Carvalhal (1º. Conde de) 1Familia, morgadios e fortuna
Carvalhal (1º. Conde de)
Biografia de João José Xavier de Carvalhal Esmeraldo (1778–1837), 1.º Conde de Carvalhal, o maior proprietário de terras da Madeira, emigrado liberal em Londres e, por breve período, governador civil do arquipélago em 1835.
1Familia, morgadios e fortuna
João José Xavier de Carvalhal Esmeraldo Vasconcelos de Atouguia Bettencourt Sá Machado, 1º. conde de Carvalhal, nasceu nesta cidade a 7 de Março de 1778, sendo filho de João do Carvalhal Esmeraldo Albuquerque e Camara e de D. Isabel Maria de Sá Acciaioly. Era fidalgo cavaleiro da Casa Real, coronel do regimento de milicias da Calheta e administrador de varios morgadios, entre os quais se destacavam os do Santo Espirito na Lombada dos Esmeraldos, Ponta Delgada, Agua de Mel e Paul do Mar.
Sucedeu na importante casa de seu irmão Luiz Vicente do Carvalhal Esmeraldo de Sá Machado, o qual segundo afirma um distinto linhagista «era senhor de mais de doze morgadios grandes, que o constituiam o vassalo mais rico em bens patrimoniais de Portugal. O conde de Carvalhal foi, não só o mais abastado proprietario da Madeira, mas a sua casa era uma das primeiras do país, em que se tinham reunido muitos vinculos e morgadios, possuindo vastas propriedades em quasi tôdas as freguesias desta ilha e ainda no continente do reino e nos Açôres, deixando além disso, por sua morte, mil e tantos contos de réis em varios estabelecimentos de credito inglêses. Num curioso documento oficial, dirigido pelo corregedor desta comarca ao govêrno da metropole em 1823, se diz que o conde de Carvalhal tem grandissimos cabedais no banco de Londres e em caixa, e um avultadissimo rendimento annual, que, na presente penuria da ilha, sobe ainda de duzentos a trezentos mil cruzados, o que para a epoca representava uma renda verdadeiramente colossal para este arquipelago.
Vivendo sem fausto nem ostentação, era no entretanto um homem de animo generoso e liberal, de que deu sobejas provas sobretudo por ocasião de algumas crises por que passou a Madeira, tendo sido uma verdadeira providencia para esta terra, contribuindo poderosamente para debelar essas crises com a fôrça do seu prestigio, da sua influencia e da sua grande fortuna. Arcou por vezes com a ganancia desmedida dos negociantes de vinhos, principalmente estrangeiros, que, mancomunando-se, faziam baixar os preços dos mostos com grande prejuízo dos pobres lavradores.
2Emigração, govêrno e morte
Afecto ás ideias liberais, teve que emigrar para Inglaterra na corveta de guerra inglêsa Alligator a 22 de Agôsto de 1828, quando a Madeira foi ocupada pelas tropas miguelistas. Em Londres foi não só o desvelado protector dos madeirenses ali emigrados, mas socorreu generosamente todos os compatriotas que a ele se dirigiram, afirmando-se que nisso dispendera muitas dezenas de contos de réis.
Estabelecido o govêrno constitucional, regressou a esta ilha em fins de 1834, e por carta regia de 13 de Setembro de 1835 foi nomeado governador civil deste arquipelago, tendo sido pouco antes, a 5 do mesmo mês e ano, agraciado com o titulo de conde de Carvalhal da Lombada. Os cuidados da administração da sua grande casa e mais ainda as doenças de que há muito sofria, afastaram-no dentro de poucos meses do govêrno do distrito, que muito violentado aceitara e unicamente para aceder aos desejos dos principais proprietarios e influentes desta ilha.
Morreu a 11 de Novembro de 1837 na sua Quinta do Palheiro do Ferreiro e foi sepultado na capela que ainda hoje ali existe. Quarenta e tantos anos depois, o seu sobrinho e herdeiro, o 2º. conde de Carvalhal, fêz trasladar os seus despojos mortais para o mausoléu que mandou erigir no cemiterio das Angustias e onde jazem sepultados.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
João do Carvalhal Esmeraldo Albuquerque e Câmara, 1.º Conde de Carvalhal, nasceu no Funchal.
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O corregedor comunicou a Lisboa a imensa fortuna e os rendimentos do Conde de Carvalhal.
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Após a capitulação, o governador Travassos Valdez refugiou-se com a família a bordo da Alligator, tal como o Conde de Carvalhal.
