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Sé (Freguesia da) 1Criação da freguesia e curatos
Artigo Nº 3426 Freguesia Funchal Vol. III · pp. 518–520 4 min de leitura

Sé (Freguesia da)

A Sé é a freguesia central do Funchal, separada da freguesia original de Santa Maria Maior em 1557 e sediada na Sé Catedral; é o centro comercial, administrativo e institucional da cidade. O artigo aborda a sua criação, os seus curas, as igrejas e capelas desaparecidas do seu território, os edifícios notáveis e os limites definidos pelas ruas.

Sé (Freguesia da)
Mapa: Madeira (26)

1Criação da freguesia e curatos

Como já em outro lugar dissemos, a primeira paróquia criada no Funchal foi a de Santa Maria Maior, embora logo nos primeiros tempos da colonização se exercessem funções paroquiais simultaneamente em diversas capelas e ermidas (volume II, página 52). Esta freguesia, criada por 1438 e estabelecida na igreja de Nossa Senhora do Calhau, transferiu a sua sede para o novo templo, que depois foi Sé Catedral, alguns anos antes da instituição da Diocese. O alvará régio de 18 de Novembro de 1557 dividiu-a em duas paróquias distintas, com as suas sedes na Sé Catedral e na igreja de Nossa Senhora do Calhau. Foi da freguesia da Sé que se desmembraram as paróquias de São Pedro, Santo Antonio, São Martinho, São Roque, Monte e mais tarde Santa Luzia.

Até 1562, era o serviço paroquial desempenhado pelo deão da Sé, tendo o alvará régio de 20 de Julho daquele ano criado dois curatos, e exonerando o membro mais graduado do cabido do exercício daquelas funções. Foi de 8.400 réis anuais a primitiva côngrua de cada cura, que o alvará de 30 de Novembro de 1563 elevou a 17.450 réis e o de 21 de Fevereiro de 1600 a 20.000 réis, também anuais. Os primeiros curas, como no mencionado alvará de criação se declara, eram amovíveis, passando mais tarde a constituir um benefício colado como os outros congéneres desta diocese. Haverá aproximadamente cinquenta anos que o prelado D. Manuel Agostinho Barreto suprimiu provisoriamente um destes curatos, criando então um coadjutor na Sé e outro em cada uma das freguesias de São Gonçalo e São Martinho.

Não nos referiremos aqui ao templo em que foi e se acha instalada a sede desta freguesia, porque noutro lugar nos ocupamos dele com alguma largueza (V. Sé Catedral).

2Templos, edifícios e limites

Na área desta paróquia ficam as igrejas do Colégio, Carmo, Bom Jesus e Misericórdia. Já não existem as capelas de São Sebastião, São Bartolomeu, São Lourenço, Nossa Senhora da Piedade, Jesus Maria José, Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora do Livramento e Nossa Senhora dos Varadouros, às quais tôdas já nos referimos em outros lugares desta obra. Dentro do pátio da Alfândega existe ainda, mas já profanada, uma capela que tinha a invocação de Santo Antonio.

Foi também dentro da área desta paróquia que, durante alguns séculos, existiu a casa de João Esmeraldo, em que se afirma ter residido Cristovão Colombo e que ficava na rua que tem hoje o nome do grande navegador, como mais largamente se pode ver no artigo que a ele consagramos a páginas 286 do volume I deste Elucidário. Entre as ruas da Alfandega e dos Murças, no prolongamento do largo da Sé, se levantava um antigo edifício, que durante muitos anos serviu de cadeia e também de paços do concelho, e do qual já demos noticia em outro lugar (volume I, página 183). Ao portão dos Varadouros, que era a antiga entrada da cidade, fizemos a indispensável referência no artigo Nossa Senhora dos Varadouros, a página 467 do volume II. O principal edifício que se encontra nesta paróquia é a Sé Catedral, que está classificada como monumento nacional e que na verdade é um magnífico templo, digno do maior apreço pelo seu belo aspecto e majestade.

A freguesia da Sé ocupa a parte mais central da cidade e nela se desenvolve a sua maior actividade comercial, burocrática e oficial. Ali se encontram os mais importantes estabelecimentos comerciais, incluindo todas as casas bancárias, e a maior parte das repartições públicas, e ali se exerce o tráfego comercial do porto e da alfândega da cidade. O número dos seus moradores vai diminuindo consideravelmente, porque o movimento comercial tende sempre a desenvolver-se e as casas de habitação vão-se transformando em estabelecimentos de comercio.

