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Muralhas das Ribeiras 1Primeiras obras
Artigo Nº 2487 Transportes, comunicações e obras públicas Vol. II · pp. 786–787 3 min de leitura

Muralhas das Ribeiras

Descrição das muralhas de contenção construídas ao longo das ribeiras da Madeira, sobretudo das três ribeiras do Funchal, para evitar a erosão e as cheias, desde as ordens régias dos séculos XVII e XVIII até às obras de Reinaldo Oudinot após 1803 e às reparações posteriores do século XIX.

Muralhas das Ribeiras

1Primeiras obras

De há muito que existem muralhas nas margens dalgumas ribeiras com o fim de obstar a que as aguas corroiam as terras ou provoquem inundações nos povoados. Em 28 de Junho de 1613, protestou a Câmara Municipal do Funchal contra vários actos do Governador D. Manuel Pereira Coutinho, e em especial contra a forma como ele a contrariava na direcção das obras das ribeiras «com manifesta violação das provisões reais», e os alvarás de 4 de Janeiro de 1660, 9 de Agosto de 1747 e 18 de Julho de 1748 ordenaram respectivamente a construção de muros de abrigo nas ribeiras da Ribeira Brava, Santa Cruz e Machico.

Estes muros foram construídos, mas não com a necessária segurança, segundo parece, pois que em 24 de Julho de 1756 oficiava o Provedor da Fazenda a Diogo de Mendonça Corte Real acerca da necessidade de se proceder à reedificação dos mesmos muros.

2Obras de Oudinot

Em 30 de Maio de 1772, foi chamado à Câmara Municipal do Funchal o capitão de engenheiros Domingos Rodrigues Martins afim de organizar o orçamento das obras de reedificação das muralhas das ribeiras, sem o qual não podia a mesma Câmara requerer ao Monarca a execução desse melhoramento, e a Relação dos Estragos causados pela Tempestade que houve na noite do dia 9 de Outubro de 1803 na ilha da Madeira, publicada a pág. 723 das Saudades da Terra, alude à destruição pelas aguas de «altas e fortes muralhas, feitas de pedra e cal pela margem oriental e ocidental das três ribeiras, para segurança da cidade», o que mostra que alguma coisa se fez no referido ano de 1772, ou pouco depois, para garantir o Funchal contra o perigo das inundações. As actuais muralhas das ribeiras da cidade foram iniciadas ou muito melhoradas em 1804, sob a direcção do brigadeiro Reinaldo Oudinot, o qual propôs também a execução de varias obras urgentes nas ribeiras de Santa Cruz, Machico, Porto da Cruz, Calheta, Madalena, Ponta do Sol, Ribeira Brava e Tábua, parte das quais foram levadas a efeito. Em 9 de Dezembro de 1804, comunicava o referido brigadeiro ao Visconde de Anadia «que as chuvas tinham produzido grandes cheias nas ribeiras, pelas quais se mostrara a eficácia e a solidez das obras já construídas tanto no Funchal, como em Machico, Santa Cruz, Ponta do Sol e nas freguesias da Tábua e Madalena.»

Em 1806, foram demolidas varias casas nas margens das ribeiras de João Gomes e Santa Luzia, para a edificação das novas muralhas, e vê-se duma informação prestada em 28 de Dezembro de 1814 a António de Araújo e Azevedo que nessa data ainda faltava realizar algumas obras nessas ribeiras e na de S. João para a cidade ficar completamente defendida das inundações.

Uma parte da muralha da ribeira de Machico foi levantada depois da aluvião de 1842, e em 1847 e 1848 construíram-se a muralha da ribeira de Santa Luzia, que fica junto da praça do peixe, e as muralhas da ribeira de João Gomes, que ficam junto à foz e ao Campo da Barca, ignorando nós, porém, se tais obras foram executadas então pela primeira vez. Em 1847, fizeram-se algumas arrumações de pedra na Ribeira Brava, e obras mais sólidas se efectuaram ai, recentemente, com o fim de proteger a vila contra o perigo das inundações.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 11
  1. A Câmara do Funchal protestou contra a interferência do governador Manuel Pereira Coutinho nas obras das muralhas das ribeiras.

