Nossa Senhora do Calhau (Igreja de) 1Denominações e fundação
Nossa Senhora do Calhau (Igreja de)
História da Igreja de Nossa Senhora do Calhau, uma das primeiras do Funchal, cuja construção começou cerca de 1438 junto à praia, perto da Ribeira de João Gomes. Foi repetidamente danificada por cheias e acabou por ser destruída pela grande cheia de 1803. As suas ruínas foram demolidas em 1835 para dar lugar a um mercado de frutas e legumes.
1Denominações e fundação
Foi conhecida esta igreja por várias denominações. Chamava-se-lhe Conceição de Baixo, para a distinguir da capela que Zarco edificara no local onde depois se levantou o convento de Santa Clara, e que era conhecida pelo nome de Conceição de Cima; também se lhe chamou Santa Maria Maior, em contraposição á pequena igreja de Conceição de Cima, que era de mais acanhadas dimensões; e teve finalmente o nome de Nossa Senhora do Calhau, que foi o que mais perdurou, por estar situada não longe da praia e num lugar a que comummente chamavam o calhau. E a tal propósito diz o Dr. G. Frutuoso: «Feita pousada neste logar (Santa Catarina), em que agasalhou sua mulher e filhos, entendeo o capitam Zargo em fazer huma igreja que fosse princípio e fundamento da villa do Funchal; e por estar segura e bem assentada, a mandou ordenar á beira do mar no cabo do valle do Funchal, ao longo da primeira ribeira deste prado, onde fazia o mar continuo á corrente da ribeira huma abra de muitos calhaos e seixos miudos, lavados da continuação das ondas delle, que nella batiam; e por esta razão houve nome esta primeira igreja do Funchal vulgarmente Nossa Senhora do Calhao, sendo seu orago a Natividade da Virgem ...»
A sua construção começou por 1438, quando já então se havia constituído um importante núcleo de população para além da margem esquerda da ribeira, que depois teve o nome de João Gomes. Uma grande aluvião que assolou a cidade no ano de 1611, destruiu em boa parte a igreja e o hospital que lhe ficava anexo, sendo então projectada a construção dum novo templo em local mais abrigado e seguro. Parece que esta edificação se não fez desde logo, pois diz uma nota das Saudades que a igreja foi reconstruída entre os anos de 1664 e 1688.
2Aluviões e destruição
Outra enchente ocorrida em 1707, causou varias danificações na nova igreja e destruiu uma parte considerável do adro, havendo-se então realizado obras importantes na muralha que punha o templo ao abrigo da corrente impetuosa da ribeira. Isto não obstou a que a grande cheia de 1803 fizesse abater a igreja, deixando-lhe apenas de pé uma parte da capela-mor. A provisão de 10 de Março de 1805 determinou que se conservassem cuidadosamente estas ruínas no mesmo estado em que as deixara a aluvião, como lembrança, para os vindouros, do acontecimento que mais funesto fôra para os habitantes desta ilha. Não aconteceu, porém, assim, porque trinta e dois anos depois, isto é no mês de Dezembro de 1835, mandou a Câmara do Funchal demolir a parte que restava ainda da velha e histórica igreja, para ali se edificar um mercado de frutas e hortaliças, que teve o nome de Mercado União e cuja construção se realizou no ano de 1835.
Não é exacta a afirmativa do Dr. Gaspar Frutuoso quando diz que a igreja do Calhau foi a primeira edificada no Funchal. Segundo o anotador das Saudades, foi a capela de São Sebastião a primeira que aqui se levantou, afirmando outros que o direito de prioridade pertence á capela de Santa Catarina (V. este nome), construída de madeira junto à moradia de João Gonçalves Zargo, compartilhando nós desta opinião, por julgarmos ser a que mais se aproxima da verdade histórica.
A aluvião de 1803 arrastando para o mar a igreja de N. S. do Calhau, destruiu conjuntamente o arquivo paroquial, que era importante e continha documentos de valor.
