Palheiro do Ferreiro (Quinta do) 1A quinta e a sua fundação
Palheiro do Ferreiro (Quinta do)
Descreve a Quinta do Palheiro do Ferreiro, considerada pelo Elucidário a mais bela e maior quinta da Madeira, criada pelo 1.º Conde de Carvalhal no início do século XIX e mais tarde propriedade de João Blandy. Regista visitas da família real e cita a descrição feita por um visitante inglês em 1826.
1A quinta e a sua fundação
É a mais linda, a mais sumptuosa e a mais vasta quinta da Madeira. Situada no alto de elevadas montanhas, dali se desfrutam os mais surpreendentes e amplos panoramas, especialmente do sitio que tem o nome de Balancal. As suas matas, os seus pomares, os seus jardins, as suas terras de cultivo, as suas pastagens, os seus lagos, os seus passeios, as casas de habitação, as abegoarias e armazéns de lavoura, na sua vastidão e no seu esmerado cuidado de conservação, dão àquela estancia as proporções duma opulenta e principesca morada e duma grandiosa e imensa herdade.
A quinta do Palheiro de Ferreiro é obra do 1.° conde de Carvalhal, que pelos princípios do século passado ali iniciou a plantação de muitas centenas de arvores e fez construir uma pequena casa, que era apenas um rendez-vous de chasse. Edificou depois uma residência de campo, os jardins, os passeios, a capela, as casas de lavoura e fêz conduzir do alto das serras e de grandes distancias abundantes aguas destinadas a fertilizar os terrenos da quinta.
2Visitas e possuidores
Lê-se num antigo manuscrito que em 5 de Janeiro de 1801 foi a propriedade do Palheiro visitada pelo governador D. José Manuel da Câmara, que assistiu ao «assentamento das soleiras da porta do passeio», e quando em 1817 passou na Madeira a imperatriz Leopoldina (vol. II, pág 232), primeira mulher de D. Pedro IV, já a quinta do Palheiro causou admiração á princesa e sua comitiva, tendo por essa ocasião João de Carvalhal oferecido uma esplêndida festa em honra da ilustre e regia visitante.
O segundo conde de Carvalhal recebeu com grande brilho e aparato, na quinta do Palheiro, o infante D. Luís, depois rei de Portugal, quando em 1858 visitou esta ilha (II-286).
Há uns trinta anos (1921) que esta propriedade passou a posse do súbdito britânico João Blandy, que em 1901 ofereceu ali uma brilhante festa aos reis de Portugal D. Carlos e D. Maria Amélia.
3Descrição dum visitante inglês
Em varias obras nacionais e estrangeiras se encontram muitas referencias á Quinta do Palheiro, limitando-nos nós a reproduzir a seguinte descrição, feita por um inglês que a visitou a 13 de Janeiro de 1826: «Um dos melhores sitios a visitar nos arredores do Funchal é o Palheiro, uma quinta, ou antes um parque pertencente ao sr. João de Carvalhal, o mais rico fidalgo da ilha e provavelmente o mais rico súbdito, ao menos em propriedade territorial, do rei de Portugal. Visitámos hoje esse sitio. Em lugar elevado, um pouco para leste do Funchal, conseguiu o sr João de Carvalhal obter uma grande extensão de terreno relativamente plano, que fez cortar por caminhos e passeios e onde plantou carvalhos e abetos. Tudo está disposto e organizado ali como num parque inglês, o que tira ao local a grandeza e a feição selvagem que os estrangeiros tanto admiram no cenario da Madeira. No entretanto, compreende-se que um madeirense gostasse de transportar para a ilha aquilo que ali não existe. Devido á altitude, a temperatura no Palheiro é mais baixa do que no Funchal, e a beleza da quinta estou certo que aumentará quando as arvores adquirirem maior desenvolvimento. A casa é modesta tanto no tamanho como na arquitectura, mas elegante e confortavel, e os jardins que a cercam estão ricamente vestidos de flores. As camelias constituem o seu principal ornamento, tendo os exemplares 6 a 8 pés de alto e produzindo flores brancas ou carmezins, que rivalizam na forma e na côr com as rosas, mas que não têm o belo perfume destas».
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
O governador D. José Manuel da Câmara visitou a propriedade do Palheiro e assistiu ao assentamento das soleiras das portas.
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Leopoldina foi homenageada numa festa oferecida por João de Carvalhal na Quinta do Palheiro.
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Um visitante inglês percorreu e descreveu a Quinta do Palheiro, perto do Funchal.
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O Infante D. Luís chegou ao Funchal na corveta Bartolomeu Dias, na primeira visita de um membro da família real à Madeira. Desembarcou no dia seguinte no cais da Pontinha, onde teve uma grande receção; foi recebido no Palheiro pelo Conde de Carvalhal e encomendou mesas de embutidos para D. Pedro V e para a rainha D. Estefânia.
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A Quinta do Palheiro do Ferreiro passou para a posse de João Blandy.
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O rei D. Carlos e a rainha D. Amélia visitaram a Madeira, chegando ao Funchal em 22 de junho e partindo para os Açores em 25 de junho; John Blandy recebeu-os na Quinta do Palheiro, onde o rei jogou ténis, e realizou-se uma exposição na Praça Académica.
Lugar
Lugares mencionados · 04- Quinta do Palheiro do Ferreiro · Assunto
Funchal
Quinta no concelho do Funchal, descrita pelo Elucidário como a mais bela e maior da Madeira. Foi criada pelo 1.º Conde de Carvalhal no início do século XIX e pertenceu mais tarde a João Blandy. A entrada regista visitas da família real e cita a descrição feita por um visitante inglês em 1826.
- Balancal
Funchal. Local da quinta conhecido pelas suas amplas vistas.
Balancal é um sítio da freguesia de São Gonçalo, no concelho do Funchal, situado no extremo sul da Quinta do Palheiro Ferreiro. É conhecido pela ampla vista sobre o Funchal, que se estende para leste até ao Terreiro da Luta.
- Funchal
A quinta situa-se numa zona elevada, um pouco a leste do Funchal.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Palheiro Ferreiro
Santa Cruz. A quinta de que trata esta entrada.
Quinta e um dos principais sítios da freguesia do Caniço, mais tarde propriedade dos Blandy, cujos terrenos confinam com os da Capela de Nossa Senhora das Neves. O Conde de Carvalhal ofereceu ali uma célebre festa ao infante D. Luís, e realizou-se também ali uma festa durante a visita dos reis de Portugal. Foi um dos postos de defesa organizados por Travassos Valdês durante a ocupação miguelista, tendo para lá sido destacada parte das tropas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 09-
2.º Conde de Carvalhal, que recebeu o príncipe D. Luís na quinta em 1858.
- D. Carlosm. 1922
Rei de Portugal, recebido na quinta por João Blandy em 1901.
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Primeira mulher de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, que admirou a quinta durante a sua passagem pela Madeira em 1817.
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Príncipe, mais tarde rei de Portugal, recebido na quinta durante a sua visita à Madeira em 1858.
- D. Maria Améliam. 1853
Rainha de Portugal, recebida na quinta com D. Carlos em 1901.
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Rei de Portugal, mencionado como marido da imperatriz D. Leopoldina.
- João Blandym. 1912
Cidadão britânico que adquiriu a quinta por volta de 1891 e ali ofereceu uma festa ao rei e à rainha de Portugal em 1901.
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1.º Conde de Carvalhal, o nobre mais rico da Madeira, que criou a Quinta do Palheiro e ali recebeu a imperatriz D. Leopoldina em 1817.
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Governador da Madeira que visitou a Quinta do Palheiro em 5 de janeiro de 1801.