Ribeiro Seco (Ponte do) 1Projecto de Mouzinho
Ribeiro Seco (Ponte do)
História da ponte sobre o Ribeiro Seco, perto do Funchal, inicialmente projetada por Mouzinho de Albuquerque como monumento ao Duque de Bragança e finalmente construída em 1848–1849, durante o governo de José Silvestre Ribeiro, com donativos públicos. A entrada recorda também os suicídios ocorridos na ponte, nomeadamente um episódio escandaloso por volta de 1860.
No estrangeiro
1Projecto de Mouzinho
O ilustre Mouzinho de Albuquerque, quando prefeito da Madeira, concebeu o projecto de lançar uma ponte pênsil sobre o Ribeiro Seco, tendo para esse fim começado a fazer construir dois gigantescos pilares, afora dois fortíssimos encontros em cada uma das margens do ribeiro. «Entrava no plano da obra, diz Sérvulo de Meneses na Colecção de documentos relativos á construção da ponte do Ribeiro Seco, a ideia de levantar um monumento á memória do imortal Duque de Bragança, magnânimo libertador dos portugueses, e nesta conformidade devia a obra ser magnífica e grandiosa».
Com a saída de Mouzinho para Lisboa, pararam os trabalhos da ponte, tendo procurado mais tarde o barão de Lordelo continua-los, mas sem resultado, depois de haver assentado que a mesma ponte seria de pedra, e não pênsil. Foi em tempo deste governador que se principiou a estrada que comunica o Funchal com Câmara de Lobos.
Em fins de 1846, tendo vindo governar a Madeira o conselheiro José Silvestre Ribeiro, resolveu ele chamar a atenção dos engenheiros sobre o modo de levar a efeito a obra projectada por Mousinho de Albuquerque, mas só em 1848 se pôde dar começo aos trabalhos, depois do mesmo governador ter obtido a promessa de donativos que chegavam para satisfazer a quarta parte das despesas em que haviam sido orçados os mesmos trabalhos.
2Construção da ponte
A arrematação das obras da ponte teve lugar no dia 27 de Fevereiro de 1848, e, no dia 6 de Março seguinte, começaram os trabalhos, tendo pouco antes o Governador aberto uma subscrição para os gastos da ponte. As obras foram arrematadas pela quantia de 5.799$000 réis, sendo arrematantes o mestre de obras José Pereira e seus sócios Antonio Joaquim Marques Basto, João António Bianchi e Francisco Luis Pereira.
Por meio de donativos, conseguiu o Governador obter inteiramente o preço da arrematação, mas as obras importaram em 8.227$302 réis, tendo tido, por conseguinte, os arrematadores um prejuízo de 2.428$302 réis, o qual não existiria, segundo declaração destes, se não houvesse todo o empenho «em apresentar obra bem acabada e duradoura, satisfazendo com mão larga a todas as indicações do engenheiro director».
Os trabalhos da ponte foram executados sob a direcção do capitão de engenharia Tiberio Augusto Blanc e ficaram acabados em Fevereiro de 1849, tendo este oficial comunicado ao Governador Civil, em seu oficio de 5 de Dezembro do mesmo ano, estar concluida a grandiosa obra com toda a solidez e perfeição, havendo a sociedade arrematadora excedido em muitos pontos às obrigações a que se tinha comprometido, levada unicamente pelo desejo de que a mesma obra satisfizesse plenamente à espectação pública e não desmentisse o credito dos sócios, sendo esta a principal causa do grande prejuizo que sofreram.
Entre as pessoas que concorreram com dádivas para a construção da ponte do Ribeiro Seco, figura a rainha Adelaide, de Inglaterra, que deu 480$000 réis, tendo o Governador Civil agradecido, por meio da imprensa, a todos os subscritores, o generoso auxilio que lhe prestaram para poder levar a efeito a grandiosa obra que empreendera.
