Leopoldina (Arquiduquesa) 1Chegada ao Funchal
Leopoldina (Arquiduquesa)
Relato da visita ao Funchal, em setembro de 1817, da arquiduquesa Leopoldina da Áustria, a caminho do Rio de Janeiro para casar com o futuro imperador D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal). Descreve a sua receção, as festividades em sua honra e uma pintura que comemorou a sua estada.
1Chegada ao Funchal
D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, casou pela primeira vez com a arquiduquesa de Austria Leopoldina (1797-1826) e em segundas núpcias com D. Amelia, fundadora do Hospício da Princesa D. Maria Amelia.
Pela manhã do dia 11 de Setembro de 1817, ancorou no porto do Funchal uma esquadra composta das naus portuguesas D. João VI e D. Sebastião e da fragata austríaca Augusta, comandada pelo capitão de mar e guerra Henrique de Sousa Prego. Destinava-se ao Rio de Janeiro e conduzia a seu bordo a princesa Leopoldina, que ia contrair matrimónio com o príncipe real D. Pedro, depois imperador do Brasil e rei de Portugal.
A comitiva da princesa era composta dos marqueses de Castelo Melhor, condes da Lousã, conde de Penafiel, portugueses; príncipe de La Tour e Taxis, conde de Eltz, conde de Bellegarde, conde de Krassischs e o embaixador da Austria no Brasil, austríacos, além de 11 criados.
Teve a princesa uma brilhante recepção desembarcando num improvisado cais de madeira feito na Pontinha e indo hospedar-se no palácio de S. Lourenço.
No dia 12 de Setembro, jantou na Quinta do Palheiro do Ferreiro, a convite de João de Carvalhal, que ali deu por essa ocasião uma esplêndida festa.
Visitou o Monte no dia 13, percorrendo algumas quintas e ali lanchou em casa do rico comerciante inglês Roberto Page, que preparou à princesa uma bela recepção na quinta Belmonte.
2Memória da visita
O governador e capitão-general Florencio José de Melo e o bispo D. Joaquim de Meneses e Ataide foram elogiados pelo governo do Rio de Janeiro, pela maneira como receberam a arquiduquesa e pelas demonstrações de apreço e de regozijo que no Funchal se fizeram por ocasião da sua passagem nesta ilha.
O governador e capitão-general, com autorização da princesa, encarregou o major José Caetano César de Freitas de a acompanhar ao Rio de Janeiro, como representante dos povos deste arquipélago, e de apresentar as suas felicitações ao príncipe real D. Pedro por ocasião do seu consórcio.
No palacete dos condes da Calçada, na rampa de Santa Clara, existiu um quadro a óleo da princesa Leopoldina, tendo num dos ângulos da tela os seguintes dizeres: Arquiduqueza Leopoldina, Princesa Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, passeando na quinta do Palheiro Ferreiro em 12 de Setembro de 1817.
Presentemente, este quadro é propriedade do Sr. Júlio Barros. A arquiduquesa Leopoldina foi, como se sabe, mãe de D. Pedro II, imperador do Brasil, e de D. Maria II, Rainha de Portugal. Faleceu no Rio de Janeiro, a 11 de Dezembro de 1826.
Com título de «A Princesa do Reino - Unido Portugal Brasil na Ilha da Madeira em 1817», publicou o distinto escritor tenente-coronel A. Artur Sarmento um interessante opúsculo, no ano de 1943, acerca da visita dessa ilustre princesa a esta ilha na sua passagem para a cidade do Rio de Janeiro.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03-
A esquadra que transportava a arquiduquesa Leopoldina para o Rio de Janeiro fundeou no Funchal.
-
Leopoldina foi homenageada numa festa oferecida por João de Carvalhal na Quinta do Palheiro.
-
Leopoldina visitou o Monte e foi recebida na Quinta do Belo Monte.
-
A arquiduquesa Leopoldina morreu no Rio de Janeiro.
-
A. Artur Sarmento publicou um opúsculo sobre a visita da arquiduquesa Leopoldina à Madeira.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Funchal
Porto onde a esquadra de Leopoldina fundeou em 1817.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Monte
Funchal. Localidade que Leopoldina percorreu em 13 de setembro de 1817.
Freguesia de Nossa Senhora do Monte, acima do Funchal, a cerca de 600 m de altitude, onde o aparecimento das folhas ocorre mais tarde do que no Funchal. Inclui os sítios do Jardim Botânico, da Igreja e dos Marmeleiros e a Quinta de Sant'Ana. O Elucidário regista as suas numerosas plantas, entre elas acácias e Sonchus fruticosus.
