Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Pinheiros 1Introdução e sementeiras
Artigo Nº 2886 Planta Vol. III · pp. 141–142 3 min de leitura

Pinheiros

Artigo sobre os pinheiros na Madeira, que acompanha a introdução e a promoção municipal do pinheiro-manso e do pinheiro-bravo desde finais do século XVIII, o seu cultivo e utilizações e as outras espécies de pinheiro presentes no arquipélago.

Pinheiros

1Introdução e sementeiras

Os primeiros que se cultivaram na Madeira foram os pinheiros mansos (Pinus Pinea); os pinheiros bravos (Pinus Pinaster) parece que foram introduzidos no ultimo quartel do século XVIII, sendo para estranhar que só tão tarde começasse a ser cultivada na ilha uma essencia tão util ao homem.

Em 19 de Setembro de 1807, dizia-se em sessão da Camara Municipal do Funchal terem dado da America alguns moios de pinhão, mas sem ser indicada a especie a que este pertencia, e em 29 de Agosto de 1812 resolvia a mesma corporação mandar vir quatro moios de semente de pinheiro das melhores qualidades de Portugal.

Em 26 de Outubro de 1821, propôs á Camara o mester Severiano Ferraz que se encomendassem 100 alqueires de semente de pinheiro bravo e 100 de pinheiro manso para sementeiras na ilha, e em 15 de Março de 1822 resolvia a mesma Camara tornar publico por editais que tinha um moio de pinhões bravos para repartir pelos lavradores, e que estava á espera de dois moios de pinhões mansos para terem o mesmo destino. Em 18 de Setembro de 1823, afixaram-se editais comunicando ao publico a chegada a esta cidade duma porção de pinhões destinados a serem distribuidos pelos agricultores.

A 12 de Janeiro de 1830, foi autorizado o tesoureiro do concelho a mandar vir dois moios de pinhão para sementeiras nos lugares convenientes tendo em sessões de 17 de Janeiro de 1837 e 20 de Setembro de 1839 mostrado a Camara mais uma vez o interesse que lhe merecia a arborização das serras e baldios concelhios.

Durante a administração do conselheiro José Silvestre Ribeiro vieram para a Madeira grandes porções de penisco, que ele fêz distribuir pelas Camaras Municipais e proprietarios rurais, sendo a partir de então que a cultura do pinheiro bravo principiou a tomar grande incremento na ilha. A cultura desta especie ocupa agora uma area que supomos não ser inferior a 2.000 hectares, enquanto a do pinheiro manso está hoje abandonada ou quasi abandonada (1921).

2Cultura e especies

O corte dos pinheiros maritimos realiza-se em geral aos 12 e 15 anos, mas aos 6 anos já os caules delgados destas arvores são aproveitados para apoio dos feijoeiros e aos 8 para construção de latadas ou corredores. Como os pinheiros são semeados em geral muito juntos, precisam duma limpeza ao fim dalguns anos, sendo as varas que então são cortadas vendidas aos agricultores para os referidos fins.

A operação da gemagem ou resinagem não nos consta que fôsse nunca praticada no arquipélago, ao menos para fins industriais.

É uso semear o penisco desde Janeiro até Março, sendo preferidos os dois ultimos meses para as sementeiras nos terrenos elevados, para que os pinheiros ao nascer não sejam prejudicados pelo granizo que muitas vezes aparece durante os meses de inverno. Com o penisco, costumam muitos cultivadores semear o trigo, a cevada, o centeio ou a giesta, os quais servem de abrigo aos pinheiros novos, tanto contra os raios do sol como contra os ventos, a chuva e o granizo, que podem quebrá-los ou desarreigá-los.

Além do Pinus Pinaster ou pinheiro bravo, e do P. Pinea ou pinheiro manso existem na Madeira o Pinus halepensis e o P. canariensis, tendo esta ultima especie sido introduzida de Tenerife em 1837.

O pinheiro bravo existe no Porto Santo, em terrenos não calcareos, ao passo que nos terrenos calcareos cultiva-se hoje ali com bom resultado o Pinus halepensis.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 10
  1. O pinheiro-bravo e o azevém-italiano foram aparentemente introduzidos na Madeira no último quartel do século XVIII.

  2. A Câmara Municipal do Funchal comunicou ter recebido semente de pinheiro da América.

  3. A Câmara Municipal do Funchal decidiu importar quatro moios de semente de pinheiro de Portugal.

  4. Severiano Ferraz propôs encomendar semente de pinheiro para sementeira.

  5. A Câmara Municipal anunciou a distribuição de semente de pinheiro-bravo aos agricultores.

  6. Anúncios comunicaram a chegada de semente de pinheiro destinada aos agricultores da Madeira.

  7. O tesoureiro da Câmara Municipal foi autorizado a importar dois moios de semente de pinheiro.

  8. O pinheiro-das-canárias foi introduzido na Madeira a partir de Tenerife.

  9. A Câmara Municipal voltou a manifestar interesse na arborização das serras e dos baldios.

  10. A Câmara Municipal voltou a debater a arborização das serras e dos baldios.

  11. O pinheiro-bravo cobria pelo menos cerca de 2 000 hectares na Madeira, enquanto o cultivo do pinheiro-manso estava quase abandonado.

Lugar

Lugares mencionados · 05

No estrangeiro

Mapa: Arquipélago da Madeira (5)
  1. América

    Multiple countries. Origem da semente de pinheiro entregue à Câmara Municipal do Funchal em 1807.

  2. Funchal

    A sua Câmara Municipal encomendou e distribuiu repetidamente semente de pinheiro.

  3. Porto Santo

    O pinheiro-bravo cresce nos seus solos não calcários e o pinheiro-de-alepo nos solos calcários.

  4. Portugal

    Origem da melhor semente de pinheiro encomendada em 1812.

  5. Tenerife

    Spain. Origem do pinheiro-das-canárias introduzido em 1837.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 02
  1. Governador civil da Madeira durante cuja administração foram distribuídas grandes quantidades de semente de pinheiro, dando início ao cultivo do pinheiro-bravo em larga escala.

  2. Mester da Câmara Municipal do Funchal que, em 1821, propôs encomendar 100 alqueires de semente de pinheiro-bravo e outros 100 de pinheiro-manso.

Na folha P

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.