Mirantes
Entrada sobre os mirantes ou miradouros da Madeira, que enumera os existentes no Funchal e noutros locais e recorda os miradouros recomendados pelo governador civil José Silvestre Ribeiro em 1850.
Mirantes e miradouros
A surpreendente nunca assaz encarecida beleza da paisagem madeirense (Vid. Paisagem da Madeira), que maravilhosamente se desenrola em terrenos de tão acidentado e caprichoso relevo, oferece com frequência muitos sítios e lugares, que convidam à estática contemplação dos mais dilatados e encantadores horizontes. Nesses pontos privilegiados, logo lembra, sem o menor esforço, a necessidade da construção de pequenos miradouros, que facultem aos visitantes um apreciado repauso e o prazer espiritual, que a natureza pode ali prodigamente proporcionar-lhes. Alguns bancos confortáveis, arvores que dêem sombra e ainda uma «pérgola» vestida de qualquer planta ornamental servirão de simples e indispensável adôrno a êsses lugares. O Funchal possui alguns desses miradouros, como sejam o da «Montanha», «Babosas», «Pico dos Barcelos», adros das igrejas do Monte, S. António, S. Martinho e S. Gonçalo, «Largo António Nobre», «Largo das Cruzes», e ainda outros, mas nem todos oferecem o indispensavel confôrto, que provoque uma atraente e demorada visita.
Espalhados por tôda a superficie da ilha, encontram-se muitos pontos sobranceiros a belos trechos de encantadora paisagem, em que deveria proceder-se á construção desses miradouros, agora facilitada pela abertura das novas estradas.
Em 27 de Julho de 1850, recomendou o Governador Civil José Silvestre Ribeiro ao director das Obras Públicas Tibério Augusto Blanc, a construção dum mirante no sitio das Macelas, no concelho de Machico, por causa da vista surpreendente que dai se desfruta, tendo tal mirante sido construído pouco depois e estando ainda hoje de pé, como é sabido. Além da construção do mirante das Macelas, recomendava J. Silvestre Ribeiro a construção dum mirante na Portela, no concelho de Machico e de outro na Eira do Serrado, no concelho do Funchal.
Perto da Levada do Juncal e a cerca dum quarto de hora da casa de abrigo do Ribeiro Frio, existe um mirante mandado construir pela Direcção das Obras Públicas, donde se desfrutam vistas majestosas sobre a Ribeira da Metade.
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Funchal
A entrada do Elucidário sobre os mirantes ou miradouros da Madeira enumera os do Funchal e de outros locais e recorda os miradouros recomendados pelo governador civil José Silvestre Ribeiro em 1850.
- Babosas
Funchal. Miradouro no Funchal.
Babosas é um sítio da freguesia do Monte com um pequeno largo e um miradouro sobre o Curral dos Romeiros. É conhecido como Conceição desde a construção de uma capela em 1906.
- Eira do Serrado
Câmara de Lobos. Local recomendado para a instalação de um miradouro em 1850.
Miradouro a 1026 m de altitude, no cimo da subida do Passo da Chave, com uma vista impressionante sobre a povoação do Curral das Freiras e as montanhas circundantes. Em 1850, recomendou-se a instalação de um miradouro neste local, que foi visitado pelo rei Leopoldo da Bélgica.
- Funchal
Cidade com vários miradouros enumerados na entrada.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Igreja de Santo António
Funchal. O adro da igreja serve de miradouro.
A Igreja de Santo António é a igreja paroquial de Santo António, no Funchal, e o seu adro serve de miradouro. António de Leme e a mulher foram ali sepultados. O mais baixo dos Picos de Santo António ergue-se nas proximidades, e a igreja assinala uma das extremidades do Caminho de Luís Miranda.
- Igreja de São Martinho
Funchal. O adro da igreja serve de miradouro.
A Igreja de São Martinho é a igreja da freguesia de São Martinho, no Funchal, e alberga um tríptico flamengo. O seu adro serve de miradouro, e a igreja assinala uma das extremidades da Estrada do Morgado Esmeraldo. Foi ali pregado um dos sermões do Padre José Cupertino.
- Igreja do Monte
Funchal. O adro da igreja serve de miradouro.
A Igreja do Monte é a igreja da freguesia do Monte, no Funchal, e o seu adro serve de miradouro. Em 1846, a Câmara Municipal decidiu construir junto dela um abrigo para viajantes.
- Largo António Nobre
Funchal. Largo usado como miradouro no Funchal.
O Largo António Nobre é um largo do Funchal com o nome do poeta António Nobre, cujo busto foi inaugurado ali em 1941. Serve também de miradouro.
- Largo das Cruzes
Funchal. Largo usado como miradouro no Funchal.
Largo utilizado como miradouro no Funchal.
- Levada do Juncal
Santana. Levada perto de um miradouro das Obras Públicas.
A Levada do Juncal é uma antiga levada do Estado, com 15,5 km de extensão e um caudal de 92 litros por segundo, que irriga Santo da Serra, Santa Cruz e Água de Pena. Partilha um aqueduto até aos Lamaceiros e segue junto da Levada da Serra até ao Lombo da Raiz. Passa também por um miradouro das Obras Públicas sobre o Vale da Metade, ao qual se chega a pé a partir do Ribeiro Frio.
- Macelas
Machico. Local de um miradouro construído pouco depois de 1850 e ainda existente.
Local de um miradouro construído pouco depois de 1850 e ainda existente.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil da Madeira que, em 1850, recomendou a construção de miradouros nas Macelas, na Portela e na Eira do Serrado.
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Diretor das Obras Públicas na Madeira a quem foi dirigida, em 1850, a recomendação de construir o miradouro das Macelas.