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No final de 1834, o 1.º Conde de Carvalhal regressou do exílio à Madeira e mandou fazer grandes reparações no teatro.
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João José Xavier de Carvalhal recebeu o título de Conde de Carvalhal.
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O Conde de Carvalhal foi nomeado governador civil da Madeira por carta régia.
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O 1.º Conde de Carvalhal morreu na Quinta do Palheiro.
Lugar
Lugares mencionados · 10No estrangeiro
- Açores
Portugal. Possuía também propriedades nos Açores.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Água de Mel
Funchal. Local de um dos seus morgadios.
Zona do Funchal repartida por duas freguesias, onde se situava um morgadio instituído por Maria de Bettencourt e mais tarde detido pelos Condes de Carvalhal. Em 1668, o governador sofreu ali uma emboscada, perto da casa senhorial dos Bettencourt.
- Calheta
Foi coronel do regimento de milícias da Calheta.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Cemitério das Angústias
Funchal. Cemitério onde os seus restos mortais foram trasladados para um mausoléu.
Cemitério municipal do Funchal, que teve origem num pequeno espaço de enterramento da Misericórdia, de 1818, e foi construído em 1836–1838. Tem um pórtico de basalto lavrado, um necrotério e um monumento de 1917 às vítimas do bombardeamento alemão. Entre os ali sepultados contam-se o 2.º Conde de Carvalhal e o Deão Andrade.
- Inglaterra
United Kingdom. País onde se exilou por ser liberal.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Lombada dos Esmeraldos
Ponta do Sol. Local do morgadio do Santo Espírito que administrou.
Grande propriedade açucareira da freguesia da Ponta do Sol, também chamada Lombada da Ponta do Sol, adquirida por João Esmeraldo a Rui Gonçalves da Câmara (datada de 1473 ou 1498 em diferentes artigos) e posteriormente denominada a partir da sua família. Esmeraldo instituiu aí um morgadio em 1512 e, após litígios relativos à sua divisão, a propriedade foi dividida em dois morgadios, Santo Espírito e Vale da Bica. Nela encontram-se a Capela do Espírito Santo, uma Capela de Santo Amaro em ruínas e uma casa senhorial também em ruínas. Em 1835, passou do concelho do Funchal para o da Ponta do Sol.
- Londres
United Kingdom. Tinha grandes somas depositadas em bancos de Londres e viveu ali exilado a partir de 1828.
Capital britânica onde foram publicadas muitas obras inglesas sobre a Madeira, incluindo as dos du Cane, de Embleton e de Bloxam. Mason comparou a sua humidade com a do Funchal, e de lá veio artilharia para a Fortaleza de São Tiago. Acolheu o congresso de química aplicada de 1909.
- Paul do Mar
Calheta. Local de um dos seus morgadios.
O Paul do Mar é uma freguesia da costa sudoeste da Madeira, criada em 1676 a partir do Estreito da Calheta. É um porto de pesca servido pela antiga levada do Rabaçal, onde se cultiva malvasia e onde se assinalou uma incidência muito elevada de tracoma. Teve a fortaleza de Santo António, uma banda e salinas instaladas por volta de 1865, posteriormente abandonadas por falta de rentabilidade.
- Ponta Delgada
São Vicente. Local de um dos seus morgadios.
Ponta Delgada é uma freguesia da costa norte da Madeira, uma das três freguesias do concelho de São Vicente, com uma ponta costeira e um pequeno porto de pesca. A festa do Senhor Jesus é uma grande romaria de promessas, e a freguesia foi sede de uma capitania-mor. Em 1856, registou 409 mortes por cólera.
- Quinta do Palheiro
Funchal. Quinta onde morreu e foi inicialmente sepultado na capela.
Quinta da família Carvalhal em São Gonçalo, no Funchal. O 1.º Conde de Carvalhal morreu ali e foi inicialmente sepultado na sua capela; o 2.º Conde deu ali festas célebres e recebeu D. Luís. A arquiduquesa Leopoldina jantou na quinta em 12 de setembro de 1817, D. Carlos jogou ali ténis em 1901 e foi ali introduzido pela primeira vez o tojo.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05-
1.º Conde de Carvalhal, o maior proprietário de terras da Madeira e governador civil em 1835, a quem esta entrada é dedicada.
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Sobrinho e herdeiro do 1.º Conde, que trasladou os seus restos mortais para um mausoléu no Cemitério das Angústias.
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Mãe do 1.º Conde de Carvalhal.
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Pai do 1.º Conde de Carvalhal.
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Irmão do 1.º Conde, de quem este herdou mais de doze grandes morgadios.