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Carvalhal (1º. Conde de) 1Familia, morgadios e fortuna
Artigo Nº 0824 Comerciante, industrial ou proprietário Vol. I · pp. 488–489 3 min de leitura

Carvalhal (1º. Conde de)

Biografia de João José Xavier de Carvalhal Esmeraldo (1778–1837), 1.º Conde de Carvalhal, o maior proprietário de terras da Madeira, emigrado liberal em Londres e, por breve período, governador civil do arquipélago em 1835.

Carvalhal (1º. Conde de)

1Familia, morgadios e fortuna

João José Xavier de Carvalhal Esmeraldo Vasconcelos de Atouguia Bettencourt Sá Machado, 1º. conde de Carvalhal, nasceu nesta cidade a 7 de Março de 1778, sendo filho de João do Carvalhal Esmeraldo Albuquerque e Camara e de D. Isabel Maria de Sá Acciaioly. Era fidalgo cavaleiro da Casa Real, coronel do regimento de milicias da Calheta e administrador de varios morgadios, entre os quais se destacavam os do Santo Espirito na Lombada dos Esmeraldos, Ponta Delgada, Agua de Mel e Paul do Mar.

Sucedeu na importante casa de seu irmão Luiz Vicente do Carvalhal Esmeraldo de Sá Machado, o qual segundo afirma um distinto linhagista «era senhor de mais de doze morgadios grandes, que o constituiam o vassalo mais rico em bens patrimoniais de Portugal. O conde de Carvalhal foi, não só o mais abastado proprietario da Madeira, mas a sua casa era uma das primeiras do país, em que se tinham reunido muitos vinculos e morgadios, possuindo vastas propriedades em quasi tôdas as freguesias desta ilha e ainda no continente do reino e nos Açôres, deixando além disso, por sua morte, mil e tantos contos de réis em varios estabelecimentos de credito inglêses. Num curioso documento oficial, dirigido pelo corregedor desta comarca ao govêrno da metropole em 1823, se diz que o conde de Carvalhal tem grandissimos cabedais no banco de Londres e em caixa, e um avultadissimo rendimento annual, que, na presente penuria da ilha, sobe ainda de duzentos a trezentos mil cruzados, o que para a epoca representava uma renda verdadeiramente colossal para este arquipelago.

Vivendo sem fausto nem ostentação, era no entretanto um homem de animo generoso e liberal, de que deu sobejas provas sobretudo por ocasião de algumas crises por que passou a Madeira, tendo sido uma verdadeira providencia para esta terra, contribuindo poderosamente para debelar essas crises com a fôrça do seu prestigio, da sua influencia e da sua grande fortuna. Arcou por vezes com a ganancia desmedida dos negociantes de vinhos, principalmente estrangeiros, que, mancomunando-se, faziam baixar os preços dos mostos com grande prejuízo dos pobres lavradores.

2Emigração, govêrno e morte

Afecto ás ideias liberais, teve que emigrar para Inglaterra na corveta de guerra inglêsa Alligator a 22 de Agôsto de 1828, quando a Madeira foi ocupada pelas tropas miguelistas. Em Londres foi não só o desvelado protector dos madeirenses ali emigrados, mas socorreu generosamente todos os compatriotas que a ele se dirigiram, afirmando-se que nisso dispendera muitas dezenas de contos de réis.

Estabelecido o govêrno constitucional, regressou a esta ilha em fins de 1834, e por carta regia de 13 de Setembro de 1835 foi nomeado governador civil deste arquipelago, tendo sido pouco antes, a 5 do mesmo mês e ano, agraciado com o titulo de conde de Carvalhal da Lombada. Os cuidados da administração da sua grande casa e mais ainda as doenças de que há muito sofria, afastaram-no dentro de poucos meses do govêrno do distrito, que muito violentado aceitara e unicamente para aceder aos desejos dos principais proprietarios e influentes desta ilha.

Morreu a 11 de Novembro de 1837 na sua Quinta do Palheiro do Ferreiro e foi sepultado na capela que ainda hoje ali existe. Quarenta e tantos anos depois, o seu sobrinho e herdeiro, o 2º. conde de Carvalhal, fêz trasladar os seus despojos mortais para o mausoléu que mandou erigir no cemiterio das Angustias e onde jazem sepultados.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 06
  1. João do Carvalhal Esmeraldo Albuquerque e Câmara, 1.º Conde de Carvalhal, nasceu no Funchal.

  2. O corregedor comunicou a Lisboa a imensa fortuna e os rendimentos do Conde de Carvalhal.

  3. Após a capitulação, o governador Travassos Valdez refugiou-se com a família a bordo da Alligator, tal como o Conde de Carvalhal.

  4. No final de 1834, o 1.º Conde de Carvalhal regressou do exílio à Madeira e mandou fazer grandes reparações no teatro.

  5. João José Xavier de Carvalhal recebeu o título de Conde de Carvalhal.

  6. O Conde de Carvalhal foi nomeado governador civil da Madeira por carta régia.

  7. O 1.º Conde de Carvalhal morreu na Quinta do Palheiro.

Lugar

Lugares mencionados · 10

No estrangeiro

Mapa: Madeira (10)
  1. Açores

    Portugal. Possuía também propriedades nos Açores.

  2. Água de Mel

    Funchal. Local de um dos seus morgadios.

  3. Calheta

    Foi coronel do regimento de milícias da Calheta.

  4. Cemitério das Angústias

    Funchal. Cemitério onde os seus restos mortais foram trasladados para um mausoléu.

  5. Inglaterra

    United Kingdom. País onde se exilou por ser liberal.

  6. Lombada dos Esmeraldos

    Ponta do Sol. Local do morgadio do Santo Espírito que administrou.

  7. Londres

    United Kingdom. Tinha grandes somas depositadas em bancos de Londres e viveu ali exilado a partir de 1828.

  8. Paul do Mar

    Calheta. Local de um dos seus morgadios.

  9. Ponta Delgada

    São Vicente. Local de um dos seus morgadios.

  10. Quinta do Palheiro

    Funchal. Quinta onde morreu e foi inicialmente sepultado na capela.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. 1.º Conde de Carvalhal, o maior proprietário de terras da Madeira e governador civil em 1835, a quem esta entrada é dedicada.

  2. Sobrinho e herdeiro do 1.º Conde, que trasladou os seus restos mortais para um mausoléu no Cemitério das Angústias.

  3. Mãe do 1.º Conde de Carvalhal.

  4. Pai do 1.º Conde de Carvalhal.

  5. Irmão do 1.º Conde, de quem este herdou mais de doze grandes morgadios.

Na folha C

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.