Herbários 1Herbários madeirenses no estrangeiro
Herbários
Panorama dos herbários e das coleções botânicas de plantas da Madeira conservados em instituições europeias e no Museu do Seminário do Funchal, com a indicação dos coletores desde o século XVIII até 1921. Assinala que a Madeira ainda não dispunha de um museu regional de história natural.
1Herbários madeirenses no estrangeiro
Os herbários madeirenses não são raros na Europa, em razão do grande numero de explorações botânicas realizadas aqui nos séculos XVIII e XIX, principalmente por naturalistas estrangeiros. No Museu Britânico e no Jardim de Kew estão as colecções de R. T. Lowe, possuindo também o primeiro destes estabelecimentos os herbarios de Banks, do Dr. Solander, de Francisco Masson e de Downe, e o segundo, o valioso herbario do nosso falecido conterrâneo João Maria Moniz e parte do Dr. Carlos Lemann. Na Universidade de Cambridge estão numerosos exemplares colhidos por este ultimo naturalista na Madeira, e no já referido jardim de Kew acham-se muitos exemplares das colecções do botânico francês Mandon, que percorreu o arquipélago em 1865 e 1866.
É de supor que o herbario madeirense que pertenceu ao Dr. Heer se ache no Jardim Botânico de Zurique, visto terem sido depositadas aí muitas das suas colecções botânicas, e que o herbario de Forster esteja na Universidade de Kiel ou no Museu de Historia Natural de Paris, para onde foram, segundo diz Alphonse De Candolle, as colecções botânicas obtidas na segunda viagem de Cook á roda do mundo.
Nos herbarios de Franqueville e de Cosson, em França, nos de Boissier, de Candolle e de Delessert, na Suíça, e no do Museu Palatino de Viena, existem muitos exemplares de plantas madeirenses colhidas por Mandon, e no Museu Botânico de Florença estão muitas das colecções que o botânico inglês Webb organizou nesta ilha em 1828. Nos herbarios de M. Gandoger e de O. Debeaux, em França, existem ricas colecções provenientes desta ilha, oferecidas por um dos autores deste Elucidario, e nas Universidades de Coimbra, Lisboa e Porto podem ver-se numerosas plantas secas da nossa região, remetidas pelo mesmo colector, o qual enviou também colecções completas das Ranunculaceas, Onoteraceas e Ciperaceas madeirenses á antiga Academia Internacional de Geografia Botânica de Mans e colecções dos Fetos indígenas à mesma Academia e ao Príncipe Bonaparte, distinto pteridologo francês.
Ignoramos que destino tiveram as colecções de Holl, Lippold, Schacht e capitão Norman; quanto ás de Bornmuller, Trelease e Dr. Vahl, tudo leva a supor que se achem em poder dos seus organizadores. Muitas das plantas colhidas por Nathaniel Mason na Madeira estão no já citado Museu Palatino, ao passo que as colecções do distinto botânico português Barão de Castelo de Paiva, foram por ele oferecidas á Academia das Sciencias de Lisboa, passando daí á Faculdade de Sciencias da mesma cidade.
2Colecções do Seminário e criptogâmicas
James Y. Johnson organizou um pequeno herbario de plantas madeirenses, que se acha depositado no Museu do Seminário do Funchal, sendo esta colecção, a pesar de bastante incompleta, notável por conter a maior parte das espécies raras da ilha. A ultima vez que a vimos (1921) estava em bom estado de conservação, devido ao cuidado que havia em submetê-la de tempos a tempos aos vapores de sulfureto de carbono.
Graças ás herborizações do jovem botânico madeirense José Gonçalves da Costa, estudante do 3.° ano teologico do Seminário Episcopal do Funchal, é hoje (1921) o herbario do mesmo seminário um dos mais ricos que se conhecem em plantas do arquipelago da Madeira. As herborizações do Sr. Costa têm sido efectuadas especialmente no Funchal, Porto do Moniz, Achadas da Cruz, Ribeira da Janela e Porto Santo, havendo resultado delas elementos de muito valor, entre os quais algumas espécies e variedades novas.
Temo-nos referido a colecções de Fanerogamicas e de Criptogamicas Vasculares; pelo que toca a colecções de Criptogamicas Celulares, as mais valiosas que têm sido organizadas até o presente são, segundo cremos, as de Kny, Johnson, Mandon, Winter, Miss Armitage, Castelo de Paiva, Bornmuller e Padre J. Barreto, as cinco primeiras de Muscíneas e as restantes de Liquenes madeirenses. O rev.° padre Jaime Barreto fez há anos abundantes colheitas de Fungos madeirenses, e o Dr. Liebetruth, o capitão Albertis, o rev.° E. Schmitz e o Dr. Gain coligiram as Algas marinas do arquipélago. O Dr. Lindman coligiu as algas de água doce da Madeira, e o mesmo fez um dos autores deste Elucidario, tendo os seus exemplares sido determinados em grande parte pelos rev.os Zimmermann, botânico suíço, e Schodduyn, botânico francês.
O museu do Seminário do Funchal possue além do herbario de Johnson, de que já falámos a excelente colecção de Muscineas que pertenceu a este mesmo botânico, as colecções de Líquenes e de Fungos do Rev. padre Jaime Barreto e as de algas marinas do Rev. padre Ernesto Schmitz, encontrando-se também ali um caderno com Líquenes colhidos há muitos anos nesta ilha pelo falecido naturalista madeirense João Maria Moniz, além de outros materiais de menor valor.