Segundo o Mappa Alphabetico das ruas da cidade, aprovado pelo Governador Civil em 15 de Dezembro de 1863, fazem parte da freguesia, sendo quasi sempre limites dela, a parte sul da rua do Carmo (Costa Ferreira), desde a ponte até o ribeirinho do Vale, a parte norte da mesma rua, compreendida entre o dito ribeirinho e a rua das Hortas (Alferes Veiga Pestana), a parte ocidental desta rua, situada abaixo da rua do Bom Jesus, a rua da Conceição (Correia Heredia), a rua da Ponte Nova, a parte da rua do Bom Jesus entre a rua da Conceição e a da Princesa (31 de Janeiro), a parte oriental da rua dos Ferreiros, situada acima da rua dos Netos, a parte sul desta ultima rua, até a rua do Castanheiro, e a parte norte desde a ponte até a rua dos Ferreiros, a rua das Pretas (Câmara Pestana nos pontos em que estão as casas com os n.os 64 e 43, pertencentes respectivamente a D. Maria Camacho Teixeira de Sousa e José Teodoro Clerouin (1921), a parte da rua da Carreira (Dr. Vieira) limitada a oeste pela rua de São Francisco, a parte oriental desta rua, a fortaleza de São Lourenço, e finalmente a rua do Anadia, desde o Pelourinho até a ponte em frente da rua do Carmo. Alguns consideram toda a rua das Hortas como pertencente a Santa Luzia, e o lado sul da rua do Bom Jesus, para oeste da mesma rua das Hortas, como pertencente á freguesia da Sé. A freguesia da Sé tem 4083 habitantes (1921).

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 07
  1. Foi construída a igreja de Nossa Senhora do Calhau, que se tornou sede de Santa Maria Maior, a primeira freguesia do Funchal.

  2. Uma carta régia dividiu a única freguesia do Funchal nas freguesias da Sé e de Santa Maria Maior (Calhau) e instituiu uma colegiada na igreja.

  3. Uma carta régia criou duas curas na Sé, dispensando o deão das funções paroquiais.

  4. A côngrua dos curas da Sé foi aumentada para 17 450 réis.

  5. A côngrua dos curas da freguesia da Sé foi aumentada para 20 000 réis.

  6. O governador civil aprovou o mapa alfabético das ruas do Funchal que definia os limites das freguesias da Sé e de Santa Maria Maior.

  7. O censo de 1921 registou a população das freguesias da Madeira, incluindo 4 083 habitantes na Sé, 3 107 em Santana e 7 061 em São Pedro.

Lugar

Lugares mencionados · 26
  1. Sé · Assunto

    Funchal

  2. Alfândega do Funchal

    Funchal. Alfândega em cujo pátio se encontra uma capela de Santo António dessacralizada.

  3. Capela de Nossa Senhora dos Varadouros

    Funchal. Capela desaparecida junto à antiga porta da cidade.

  4. Fortaleza de São Lourenço

    Funchal. Fortaleza situada dentro dos limites da freguesia.

  5. Funchal

    Cidade onde se situa a freguesia.

  6. Igreja da Misericórdia

    Funchal. Igreja situada na freguesia.

  7. Igreja de Nossa Senhora do Calhau

    Funchal. Primeira sede da freguesia de Santa Maria Maior.

  8. Igreja do Bom Jesus

    Funchal. Igreja situada na freguesia.

  9. Igreja do Carmo

    Funchal. Igreja situada na freguesia.

  10. Igreja do Colégio

    Funchal. Igreja situada na freguesia.

  11. Largo da Sé

    Funchal. Largo junto ao antigo edifício da cadeia.

  12. Monte

    Funchal. Freguesia desmembrada da Sé.

+ 14 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Navegador de quem se diz ter habitado a casa de João Esmeraldo na freguesia.

  2. Bispo do Funchal que suprimiu provisoriamente uma das curas da Sé e criou cargos de coadjutor.

  3. Antigo morador do Funchal em cuja casa, situada na freguesia, se diz ter vivido Cristóvão Colombo.

  4. Proprietário, em 1921, de uma casa que assinalava o limite da freguesia na Rua das Pretas.

  5. Proprietária, em 1921, de uma casa que assinalava o limite da freguesia na Rua das Pretas.

Na folha S

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.