Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Ribeira da Janela (Freguesia da) 1Origem do nome e povoamento
Artigo Nº 3169 Freguesia Porto Moniz Vol. III · pp. 361–362 4 min de leitura

Ribeira da Janela (Freguesia da)

Entrada sobre a freguesia da Ribeira da Janela, na costa noroeste da Madeira, cujo nome deriva da ribeira e do ilhéu com um orifício semelhante a uma janela, situado perto da foz. Aborda as origens da freguesia, a história da sua igreja e da cura, a paisagem das terras altas, incluindo o Fanal, a irrigação, as localidades e a população.

Ribeira da Janela (Freguesia da)
Mapa: Madeira (13)

1Origem do nome e povoamento

O mais abundante e mais extenso curso de água que, formando-se no interior da ilha e no meio de alterosas montanhas, se vai lançar no oceano, é a chamada Ribeira da Janela. Nas proximidades da sua foz se levanta um pequeno ilhéu, de 40 metros de altura, tendo, quase no cimo, um orifício natural, que, a certa distancia, lembra sem esforço uma janela aberta na penedia. Daqui vem o nome que a esta corrente deram os primitivos colonizadores. A povoação ou núcleo de habitantes que se foi constituindo nas suas margens tomou naturalmente o nome que ela tinha. Eis a origem da denominação da freguesia da Ribeira da Janela.

Os terrenos que hoje formam esta paróquia pertenceram na sua quase totalidade à freguesia do Porto do Moniz, tendo uma parte menos considerável deles pertencido à freguesia do Seixal. Por meados do século XVI, havia já habitantes de moradia fixa nas vertentes da ribeira, existindo alguns casais na margem direita no ultimo quartel do mesmo século, que pertenciam á paróquia do Porto Moniz.

2Igreja e curato

Dá-se a capela de Nossa Senhora da Incarnação como fundada em 1630 por António Fernandes e Manuel Rodrigues, que eram ali moradores, dizendo-se que alguns anos depois foi destruída por uma grande aluvião. É certo, porém, á vista de documentos que examinámos, que a capela foi edificada pelo povo em 1699, sendo de 7 de Setembro deste ano a data da respectiva dotação. Será uma reedificação ou a construção primitiva? Não sabemos, mas inclinamo-nos a crer que o ano de 1699 é o da primeira edificação. Em 1754, foi a ermida acrescentada, sendo concedida licença para a sua bênção a 28 de Abril do dito ano. No ano de 1852, foram dadas de arrematação as obras da edificação duma nova igreja, pela importância de 6.100$000 réis, mas não chegaram a ser iniciados os trabalhos de construção. No ultimo quartel do século passado é que o pequeno templo passou por uma grande transformação. Foi convertido em capela-mor, acrescentando-se-lhe o corpo da igreja, tendo-se dado por terminados os respectivos trabalhos no ano de 1874. Sobre o pórtico, lê-se a seguinte inscrição: Feita pelo povo e dirigida pelo Pe. Pombo em 1879. Para esta importante obra muito concorreram o pároco de então padre Manuel da Silva Pombo, o Dr. João Barbosa de Matos e Câmara e José Teixeira Rebêlo, proprietário nesta freguesia e representante duma nobre e antiga família, que aqui possuiu terras vinculadas. No ano de 1922, procedeu-se nesta igreja a novas e importantes reparações, devidas ás diligências do actual pároco, o padre Manuel Vasconcelos da Incarnação (1921).

Foi servida esta capela por um capelão privativo até que o prelado diocesano D. Fr. Manuel Coutinho; por provisão de 25 de Setembro de 1726, estabeleceu nela um curato provisório, que teve sua criação efectiva por alvará régio de 4 de Fevereiro de 1733, dizendo-se nesse diploma que fora criado a requerimento do vigário do Porto Moniz, Paulo Vieira Jardim, e arbitrando-se ao cura o vencimento anual duma pipa e meia de vinho e um moio e meio de trigo. Era um curato dependente da vigairaria do Porto do Moniz, mas que, como outros curatos desta diocese se foi gradualmente libertando da igreja matriz e passou a constituir uma paróquia autónoma. O primeiro sacerdote que aqui exerceu funções paroquiais foi o padre Inacio de Aguiar Sequeira.

3Serras, agricultura e habitantes

São entre nós celebradas as serras desta freguesia pelas incomparáveis belezas que nelas se encontram, sobressaindo o conhecido sítio do Fanal, que, pela sua maravilhosa lagoa, denso e agigantado arvoredo, pitoresco do lugar, surpreendentes paisagens e cristalinas águas, constitui uma estancia cheia dos maiores atractivos e dos mais fascinantes encantos. Quem suficientemente conhecer as belezas naturais desta ilha e não tiver atravessado as serras da Ribeira da Janela, desconhece um aspecto novo e dos mais maravilhosos dessas mesmas belezas.