  2. Uma carta régia ordenou a construção de muralhas de proteção na Ribeira Brava.

  3. Uma carta régia ordenou a construção de muralhas ao longo das ribeiras de Santa Cruz.

  4. Uma carta régia ordenou a construção de muralhas nas ribeiras de Machico.

  5. O Provedor da Fazenda comunicou que as muralhas das ribeiras do Funchal precisavam de ser reconstruídas.

  6. O engenheiro Domingos Rodrigues Martins foi chamado para orçamentar a reconstrução das muralhas das ribeiras do Funchal.

  7. A grande aluvião de 9 de outubro de 1803, considerada a maior calamidade da Madeira, devastou o Funchal e outras partes da ilha, matou cerca de 600 pessoas e destruiu a igreja do Calhau, muros de contenção das ribeiras, pontes e capelas em Machico, Santa Cruz e noutros locais. Motivou a missão de Oudinot e a expansão da cidade para o exterior.

  8. O brigadeiro Reinaldo Oudinot chegou ao Funchal em fevereiro de 1804 e regularizou e murou as três ribeiras da cidade; as cheias de dezembro de 1804 puseram os muros à prova e, em 1806, foram demolidas casas junto às ribeiras de João Gomes e de Santa Luzia para a realização das obras.

  9. Um relatório assinalou que ainda faltavam obras de proteção nas ribeiras do Funchal.

  10. Uma terrível aluvião atingiu o Funchal e danificou os Paços do Concelho, no Largo do Pelourinho. Seguiu-se uma tempestade no porto que destruiu embarcações. Estes acontecimentos levaram à criação da Comissão Central de Socorros e à construção de parte da muralha de Machico.

  11. Foram construídas muralhas ao longo das ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes, no Funchal.

Lugar

Lugares mencionados · 13
Mapa: Madeira (13)
  1. Calheta

    Obras nas ribeiras propostas por Oudinot.

  2. Campo da Barca

    Funchal. Local junto às muralhas da ribeira de João Gomes.

  3. Funchal

    Cidade protegida pelas muralhas das suas três ribeiras.

  4. Machico

    Muralhas ordenadas em 1748 e parcialmente reconstruídas após 1842.

  5. Madalena do Mar

    Ponta do Sol. As muralhas construídas sob a direção de Oudinot mostraram-se eficazes em 1804.

  6. Ponta do Sol

    As muralhas construídas sob a direção de Oudinot mostraram-se eficazes em 1804.

  7. Porto da Cruz

    Machico. Obras nas ribeiras propostas por Oudinot.

  8. Ribeira Brava

    Muralhas ordenadas em 1660 e obras realizadas em 1847 e em data recente.

  9. Ribeira de João Gomes

    Funchal. Casas demolidas em 1806 para construir novas muralhas; muralhas construídas em 1847–1848.

  10. Ribeira de Santa Luzia

    Funchal. Muralhas construídas em 1806 e em 1847–1848, perto do mercado do peixe.

  11. Ribeira de São João

    Calheta. Obras ainda por realizar em 1814.

  12. Santa Cruz

    Muralhas ordenadas em 1747 e obras realizadas por Oudinot.

+ 1 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Ministro informado em 1814 de que algumas obras nas ribeiras do Funchal continuavam por concluir.

  2. Governador da Madeira contra quem a Câmara do Funchal protestou em 1613 por dificultar as obras nas ribeiras.

  3. Ministro régio informado em 1756 da necessidade de reconstruir as muralhas das ribeiras.

  4. Capitão de engenheiros chamado em 1772 para orçamentar a reconstrução das muralhas das ribeiras do Funchal.

  5. Brigadeiro que, a partir de 1804, dirigiu a construção das atuais muralhas das ribeiras do Funchal e obras por toda a ilha.

  6. Ministro a quem Oudinot comunicou, em dezembro de 1804, o êxito das muralhas.

Na folha M

Vistos recentemente

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