As colecções botânicas existentes no Seminário são as únicas que podem orientar o naturalista estrangeiro que visita a Madeira, no estudo da flora indígena, pois que nem o governo nem as corporações administrativas se lembraram ainda de criar um museu regional, destinado a receber as produções dos três reinos, que são variadissimas e interessantes em muitas partes do arquipélago. V. Gabinete de historia Natural e Museus.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Achadas da Cruz
Porto Moniz. Zona onde Costa realizou recolhas.
Achadas da Cruz é uma pequena freguesia no extremo noroeste da Madeira, no concelho do Porto Moniz. Desenvolveu-se a partir de uma capela do século XVI e tornou-se freguesia independente em 1848. Mudou várias vezes de concelho: passou para o Porto Moniz em 1835, esteve brevemente integrada na Calheta entre 1849 e 1855 e voltou a pertencer à Calheta quando o concelho do Porto Moniz foi extinto em 1895. A sua fajã é o planalto mais pequeno e contém uma lagoa semelhante a uma cratera, com 66 m de largura; nela encontram-se gado em liberdade e Euphorbia mellifera. Entre os acontecimentos registados contam-se a ação do benfeitor Manuel de Pontes Câmara e o naufrágio do iate Varuna em 1909.
- Kew
United Kingdom. Conserva as coleções de Lowe e Moniz.
Kew alberga um jardim botânico e uma instituição científica que o Dr. Jacinto António de Sousa visitou. Conserva herbários madeirenses, incluindo os de Lowe, João Maria Moniz e do Reverendo P. Murray, bem como parte das coleções do Dr. Carlos Lemann.
- Museu do Seminário do Funchal
Funchal. Conserva as principais coleções botânicas da ilha.
O Museu do Seminário do Funchal é um museu no Funchal que conserva as principais coleções botânicas da ilha, incluindo o herbário de Johnson. Conserva também valiosas coleções zoológicas de aves, peixes, conchas e corais, bem como o mapa geológico em relevo da Madeira de Stuebel.
- Porto Moniz
Zona onde José Gonçalves da Costa realizou recolhas.
Freguesia e concelho do noroeste, com um cais e um porto razoável que oferece boas condições de desembarque quando os ventos do sul impedem o acesso à Costa Sul. Tem uma das mais antigas capelas dedicadas a Santa Maria Madalena no norte da Madeira, cuja festa se celebra a 22 de julho. Foi a terra natal do Dr. Manuel Gomes Jardim.
- Porto Santo
Zona onde Costa realizou recolhas.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Ribeira da Janela
Porto Moniz. Zona onde Costa realizou recolhas.
A Ribeira da Janela é uma freguesia da costa noroeste da Madeira, no concelho do Porto Moniz. Deve o nome à ribeira mais extensa e caudalosa da ilha, que nasce no Paul da Serra e alimenta as levadas do Rabaçal, e a um ilhéu com um orifício semelhante a uma janela, perto da foz. As suas zonas altas incluem o Fanal, e as suas florestas foram danificadas por um incêndio em 1919.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 21-
Botânico citado a propósito do destino das coleções da segunda viagem de Cook.
-
Naturalista cujo herbário madeirense se encontra no Museu Britânico.
-
Botânico português que doou as suas coleções à Academia das Ciências de Lisboa.
-
Pteridólogo francês que recebeu coleções de fetos da Madeira.
-
Naturalista cujos espécimes madeirenses se encontram em Kew e na Universidade de Cambridge.
-
Navegador cuja segunda viagem de circum-navegação deu origem às coleções de Forster.
-
Colecionador cujo herbário madeirense se encontra no Museu Britânico.
- Ernesto João Schmitz1845–1922
Padre que recolheu algas marinhas, conservadas no Museu do Seminário.
-
Naturalista da segunda viagem de Cook cujo herbário poderá encontrar-se em Kiel ou Paris.
-
Coletor de plantas cujo herbário madeirense se encontra no Museu Britânico.
+ 11 mais
-
Naturalista cujo herbário madeirense se presume estar no Jardim Botânico de Zurique.
- James Yate Johnson1820–1900
Botânico cujo pequeno herbário de espécies raras e cuja coleção de musgos se encontram no Museu do Seminário do Funchal.
- João Maria Moniz1822–1898
Naturalista madeirense já falecido cujo valioso herbário se encontra em Kew e cujo caderno de líquenes está no Museu do Seminário do Funchal.
-
Jovem botânico e seminarista madeirense cujas recolhas fizeram do herbário do Seminário um dos mais ricos em 1921.
-
Recolheu algas de água doce da Madeira.
-
Botânico francês que explorou o arquipélago em 1865–1866; os seus espécimes encontram-se dispersos por numerosos herbários europeus.
-
Colecionador cujas plantas madeirenses se encontram, na sua maioria, no Museu Palatino de Viena.
-
Padre que recolheu líquenes e fungos da Madeira, hoje conservados no Museu do Seminário.
-
Botânico cujas coleções madeirenses se encontram no Museu Britânico e em Kew.
-
Naturalista cujo herbário madeirense se encontra no Museu Britânico.
-
Botânico inglês cujas coleções madeirenses de 1828 se encontram no Museu Botânico de Florença.