Fortificações 1Primeiros fortificadores
Fortificações
Descrição do ofício de fortificador na Madeira, de 1513 ao século XVIII, com a enumeração dos seus sucessivos titulares, desde o pedreiro João de Carceres até engenheiros militares com formação especializada, como Reinaldo Oudinot.
1Primeiros fortificadores
Foi primeiro fortificador João de Carceres, pedreiro de estima, residente no Funchal, e na carta regia de 13 de Maio de 1513 se recomenda que nenhua pesoa de qualquer estado nem condiçõ que seja lhe nom faça nenhum nojo desaguisado nem sem rezam mas de todos receba onra e favor, pois estava encarregado da construção do baluarte e primeiros muros de defesa.
Em 1595 foi nomeado fortyficador da Ilha da Madeira o arquitecto Jeronimo Jorge, fidalgo da Casa Real, com o ordenado de 100$ anuais.
Os dois filhos de Jeronimo Jorge,–Bartolomeu João e João Falcato–exerceram o oficio paterno durante o domínio filipino, notabilizando-se o primeiro na Fortaleza do Pico, sendo seus méritos cantados por Manuel Tomás, na Insulana, L. X., EST. 57.
Em 1602, Mateus Fernandes tem carta de fortificador, com o pomposo título de engenheiro mestre das obras reaes. Em 1617 é enviado a fortificar a Madeira, Bartolomeu Arias, por causa do dano causado pelos corsários nas pequenas povoações da costa.
No tempo da Restauração encontramos como fortificador Bartolomeu João, e um filho deste, Bartolomeu João de Abreu, herdou-lhe o oficio, de que teve mercê em 1660. É uma família de fortificadores.
2Engenheiros das fortificações
O mais curioso é que uma senhora, D. Mariana da Câmara, por ser viúva dum fortificador, obteve o oficio em 1664 para a pessoa que casasse com sua filha, recebendo o futuro genro serventuario, apenas a terça parte do rendimento enquanto um filho que se achava ausente no Brasil e que devia herdar o oficio, não regressasse a tomar posse, por morte do pai.
As obras assim ressentiram-se. Foi então mandado vir do continente Manuel Gomes Ferreira, em 1699, fortificador de Setúbal, com os mesmos vencimentos que ali percebia.
Em 1711 tem carta de engenheiro das fortificações Inácio Gomes Fragoso e nenhuma obra da Fazenda Real se pode fazer sem sua intervenção, tendo o soldo mensal de 8$.
O Conselho da Fazenda contrata em 1744 João Moniz de Abreu, por 100$ anuais, para exercer idêntico oficio, seguindo-se em 1748 Domingos Rodrigues Martins.
De 1756 em diante este cargo é exercido por militares com um curso especial de engenharia, destacando-se entre eles Francisco Tossi Columbina, Francisco de Alincourt, Faustino Sebastiano da Costa e o brigadeiro Reinaldo Oudinot.
Os trabalhos de fortificação e engenharia militar acham-se presentemente a cargo duma secção do Comando Militar da Madeira. S.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 11-
Uma carta régia determinou que João de Carceres fosse protegido enquanto construía o primeiro baluarte e as muralhas defensivas do Funchal.
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Um alvará régio nomeou um fortificador, identificado como Francisco Jorge ou Jerónimo Jorge em diferentes entradas, para dirigir as obras de fortificação da Madeira.
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Mateus Fernandes recebeu uma carta de nomeação como fortificador.
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Bartolomeu Arias foi enviado para fortificar a Madeira após ataques de corsários a povoações costeiras.
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O ofício de fortificador exercido pelo pai foi concedido a Bartolomeu João de Abreu.
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D. Mariana da Câmara obteve o ofício de fortificador da Madeira para o seu futuro genro.
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Manuel Gomes Ferreira foi trazido de Setúbal para a Madeira como fortificador.
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Inácio Gomes Fragoso tornou-se engenheiro das fortificações da Madeira.
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João Moniz de Abreu foi contratado como fortificador das fortificações da Madeira.
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Domingos Rodrigues Martins sucedeu no cargo de fortificador da Madeira.
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O ofício responsável pelas fortificações da Madeira passou a ser exercido por engenheiros militares com formação especializada.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Brasil
Brazil. Local onde se encontrava ausente o filho de D. Mariana da Câmara, herdeiro do ofício.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Fortaleza do Pico
Funchal. Fortaleza onde Bartolomeu João se distinguiu.
Fortaleza acima do Funchal, na freguesia de São Pedro, começada durante o domínio filipino (espanhol) e concluída após a Restauração, que contém a capela profanada de São João. Foi estabelecida como marco dos limites da cidade em 1809 e serviu durante muito tempo como local de reclusão: ali estiveram detidos o governador deposto em 1668, 16 presos da Alçada de 1828 e os presos trazidos do cúter Andorinha em 1844. Foi cedida em 1888 e novamente proposta em 1909 para servir de cadeia, mas o custo dessa utilização levou à transferência do projeto para São Lázaro.
- Funchal
Local de residência de João de Carceres, o primeiro fortificador.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Setúbal
Portugal. Cidade onde Manuel Gomes Ferreira era fortificador antes de vir para a Madeira.
Setúbal é uma cidade e porto de Portugal Continental, classificado imediatamente acima do Funchal entre os portos. Foi a terra natal do bispo D. José da Costa Torres e de D. Patrício Xavier de Moura. Alfredo Miguéis lecionou ali, José Cupertino de Faria e Aníbal Álvares da Silva ali viveram, e Manuel Gomes Ferreira exerceu ali funções de fortificador.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 17-
Enviado para fortificar a Madeira em 1617, após os corsários terem causado danos em pequenas povoações costeiras.
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Filho de Jerónimo Jorge e fortificador durante a dominação filipina e a Restauração, destacado pelo seu trabalho na Fortaleza do Pico.
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Filho de Bartolomeu João, a quem o ofício de fortificador foi concedido por herança em 1660.
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Sucedeu a João Moniz de Abreu como fortificador em 1748.
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Engenheiro militar que se distinguiu à frente das obras de fortificação após 1756.
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Engenheiro militar que se distinguiu à frente das obras de fortificação após 1756.
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Engenheiro militar que se distinguiu à frente das obras de fortificação após 1756.
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Engenheiro das fortificações a partir de 1711, sem cuja intervenção não se podia realizar qualquer obra da Fazenda Real.
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Arquiteto e fidalgo da Casa Real, nomeado fortificador da Madeira em 1595, com a remuneração de 100$ por ano.
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Pedreiro conceituado, residente no Funchal e primeiro fortificador, a quem foi concedida proteção régia em 1513 enquanto construía o primeiro baluarte e as muralhas defensivas.
+ 7 mais
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Filho de Jerónimo Jorge, que exerceu o ofício do pai durante a dominação filipina.
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Contratado pelo Conselho da Fazenda em 1744 como fortificador, com a remuneração de 100$ por ano.
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Fortificador em Setúbal, trazido para a Madeira em 1699 com a mesma remuneração que ali recebia.
- Manuel Tomás1585–1665
Autor do poema Insulana, que elogia os méritos de Bartolomeu João.
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Viúva de um fortificador que, em 1664, obteve o ofício para quem casasse com a sua filha.
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Recebeu uma carta de fortificador em 1602, com o título de mestre engenheiro das obras régias.
- Reinaldo Oudinotm. 1807
Brigadeiro e engenheiro militar que se distinguiu à frente das obras de fortificação após 1756.