Estrada e Ponte monumental 1Projecto primitivo
Estrada e Ponte monumental
A ponte sobre o Ribeiro Seco e a estrada que dela segue em direção a Câmara de Lobos receberam a designação «Monumental» por terem sido inicialmente projetadas em 1835 pelo governador Mousinho de Albuquerque como homenagem a D. Pedro IV. Foram finalmente construídas a partir de 1848, sob a direção de José Silvestre Ribeiro.
1Projecto primitivo
A ponte do Ribeiro Sêco, e a estrada que, entestando nela, conduz á freguesia da Câmara de Lobos, são geralmente conhecidas pelos nomes de Ponte Monumental e Estrada Monumental, porque o primitivo projecto da sua construção obedeceu ao pensamento de as considerar como um monumento erguido á memória do rei de Portugal D. Pedro IV. Deveriam ter o seu nome e destinavam-se a comemorar entre nós a sua acção como rei libertador. Foi o seu companheiro de armas e amigo dedicado, Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque, o primeiro governador da Madeira no período constitucional, que, em 1835, concebeu esse projecto que a sua curta demora na administração superior deste distrito deixou apenas iniciado. Ocupando-se deste assunto, diz Servulo Drumond de Meneses: “Logo ao sahir da cidade para o lado d'oeste encontra-se uma grande quebrada que as torrentes hão formado, e no fundo da qual passa o Ribeiro Secco. Esta quebrada intentou o Sr. Mousinho d'Albuquerque atravessar por meio de uma ponte pensil; e para esse fim começou por mandar construir dois gigantescos pilares, afora dos fortissimos encontros em cada uma das bordas da quebrada. Entrava no plano a ideia de levantar um monumento á memória do Immortal Duque de Bragança, Magnânimo Libertador dos Portugueses, e nesta conformidade devia a obra ser magnífica e grandiosa. Sucedeo porem que ausentando-se da Ilha o Sr. Mousinho de Albuquerque, não progrediram mais os trabalhos já começados, e assim se frustaram por muito tempo os louváveis e patrióticos desígnios do ilustre governador da Madeira, que, incansável e preserverante, havia não só dado já um grande impulso á obra, mas também reunido muitos materiais, que por fim se foram perdendo. ”
2Construção da ponte
O governador civil barão de Lordelo (1838-1840) tentou louvavelmente prosseguir os trabalhos começados, mas não conseguiu remover as dificuldades que se levantaram á execução desta obra. Coube essa glória ao benemérito e mais ilustre governador deste arquipelago o conselheiro José Silvestre Ribeiro, que, depois de aturados esforços pôde levar a cabo a realização desse grande empreendimento. Os trabalhos de construção começaram no dia 6 de Março de 1848 e achavam-se quasi concluídos no fim do mesmo ano.
O conselheiro José Silvestre abriu para este fim uma subscrição publica, que rendeu mais de três contos de réis, e a câmara do Funchal contribuiu com cerca de dois contos.
O secretario geral do governo civil do Funchal, Servulo Drumond de Meneses, publicou em 1848 um folheto intitulado Colecção de documentos relativos á construçao da Ponte do Ribeiro Secco, que contém dados muito interessantes acerca desta obra que, não merecendo o nome de monumental, foi no entretanto um importante melhoramento, há muito reclamado e que veio satisfazer uma grande necessidade publica. A estrada que é a continuação da ponte, ficou então apenas iniciada e prosseguiu com bastante lentidão até o seu final acabamento, e a ponte de alvenaria, na ribeira dos Socorridos, foi começada a 5 de Junho de 1848.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03-
Mousinho de Albuquerque concebeu a ponte e a estrada monumentais como homenagem a D. Pedro IV.
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O Barão de Lordelo, na qualidade de governador civil, tentou prosseguir as obras da estrada e da ponte monumentais.
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Financiada pelo excedente do fundo de socorro às vítimas da fome e contratada em 27 de fevereiro por 5 799$000 réis, a construção da ponte do Ribeiro Seco começou sob a direção de José Silvestre Ribeiro em 6 de março de 1848 e estava quase concluída no final do ano.
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Começaram as obras da ponte de alvenaria sobre a Ribeira dos Socorridos.
Lugar
Lugares mencionados · 04- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Destino da Estrada Monumental.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Funchal
Cidade cuja Câmara Municipal contribuiu com cerca de dois contos de réis para a ponte.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Ribeira dos Socorridos
Câmara de Lobos · Funchal. Ribeira onde se iniciou, em junho de 1848, a construção de uma ponte de alvenaria integrada na estrada.
Uma das principais ribeiras da Madeira, nasce nas Torrinhas e separa várias freguesias a oeste do Funchal. O seu nome recorda o salvamento, por Zarco, de companheiros que quase foram arrastados pela corrente na foz. Alimenta a levada dos Piornais, e a construção de uma ponte rodoviária de alvenaria sobre a ribeira começou em 1848.
- Ribeiro Seco
Funchal. Ribeiro a oeste do Funchal atravessado pela Ponte Monumental.
O Ribeiro Seco é um curso de água a oeste do Funchal que constitui o limite ocidental da freguesia de São Pedro. É atravessado pela Ponte Monumental, e a Praça do Ribeiro Seco, construída pouco depois de 1850 e hoje denominada Largo de António Nobre, situa-se na sua margem esquerda. A sua foz marca uma das extremidades da costa das Águas Doces, a sua enseada era defendida pelo Forte da Penha de França e a Quinta do Calaça situa-se a oeste do ribeiro.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05-
Governador civil da Madeira (1838–1840) que tentou, sem êxito, prosseguir as obras da ponte.
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Rei de Portugal e «libertador» em cuja memória a ponte e a estrada foram inicialmente concebidas como monumento.
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil da Madeira que concluiu a ponte do Ribeiro Seco em 1848, angariando fundos por subscrição pública.
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Primeiro governador constitucional da Madeira, que concebeu o projeto da ponte monumental em 1835 e iniciou a construção dos seus pilares.
- Sérvulo Drumond de Meneses1802–1867
Secretário-geral do Governo Civil do Funchal que publicou em 1848 uma coleção de documentos sobre a construção da ponte.