Os terrenos desta paróquia são de uma notável fertilidade, produzindo abundantemente todos os géneros agrícolas que na Madeira se costumam cultivar. A irrigação faz-se por meio das levadas dos Cedros e do Lombo Gordo. Projecta-se para breve (1921) a tiragem duma nova levada, cujos trabalhos de construção já foram iniciados há muitos anos, como se disse noutro lugar desta obra.

Os principais sítios desta freguesia são: Casais de Baixo, Penedo, Casais da Igreja, Casais de Além e Eira da Achada. Tem 748 habitantes (1921).

A título de mera curiosidade, diremos que alguém nos informou que os habitantes da Ribeira da Janela são muito laboriosos, de arreigada crença religiosa, inteligentes e... vingativos.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 10
  1. Segundo a tradição, a capela de Nossa Senhora da Incarnação, na Ribeira da Janela, foi fundada por dois moradores.

  2. A capela da Ribeira da Janela, construída pelo povo, recebeu a sua dotação, o que provavelmente assinala a sua primeira construção.

  3. O bispo D. Manuel Coutinho instituiu uma cura provisória na capela da Ribeira da Janela.

  4. Uma carta régia criou formalmente a cura da Ribeira da Janela.

  5. Foi concedida licença para benzer a capela ampliada da Ribeira da Janela.

  6. As obras de uma nova igreja na Ribeira da Janela foram contratadas por 6 100 000 réis, mas nunca tiveram início.

  7. A capela da Ribeira da Janela foi transformada na capela-mor de uma igreja paroquial maior, tendo as obras ficado concluídas.

  8. Uma inscrição no portal registou a construção da igreja da Ribeira da Janela pelo povo, sob a orientação do Padre Manuel da Silva Pombo.

  9. O censo de 1921 registou a população das freguesias da Madeira, incluindo 4 083 habitantes na Sé, 3 107 em Santana e 7 061 em São Pedro.

  10. Foram efetuadas grandes reparações na igreja paroquial da Ribeira da Janela.

Lugar

Lugares mencionados · 13
  1. Ribeira da Janela · Assunto

    Porto Moniz. Descrita como a ribeira mais caudalosa e extensa da Madeira, deu nome à freguesia.

  2. Casais da Igreja

    Porto Moniz. Um dos principais sítios da freguesia.

  3. Casais de Além

    Porto Moniz. Um dos principais sítios da freguesia.

  4. Casais de Baixo

    Porto Moniz. Um dos principais sítios da freguesia.

  5. Eira da Achada

    Porto Moniz. Um dos principais sítios da freguesia.

  6. Fanal

    Porto Moniz. Sítio de altitude conhecido pela sua lagoa, pelas grandes árvores e pela paisagem.

  7. Igreja de Nossa Senhora da Encarnação

    Porto Moniz. Capela posteriormente ampliada e transformada em igreja paroquial.

  8. Ilhéu da Janela

    Porto Moniz. Ilhéu de 40 metros perto da foz da ribeira, cujo orifício semelhante a uma janela deu origem ao nome.

  9. Levada do Lombo Gordo

    Porto Moniz. Rega as terras da freguesia.

  10. Levada dos Cedros

    Porto Moniz. Rega as terras da freguesia.

  11. Penedo

    Porto Moniz. Um dos principais sítios da freguesia.

  12. Porto Moniz

    Freguesia à qual pertencia anteriormente a maior parte das terras da Ribeira da Janela e da qual dependia a sua cura.

+ 1 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 09
  1. Morador local que, segundo se diz, cofundou a capela de Nossa Senhora da Incarnação em 1630.

  2. Bispo do Funchal que estabeleceu uma cura provisória na capela em 1726.

  3. Primeiro sacerdote a exercer funções paroquiais na Ribeira da Janela.

  4. Contribuiu substancialmente para a reconstrução da igreja paroquial na década de 1870.

  5. Proprietário de uma antiga família nobre com terras vinculadas na freguesia, que contribuiu para financiar a reconstrução da igreja.

  6. Pároco que dirigiu a ampliação da igreja, concluída em 1879.

  7. Manuel Rodrigues1697–1916

    Morador da localidade a quem se atribui a cofundação da Capela de Nossa Senhora da Encarnação em 1630.

  8. Pároco em 1921, cujos esforços levaram à realização de obras de reparação na igreja em 1922.

  9. Vigário do Porto Moniz a cujo pedido foi criada a cura em 1733.

Na folha R

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.