Schmitz (Padre Ernesto João) 1Vida e carreira
Schmitz (Padre Ernesto João)
Biografia do Padre Ernesto João Schmitz (1845–1922), sacerdote vicentino alemão que foi vice-reitor do Seminário do Funchal, fundou o seu museu de história natural e se tornou o principal ornitólogo da Madeira.
1Vida e carreira
Este distinto sacerdote alemão nasceu em Rheydt a 18 de Maio de 1845, sendo filho de Frederico Schmitz e de Elizabeth Schmitz, e entrou na Congregação da Missão de São Vicente de Paulo a 25 de Setembro de 1864. Em 1874, foi por algum tempo capelão do Hospício da Princesa D. Maria Amelia, mas somente em 1878 é que estabeleceu residência na Madeira, tendo a princípio desempenhado novamente aquele lugar, e depois, desde 27 de Setembro de 1881, o de vice-reitor do Seminário do Funchal. No desempenho deste ultimo cargo prestou relevantíssimos serviços á ciência e á instrução, tendo fundado em 1882 um museu de história natural, que ainda hoje existe (V. Museu do Seminário), onde conseguiu reunir os mais variados exemplares da fauna madeirense. Em 1898, retirou para Theux, na Bélgica, mas em fins de 1902 voltou novamente a exercer o cargo que deixara no Seminário do Funchal, o qual só abandonou em 7 de Julho de 1908, quando a pedido do Governo Imperial Alemão, foi tomar a direcção do Hospício de São Paulo, em Jerusalém. Em 1914, passou para o Hospício Alemão de Tabgha, nas margens do lago de Tiberíades, e no verão de 1920 assumiu a direcção do Hospício de São Carlos em Haifa, sendo aí que faleceu a 3 de Dezembro de 1922.
2Trabalhos científicos e homenagens
O padre Ernesto Schmitz era principalmente ornitologo, mas os seus estudos e observações estenderam-se a vários outros ramos de zoologia, alguns dos quais desconhecidos entre nós. O trabalho do Dr. Forel sôbre as formigas e o de Kulczynski sôbre os aracnídeos do arquipélago, são baseados em materiais colhidos pelo rev.° Schmitz, tendo-lhe merecido também grandes atenções o estudo dos moluscos tanto marinos como terrestres, o dos peixes, o dalguns grupos de insectos, o dos coraliarios, etc., etc. Embora não fosse um cultor da botânica, deve-se-lhe no entretanto uma bela colecção de algas marinas, que foi estudada pelo professor Schmitz, algologo alemão. Entre as espécies e variedades que relembram o nome do antigo professor e vice-reitor do Seminário do Funchal, citaremos a Motacilla boarula Schmitzii e a Strix flammea Schmitzii (aves), o Scopulus Schmitzii (peixe), a Plagiolepsis pigmaea Schmitzii (formiga), o Dienches Schmitzii (hemiptero), a Trochosa, a Prosthesima a Lephthyphantes e a Entelecara Schmitzii (aracnideos), a Pseudochelidura Schmitzii (forficula), o Sympherobius Schmitzii (nevroptero), a Cabralia Schmitzii (molusco), e o Bystropogon madeirensis Schmitzii (planta da familia das Labiadas).
O padre Ernesto Schmitz era, em Portugal, socio da Academia das Ciencias de Lisboa e da Sociedade Portuguesa das Ciencias Naturais, e colaborou nos Annais de Sciencias Naturais, do Porto, no Ornithological Jahrbuch, de Hallein (Austria), no Ornithol. Monatsberichte, de Berlim, no Cosmos, de Paris, etc. O mais valioso dos seus trabalhos é incontestavelmente o que tem por titulo Die Vogel Madeira's, pois reune tudo quanto se conhecia em 1899 sôbre a ornitologia do arquipélago da Madeira.
O padre Schmitz, que se naturalizou cidadão português durante a sua residencia entre nós, não raras vezes dizia aos seus amigos que, no mundo, o que preferia era a Madeira, na Madeira o Funchal, e no Funchal o Seminario, tendo sido com efeito um grande amigo da nossa terra, como muitas vezes o provou. A 13 de Novembro de 1922, já a dois passos da sepultura, ainda escrevia ao director da Esperança uma carta, que foi publicada nesse jornal, em que declarava que nunca o abandonara o amor á Madeira, e que, desde 1908, época da sua partida para a Palestina, jamais deixara de passar um só dia sem dirigir uma prece ao Altissimo pelos seus muito amigos e conhecidos desta ilha.
