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Proclamações do Governo Absoluto 1A restauração absolutista de 1823
Artigo Nº 3040 Acontecimento histórico Vol. III · pp. 270–272 3 min de leitura

Proclamações do Governo Absoluto

Descreve como as restaurações do governo absoluto em Portugal, em 1823 e 1828, foram proclamadas e impostas na Madeira, incluindo a destruição dos alicerces do monumento à Constituição e o governo repressivo do governador miguelista José Maria Monteiro.

Proclamações do Governo Absoluto

1A restauração absolutista de 1823

A revolução que rebentou no Porto a 24 de Agosto de 1820 e que teve seu eco em Lisboa a 15 de Setembro do mesmo ano, arvorou o sistema de governo representativo, que as cortes gerais sancionaram com a promulgação da Constituição. O facto foi solenemente festejado nesta ilha e a proclamação do novo sistema governativo realizou-se nesta cidade no dia 28 de Janeiro de 1821, como já fica descrito a pág. 301 e seguintes do 1.° vol. desta obra. Não são ainda decorridos três anos depois da revolução do Porto, e D. João VI, a 3 de Junho de 1823, dirige uma proclamação ao país, em que são dissolvidas as côrtes, abolida a Constituição e restabelecido o governo absoluto. A 16 do mesmo mês, chegou á Madeira a noticia daqueles extraordinários acontecimentos políticos e no dia imediato se solenizou publicamente nesta cidade o estabelecimento da nova ordem de cousas, havendo por essa ocasião varias manifestações de regozijo, com a permissão do então governador, o capitão-general António Manuel de Noronha.

O novo governador do arquipélago D. Manuel de Portugal e Castro chegou ao Funchal a 26 de Agosto, de 1823 e logo a 1 de Setembro seguinte mandou destruir e arrasar os alicerces do projectado monumento á Constituição, que 19 meses antes tinham sido lançados no meio do maior entusiasmo e com um brilhantismo e imponência fora do comum. D. Manuel de Portugal e Castro imprimiu ao acto grande solenidade e aparato, para bem fazer sentir aos madeirenses que era inútil qualquer tentativa duma restauração dos princípios proclamados pela revolução do Porto. Comunicou ao governo da metrópole com pormenorizados detalhes a maneira como procedera ao completo arrasamento e destruição dos alicerces do monumento que se projectava erigir, sendo a pedra angular, a caixa de prata e esta encerrava com o respectivo auto, a medalha comemorativa e as moedas do tempo ali lançadas, tudo inteiramente inutilizado e destruído. (V. Constituição de 1821 e Monumentos).

Também ordenou D. Manuel de Portugal e Castro que nas repartições publicas fossem inutilizados todos os vestígios que, nos respectivos livros e em quaisquer outros documentos, tivessem ficado dos actos da administração publica do período decorrido de 1821 a 1823 (V. Queima de documentos constitucionais).

No artigo Alçadas (Vol. I, pág. 31), se dá uma desenvolvida noticia dos primeiros actos de administração praticados por este governador e especialmente da alçada que o acompanhou a esta ilha.

2A Carta e o governo miguelista

Ainda não são passados três anos e, tendo morrido D. João VI a 10 de Março de 1826, é D. Pedro reconhecido rei de Portugal, que logo a 29 de Abril seguinte outorgou a Carta constitucional, restabelecendo-se deste modo o governo representativo (V. Outorga da Carta).

Dois anos depois, a 25 de Abril de 1828, o príncipe D. Miguel, regente do reino, é proclamado rei absoluto, depois de dissolvidas as cortes. Na Madeira não se proclamou desde logo o governo absoluto, porque Travassos Valdez, governador constitucional deste arquipélago, manteve-se fiel aos princípios de que era representante e preparou-se para resistir ás tentativas das tropas miguelistas que pretendiam apoderar-se desta ilha. No artigo Ocupação da Madeira pelas tropas miguelistas (pág. 6 do vol. III), ficou sumariamente historiada essa resistência e a sua ineficácia para obstar ao desembarque das forças realistas.

O governador miguelista José Maria Monteiro desembarcou no Funchal no dia 24 de Agosto de 1828 e nesse mesmo dia tomou posse do seu cargo, que exerceu até Abril de 1830. Este governador, que entre nós ficou conhecido pela alcunha do Baeta, deixou tradições pouco honrosas da sua administração pelas prepotências que praticou, como deixámos dito no artigo que lhe é consagrado nesta obra (Vol. II, pág. 390). Tornou mais odiosa e vexatoria a acção da alçada que o governo central enviou a esta ilha (V. Alçadas, vol. I pág. 31 e ss.) pelo parcial apoio que lhe prestou e pelo incitamento a vários excessos e demasias que o mesmo tribunal praticou.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 06
  1. A Revolução Liberal portuguesa eclodiu no Porto em 24 de agosto de 1820, acontecimento mais tarde evocado na medalha do Monumento Constitucional, no Funchal.

  2. A revolução liberal teve eco em Lisboa.

  3. A Madeira aderiu à revolução liberal e o regime constitucional foi solenemente proclamado no Funchal, passando a praça a chamar-se Praça da Constituição.

  4. A revolução da Vila-Francada, de 27 de maio de 1823, levou D. João VI a dissolver as Cortes e a restaurar o governo absoluto em Portugal em 3 de junho.

  5. A notícia da restauração absolutista chegou à Madeira em 16 de junho; no dia seguinte, o governo absoluto foi ali proclamado e celebrado.

  6. A fragata Amazonas chegou ao Funchal com o novo governador D. Manuel de Portugal e Castro, o regimento de infantaria n.º 7, artilharia e a alçada judicial.

  7. As fundações do monumento inacabado à Constituição, no Funchal, foram demolidas por ordem do governador, e ficou registado o depósito nelas colocado.

  8. Morreu D. João VI.

  9. D. Pedro IV outorgou a Carta Constitucional à monarquia portuguesa.

  10. D. Miguel dissolveu as Cortes, convocou os três estados e foi proclamado rei absoluto, restaurando o absolutismo.

  11. D. Miguel foi proclamado na Madeira, e José Maria Monteiro desembarcou no Funchal e tomou posse como governador miguelista.

  12. D. Álvaro da Costa de Sousa Macedo tomou posse como último governador e capitão-general da Madeira da lista, sucedendo a José Maria Monteiro, que deixou a ilha no fim de abril.

Lugar

Lugares mencionados · 04

No estrangeiro

Mapa: Madeira (3)
  1. Funchal

    Cidade onde os governadores desembarcaram e tiveram lugar as proclamações.

  2. Lisboa

    Portugal. Capital onde a revolução teve eco em 15 de setembro de 1820.

  3. Porto

    Portugal. Cidade onde eclodiu a revolução liberal em 24 de agosto de 1820.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 07
  1. Capitão-general da Madeira que permitiu as celebrações públicas da restauração absolutista em junho de 1823.

  2. Governador da Madeira a partir de agosto de 1823, que destruiu os alicerces do monumento à Constituição e os registos do período constitucional.

  3. Regente proclamado rei absoluto em 25 de abril de 1828.

  4. Rei de Portugal que outorgou a Carta Constitucional em 29 de abril de 1826.

  5. João VIm. 1826

    Rei de Portugal que aboliu a Constituição e restaurou o governo absoluto em 3 de junho de 1823.

  6. Governador constitucional da Madeira que resistiu à tomada do poder pelos miguelistas em 1828.

  7. Governador miguelista da Madeira (1828–1830), conhecido pela alcunha «o Baeta» e pelos seus abusos de poder.

Na folha P

Vistos recentemente

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