Bibliotecas 1Biblioteca Municipal
Bibliotecas
Panorama das bibliotecas do Funchal, sobretudo da Biblioteca Municipal, fundada em 1838: a sua evolução, os seus fundos, bibliotecários e leitores, além de bibliotecas institucionais e particulares de menor dimensão.
1Biblioteca Municipal
A única biblioteca publica que existe no Funchal é a da Câmara Municipal, criada por deliberação de 12 de Janeiro de 1838. Tendo começado com 193 volumes da Enciclopédia Metódica, comprados aos herdeiros do Conde de Carvalhal, contava 2:000 volumes em 1850, 2:096 em 1851, 2:496 em 1863, 10:351 em 1889, 10:812 em 1902, 10:929 em 1904, 11:035 em 1908, 21:641 em 1915, 21:786 em 1916 e 21:874 em 1917. Em 1913 teve a Biblioteca a oferta de 9:863 volumes feita pelos súbditos inglêses Srs. William e Alfredo Reid, volumes que constituíam a livraria do falecido bibliotecário municipal João Joaquim de Freitas e foram adquiridos pelos mesmos senhores com o fim expresso de irem enriquecer aquele estabelecimento municipal.
Em 1863 recebeu a biblioteca do Funchal 21 caixotes com 3:050 volumes provenientes do Deposito das Livrarias dos Conventos extintos por Decreto de 28 de Maio de 1834, e antes disso tinha recebido grande numero de volumes saídos da livraria do Convento de S. Francisco. Estes últimos estão na sua grande maioria em péssimo estado de conservação.
Não existem incunábulos na Biblioteca do Funchal, e no tocante a manuscritos, só ali se encontram as copias do Nobiliario de Henriques de Noronha e do livro 2.1 das Saudades da Terra, do Dr. Gaspar Frutuoso, e os originais dos Documentos Históricos e Geográficas sobre a ilha da Madeira, do Dr. João Pedro de Freitas Pereira Drumond e dos Apontamentos para a Genealogia de diversas Famílias Madeirenses, de Felisberto Bettencourt Miranda.
A criação da Biblioteca Municipal deve-se principalmente ao ilustre madeirense Servulo Drumond de Meneses, que sendo presidente da Câmara do Funchal empregou para esse fim as mais louváveis diligências. Abriu ao publico no dia 8 de Dezembro de 1838, tendo o seu respectivo Regulamento sido publicado no jornal A Flor de 7 do mesmo mês e ano. Durante sete anos esteve o serviço da biblioteca a cargo do secretario da Câmara, sendo no ano de 1845 criado o lugar de bibliotecário, que terá sido sucessivamente desempenhado por Antonio Joaquim Teles, Joaquim Antonio de Sá, José Joaquim de Freitas, Carlos Azevedo de Meneses e Adolfo César de Noronha.
2Movimento e outras bibliotecas
O movimento da biblioteca consta do mapa seguinte:
Leitura na biblioteca Leitura no domicílio
Leitores Volumes Leitores Volumes
| Ano | Leitores | Volumes | Leitores | Volumes |
|---|---|---|---|---|
| 1900 | 165 | 218 | 32 | 41 |
| 1905 | 495 | 744 | 25 | 61 |
| 1910 | 491 | 612 | 56 | 75 |
| 1915 | 1534 | 1599 | 318 | 496 |
| 1916 | 2251 | 2381 | 653 | 910 |
A biblioteca da antiga Escola Medico Cirúrgica está no edifício do Hospital da Misericórdia, e consta de cerca de 600 volumes, dos quais 140 foram oferecidos pelo Dr. Nathaniel Lister de Londres, com a condição de passarem à Santa Casa, no caso da mesma escola ser extinta. Esta condição foi aprovada pelo Governo, em Portaria do Ministério do Reino de 17 de Dezembro de 1844.
O Governo autorizou em 1913 que a biblioteca da Escola Medica fosse encorporada na Biblioteca Municipal do Funchal, mas a transferência dos livros não chegou a dar-se, por falta de espaço para acomodá-los.
O Seminário Episcopal possue uma biblioteca, constituída principalmente por obras de teologia, e no clube inglês há cerca de 4:000 volumes, muitos dos quais são obras sobre a Madeira.
No quartel do regimento de infantaria 27 e no Liceu Central do Funchal também há bibliotecas, e um particular, o Sr. João Eleuterio Martins, proprietário do Diário de Noticias, possue as melhores colecções que se conhecem de jornais publicados na Madeira e de livros estrangeiros relativos a esta ilha. A biblioteca Utile Dulci, instalada num prédio à Rua do Dr. Vieira, tem cerca de 1700 volumes que qualquer pessoa pode ler, pagando dois centavos semanais e fazendo um deposito de trinta centavos que é restituído no acto da entrega do livro pedido.
