Atouguia (Visconde de) 1Nascimento e estudos
Atouguia (Visconde de)
Biografia de António Aluísio Jervis de Atouguia (1797–1861), 1.º Visconde de Atouguia, matemático nascido no Funchal, combatente liberal na guerra civil e político que foi deputado pela Madeira e, por diversas vezes, ministro da Marinha e dos Negócios Estrangeiros.
1Nascimento e estudos
Antonio Aluísio Jervis de Atouguia, 1.° visconde de Atouguia, pertencia a uma nobre família madeirense e nasceu no sítio de S. Francisco das Furnas, estrada de Santo Antonio, freguesia de S. Pedro desta cidade, na casa do morgadio que ali possuíam os seus progenitores, no dia 7 de Julho de 1797, sendo filho de Manuel Atouguia Jervis e de D. Antonia Joana Carvalhal Esmeraldo. Foi baptisado a 13 do mês e ano referidos na capela de Nossa Senhora da Piedade, sita na Cruz do Carvalho, freguesia de S. Pedro, pelo distinto madeirense o deão João Francisco Lopes Rocha, de quem nos ocupamos neste Elucidario.
Havia próximo de Londres um colégio, de reputação europeia, conhecido pelo nome de “Old Hall Green” onde então e ainda bastantes anos depois foram educados muitos filhos das mais ilustres famílias desta ilha. Iniciado nas primeiras letras, saiu Jervis de Atouguia para Inglaterra, aos 14 anos de idade, a fim de dar entrada no afamado colégio, de que alguns dos seus parentes e conterrâneos tinham também sido alunos. Feitos ali os seus estudos secundários, como hoje se diria, regressou á pátria, partindo para Coimbra, onde se matriculou na faculdade de matemática. Da sua aplicação como estudante, apenas sabemos que concluiu a sua formatura na mesma faculdade a 29 de Julho de 1822, tendo alcançado um prémio no primeiro ano daquele curso.
Logo em Outubro seguinte foi nomeado lente substituto da Academia de Marinha, mais tarde reformada com o nome de Escola Naval, sendo promovido a lente proprietário por decreto de 1 de Fevereiro de 1834.
2Emigração e guerra civil
As ideias liberais que professava não o tinham seguro em Portugal, e receando as perseguições de que eram vitimas muitos dos seus conterrâneos e amigos, resolveu abrigar-se á carinhosa hospitalidade do país que tão bem conhecia e onde passara alguns anos da sua juventude. Emigrando para Inglaterra em Junho de 1828, embarcou em Agosto do mesmo ano para esta ilha, em companhia de outros portugueses, a fim de reunir-se ao governador e capitão-general José Lucio Travassos Valdez, depois Conde de Bonfim, e ajudá-lo na resistência que este preparava ao ataque das fôrças absolutas. É sabido que essa resistência se não deu e que as tropas comandadas pelo general Lemos bombardearam a vila de Machico, tomando-a sem dificuldade, e puseram-se a caminho do Funchal, sendo em seguida apostado no governo da ilha o capitão de mar e guerra José Maria Monteiro, que viera a bordo da esquadra de D. Miguel.
O capitão-general Travassos Valdez, acompanhado de Jervis de Atouguia, dos portugueses que haviam chegado de Inglaterra e de outros madeirenses, refugiou-se a bordo do navio de guerra inglês Alligator, que então se achava surto no nosso porto, tendo poucos dias depois saído todos para Inglaterra.
Permaneceu aqui até fins de 1831, partindo então para a Terceira, a fim de associar-se ao movimento que naquela ilha se iniciara da libertação de Portugal das garras do absolutismo. Pouco depois da sua chegada, organizou-se em Março de 1832, uma expedição contra a Madeira, destinada a liberta-la do jugo miguelista, mas essa expedição que era comandada por Luiz Mousinho de Albuquerque, e em que tomou parte Jervis de Athouguia, foi infrutuosa nos seus resultados, não havendo sequer uma tentativa de ataque a este arquipelago pelas forças liberais, em vista da superioridade das tropas inimigas que o defendiam. Apenas Mousinho de Albuquerque e os oficiais da sua comitiva se demoraram algumas semanas no Porto Santo, regressando em seguida á Ilha Terceira.
No mês de Junho de 1832 foi Jervis de Atouguia nomeado secretario geral da província dos Açores, logar que não exerceu por muito tempo, porque o desejo ardente de unir-se aos que nas linhas do Porto combatiam pela liberdade, fê-lo pedir a demissão daquele honroso cargo e apresentar-se a D. Pedro IV, oferecendo-lhe os seus serviços. Obteve logo colocação no estado maior imperial, como capitão, sendo depois transferido para o real corpo de engenheiros e em seguida nomeado secretario militar e civil do Porto, cargo este que serviu com muita distinção.
Antonio Aluísio Jervis de Atouguia, como ajudante de ordens do general Valdez e depois do general Saldanha, entrou em quasi todos os combates que se deram até ao fim da guerra civil, distinguindo-se pelo seu denodo e valentia, nomeadamente na batalha de Almoster, pelo que foi condecorado com três graus da ordem da Torre e Espada.
3Vida política
Estabelecido o governo constitucional, entrou activamente na política, e ao mesmo tempo que regia a sua cadeira na Academia Real de Marinha, era eleito deputado pela Madeira em 1834 e em 25 de Julho de 1835 chamado aos conselhos da coroa, gerindo os negócios da pasta da marinha até 18 de Julho desse ano.
