Muralhas das Ribeiras 1Primeiras obras
Muralhas das Ribeiras
Descrição das muralhas de contenção construídas ao longo das ribeiras da Madeira, sobretudo das três ribeiras do Funchal, para evitar a erosão e as cheias, desde as ordens régias dos séculos XVII e XVIII até às obras de Reinaldo Oudinot após 1803 e às reparações posteriores do século XIX.
1Primeiras obras
De há muito que existem muralhas nas margens dalgumas ribeiras com o fim de obstar a que as aguas corroiam as terras ou provoquem inundações nos povoados. Em 28 de Junho de 1613, protestou a Câmara Municipal do Funchal contra vários actos do Governador D. Manuel Pereira Coutinho, e em especial contra a forma como ele a contrariava na direcção das obras das ribeiras «com manifesta violação das provisões reais», e os alvarás de 4 de Janeiro de 1660, 9 de Agosto de 1747 e 18 de Julho de 1748 ordenaram respectivamente a construção de muros de abrigo nas ribeiras da Ribeira Brava, Santa Cruz e Machico.
Estes muros foram construídos, mas não com a necessária segurança, segundo parece, pois que em 24 de Julho de 1756 oficiava o Provedor da Fazenda a Diogo de Mendonça Corte Real acerca da necessidade de se proceder à reedificação dos mesmos muros.
2Obras de Oudinot
Em 30 de Maio de 1772, foi chamado à Câmara Municipal do Funchal o capitão de engenheiros Domingos Rodrigues Martins afim de organizar o orçamento das obras de reedificação das muralhas das ribeiras, sem o qual não podia a mesma Câmara requerer ao Monarca a execução desse melhoramento, e a Relação dos Estragos causados pela Tempestade que houve na noite do dia 9 de Outubro de 1803 na ilha da Madeira, publicada a pág. 723 das Saudades da Terra, alude à destruição pelas aguas de «altas e fortes muralhas, feitas de pedra e cal pela margem oriental e ocidental das três ribeiras, para segurança da cidade», o que mostra que alguma coisa se fez no referido ano de 1772, ou pouco depois, para garantir o Funchal contra o perigo das inundações. As actuais muralhas das ribeiras da cidade foram iniciadas ou muito melhoradas em 1804, sob a direcção do brigadeiro Reinaldo Oudinot, o qual propôs também a execução de varias obras urgentes nas ribeiras de Santa Cruz, Machico, Porto da Cruz, Calheta, Madalena, Ponta do Sol, Ribeira Brava e Tábua, parte das quais foram levadas a efeito. Em 9 de Dezembro de 1804, comunicava o referido brigadeiro ao Visconde de Anadia «que as chuvas tinham produzido grandes cheias nas ribeiras, pelas quais se mostrara a eficácia e a solidez das obras já construídas tanto no Funchal, como em Machico, Santa Cruz, Ponta do Sol e nas freguesias da Tábua e Madalena.»
Em 1806, foram demolidas varias casas nas margens das ribeiras de João Gomes e Santa Luzia, para a edificação das novas muralhas, e vê-se duma informação prestada em 28 de Dezembro de 1814 a António de Araújo e Azevedo que nessa data ainda faltava realizar algumas obras nessas ribeiras e na de S. João para a cidade ficar completamente defendida das inundações.
Uma parte da muralha da ribeira de Machico foi levantada depois da aluvião de 1842, e em 1847 e 1848 construíram-se a muralha da ribeira de Santa Luzia, que fica junto da praça do peixe, e as muralhas da ribeira de João Gomes, que ficam junto à foz e ao Campo da Barca, ignorando nós, porém, se tais obras foram executadas então pela primeira vez. Em 1847, fizeram-se algumas arrumações de pedra na Ribeira Brava, e obras mais sólidas se efectuaram ai, recentemente, com o fim de proteger a vila contra o perigo das inundações.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 11-
A Câmara do Funchal protestou contra a interferência do governador Manuel Pereira Coutinho nas obras das muralhas das ribeiras.
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Uma carta régia ordenou a construção de muralhas de proteção na Ribeira Brava.
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Uma carta régia ordenou a construção de muralhas ao longo das ribeiras de Santa Cruz.
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Uma carta régia ordenou a construção de muralhas nas ribeiras de Machico.
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O Provedor da Fazenda comunicou que as muralhas das ribeiras do Funchal precisavam de ser reconstruídas.
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O engenheiro Domingos Rodrigues Martins foi chamado para orçamentar a reconstrução das muralhas das ribeiras do Funchal.
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A grande aluvião de 9 de outubro de 1803, considerada a maior calamidade da Madeira, devastou o Funchal e outras partes da ilha, matou cerca de 600 pessoas e destruiu a igreja do Calhau, muros de contenção das ribeiras, pontes e capelas em Machico, Santa Cruz e noutros locais. Motivou a missão de Oudinot e a expansão da cidade para o exterior.
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O brigadeiro Reinaldo Oudinot chegou ao Funchal em fevereiro de 1804 e regularizou e murou as três ribeiras da cidade; as cheias de dezembro de 1804 puseram os muros à prova e, em 1806, foram demolidas casas junto às ribeiras de João Gomes e de Santa Luzia para a realização das obras.
