Funchal (Marquês do)
Biografia de Domingos António de Sousa Coutinho, diplomata português em Londres, nomeado Conde e, mais tarde, Marquês do Funchal. O Elucidário atribui-lhe o fim das ocupações britânicas da Madeira e o regresso da ilha à administração portuguesa.
O diplomata e a desocupação da Madeira
Domingos António de Sousa Coutinho foi um dos mais distintos diplomatas portugueses, que em diversas capitais europeias e especialmente em Londres representou o seu país com o maior brilho e desinteresse, prestando serviços muito assinalados numa época de grandes perturbações que agitavam toda a Europa.
É sabido que a Madeira foi duas vezes ocupada por tropas inglesas a título de protecção e defesa contra os supostos ataques das forças napoleónicas, que corresponderam a uma verdadeira conquista, o que se prova não somente com muitos documentos diplomáticos da época, mas ainda pela maneira como administraram os negócios públicos deste arquipélago, conservando as autoridades portuguesas apenas um simulacro do poder, que na verdade residia unicamente no comandante em chefe das forças britânicas (V. Ocupação da Madeira por tropas inglesas). Os madeirenses sofreram toda a sorte de vexames nos oito anos que duraram essas ocupações. A pesar das resoluções tomadas no congresso de Viena em que a Inglaterra teria que evacuar sem demora esta ilha, é certo que em muitas chancelarias europeias e até nas altas esferas do governo português se julgava que a ocupação da Madeira correspondia a uma posse absoluta e definitiva. Ao distinto diplomata e então representante de Portugal em Londres, D. Domingos Antonio de Sousa Coutinho, que pelas eminentes qualidades de estadista e pelos seus numerosos escritos publicados no estrangeiro, tantos e tão assinalados serviços prestou ao seu país, se deve a desocupação deste arquipélago e a sua reentrega á nação portuguesa. O nosso governo agraciou-o com o título de conde e depois marquês do Funchal, título que ainda hoje é usado pelos representantes da sua família. Se ainda somos portugueses, a ele principalmente o devemos, e todavia não existe nesta cidade cousa alguma que recorde este facto e que seja ao mesmo tempo uma pequena homenagem prestada á memória do ilustre diplomata. Morreu em Londres no ano de 1832.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 01Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Funchal
Cidade que deu nome ao seu título e onde, segundo o autor, não existe nenhum monumento em sua memória.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Londres
United Kingdom. Capital onde Sousa Coutinho representou Portugal e morreu.
Capital britânica onde foram publicadas muitas obras inglesas sobre a Madeira, incluindo as dos du Cane, de Embleton e de Bloxam. Mason comparou a sua humidade com a do Funchal, e de lá veio artilharia para a Fortaleza de São Tiago. Acolheu o congresso de química aplicada de 1909.
- Viena
Austria. Sede do congresso que decidiu que a Grã-Bretanha deveria retirar-se da Madeira.
Viena foi a sede do congresso que decidiu que a Grã-Bretanha deveria evacuar a Madeira e a cidade de onde D. Miguel regressou a Lisboa. Ali foram publicadas várias obras relativas à Madeira, entre as quais o relato da viagem da Novara (1861) e a revista Ornis. Foi também um posto diplomático do 1.º Visconde de Tôrre Bela e de Agostinho de Ornelas de Vasconcelos (1865).
Pessoas
Pessoas mencionadas · 01-
Diplomata português e representante em Londres, nomeado Conde e depois Marquês do Funchal por ter assegurado a retirada britânica da Madeira; morreu em Londres em 1832.