A sede da paróquia passou em fins do ano de 1803 para a igreja de Santiago, que era propriedade da Câmara Municipal. Vid. Santiago (Igreja de).
Convém aqui advertir que a igreja de Nossa Senhora do Calhau ficava situada na margem esquerda da ribeira de João Gomes, entre as embocaduras das actuais rua de Santa Maria e rua Nova de Santa Maria ou de Latino Coelho. No local onde se erguia a igreja foi construído, como já fica referido, um mercado de frutas e hortaliças, que há poucos anos se demoliu para o alargamento da rua que margina a mesma ribeira. (V. Mercados).
Também notaremos que o antigo hospital, ou uma das suas dependências, ficava contíguo a esta igreja, como claramente se demonstra com o que se acha exarado num livro de provimentos do respectivo arquivo paroquial, único que escapou da aluvião de 1803, lendo-se ali que no recinto da igreja, com grave perturbação dos fiéis, se ouviam os gritos dos doentes, sobretudo por ocasião das operações ou dos curativos mais dolorosos.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
Foi construída a igreja de Nossa Senhora do Calhau, que se tornou sede de Santa Maria Maior, a primeira freguesia do Funchal.
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Uma grande aluvião no Funchal destruiu em grande parte a igreja de Nossa Senhora do Calhau (Santa Maria Maior) e o hospital anexo.
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A Igreja de Nossa Senhora do Calhau, no Funchal, foi reconstruída entre 1664 e 1688.
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Uma cheia danificou a Igreja de Nossa Senhora do Calhau, no Funchal, e grande parte do seu adro.
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A grande aluvião de 9 de outubro de 1803, considerada a maior calamidade da Madeira, devastou o Funchal e outras partes da ilha, matou cerca de 600 pessoas e destruiu a igreja do Calhau, muros de contenção das ribeiras, pontes e capelas em Machico, Santa Cruz e noutros locais. Motivou a missão de Oudinot e a expansão da cidade para o exterior.
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Uma ordem régia determinou que as ruínas da Igreja do Calhau fossem conservadas como memória da aluvião.
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A Câmara Municipal do Funchal demoliu as ruínas que restavam da Igreja do Calhau e construiu no local o Mercado União.
Lugar
Lugares mencionados · 12- Igreja de Nossa Senhora do Calhau · Assunto
Funchal
A Igreja de Nossa Senhora do Calhau foi a primeira igreja paroquial do Funchal. A sua construção começou cerca de 1438 junto à praia, na margem esquerda da Ribeira de João Gomes. Foi repetidamente danificada por cheias e destruída pela grande cheia de 1803; a capela-mor foi preservada como memória da igreja até à demolição das ruínas em 1835 para dar lugar a um mercado.
- Nossa Senhora do Calhau · Assunto
Funchal
Uma das primeiras igrejas do Funchal, cuja construção começou por volta de 1438 à beira-mar, junto à Ribeira de João Gomes. Foi repetidamente danificada por cheias e acabou destruída pela grande cheia de 1803; as suas ruínas foram demolidas em 1835 para dar lugar a um mercado de frutas e legumes. O Elucidário também a refere como a paróquia em que Vasconcelos tinha um benefício e como o lugar onde Teive vivia quando a multidão o foi buscar em 1641; o Forte de São Pedro situava-se no troço de muralha que tinha o nome da igreja.
- Capela da Conceição de Cima
Funchal. Capela de Zarco, da qual esta igreja se distinguia pelo nome de Conceição de Baixo.
Antiga capela de Zarco no Funchal, servida por franciscanos. A igreja de Nossa Senhora do Calhau distinguia-se dela pelo nome de Conceição de Baixo.
- Capela de Santa Catarina
Funchal. Capela de madeira junto à habitação de Zarco, considerada pelos autores a primeira igreja do Funchal.
