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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 2711 Acontecimento histórico Vol. III · pp. 49–50 2 min de leitura

Outorga da Carta

Descreve a receção, na Madeira, da notícia da outorga da Carta Constitucional por D. Pedro IV (1826), incluindo o ataque de soldados da Infantaria n.º 7 aos constitucionalistas que celebravam no Funchal e o pedido, atendido, da Câmara Municipal para que a unidade fosse transferida.

Outorga da Carta

A Outorga da Carta na Madeira

A notícia de ter D. Pedro IV outorgado uma carta constitucional á Monarquia Portuguesa no dia 29 de Abril de 1826 chegou á Madeira a 12 de Julho do mesmo ano.

No dia 14, á noite, estando reunidos em casa de Manuel José da Silveira vários cidadãos afim de festejarem a restauração da monarquia constitucional, foi o prédio invadido por um piquete do regimento de infantaria 7, que atacou de baioneta calada os circunstantes, não obstante entre estes se achar o governador e seus ajudantes de ordens. Na refrega ficou ferido o major Adão e o celebre António Manuel Rodrigues, o Aninhas, constitucional exaltado e um dos homens mais robustos do seu tempo, mas por fim foram os soldados compelidos a retirar diante da resistência oferecida pelos constitucionais, que se serviram das cadeiras, mesas e de tudo quanto havia dentro de casa, para se defender dos seus agressores.

Ordenara o Ministro da Justiça que os prelados fizessem pastorais e mandassem que os párocos explicassem ao povo a Carta Constitucional, mas esta ordem não foi acatada pelo Bispo do Funchal, segundo refere o Defensor da Liberdade, sendo certo que três anos antes havia ele sido pródigo em instruções aos seus subordinados para falarem contra os princípios liberais.

Tendo os soldados de infantaria 7 continuado a insultar e provocar os constitucionais resolveu a Câmara Municipal em sua sessão de 22 de Agosto de 1826, solicitar da Infanta Regente a transferência do regimento, e em 5 de Outubro do mesmo ano pedir ao Governador que o mesmo regimento não continuasse a fornecer rondas para a policia da cidade e que as praças não saíssem do seu quartel depois das 7 horas da noite.

Em 23 de Novembro de 1826, resolveu a Câmara agradecer á Infanta Regente o haver atendido o seu pedido relativo á saída do regimento, sendo somente depois da retirada das tropas que os constitucionais puderam entregar-se, sem risco de provocações, a manifestações publicas de regozijo pela queda do regímen absolutista.

Apesar da presença do regimento de infantaria n.º 7 na Madeira, houve nos dias 6, 7 e 8 de Agosto vários festejos pela outorga da Carta Constitucional. Vid. Proclamação do Governo Constitucional.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. D. Pedro IV outorgou a Carta Constitucional à monarquia portuguesa.

  2. Chegou à Madeira a notícia da outorga da Carta Constitucional.

  3. Soldados da absolutista Infantaria n.º 7 atacaram os constitucionalistas que celebravam a Carta em casa de Manuel José da Silveira, no Funchal.

  4. A Carta Constitucional foi solenemente proclamada e jurada no Funchal, durante o governo de D. Manuel de Portugal e Castro, com festejos e iluminações.

  5. A Câmara Municipal do Funchal pediu a suspensão das patrulhas da absolutista Infantaria n.º 7 e a transferência da unidade, agradecendo à regente D. Isabel Maria, em novembro, a ordem para a sua partida.

Lugar

Lugares mencionados · 02
Mapa: Madeira (1)
  1. Funchal

    Sede do bispo e da Câmara Municipal envolvidos nos acontecimentos.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Oficial ferido no ataque de soldados à reunião de constitucionalistas, em 1826.

  2. Regente de Portugal que deferiu o pedido da Câmara Municipal do Funchal para transferir a Infantaria n.º 7.

  3. Rei de Portugal que outorgou a Carta Constitucional em 29 de abril de 1826.

  4. Anfitrião da reunião de constitucionalistas no Funchal atacada por soldados em 14 de julho de 1826.

  5. Manuel Rodrigues1697–1916

    Constitucionalista fervoroso, conhecido por «o Aninhas» e célebre pela sua força, ferido no ataque de 1826.

Na folha O

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