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Um relatório assinalou que ainda faltavam obras de proteção nas ribeiras do Funchal.
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Uma terrível aluvião atingiu o Funchal e danificou os Paços do Concelho, no Largo do Pelourinho. Seguiu-se uma tempestade no porto que destruiu embarcações. Estes acontecimentos levaram à criação da Comissão Central de Socorros e à construção de parte da muralha de Machico.
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Foram construídas muralhas ao longo das ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes, no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 13- Calheta
Obras nas ribeiras propostas por Oudinot.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Campo da Barca
Funchal. Local junto às muralhas da ribeira de João Gomes.
O Campo da Barca é uma praça pública do Funchal, construída durante o governo de Florêncio José Correia de Melo, entregue ao município em 1818 e batizada em homenagem ao Conde da Barca. Ali se situaram o posto de desinfeção, atacado durante motins populares, e a casa onde funcionou o Asilo da Infância a partir de 1836. Parte da praça recebeu mais tarde o nome de Praça de Tenerife.
- Funchal
Cidade protegida pelas muralhas das suas três ribeiras.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Machico
Muralhas ordenadas em 1748 e parcialmente reconstruídas após 1842.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Madalena do Mar
Ponta do Sol. As muralhas construídas sob a direção de Oudinot mostraram-se eficazes em 1804.
A Madalena do Mar é uma freguesia da costa sudoeste da Madeira, no concelho da Ponta do Sol, fundada nas terras do lendário Henrique Alemão e elevada a freguesia independente em 1582. O Elucidário regista as suas capelas, a produção de açúcar e o cultivo da banana, a sua capitania-mor, os danos causados pelas cheias de 1876 e pela cheia da Ribeira da Madalena em 1939. Foi também a terra natal de António Policarpo dos Passos Sousa.
- Ponta do Sol
As muralhas construídas sob a direção de Oudinot mostraram-se eficazes em 1804.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Porto da Cruz
Machico. Obras nas ribeiras propostas por Oudinot.
Freguesia da Costa Norte criada em 1577 e conhecida pelos seus vinhos de boa qualidade. Passou do concelho de Santana para o de Machico em 1852 e foi sede de uma capitania-mor. Era também um porto de pesca onde eram desembarcados alguns cachalotes.
- Ribeira Brava
Muralhas ordenadas em 1660 e obras realizadas em 1847 e em data recente.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.
- Ribeira de João Gomes
Funchal. Casas demolidas em 1806 para construir novas muralhas; muralhas construídas em 1847–1848.
A Ribeira de João Gomes, no Funchal, nasce na Serra do Poiso, recebe a Ribeira das Cales e foi outrora chamada Ribeira de Nossa Senhora do Calhau. Marcava o limite oriental das muralhas projetadas para a cidade e da freguesia de Santa Luzia; a igreja do Calhau situava-se junto dela. O matadouro municipal de 1941 situa-se na sua margem direita.
- Ribeira de Santa Luzia
Funchal. Muralhas construídas em 1806 e em 1847–1848, perto do mercado do peixe.
A Ribeira de Santa Luzia é uma das três ribeiras que atravessam o Funchal e deve o nome a uma capela de Santa Luzia na sua margem esquerda. As suas margens terão sido as primeiras terras regadas por levadas e tinham quatro engenhos de açúcar no final do século XVII. Alimenta as levadas de Santa Luzia, dos Moinhos e de D. Isabel; na sua margem direita situava-se a residência dos Jesuítas na Fundoa.
- Ribeira de São João
Calheta. Obras ainda por realizar em 1814.
A Ribeira de São João é a mais ocidental das três grandes ribeiras que atravessam o Funchal. Nasce em Santo António, desagua no mar em São Lázaro e teve anteriormente várias outras designações. Marcava o limite ocidental do antigo Funchal e das muralhas projetadas; o primeiro núcleo de povoamento situava-se na sua margem direita, e os seus sedimentos estão a assorear a enseada da Pontinha. Há também registo de uma ribeira com o mesmo nome que atravessa a freguesia da Fajã da Ovelha.
- Santa Cruz
Muralhas ordenadas em 1747 e obras realizadas por Oudinot.
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
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Pessoas
Pessoas mencionadas · 06-
Ministro informado em 1814 de que algumas obras nas ribeiras do Funchal continuavam por concluir.
- D. Manuel Coutinho1671–1742
Governador da Madeira contra quem a Câmara do Funchal protestou em 1613 por dificultar as obras nas ribeiras.
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Ministro régio informado em 1756 da necessidade de reconstruir as muralhas das ribeiras.
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Capitão de engenheiros chamado em 1772 para orçamentar a reconstrução das muralhas das ribeiras do Funchal.
- Reinaldo Oudinotm. 1807
Brigadeiro que, a partir de 1804, dirigiu a construção das atuais muralhas das ribeiras do Funchal e obras por toda a ilha.
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Ministro a quem Oudinot comunicou, em dezembro de 1804, o êxito das muralhas.