É indispensável acrescentar algumas novas informações ao que fica dito neste pequeno artigo. A biblioteca da extinta Escola Medico Cirurgica do Funchal foi encorporada na Biblioteca Municipal e nos últimos anos tem-se feito a aquisição de muitas espécies bibliograficas, sendo actualmente (1938) de 31:000 o numero de volumes impressos que ali se encontram.
No ano de 1938 foi frequentada na leitura diurna, por 2.304 leitores, que consultaram 2.480 volumes, e na leitura nocturna do mesmo ano teve 2.086 leitores, que consultaram 2.225 volumes, e ainda no ano referido a leitura nos domicílios foi de 151 leitores que pediram 313 volumes.
A leitura nocturna, que vai despertando bastante interesse no publico, foi estabelecida no mês de Julho de 1934.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 08-
Um decreto extinguiu as ordens religiosas e os conventos; o convento franciscano do Funchal foi abandonado.
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A Câmara Municipal do Funchal deliberou criar a Biblioteca Municipal, por iniciativa de Sérvulo Drumond de Meneses.
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A Biblioteca Municipal do Funchal abriu ao público.
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O Governo aprovou a condição imposta por Nathaniel Lister à sua doação à biblioteca da Escola Médico-Cirúrgica do Funchal.
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Foi criado no Funchal o cargo de bibliotecário municipal.
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A biblioteca recebeu 3050 volumes provenientes do depósito dos conventos extintos.
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William e Alfredo Reid doaram 9863 volumes à biblioteca do Funchal.
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Foi introduzida a leitura noturna na Biblioteca Municipal do Funchal.
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A biblioteca possuía 31 000 volumes impressos.
Lugar
Lugares mencionados · 04- Convento de São Francisco
Funchal. Antigo convento cujos livros passaram para a Biblioteca Municipal.
O Convento de São Francisco foi um convento franciscano fundado no Funchal em 1473 e assinalava o limite ocidental da cidade em 1508. A sua igreja foi demolida em 1865, e os seus objetos, livros, lápides e ossadas foram para o cemitério das Angústias, o museu e a Biblioteca Municipal. Os edifícios albergaram presos durante um breve período, até 1836, e a polícia em 1857.
- Funchal
Cidade onde se situam as bibliotecas descritas.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospital da Misericórdia
Funchal. Edifício onde funcionava a biblioteca da Escola Médico-Cirúrgica.
O Hospital da Misericórdia, no Funchal, tratava os soldados doentes da guarnição antes de existir um hospital militar. Era abastecido pelo aqueduto da Fundoa e albergava a biblioteca da Escola Médico-Cirúrgica.
- Rua do Dr. Vieira
Funchal. Rua onde funcionava a biblioteca de empréstimo Utile Dulci.
A Rua do Dr. Vieira é uma rua do Funchal, anteriormente chamada Rua da Carreira, que inclui hoje a antiga Rua de São Paulo. Nela se situavam o cemitério britânico e a biblioteca de empréstimo Utile Dulci.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 15- Adolfo César de Noronhan. 1873
Um dos bibliotecários municipais a partir de 1845.
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Cidadão britânico que, com William Reid, doou 9863 volumes à biblioteca em 1913.
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Um dos bibliotecários municipais a partir de 1845.
- Carlos Azevedo de Meneses1863–1928
Um dos bibliotecários municipais a partir de 1845.
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Nobre madeirense cujos herdeiros venderam a Enciclopédia Metódica que deu origem à Biblioteca Municipal.
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Autor de um manuscrito sobre genealogias de famílias madeirenses conservado na biblioteca.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Autor de Saudades da Terra, obra de cujo segundo livro a biblioteca conserva um exemplar.
- Henrique Henriques de Noronha1667–1730
Autor do Nobiliário, de que a biblioteca conserva um exemplar.
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Proprietário do Diário de Notícias e detentor das melhores coleções particulares de jornais madeirenses e livros estrangeiros sobre a Madeira.
- João Joaquim de Freitas1832–1910
Antigo bibliotecário municipal cuja biblioteca particular foi comprada pelos Reid e doada.
+ 5 mais
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Autor do manuscrito original Documentos Históricos e Geográficos, conservado na biblioteca.
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Um dos bibliotecários municipais a partir de 1845.
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Médico de Londres que doou 140 volumes à biblioteca da Escola Médico-Cirúrgica.
- Sérvulo Drumond de Meneses1802–1867
Presidente da Câmara Municipal do Funchal a quem se deve principalmente a fundação da Biblioteca Municipal.
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Cidadão britânico que, com Alfredo Reid, doou 9863 volumes à biblioteca em 1913.