. Tornou-se um julgado da comarca do Funchal em 1927.
- São Pedro
Funchal. Freguesia onde foi fundada, em 1875, a primeira conferência do Funchal.
São Pedro é a mais populosa das quatro freguesias urbanas do Funchal e o local onde Zarco estabeleceu o primeiro povoado. A freguesia foi criada em 1566, extinta em 1579 e restabelecida em 1587. O Elucidário aborda as côngruas do clero, a construção da igreja, as capelas, as instituições notáveis e os limites da freguesia.
- Sé
Funchal. Conferência estabelecida em 8 de dezembro de 1927.
A Sé é a freguesia urbana central do Funchal, situada inteiramente dentro da cidade. Foi desmembrada de Santa Maria Maior em 1557 e tem sede na catedral; é o centro comercial, administrativo e institucional da cidade. O Elucidário regista as suas igrejas, edifícios notáveis, o seu papel judicial como ponto de partida da comarca oriental e várias personalidades ali nascidas, e assinala que o Bugio lhe pertence administrativamente.
- Trapiche
Funchal. Local de uma das conferências de Santo António.
O Trapiche é um sítio da freguesia de Santo António, no Funchal, com uma quinta cuja capela foi construída em 1814 e pela qual é comummente conhecida a capela de São João e Santana. Em 1923, os Irmãos de São João de Deus fundaram ali um hospital psiquiátrico, a Casa de Saúde do Trapiche. A quinta foi utilizada durante pouco tempo pelo Seminário, e o sítio foi sede de uma das conferências de São Vicente de Paulo de Santo António.