3Suicídios no Ribeiro Seco
Muitos são os indivíduos que se têm suicidado no Ribeiro Seco, aproveitando a grande altura em que está a parte média da ponte, mas de todas as mortes aí ocorridas, a que maior sensação produziu talvez no Funchal, foi a de um indivíduo de boas famílias que pelos anos de 1860 se atirou ao fundo do ribeiro, por ver repelidos os protestos de amor que ousara dirigir à esposa dum governador civil. Uma carta que ficou sem resposta e á qual se seguiu a proibição de voltar ao palácio de S. Lourenço, onde antes era sempre bem recebido, levaram o desditoso amante a pôr termo à existência pela forma que fica apontada, seguindo-se a este acontecimento trágico o acto burlesco do filho do suicida propor ou querer propor um duelo ao governador por considera-lo responsável pela morte do pai.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
José Silvestre Ribeiro tomou posse como governador civil do distrito do Funchal em 7 de outubro de 1846. Exerceu o cargo até 1852 e retomou projetos como a ponte da Ribeira Seca.
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Financiada pelo excedente do fundo de socorro às vítimas da fome e contratada em 27 de fevereiro por 5 799$000 réis, a construção da ponte do Ribeiro Seco começou sob a direção de José Silvestre Ribeiro em 6 de março de 1848 e estava quase concluída no final do ano.
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A ponte do Ribeiro Seco foi concluída e, a 5 de dezembro, o engenheiro Tibério Augusto Blanc comunicou oficialmente a conclusão da obra ao governador civil.
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Um homem de boas famílias atirou-se da ponte do Ribeiro Seco e morreu, depois de ter sido rejeitado pela mulher de um governador civil.
Lugar
Lugares mencionados · 06- Ponte do Ribeiro Seco · Assunto
Funchal
A Ponte do Ribeiro Seco atravessa o Ribeiro Seco no início da Estrada Monumental, perto do Funchal. Inicialmente projetada por Mouzinho de Albuquerque como monumento ao Duque de Bragança, foi construída em 1848–1849 durante o governo de José Silvestre Ribeiro, com donativos públicos e o excedente do fundo destinado a comprar alimentos durante a fome de 1846–1847. Serviu de vértice da delimitação da cidade em 1909 e foi local de suicídios, entre os quais se destacou um caso escandaloso ocorrido cerca de 1860.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Destino da estrada que parte do Funchal e na qual se situa a ponte.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Funchal
Ponto de partida da estrada iniciada durante o governo de Lordelo.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. A partida de Mouzinho para Lisboa interrompeu as obras.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Palácio de São Lourenço
Funchal. Residência do governador à qual foi vedada a entrada à pessoa que se suicidou.
O Palácio de São Lourenço, palácio-fortaleza dos governadores no Funchal, foi palco de cerimónias de beija-mão, receções, bailes e jantares, bem como da exposição de 1861. O Elucidário regista ali um grande incêndio em 1699, um museu de história natural em 1850 e uma tentativa de entrada de soldados em 1829. O Teatro Grande ficava em frente.
- Ribeiro Seco
Funchal. Ribeiro atravessado pela ponte descrita nesta entrada.
O Ribeiro Seco é um curso de água a oeste do Funchal que constitui o limite ocidental da freguesia de São Pedro. É atravessado pela Ponte Monumental, e a Praça do Ribeiro Seco, construída pouco depois de 1850 e hoje denominada Largo de António Nobre, situa-se na sua margem esquerda. A sua foz marca uma das extremidades da costa das Águas Doces, a sua enseada era defendida pelo Forte da Penha de França e a Quinta do Calaça situa-se a oeste do ribeiro.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 11-
Rainha Adelaide de Inglaterra, que doou 480$000 réis para a ponte.
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Sócio da empresa que tomou de empreitada a construção da ponte.
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Governador que tentou, sem êxito, prosseguir a construção da ponte em pedra e iniciou a estrada entre o Funchal e Câmara de Lobos.
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D. Pedro, Duque de Bragança, aclamado como libertador, a cuja memória a ponte deveria servir de monumento.
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Sócio da empresa que tomou de empreitada a construção da ponte.
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Sócio da empresa que tomou de empreitada a construção da ponte.
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Mestre de obras a quem foi adjudicada a construção da ponte em 1848.
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil da Madeira a partir do final de 1846, que angariou donativos e promoveu a construção da ponte em 1848–1849.
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Prefeito da Madeira que concebeu a ponte suspensa do Ribeiro Seco e iniciou a construção dos seus pilares.
- Sérvulo Drumond de Meneses1802–1867
Compilador da coleção de documentos sobre a construção da ponte do Ribeiro Seco aqui citada.
+ 1 mais
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Capitão de engenharia que dirigiu a construção da ponte, concluída em 1849.