Drumond de Meneses (Servulo) 1Vida e cargos públicos
Drumond de Meneses (Servulo)
Biografia de Sérvulo Drumond de Meneses (1802–1867), advogado, político municipal e governador civil interino do Funchal, que fundou a biblioteca pública da cidade e compilou coletâneas documentais sobre a administração de José Silvestre Ribeiro.
1Vida e cargos públicos
Nasceu no Funchal a 23 de Dezembro de 1802, era filho de João Nepomuceno Correia Drumond e de D. Maria Isidora de Meneses e Brito, e frequentou nesta cidade estudos secundários, na intenção de matricular-se no curso de direito da Universidade de Coimbra. Não tendo seguido este destino, por motivos que desconhecemos, entrou como praticante no escritório de seu tio, o escrivão da correição Inacio Correia Drumond, conseguindo ser nomeado em 1826 escrivão do judicial, e, mais tarde, depois de proclamada a Constituição, advogado provisionista. Foi presidente da Câmara Municipal do Funchal e, anos depois, vereador da mesma Câmara, sendo devido a iniciativa sua que se fundou a 12 de Janeiro de 1838 a biblioteca publica da cidade, que é ainda hoje o mais importante estabelecimento municipal. Desempenhou também os cargos de vogal do Conselho de Distrito, de procurador á Junta Geral e de Secretario Geral do Governo Civil, este ultimo durante a administração do Conselheiro José Silvestre Ribeiro, tendo sido ainda Governador Civil interino desde 17 de Julho de 1848 até 24 de Julho de 1849, enquanto o mesmo conselheiro Silvestre Ribeiro esteve ausente em Lisboa, como deputado ás Cortes.
2Escritos, política e memória
Militou no partido cartista e depois no cabralista, foi um dos redactores da Flor do Oceano, publicada em 1828, e colaborou no Regedor, sendo ainda bastante novo, na Ordem e noutros periódicos funchalenses. Publicou a Collecção de Documentos relativos ao Asylo de Mendicidade do Funchal, Funchal, 1848, de 72 pag., a Colecção de Documentos relativos á Crise da Fome, Funchal, 1848, de 310 pag., a Collecção de Documentos relativos á Construção da Ponte do Ribeiro Secco, Funchal, 1848, de 110 pag. e os volumes 1.º e 2.º da obra intitulada Uma Epocha Administrativa da Madeira e Porto Santo, Funchal, 1849 e 1850, de 636 e 659 pag., tendo o 3.º volume da mesma obra sido publicado por Antonio Jacinto de Freitas, em 1852.
Foi um dos mais distintos advogados do seu tempo e deixou várias peças de direito administrativo e civil, umas inéditas, outras impressas avulso. Era cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, foi antes de 1820 cadete do corpo de Artilharia Auxiliar e, enquanto novo, cultivou as musas, encontrando-se algumas poesias suas na Collecçao d'algumas obras poéticas offerecidas ao Ill.mo e Ex.mº Sr. Sebastião Xavier Botelho (Funchal, 1821). Faleceu no Funchal a 13 de Janeiro de 1867.
Em 1905 resolveu a Câmara Municipal do Funchal, por proposta do falecido vereador Francisco José Nogueira Guimarãis, dar o nome de Servulo Drumond de Meneses á rua entre a antiga Travessa da Alegria e a Estrada do Conde de Carvalhal, mas a pesar de tal proposta ter sido aprovada por unanimidade, conseguiu alguém que ela não fosse exarada no livro das sessões, sendo dado mais tarde o nome de Rua Nova da Alegria á referida via publica!
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 10-
Sérvulo Drumond de Meneses nasceu no Funchal.
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Foi publicada no Funchal uma coletânea de poemas oferecida a Sebastião Xavier Botelho, com obras suas e de Lino Nicolau Atouguia.
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Sérvulo Drumond de Meneses foi nomeado escrivão judicial.
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A Flor do Oceano, redigida, entre outros, por Sérvulo Drumond de Meneses, foi publicada de 22 de junho a 22 de agosto de 1828.
