Corpos Calcareos da Piedade
Descreve os corpos calcários semelhantes a troncos, ramos e raízes de árvores petrificadas encontrados no sítio da Piedade, na Ponta de São Lourenço, e apresenta as diferentes explicações dos naturalistas para a sua origem. O Elucidário inclina-se para a hipótese de serem restos mineralizados de uma antiga floresta.
Corpos calcareos da Piedade
No sitio da Piedade, na Ponta de S. Lourenço, encontram-se numerosos corpos calcareos com a aparencia de troncos e de ramos de arvores petrificados, muitos dos quais apresentam camadas concentricas semelhantes ás que se notam em certos vegetais lenhosos. Alguns destes corpos prolongam-se na parte inferior numa espécie de raiz, com a forma e a direcção das raizes das plantas dicotilédoneas.
Os naturalistas que têm visitado a Piedade não estão de acôrdo sôbre a maneira de explicar a origem dos referidos corpos. O botanico Lowe considerou-os como concreções arenoso-calcareas; Macaulay, como uma formação de corais de familia dos Alcionideos; o geologo Smith, como simples moldes obtidos em espaços ocupados anteriormente por plantas; e Mousinho de Albuquerque e Bowdich, como restos petrificados de uma antiga floresta.
Esta ultima explicação é a unica que nos parece aceitavel, se atendermos á forma e ao aspecto dos corpos a que nos referimos. Quanto ao trabalho da mineralização, deveria ter consistido numa simples troca da matéria organica pela inorganica, indo as particulas de carbonato de cal ocupar o logar das particulas vegetais, á medida que estas se corrompiam. As aguas, dissolvendo uma parte do calcareo, promoveriam a referida troca, infiltrando-se nas cavidades deixadas pela decomposição da madeira.
Se se admitir que a costa do norte, no sitio da Piedade, se prolongava pelo mar dentro em epocas remotas, formando um declive suave, limitado por uma praia revestida de areias calcareas, bem se poderá admitir também que os ventos, arrastando pouco a pouco essas areias, as levassem a cobrir os terrenos do interior e da costa do sul, fornecendo assim o material preciso para a referida mineralização.
Os terrenos da Piedade são de origem vulcanica e nas escarpas adjacentes encontram-se os tufos e o basalto.
A noroeste do Pôrto Santo existem corpos calcareos da mesma natureza dos da Piedade.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 03- Piedade
Calheta. Sítio onde se encontram os corpos calcários com aspeto petrificado.
Piedade é um sítio habitado da freguesia do Jardim do Mar, na Madeira. O Elucidário regista aí a Capela de Nossa Senhora da Piedade e a casa senhorial do morgadio dos Couto Cardoso, fundado em 1730 e reconstruído em 1825.
- Ponta de São Lourenço
Machico. Promontório oriental da Madeira onde se situa a Piedade.
A Ponta de São Lourenço é uma ponta longa e estreita no extremo oriental da Madeira, na freguesia do Caniçal. Diz-se que recebeu o nome da caravela São Lourenço e tem um farol num dos seus ilhéus. O Elucidário descreve a sua geologia, a vegetação sazonal, os ilhéus, as formações calcárias fósseis da Piedade, os caracóis terrestres e o seu uso como pastagem. O vapor Forerunner naufragou ali em 1884, e existe um banco submarino entre a ponta e as Desertas.
- Porto Santo
No seu noroeste encontram-se corpos calcários semelhantes.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05-
Naturalista que também interpretou os corpos da Piedade como vestígios de uma antiga floresta petrificada.
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Botânico que, segundo o Elucidário, considerava os corpos da Piedade concreções areno-calcárias.
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Considerou os corpos da Piedade restos petrificados de uma antiga floresta, hipótese aceite pelo Elucidário.
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Naturalista que interpretou os corpos da Piedade como corais da família Alcyonidae.
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Geólogo que considerou os corpos da Piedade moldes formados em espaços antes ocupados por plantas.