A Capela de Santa Catarina, no Funchal, foi fundada por volta de 1425 por Constança Rodrigues de Almeida, mulher de João Gonçalves Zarco, junto à primeira casa de madeira deste. É considerada a primeira igreja da Madeira, tem a data de 1425 no portal e possuía um albergue anexo para mulheres pobres. O Convento de São Francisco foi construído em frente.
- Capela de São Sebastião
Ponta do Sol. Apontada pelo anotador das Saudades da Terra como a primeira capela do Funchal.
A Capela de São Sebastião é uma antiga capela do Funchal que, segundo alguns, terá sido a primeira sede da freguesia do Funchal, por volta de 1430. Foi servida desde cedo por franciscanos, e o primeiro alojamento e as primeiras aulas dos Jesuítas funcionaram junto dela. Há também registo de uma capela com o mesmo nome na Vila, pertencente à Câmara Municipal.
- Convento de Santa Clara
Funchal. Construído no local da Capela da Conceição de Cima, de Zarco.
Convento no Funchal fundado entre 1492 e 1497 pelo segundo capitão-donatário, João Gonçalves da Câmara, junto à igreja da Conceição de Cima. É local de sepultura da família Câmara e conserva um documento de 1447 em que o nome aparece grafado «Zargo». Em 1912, foi cedido para a instalação de um novo hospital e, mais tarde, escolhido para acolher o museu arqueológico.
- Funchal
Cidade onde se situava a igreja.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Igreja de Santiago
Funchal. Igreja para a qual foi transferida a sede da paróquia no final de 1803.
Igreja para a qual a sede da freguesia foi transferida no final de 1803.
- Mercado União
Funchal. Mercado construído no local da igreja em 1835 e posteriormente demolido.
O Mercado União foi um mercado do Funchal construído em 1835 sobre as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Calhau e demolido em 1911. Teve João de Azevedo como guarda. A sua entrada descreve também o novo mercado municipal, construído mais tarde no Largo dos Lavradores.
- Ribeira de João Gomes
Funchal. Ribeira em cuja margem esquerda se erguia a igreja e cujas cheias a destruíram.
A Ribeira de João Gomes, no Funchal, nasce na Serra do Poiso, recebe a Ribeira das Cales e foi outrora chamada Ribeira de Nossa Senhora do Calhau. Marcava o limite oriental das muralhas projetadas para a cidade e da freguesia de Santa Luzia; a igreja do Calhau situava-se junto dela. O matadouro municipal de 1941 situa-se na sua margem direita.
- Rua de Santa Maria
Funchal. Rua que assinala um dos lados do local onde se erguia a igreja.
A Rua de Santa Maria é uma rua antiga da freguesia de Santa Maria Maior, no Funchal, onde já existiam casas nobres em 1508. Desemboca no Largo do Poço, corre paralela à Rua Nova de Santa Maria e assinala o local da igreja de Nossa Senhora do Calhau. Tinha um passo onde parava a Procissão dos Passos e foi inundada em 1803 e 1856. Acolheu a sede do Marítimo, as primeiras instalações do Clube Washington, a escola da Missão Marquês de Pombal e a Escola Industrial António Augusto de Aguiar quando esta abriu em 1889.
- Rua Latino Coelho
Funchal. Rua que assinala o outro lado do local onde se erguia a igreja.
A Rua Latino Coelho é uma rua do Funchal que liga o Largo dos Lavradores ao Largo das Torneiras. Delimita o terreno do novo Mercado União e um dos lados do local onde se situava a igreja de Nossa Senhora do Calhau.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- Gaspar Frutuoso1522–1591
Autor das Saudades da Terra, citado a propósito da fundação da igreja, embora aqui se conteste a sua afirmação de que foi a primeira do Funchal.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor e primeiro capitão-donatário do Funchal, a quem se atribui a fundação desta igreja e das capelas da Conceição de Cima e de Santa Catarina.