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A Câmara Municipal do Funchal deliberou criar a Biblioteca Municipal, por iniciativa de Sérvulo Drumond de Meneses.
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Sérvulo Drumond de Meneses publicou coletâneas de documentos sobre o asilo de mendicidade, a fome e a construção da ponte do Ribeiro Seco.
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Sérvulo Drumond de Meneses exerceu interinamente o cargo de governador civil do Funchal durante a ausência de José Silvestre Ribeiro.
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Os três volumes de Uma Época Administrativa da Madeira e Porto Santo, que documentam a administração de José Silvestre Ribeiro, foram publicados em 1849, 1850 e 1852.
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António Jacinto de Freitas publicou o terceiro volume de Uma Epocha Administrativa.
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Sérvulo Drumond de Meneses morreu no Funchal.
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A Câmara Municipal do Funchal aprovou, em 1905, a atribuição do nome de Sérvulo Drumond de Meneses a uma rua, mas a decisão nunca chegou a ser registada.
Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- Coimbra
Portugal. Pretendia frequentar o curso de Direito da sua universidade, mas não conseguiu ingressar.
Cidade universitária de Portugal continental onde muitos madeirenses estudaram Direito ou Medicina e onde o Padre Luís Gonçalves da Câmara lecionou e foi reitor do colégio dos Jesuítas. Acolheu o campeonato académico de ténis de mesa de 1921, e os seus dados de dormência e pluviosidade são comparados com os do Funchal.
- Estrada do Conde de Carvalhal
Funchal. Estrada que delimitava a rua à qual se propôs dar o seu nome.
A Estrada do Conde de Carvalhal é uma estrada no Funchal. Delimitava a rua à qual se propôs dar o nome de Sérvulo Drumond de Meneses, e foi percorrida por uma multidão no regresso durante os tumultos populares de 1906.
- Funchal
Cidade onde Drumond de Meneses nasceu, exerceu a sua atividade e morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde Silvestre Ribeiro exerceu o mandato de deputado às Cortes.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Ribeiro Seco
Funchal. Local da ponte cujos documentos de construção publicou.
O Ribeiro Seco é um curso de água a oeste do Funchal que constitui o limite ocidental da freguesia de São Pedro. É atravessado pela Ponte Monumental, e a Praça do Ribeiro Seco, construída pouco depois de 1850 e hoje denominada Largo de António Nobre, situa-se na sua margem esquerda. A sua foz marca uma das extremidades da costa das Águas Doces, a sua enseada era defendida pelo Forte da Penha de França e a Quinta do Calaça situa-se a oeste do ribeiro.
- Rua Nova da Alegria
Funchal. Nome finalmente atribuído à rua que se propusera batizar em sua homenagem.
Nome que acabou por ser dado à rua para a qual se propusera homenageá-lo.
- Travessa da Alegria
Funchal. Antiga rua que delimitava a estrada à qual se propôs dar o seu nome.
Antiga rua que delimitava a via à qual se propôs dar o seu nome.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08- Sérvulo Drumond de Meneses1802–1867
Advogado e funcionário público funchalense que fundou a biblioteca pública da cidade e exerceu interinamente o cargo de governador civil do Funchal em 1848–1849.
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Publicou em 1852 o terceiro volume de Uma Epocha Administrativa da Madeira e Porto Santo.
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Vereador do Funchal que, em 1905, propôs dar o nome de Drumond de Meneses a uma rua.
- Inácio Correia Drumondc. 1768–1830
Escrivão do juízo do corregedor e tio de Sérvulo Drumond de Meneses, que se formou no seu cartório.
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Pai de Sérvulo Drumond de Meneses.
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil do Funchal de quem Drumond de Meneses foi secretário-geral e a quem substituiu enquanto exercia o mandato de deputado em Lisboa.
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Mãe de Sérvulo Drumond de Meneses.
- Sebastião Xavier Botelho1768–1840
Destinatário da dedicatória da coletânea de poesia de 1821 que contém versos de Drumond de Meneses.