- Palácio de São Lourenço
Funchal. Local onde Leopoldina ficou alojada durante a visita.
O Palácio de São Lourenço, palácio-fortaleza dos governadores no Funchal, foi palco de cerimónias de beija-mão, receções, bailes e jantares, bem como da exposição de 1861. O Elucidário regista ali um grande incêndio em 1699, um museu de história natural em 1850 e uma tentativa de entrada de soldados em 1829. O Teatro Grande ficava em frente.
- Pontinha
Machico. Local onde foi construído um desembarcadouro provisório de madeira para Leopoldina desembarcar.
A Pontinha é a projeção costeira no extremo ocidental da baía do Funchal, originalmente chamada Ilhéus devido a dois ilhéus rochosos, mais tarde ligados à costa por muros e pelo molhe concluído em 1889. O Elucidário descreve os seus fortes, a capela, o farol, o cais de passageiros e a estrada, os danos causados por tempestades em 1757 e 1892 e o posto de desinfeção marítima ali instalado a partir de 1901. Foi local de desembarque de visitantes ilustres, como o núncio e a arquiduquesa Leopoldina. Um sítio com o mesmo nome figura também entre os principais sítios da freguesia de Machico.
- Quinta Belmonte
Funchal. Quinta de Roberto Page onde foi servida uma refeição ligeira à arquiduquesa.
Quinta de Robert Page, onde foi servida uma refeição ligeira à arquiduquesa.
- Quinta do Palheiro
Funchal. Quinta onde Leopoldina jantou e foi recebida com festejos em 12 de setembro de 1817.
Quinta da família Carvalhal em São Gonçalo, no Funchal. O 1.º Conde de Carvalhal morreu ali e foi inicialmente sepultado na sua capela; o 2.º Conde deu ali festas célebres e recebeu D. Luís. A arquiduquesa Leopoldina jantou na quinta em 12 de setembro de 1817, D. Carlos jogou ali ténis em 1901 e foi ali introduzido pela primeira vez o tojo.
- Rampa de Santa Clara
Funchal. Local da mansão dos Condes da Calçada, onde esteve exposto o retrato de Leopoldina.
Local do palacete dos Condes da Calçada, onde esteve exposto o retrato de Leopoldina.
- Rio de Janeiro
Brazil. Destino da viagem e local onde Leopoldina morreu.
O Rio de Janeiro, no Brasil, surge no Elucidário como sede da corte portuguesa e como cidade onde muitos madeirenses viveram, estudaram, ensinaram, publicaram obras e morreram. Entre eles contam-se Paulo Perestrelo da Câmara, João de Oliveira Sá Camelo Lampreia e João da Silveira Caldeira, que dirigiu a Casa da Moeda na cidade.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 13- Leopoldina, Arquiduquesa de Áustria1797–1826
Arquiduquesa austríaca e primeira mulher de D. Pedro I do Brasil; passou pela Madeira em 1817, a caminho do casamento no Brasil.
- Alberto Artur Sarmenton. 1878
Tenente-coronel e escritor que publicou, em 1943, um opúsculo sobre a visita de Leopoldina.
-
Segunda mulher de D. Pedro I do Brasil e fundadora do Hospício da Princesa D. Maria Amélia, no Funchal.
- D. Joaquim de Meneses e Ataíde1765–1828
Bispo do Funchal, elogiado pela receção dada a Leopoldina.
-
Filha de Leopoldina e futura rainha de Portugal.
-
Marido de Leopoldina, com quem esta ia casar-se no Rio de Janeiro.
- D. Pedro IIm. 1706
Filho de Leopoldina e futuro imperador do Brasil.
-
Governador e capitão-general da Madeira, elogiado pelo governo do Rio de Janeiro pela receção que deu à arquiduquesa.
-
Capitão de mar e guerra que comandou a esquadra que transportou Leopoldina em 1817.
-
Proprietário da Quinta do Palheiro, onde ofereceu uma festa sumptuosa a Leopoldina em 12 de setembro de 1817.
+ 3 mais
-
Major enviado com Leopoldina ao Rio de Janeiro para felicitar o príncipe D. Pedro em nome dos madeirenses.
-
Proprietário, à época em que o texto foi escrito, do retrato a óleo de Leopoldina.
-
Abastado comerciante inglês que recebeu Leopoldina na Quinta Belmonte, no Monte.