Fanerogamicas 1Estatística das Fanerogamicas
Fanerogamicas
Levantamento estatístico das 907 plantas com flor (fanerogâmicas) registadas no Arquipélago da Madeira, que distingue espécies indígenas, introduzidas e endémicas, com observações sobre a origem da flora e os botânicos que a estudaram.
1Estatística das Fanerogamicas
Das 907 Fanerogamicas assinaladas até o presente no arquipelago da Madeira, 635 são indígenas ou aparentemente indígenas, e 272 naturalizadas ou frequentemente cultivadas. No grupo das espécies indígenas há 505 Dicotiledoneas, 126 Monocotiledoneas e 4 Gimnospermicas; no grupo das espécies evidentemente introduzidas há 218 Dicotiledoneas, 53 Monocotiledoneas e 1 Gimnospermica.
Há no arquipélago 443 Fanerogamicas anuais, das quais 374 são Dicotiledoneas e 69 Monocotiledoneas, estando as Fanerogamicas indígenas representadas por 289 Dicotiledoneas e 51 Monocotiledoneas, e as introduzidas por 85 Dicotiledoneas e 18 Monocotiledoneas. Das 464 Fanerogamicas perenais, 205 são indígenas e 169 introduzidas, compreendendo as Fanerogamicas indígenas 216 Dicotiledoneas, 75 Monocotiledoneas e 4 Gimnospermicas, e as introduzidas 133 Dicotiledoneas, 35 Monocotiledoneas e 1 Gimnospermica. Nas Fanerogamicas perenais indígenas contam-se entre árvores, arbustos e subarbustos 106 espécies.
Entre as 272 Fanerogamicas introduzidas há 80 Dicotiledoneas, 18 Monocotiledoneas e 1 Gimnospermica bem naturalizadas, sendo cultivadas em larga escala, adventícias ou mal estabelecidas ainda no arquipelago todas as espécies restantes. Nas Dicotiledoneas naturalizadas há 34 espécies anuais e 46 perenais; nas Monocotiledoneas 7 anuais e 11 perenais; e nas Gimnospermicas 1 perenal.
2Espécies peculiares e origem da flora
Existem na nossa região 102 espécies peculiares e 54 que são comuns ao arquipelago da Madeira e a outros grupos de ilhas do Atlântico. Das primeiras, 70 são madeirenses, 5 do Porto Santo, 1 do Ilhéu Chão, 1 do Bugio, 10 da Madeira, Porto Santo e Desertas, 10 da Madeira e Porto Santo e 5 da Madeira e Desertas; das segundas, 3 encontram-se nos arquipelagos da Madeira, Canárias e Açores, 41 nos arquipelagos da Madeira e Canárias, 9 nos arquipelagos da Madeira e Açores e 1 nos arquipelagos da Madeira, Canárias e Cabo Verde. Todas estas espécies, cujo indigenato está ao abrigo de qualquer contestação, são legítimos representantes da flora primitiva da Madeira, a qual é de crer que se fixasse na nossa região durante a época terciaria, trazida pelas aves, pelos ventos, pelas correntes marítimas e até mesmo por alguns insectos.
O estudo dos fosseis vegetais madeirenses não acusa qualquer evolução-floristica local. Muitas das plantas encontradas no jazigo de S. Jorge, na costa setentrional da Madeira, estão representadas na flora indígena da actualidade, e se modificações houve nos caracteres morfológicos de outras espécies da nossa vegetação primitiva, não é crível que essas modificações fossem tão profundas que dessem logar ao aparecimento de novas formas especificas com o caracter de endemicas ou peculiares.
Estas formas, no nosso entender, não provieram da transformação lenta ou brusca de outras espécies, e se caracterizam agora o arquipelago da Madeira, é porque as condições compatíveis com a sua existencia, realizadas outrora em grandes áreas, só continuaram a subsistir, a partir de certa época, dentro dos estreitos limites da nossa região floral.
