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Alçada de 1828 1Origem e vinda da alçada
Artigo Nº 0115 Justiça e tribunais Vol. I · pp. 65–66 2 min de leitura

Alçada de 1828

Relato da alçada enviada à Madeira em 1828 pelo governo absolutista de D. Miguel para investigar e punir os partidários da causa constitucional, depois de o governador Travassos Valdez ter proclamado os direitos de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal e de D. Maria. Regista as detenções em massa, a fuga de liberais e as penas aplicadas.

Alçada de 1828

1Origem e vinda da alçada

O governador e capitão general da Madeira José Lúcio Travassos Valdez era partidário dos princípios constitucionais e por todos os meios ao seu alcance promovia a sua implantação entre nós. No dia 22 de Junho de 1828, desprezando as ameaças do governo de D. Miguel, fez proclamar com grande solenidade oficial e diversos festejos públicos os direitos de D. Pedro IV e da sua filha D. Maria, o que em extremo irritou os partidários do governo absoluto. A atitude de Valdez determinou a vinda á Madeira duma esquadra, com o novo governador José Maria Monteiro, que atacou esta ilha e a rendeu ás forças miguelistas como em outro lugar narraremos. (V. Ocupação da Madeira pelas tropas miguelistas).

O governo central, por carta regia de 6 de Agosto de 1828, encarregou o desembargador da Casa da Suplicação Francisco Antonio Maciel Monteiro de vir a esta ilha proceder a uma rigorosa devassa acerca dos acontecimentos políticos que aqui se haviam dado e de castigar severamente os que se tinham mostrado desafectos aos princípios do governo absoluto. Foi dado como escrivão dessa devassa, não um funcionário judicial qualquer, mas o desembargador da relação do Porto Dr. Manuel Luciano Abreu de Figueiredo. Os dois desembargadores vieram na esquadra e desembarcaram no Funchal no dia 25 de Agosto.

2Prisões e condenações

Os trabalhos da devassa começaram a 30 de Agosto e prosseguiram durante alguns meses. A 6 de Setembro, isto é 8 dias depois da alçada iniciar a sua investigação judicial, já se encontravam presos 51 indivíduos na cadeia da cidade, 15 na fortaleza de S. Tiago, 16 na fortaleza do Pico, 4 no forte do Ilhéu, 45 a bordo da fragata Príncipe D. Pedro, 15 a bordo da corveta Princesa Real, e 21 eclesiásticos no Aljube. Foi considerável o numero de homiziados em toda a ilha, procurando alguns esconderijo em lugares distantes e com a mais absoluta falta de comodidades, até que a muitos foi possível procurar no exílio uma relativa tranquilidade aos perigos que os ameaçavam. O governador e capitão general Travassos Valdez, os oficiais vindos de Inglaterra e vários madeirenses refugiaram-se a bordo da corveta de guerra inglesa Alligator (V. este nome). A alçada pronunciou cerca de 220 indivíduos, alguns dos quais obtiveram soltura por nada se ter provado contra eles. Foram remetidos presos para Lisboa, para se lhes dar ulterior destino, 77 indivíduos dos que haviam sido pronunciados e que foram condenados a diversas penas de prisão e degredo.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. O governador Valdez proclamou solenemente na Madeira os direitos de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal e de D. Maria.

  2. Uma carta régia nomeou Francisco António Maciel Monteiro para proceder a uma alçada na Madeira.

  3. Os dois juízes da alçada desembarcaram no Funchal com a esquadra miguelista.

  4. A alçada iniciou a investigação aos liberais madeirenses.

  5. Até esta data, a alçada tinha prendido cerca de 167 pessoas, incluindo 21 membros do clero.

Lugar

Lugares mencionados · 08

No estrangeiro

Mapa: Madeira (7)
  1. Aljube

    Funchal. Prisão eclesiástica onde estiveram detidos 21 membros do clero.

  2. Fortaleza de São Tiago

    Funchal. Fortaleza onde estiveram detidos 15 presos em setembro de 1828.

  3. Fortaleza do Pico

    Funchal. Fortaleza onde estiveram detidos 16 presos.

  4. Forte do Ilhéu

    Funchal. Forte onde estiveram detidos 4 presos.

  5. Funchal

    Cidade onde os juízes desembarcaram a 25 de agosto de 1828 e onde foram detidos presos.

  6. Inglaterra

    United Kingdom. País de onde tinham vindo os oficiais que apoiaram Valdez.

  7. Lisboa

    Portugal. Destino de 77 presos enviados para serem julgados.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 07
  1. Filha de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, mais tarde rainha D. Maria II, cujos direitos foram proclamados na Madeira em 1828.

  2. Rei absolutista de Portugal cujo governo enviou a esquadra e a alçada à Madeira em 1828.

  3. Pretendente constitucional cujos direitos foram proclamados no Funchal a 22 de junho de 1828.

  4. Desembargador da Casa da Suplicação nomeado em agosto de 1828 para conduzir a investigação aos liberais madeirenses.

  5. Governador e capitão-general da Madeira que proclamou os direitos de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal e de D. Maria em 1828 e mais tarde se refugiou na corveta britânica Alligator.

  6. Novo governador miguelista que chegou com a esquadra que atacou e subjugou a Madeira em 1828.

  7. Desembargador da Relação do Porto que exerceu as funções de escrivão da alçada de 1828 na Madeira.

Na folha A

Vistos recentemente

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