Leuchtenberg (Duque de)
Relato da estadia na Madeira (1849–1850) do príncipe Maximiliano, Duque de Leuchtenberg, que procurava alívio para uma doença, e da visita posterior (1886–1887) do seu filho, o príncipe Nicolau Maximiliano.
Estada do duque na Madeira
No dia 23 de Agosto de 1849, ancorou no nosso porto a fragata da marinha russa Kamtchatka, conduzindo a seu bordo o príncipe Maximiliano, duque de Leuchtenberg, irmão do príncipe Augusto, primeiro marido de D. Maria II, e de D. Amelia, viúva de D. Pedro IV. O navio ficara de quarentena e o príncipe só pode desembarcar no dia 27 de Agosto, tendo uma brilhante recepção preparada pelo então governador civil, o benemérito conselheiro José Silvestre Ribeiro.
Percorreu o príncipe muitas freguesias da Madeira e visitou também o Porto Santo, sendo um entusiástico admirador das belezas naturais do nosso arquipélago. Demorou-se nesta ilha até o dia 23 de Abril de 1850, em que embarcou em direcção á Russia. Deixou entre nós as mais gratas recordações, não só pela extrema lhaneza do seu trato como pelos sentimentos de caridade de que deu eloquentes provas em favor dos pobres da nossa terra.
O duque de Leuchtenberg, que era filho do célebre príncipe Eugenio Napoleão e genro do imperador da Rússia Nicolau I, viera á Madeira em procura de alívios aos seus padecimentos e, ao ausentar-se, declarou, no meio de convulsivo choro, que aqui passara alguns dos dias mais felizes e mais tranquilos de toda a sua vida.
A sua comitiva compunha-se do Príncipe Pierre Bagratin, conde de Ojarowski, capitão Pauchine, o secretário Eugène Mussar, o médico Dr. S. Fischer e quinze criados.
Residiu na quinta das Angústias, onde anteriormente também residira a rainha Adelaide de Inglaterra, e onde morreu em 1853 a princesa D. Maria Amelia. Visitou o Porto Santo no ano de 1850, indo aquela ilha na fragata russa Palas.
Um filho do príncipe Maximiliano, o príncipe Nicolau Maximiliano, também duque de Leuchtenberg, visitou a Madeira em 1886, tendo chegado ao porto do Funchal a 1 de Dezembro e desembarcado no dia imediato. Foram-lhe prestadas as honras militares a que tinha direito, na qualidade de príncipe aparentado com as casas reais de Portugal e da Rússia.
O príncipe Nicolau passou uma parte do ano de 1887 na Madeira, retirando para a Europa a 16 de Junho.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
O Duque de Leuchtenberg chegou ao Funchal a bordo da fragata russa Kamtchatka, desembarcou após a quarentena em 27 de agosto, foi recebido por José Silvestre Ribeiro e residiu na Quinta Lambert até abril de 1850.
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O Duque de Leuchtenberg visitou o Porto Santo a bordo da fragata Palas.
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O Duque de Leuchtenberg partiu da Madeira para a Rússia.
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A princesa D. Maria Amélia, filha da imperatriz D. Amélia, morreu de tuberculose pulmonar na Quinta das Angústias, no Funchal.
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O príncipe Nicolau Maximiliano, Duque de Leuchtenberg, chegou ao Funchal.
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O príncipe Nicolau de Leuchtenberg partiu da Madeira para a Europa.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Funchal
Porto onde chegaram os dois príncipes.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto Santo
Ilha visitada pelo duque em 1850.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Quinta das Angústias
Funchal. Residência do duque durante a sua estadia.
A Quinta das Angústias é uma propriedade no Funchal onde a Imperatriz D. Amélia e o Duque de Leuchtenberg residiram durante as suas estadias. Mais tarde, o Conde de Lambert comprou-a para sua residência. Nela se encontra o miradouro Mirante de D. Guiomar.
- Rússia
Russia. Destino do duque após a sua partida em 1850.
A Rússia surge no Elucidário como mercado do vinho da Madeira, objeto de uma representação municipal de 1906, e como origem de donativos durante a fome de 1846–1847. Agostinho de Ornelas de Vasconcelos foi ministro plenipotenciário naquele país a partir de 1894.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 15-
Filho de Eugénio de Beauharnais e genro do czar Nicolau I, que esteve na Madeira entre agosto de 1849 e abril de 1850 por motivos de saúde.
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Rainha viúva de Inglaterra que anteriormente vivera na Quinta das Angústias.
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Irmão do duque e primeiro marido da rainha D. Maria II de Portugal.
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Membro da comitiva do duque na Madeira.
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Irmã do duque e viúva de D. Pedro IV.
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Rainha de Portugal cujo primeiro marido era irmão do duque.
- D. Maria Améliam. 1853
Princesa que morreu na Quinta das Angústias em 1853.
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Rei de Portugal e falecido marido de D. Amélia, irmã do duque.
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Secretário do duque durante a sua estadia na Madeira.
- Eugénio Napoleãom. 1879
Pai do Duque de Leuchtenberg.
+ 5 mais
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil do Funchal que organizou a receção ao duque em 1849.
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Czar da Rússia e sogro do duque.
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Oficial da comitiva do duque na Madeira.
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Membro da comitiva do duque na Madeira.
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Médico do duque durante a sua estadia na Madeira.