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Elucidário Madeirense Início
Flora 1Zonas de vegetação e plantas aclimadas
Artigo Nº 1464 Visão geral de história natural Vol. II · pp. 64–65 4 min de leitura

Flora

Panorama geral da flora do arquipélago da Madeira: as quatro zonas de vegetação definidas por Lowe segundo a altitude, a perda de espécies autóctones e a naturalização de plantas introduzidas, e dados estatísticos sobre espécies autóctones, endémicas e lenhosas. Identifica também os botânicos que estudaram as plantas da ilha.

Flora

1Zonas de vegetação e plantas aclimadas

Como é geralmente sabido, encontram-se na Madeira em familiar e agradável companhia, respirando o mesmo ar e iluminadas pelo mesmo sol, plantas de quasi todos os países do mundo, sem serem precisos abrigadouros ou estufas para a grande maioria delas – circunstancia que dá logo a ideia da excelência do clima e da bondade do céu que o cobre e protege. Representa um trecho reunido da flora de latitudes muito diversas, deparando-se ao lado das espécies arboreas de porte altivo e majestoso dos países intertropicais com as plantas humildes e rasteiras das regiões setentrionais. Na Madeira, como em todos os países montanhosos, onde se observam variadas condições de clima, os vegetais acham-se repartidos dum modo mais ou menos característico em zonas distintas. Na opinião de Lowe, essas zonas podem reduzir-se ao numero de quatro:

  1. 1ª Zona, a dos cactos e bananeiras, que se estende da orla do oceano até cerca de 200 metros de altitude
  2. 2ª Zona, da vinha e castanheiros, que compreende os terrenos de altitude de 150 a 750 metros
  3. 3ª Zona, dos loureiros e urzes, de 750 a 1.650 metros
  4. e 4ª Zona, a dos altos cumes, abrangendo todos os pontos elevados que vão de 1.650 a 1.850 metros.

Esta classificação não exclue a existencia de outras plantas, que têm grande predomínio e extensão em cada uma dessas zonas, e assim temos a cana de açúcar, cuja cultura é muito generalizada dentro da primeira e em parte da segunda das zonas referidas, o mesmo acontecendo com respeito ao cultivo da vinha e ainda a muitos vegetais que são aqui largamente cultivados. Na determinação dessas zonas reconhece-se facilmente o papel que o factor térmico exerce na distribuição das plantas, havendo todavia numerosos factos que atestam que ele nem sempre está só na delimitação das linhas de vegetação de certas especies.

É incontestável que os incêndios e a exploração agrícola provocaram o desaparecimento de muitas espécies vegetais, talvez abundantes antes do povoamento, mas em compensação são numerosas as produções de outros países que se têm naturalizado ou aclimado na Madeira, havendo algumas delas trazido á sua flora modificações que se não harmonizam em muitos casos com a situação geografica da ilha. A cana de açúcar, das Índias Orientais, a vinha, da Europa e Asia Central, o pinheiro marítimo, da Europa, as acácias, da Australia e a abundancia, do México, são espécies mais ou menos aclimadas ou naturalizadas, que imprimem em muitas partes á vegetação da nossa ilha um cunho que destoa bastante do cunho primitivo.

2Número de espécies e estudiosos da flora

A flora actual conhecida do arquipelago da Madeira, compreende 931 fanerogamicas, 50 criptogamicas vasculares, 265 muscineas e 916 talófitas, mas se pusermos de parte as plantas naturalizadas, fica o grupo ou divisão das fanerogamicas apenas com 641 espécies e o das criptogamicas vasculares com 45. No grupo das fanerogamicas há 104 espécies que consideramos endémicas e 55 que são comuns ao arquipelago da Madeira e a outros grupos de ilhas do Atlântico, o que equivale a dizer que das referidas 641 espécies a que costumamos chamar indígenas, 159 se não encontram nas regiões continentais próximas, embora sejam provavelmente legítimos representantes duma flora ali existente outrora.

Conhecem-se no nosso arquipelago 106 vegetais lenhosos indígenas, entre árvores, arbustos e subarbustos, estando os dois primeiros grupos, que são os mais importantes, representados por 34 espécies, 10 das quais são europeias, 1 da Madeira e Açores, 3 da Madeira, Açores e Canárias, 11 da Madeira e Canárias e 9 peculiares ou endémicas. Distribuem-se estas espécies por 22 famílias, 4 das quais se não encontram na Europa, estando, porém, uma delas representada no vizinho império de Marrocos.

Se as fanerogamicas e criptogamicas vasculares madeirenses se podem considerar bem estudadas, graças ás pacientes investigações do barão de Castelo de Paiva, João M. Moniz, Mandon, Lowe, Carlos de Menezes, Pe. Gonçalves da Costa e outros, o mesmo se não pode dizer acerca das criptogamicas celulares, muito embora sobre alguns grupos delas existam trabalhos dignos do maior apreço e que muito facilitam a determinação das espécies. São os musgos, os líquenes e os fungos as plantas celulares que mais têm merecido as atenções dos colectores, não significando isto, porém que se um dia se fizerem explorações metódicas e cuidadosas em muitas regiões da ilha, não venha a resultar daí descobrirem-se muitas espécies dos mesmos grupos não assinaladas até agora na nossa terra.

Os distintos homens de ciência Richard Thomas Lowe, súbdito britanico, e Carlos Azevedo de Meneses, ilustre madeirense, foram os botânicos que mais desenvolvidamente estudaram a flora desta ilha, deixando largos e notáveis trabalhos, que têm sido devidamente apreciados e elogiados pelos sábios que cultivam esta especialidade cientifica.

Neste artigo

Lugar

Lugares mencionados · 04
Mapa: Europa (3)
  1. Açores

    Portugal. Arquipélago atlântico que partilha algumas espécies lenhosas autóctones com a Madeira.

  2. Canárias

    Spain. Arquipélago atlântico que partilha muitas espécies lenhosas autóctones com a Madeira.

  3. Marrocos

    Morocco. País vizinho onde também ocorre uma das famílias de plantas ausentes da Europa.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Nobre referido entre os investigadores que estudaram as plantas com flor e as criptogâmicas vasculares da Madeira.

  2. Botânico madeirense que, juntamente com Lowe, estudou de forma mais aprofundada a flora da ilha e deixou uma vasta obra sobre o tema.

  3. Referido entre os botânicos que estudaram as plantas com flor e as criptogâmicas vasculares da Madeira.

  4. Sacerdote referido entre os botânicos que estudaram a flora da Madeira.

  5. Coletor de plantas referido entre os investigadores da flora da Madeira.

  6. Botânico britânico que propôs a divisão da vegetação da Madeira em quatro zonas altitudinais e foi um dos dois botânicos que mais aprofundadamente estudaram a sua flora.

Na folha F

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