Ferreira de Freitas (Joaquim José) 1Naturalidade e vida aventurosa
Ferreira de Freitas (Joaquim José)
Biografia de Joaquim José Ferreira de Freitas, aventureiro, jornalista e panfletário nascido na Madeira, conhecido como «Padre Amaro» devido ao periódico que publicou em Londres em defesa do liberalismo português. Morreu em Londres em 1831.
1Naturalidade e vida aventurosa
Todos os biógrafos de Joaquim José Ferreira de Freitas o dão como nascido na Madeira, mas resultaram sempre infrutíferas todas as diligências empregadas pelo falecido conselheiro Freitas e Abreu e por quem estas linhas escreve, no sentido de descobrir a freguesia da sua naturalidade ou quaisquer outras circunstancias pessoais que pudessem interessar á sua biografia. Supomos que houvesse saído desta ilha em verdes anos, para entregar-se talvez a estudos que neste meio e naquela época não poderia fazer no Funchal, e também suspeitamos que não mais tivesse voltado ao torrão natal, o que facilmente se explica com a vida acidentada que levou por essa Europa fora.
Na historia das perturbações políticas por que passou o nosso país no período agitado de 1820 a 1834, ficou Ferreira de Freitas conhecido pelo nome de Padre Amaro, a pesar de não ser sacerdote, por ter publicado em Londres um periódico com aquela estranha denominação, que gozou de reputação europeia, e onde principalmente afirmou as suas grandes faculdades de escritor.
Espírito irrequieto e aventureiro, vemo-lo percorrer a Europa inteira, ora combatendo nos exércitos de Napoleão, ora tornado confidente de José Bonaparte, aqui comerciante e industrial, além fornecedor de géneros para as tropas, hoje director dum gabinete de leitura de Paris e amanhã o insigne e vigoroso jornalista e panfletário, que em Londres tão assinalados serviços prestou á causa da liberdade portuguesa.
Todos reconhecem que Ferreira de Freitas teria deixado um grande nome na historia literária do nosso país, se a vida lhe decorresse serena e tranquila no remanso dum gabinete, entregue á meditação e ao estudo. Teve uma existencia acidentadissima de lutas e paixões, de ódios e desesperos, com lances de fortuna e passando também pelos transes aflitivos da miséria, para o que muito concorreram as flagrantes incoerências e contradições do seu espírito, que infelizmente nem sempre se deixou orientar pelas normas da mais austera probidade ou pelos mais imparciais princípios da Justiça.
2Obras e morte
No entretanto, além da sua vasta e brilhante obra jornalística, escreveu alguns volumes, que são documentos incontestaveis do seu prodigioso talento e das suas raras qualidades de escritor. Em 1822 publicou em Londres a Memória sobre a conspiração de Gomes Freire, em que pretende justificar o marechal Beresford da responsabilidade que lhe é imputada da morte do general português e por cujo trabalho se diz ter Ferreira de Freitas recebido a importância de 300 libras que era avultada para a epoca. Publicou pouco depois o Coup d'oeil sur l'état politique du Brésil. Contraditado pelo distinto escritor francês Afonso de Bauchamp na obra intitulada Historia do Brasil, Ferreira de Freitas respondeu com tal galhardia e copia de argumentos, que mereceu os elogios do próprio contraditor. Empreendeu a publicação duma obra de maior vulto intitulada Bibliotheca Histórica, Política e Diplomatica da Nação Portuguesa, de que apenas saiu o primeiro volume, em Londres, no ano de 1830. Atacando o distinto jurisconsulto Ferreira Borges, escreveu o opusculo O Bota-Fora do catavento ou a cabeça de bacalhau fresco, atribuído a Garrett e em que as composições em prosa e verso ali contidas não envergonhariam o autor do Fr. Luiz de Sousa. Redigiu vários escritos na língua portuguesa, francesa e inglesa, destinados principalmente a favorecer a independência do Brasil e depois a implantação do governo constitucional em Portugal.
Quasi até á morte trabalhou afanosamente como jornalista e panfletário, vindo a falecer em Londres, com pouco mais de 50 anos, a 20 de Julho de 1831. Custeou-lhe as despesas do funeral o abastado madeirense e seu patrício e amigo o 1º. Conde de Carvalhal, que então se encontrava exilado naquela capital.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Joaquim José Ferreira de Freitas, conhecido como «Padre Amaro», publicou em Londres o periódico Padre Amaro durante os anos de agitação política em Portugal.
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Joaquim José Ferreira de Freitas publicou em Londres uma memória sobre a conspiração de Gomes Freire.
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O primeiro volume da Bibliotheca Histórica, Política e Diplomatica, de Joaquim José Ferreira de Freitas, foi publicado em Londres.
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Joaquim José Ferreira de Freitas morreu em Londres.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Funchal
Local onde, na época, não estavam disponíveis os estudos que pretendia fazer.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Londres
United Kingdom. Local onde publicou o seu periódico e as suas obras e onde morreu.
Capital britânica onde foram publicadas muitas obras inglesas sobre a Madeira, incluindo as dos du Cane, de Embleton e de Bloxam. Mason comparou a sua humidade com a do Funchal, e de lá veio artilharia para a Fortaleza de São Tiago. Acolheu o congresso de química aplicada de 1909.
- Paris
France. Local onde dirigiu uma sala de leitura.
Capital francesa onde Franco de Sousa se estabeleceu e pintou «Ar livre», e onde Juvenal Honório de Ornelas se doutorou em Medicina em 1834. O Padre Luiz Gonçalves da Câmara estudou ali e conheceu Loyola; o Barão de Ornelas formou-se, exerceu a profissão e morreu na cidade.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 10-
Jornalista e panfletário nascido na Madeira, conhecido pela alcunha de Padre Amaro, que defendeu o liberalismo português a partir de Londres.
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Madeirense abastado exilado em Londres que pagou o funeral de Ferreira de Freitas.
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Escritor francês que contestou Ferreira de Freitas sobre o Brasil e mais tarde elogiou a sua resposta.
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Marechal britânico que Ferreira de Freitas procurou ilibar de responsabilidade pela morte de Gomes Freire.
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Conselheiro já falecido que procurou, sem êxito, o local de nascimento de Ferreira de Freitas.
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Jurista atacado no panfleto O Bota-Fora do catavento.
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Autor de Frei Luís de Sousa, a quem o panfleto foi erradamente atribuído.
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General português cuja conspiração e morte são tema de uma memória de Ferreira de Freitas publicada em 1822.
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Irmão de Napoleão, de quem Ferreira de Freitas se tornou confidente.
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Imperador francês em cujos exércitos Ferreira de Freitas combateu.