Castelo de Paiva (Antonio da Costa Paiva, Barão de)
Biografia de António da Costa Paiva, Barão de Castelo de Paiva (1806–1879), médico e naturalista nascido no Porto, incumbido em 1855 de estudar a agricultura e a economia da Madeira. Reuniu um herbário e uma coleção de conchas da Madeira e escreveu uma monografia de referência sobre os moluscos terrestres e de água doce do arquipélago.
Vida e trabalhos científicos
Este distinto medico e naturalista nasceu no Pôrto a 12 de Outubro de 1806 e faleceu no Funchal a 4 de Junho de 1879. Era bacharel em filosofia pela Universidade de Coimbra, doutor em medicina pela faculdade de Paris, lente da Academia Politecnica do Pôrto e socio da Academia das Sciencias de Lisboa.
Tendo sido encarregado pelo Govêrno Português, em 1855, de estudar a ilha da Madeira sob o ponto de vista agricola e economico, aproveitou o ensejo para fazer numerosas investigações botanicas e zoologicas em todo o arquipelago, conseguindo organizar um herbario de 515 especies, que ofereceu em 1863 á Academia das Sciencias de Lisboa, e uma excelente colecção de conchas terrestres. A sua Monographia Molluscorum terrestrium, fluvialium, lacustrium insularum Maderensium (Lisboa, 1867) é, na opinião de distintos especialistas, o trabalho mais exacto e consciencioso que tem sido publicado sobre a malacologia do nosso arquipelago.
O Barão de Castelo de Paiva visitou também o arquipelago das Canarias, onde fêz varias observações botanicas, malacologicas e entomologicas. O herbario que ele organizou naquelas ilhas está presentemente, assim como o da Madeira, na Faculdade de Ciencias da Universidade de Lisboa.
Além da referida Monographia, escreveu um relatorio, de 11 paginas, em que se ocupa da Madeira sob o ponto de vista agricola e economico (Lisboa, 1855) e os seguintes trabalhos cientificos: Noticia da descoberta de dois molluscos novos e tambem dos typos vivos de duas especies fosseis do archipelago madeirense (Annals and Mag. of Nat. Hist, 1862), Description of a new Sempervivum from the Salvage Island (Seeman’s Journ. Bot., 1866), Description de deux espèces nouvelles de mollusques terrestres de l’archipel de Madère (Journ. de Conchyl, VI, 1866), etc.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
António da Costa Paiva, mais tarde Barão de Castelo de Paiva, nasceu no Porto.
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O Governo português encarregou o Barão de Castelo de Paiva de estudar a agricultura e a economia da Madeira.
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O Barão de Castelo de Paiva doou à Academia das Ciências de Lisboa o seu herbário de plantas da Madeira, com 515 espécies.
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Foi publicada em Lisboa a Monographia Molluscorum, do Barão de Castelo de Paiva, sobre os moluscos terrestres e de água doce da Madeira.
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António da Costa Paiva, Barão de Castelo de Paiva, morreu no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Canárias
Spain. Arquipélago que também visitou para recolher plantas, moluscos e insetos.
As Canárias são o arquipélago vizinho da Madeira, cuja descoberta é objeto de relatos divergentes. Segundo a tradição, o seu rei Béthencourt vendeu-as ao Infante D. Henrique em troca de terras na Madeira. O Elucidário refere numerosos contactos entre os dois arquipélagos, incluindo visitas científicas, a digressão do Orfeão Madeirense em maio de 1922 e o massacre de quarenta Jesuítas nas suas águas.
- Funchal
Local onde o barão morreu em 1879.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto
Portugal. Local de nascimento do barão.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
- Selvagens
Funchal. Origem de um novo Sempervivum que descreveu em 1866.
Pequeno grupo de ilhas desabitadas, que pertence politicamente ao Arquipélago da Madeira. O Elucidário aborda a sua geografia, geologia, fauna e história da propriedade, bem como as lendas de tesouros escondidos, incluindo os planos de Shackleton para os procurar, e assinala a caça anual de cagarras e coelhos. É o único habitat remanescente da lapa Patella vulgata e foi estudado por naturalistas como Lowe e Garreta.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 01-
Médico e naturalista nascido no Porto, que estudou a Madeira para o Governo português a partir de 1855 e escreveu a monografia de referência sobre os seus moluscos terrestres.