3Estudos e colectores
A lista mais completa que existe das Fanerogamicas da região madeirense foi publicada por Carlos A. Meneses, em 1914, com o título de Flora do Arquipelago da Madeira, mas este trabalho, devido ao pouco cuidado que presidiu á sua revisão, contém alguns erros que o desfeiam bastante. A diagnose que acompanha o Thlaspi arvense não diz respeito a esta espécie, mas á Draba muralis, e no Lotus argenteus os foliolos nem sempre são chanfrados, no Lotus Loweanus os foliolos são antes vilosos que pubescentes e no Senecio incrassatus as folhas são profundamente penatifendidas. O plátano cultivado na Madeira é o Platanus orientalis e não o P. occidentalis, e pelo que respeita ao género Scrophularia é possível que o numero das espécies que o referido trabalho assinala, tenha de ser reduzido. O Sambucus Ebulus não é um subarbusto, embora os seus caules anuais sejam algumas vezes quasi lenhosos.
Ocuparam-se também das Fanerogamicas da Madeira os botânicos Bornmuller, Britten, Brown, Cosson, Holl, Lowe e Vahl, e entre os que fizeram aqui colecções de plantas, hoje distribuídas por alguns museus europeus, não devem ser esquecidos os nomes de Banks, Castelo de Paiva, Lemann, Lippold, Mandon, Masson, Moniz, Norman e Webb.
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Anos mencionados · 01Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Açores
Portugal. Arquipélago que partilha espécies com a Madeira.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Bugio
Santa Cruz · Desertas. Tem uma planta com flor endémica.
O Bugio é a mais meridional das três ilhas Desertas: elevada (411 m), sem água nem habitantes, com boas pastagens e a planta rara Chrysanthemum haematomma. O Elucidário refere o Porto da Alagoa, a Ponta da Agulha, depósitos de caracóis subfósseis no seu cume e a história da sua propriedade privada no século XIX.
- Cabo Verde
Cape Verde. Arquipélago que partilha uma espécie com a Madeira.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Canárias
Spain. Arquipélago que partilha muitas espécies com a Madeira.
As Canárias são o arquipélago vizinho da Madeira, cuja descoberta é objeto de relatos divergentes. Segundo a tradição, o seu rei Béthencourt vendeu-as ao Infante D. Henrique em troca de terras na Madeira. O Elucidário refere numerosos contactos entre os dois arquipélagos, incluindo visitas científicas, a digressão do Orfeão Madeirense em maio de 1922 e o massacre de quarenta Jesuítas nas suas águas.
- Desertas
Santa Cruz. Grupo de ilhas que partilha espécies endémicas com a Madeira.
Grupo de ilhas próximo da Madeira, já separado dela aquando das últimas erupções, com a qual partilha espécies endémicas. Foi a principal zona de apanha de urzela, e Wollaston encontrou ali 89 espécies de escaravelhos. As ilhas foram estudadas por expedições científicas, incluindo os cientistas do Endurance em 1914.
- Ilhéu Chão
Santa Cruz · Desertas. Tem uma planta com flor endémica.
O Ilhéu Chão é a mais pequena, a mais plana e a mais setentrional das três ilhas desabitadas das Desertas. Tem 93 m de altura e o seu desembarcadouro, no porto de Santa Maria, fica a 19 milhas do Funchal. É o único local conhecido onde ocorre a gramínea endémica Lolium lowei e pertenceu aos capitães do Funchal.
- Porto Santo
Tem cinco plantas com flor endémicas próprias.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- São Jorge
Santana. Local de um depósito de fósseis vegetais na Costa Norte.
Freguesia da costa norte que integrava o concelho de Santana desde a sua criação e dá nome ao arciprestado do norte. É conhecida pelos depósitos de fósseis vegetais e de lignito estudados por Heer e Bunbury, bem como por um deslizamento de terras ocorrido no século XVII. O Elucidário descreve também o seu ilhéu, a sua ponta, o seu cais e a sua ribeira.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 17-
Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
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Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
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Botânico que estudou as plantas com flor da Madeira.
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Botânico que estudou as plantas com flor da Madeira.
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Botânico que estudou as plantas com flor da Madeira.
- Carlos Azevedo de Meneses1863–1928
Botânico madeirense que publicou a Flora do Arquipelago da Madeira em 1914, aqui criticada pelos seus erros.
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Botânico que estudou as plantas com flor da Madeira.
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Botânico que estudou as plantas com flor da Madeira.
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Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
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Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
+ 7 mais
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Botânico que estudou as plantas com flor da Madeira.
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Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
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Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
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Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
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Coletor de plantas madeirenses hoje conservadas em museus europeus.
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Botânico que estudou as plantas com flor da Madeira.
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Colecionador de plantas da Madeira, hoje conservadas em museus europeus.