Com o titulo de Preito e Homenagem, fizeram os alunos do Seminario Diocesano publicar um opúsculo, no ano de 1908, em que são postos em saliente e merecido relêvo os altos meritos e virtudes dêste ilustre sacerdote, havendo colaborado nessa publicação as pessoas mais cultas e de maior cotação social de todo o arquipélago.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 08-
Ernesto João Schmitz nasceu em Rheydt.
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Ernesto João Schmitz entrou na Congregação da Missão.
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O Padre Ernesto João Schmitz fixou-se na Madeira.
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O Padre Ernesto João Schmitz tornou-se vice-reitor do Seminário do Funchal.
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O Padre Ernesto Schmitz fundou o museu de história natural do Seminário do Funchal.
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A obra Die Vögel Madeira's, do Padre Ernesto Schmitz, sintetizou os conhecimentos sobre a ornitologia madeirense.
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O Padre Ernesto Schmitz deixou de dirigir o Museu do Seminário, foi homenageado no número único de Preito e Homenagem e partiu da Madeira em 7 de julho de 1908 para dirigir o Hospício de São Paulo, em Jerusalém.
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O Padre Ernesto João Schmitz morreu em Haifa.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Funchal
Cidade de que mais gostava na Madeira.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Haifa
Israel. Local onde dirigiu o Hospício de São Carlos e morreu.
Cidade onde dirigiu o Hospício de São Carlos e morreu.
- Hospício da Princesa D. Maria Amélia
Funchal. Schmitz foi capelão do Hospício da Princesa D. Maria Amélia.
Hospital do Funchal para pessoas pobres com tuberculose pulmonar, fundado pela imperatriz D. Amélia em memória da filha, falecida na Madeira em 1853. Instalado provisoriamente na Rua do Castanheiro em 1853, mudou-se para um novo edifício, construído entre 1856 e 1859 e inaugurado em 1862 com uma inscrição comemorativa da fundação. Foi administrado pelas Irmãs da Caridade e recebeu uma dotação da rainha Josefina da Suécia. A capela alberga uma imagem de Nossa Senhora das Angústias oferecida por Fernando José Maximiliano, e os jardins, perto da Quinta Vigia, têm muitas espécies lenhosas exóticas.
- Jerusalém
Israel. Dirigiu aí o Hospício de São Paulo a partir de 1908.
Jerusalém é a cidade onde o Padre Ernesto João Schmitz dirigiu o Hospício de São Paulo a partir de 1908. Ao partir, deixou o seu museu a cargo do Padre Jaime de Gouveia Barreto.
- Seminário do Funchal
Funchal. Local onde Schmitz foi vice-reitor e fundou um museu.
O Seminário do Funchal é o seminário diocesano do Funchal. Entre os que ali estudaram contam-se Manuel Pestana dos Reis, o Padre José Gonçalves de Aguiar e o poeta Francisco Álvares de Nóbrega, que foi expulso. O Padre Ernesto Schmitz ali lecionou, tornou-se vice-reitor e fundou um museu, mais tarde dirigido pelo Padre Jaime de Gouveia Barreto, antigo aluno e professor.
- Tabgha
Israel. Localidade onde ingressou num hospício alemão em 1914.
Hospício alemão em que ingressou em 1914.
- Theux
Belgium. Localidade belga para onde se retirou em 1898.
Localidade belga para onde se retirou em 1898.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- Ernesto João Schmitz1845–1922
Sacerdote vicentino e naturalista alemão, vice-reitor do Seminário do Funchal e fundador do seu museu de história natural.
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Mãe do Padre Ernesto Schmitz.
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Cientista que estudou as formigas da Madeira a partir de espécimes recolhidos por Schmitz.
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Pai do Padre Ernesto Schmitz.
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Aracnólogo que estudou as aranhas do arquipélago a partir das coleções de Schmitz.
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Algólogo alemão que estudou a coleção de algas marinhas do Padre Schmitz.