Em 1836 foi nomeado governador civil do Porto e no mesmo ano eleito deputado por esta cidade e pela Madeira, tendo também sido representante da sua pátria em cortes em 1837, 1842 e 1851.
Jervis de Athouguia tomou parte na revolta chamada dos marechais, que se malogrou tendo por isso emigrado para Inglaterra, mas voltando a Portugal em 1838 aderiu á nova constituição.
Em 1841 foi escolhido para presidente da câmara dos deputados e no ano imediato fez parte do gabinete presidido pelo duque de Palmela, gerindo os negócios do ministério da marinha.
No período decorrido de 1851 a 1856 foi varias vezes ministro de estado, sobraçando as pastas da marinha e dos estrangeiros.
Em 5 de Janeiro de 1853 foi elevado ao pariato e em 15 de Março do ano seguinte agraciado com o título de Visconde de Atouguia.
Jervis de Atouguia desempenhou o cargo de director da Escola Politécnica, foi conselheiro do tribunal de contas e atingiu o posto de brigadeiro graduado de engenheiros. Morreu em Lisboa a 17 de Maio de 1861.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 11-
António Aluísio Jervis de Atouguia, futuro Visconde de Atouguia, nasceu no Funchal, na casa junto à Capela de São Francisco das Furnas.
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O futuro Visconde de Atouguia formou-se em Matemática em Coimbra.
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O futuro Visconde de Atouguia partiu para a Madeira para ajudar o governador Travassos Valdez a resistir aos absolutistas.
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Uma expedição liberal enviada por D. Pedro IV, sob o comando de Mousinho de Albuquerque, para tomar a Madeira aos miguelistas não conseguiu atacar e dirigiu-se a Porto Santo.
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O Visconde de Atouguia foi eleito deputado pela Madeira.
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O futuro Visconde de Atouguia foi nomeado lente proprietário da Academia de Marinha.
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O Visconde de Atouguia tornou-se ministro da Marinha.
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O Visconde de Atouguia foi nomeado governador civil do Porto.
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O Dr. Lourenço José Moniz exerceu o cargo de vice-presidente, e mais tarde de presidente, da Câmara dos Deputados.
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António Aluísio Jervis de Atouguia recebeu o título de Visconde de Atouguia.
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Recebeu o título de Visconde de Atouguia.
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O Visconde de Atouguia morreu em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 14No estrangeiro
- Capela de Nossa Senhora da Piedade
Machico. Capela onde foi batizado.
Nome atribuído a mais de uma capela: uma construída por Simão Acciaioly no convento de São Francisco, no Funchal, onde foi sepultado; uma pequena capela num outeiro junto à praia da Piedade, na Ponta de São Lourenço; e uma capela demolida que deu nome à Rua da Igrejinha.
- Coimbra
Portugal. Cidade em cuja universidade estudou Matemática.
Cidade universitária de Portugal continental onde muitos madeirenses estudaram Direito ou Medicina e onde o Padre Luís Gonçalves da Câmara lecionou e foi reitor do colégio dos Jesuítas. Acolheu o campeonato académico de ténis de mesa de 1921, e os seus dados de dormência e pluviosidade são comparados com os do Funchal.
- Cruz do Carvalho
Funchal. Local onde se situava a capela em que foi batizado.
A Cruz do Carvalho é um sítio da freguesia de São Pedro, no Funchal. O capitão João Francisco de Freitas Esmeraldo mandou construir ali uma capela em 1767; são incertas a sua invocação e a sua identificação com uma capela ainda existente. As notas também registam uma capela de Santana construída ali em 1790 e outra capela do local onde foi batizado o Visconde de Atouguia.
- Estrada de Santo António
Funchal. Estrada onde se situava a casa em que nasceu.
Estrada onde se situava a casa em que nasceu.
- Funchal
Cidade para a qual as forças absolutistas avançaram em 1828.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde morreu em 1861.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Machico
Vila bombardeada e tomada pelas tropas absolutistas em 1828.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Old Hall Green
United Kingdom. Localidade próxima de Londres onde frequentou o Colégio.
Colégio perto de Londres onde estudou.
- Porto
Portugal. Cidade do cerco liberal, da qual foi mais tarde governador civil e deputado.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
- Porto Santo
Local onde os oficiais de Mousinho de Albuquerque permaneceram algumas semanas em 1832.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- São Francisco das Furnas
Funchal. Local de nascimento do visconde, na casa vinculada da família.
Local de nascimento do visconde, na casa de morgado da família.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 12- António Aluísio Jervis de Atouguia1797–1861
Oficial liberal madeirense, lente de Matemática e ministro a quem esta entrada é dedicada.
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Chefe do governo de 1842 em que Atouguia foi ministro da Marinha.
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Mãe do 1.º Visconde de Atouguia.
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Pretendente absolutista cuja esquadra tomou a Madeira em 1828.
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Líder liberal a quem Atouguia ofereceu os seus serviços no Porto.
- João Francisco Lopes Rocha1747–1819
Deão madeirense que batizou o futuro visconde em 1797.
- José Lúcio Travassos Valdez1787–1862
Governador liberal e capitão-general da Madeira em 1828, a quem Atouguia veio prestar auxílio e de quem foi ajudante.
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Capitão de mar e guerra empossado como governador miguelista da Madeira em 1828.
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General absolutista cujas tropas tomaram Machico e o Funchal em 1828.
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Comandante da expedição liberal fracassada de 1832 contra a Madeira.
+ 2 mais
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Pai do 1.º Visconde de Atouguia.
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General liberal de quem Atouguia foi ajudante de campo.