Alligator (Corveta) 1Vinda da corveta e refúgio do governador
Alligator (Corveta)
O navio de guerra britânico Alligator chegou à Madeira em agosto de 1828 e acolheu o governador Travassos Valdez e outros refugiados liberais após a ocupação miguelista. Mais tarde, transferiu-os para o brigue Jane, com destino a Inglaterra.
1Vinda da corveta e refúgio do governador
A corveta de guerra inglesa Alligator veio á Madeira em Agosto de 1828 proteger os súbditos britanicos aqui residentes, com o fundado receio de que os acontecimentos políticos de então os obrigassem a recolher a bordo dum navio da sua nacionalidade. Essa protecção não foi necessária para os súbditos inglêses, mas serviu para o governador e capitão general deste arquipélago Travassos Baldes e para outras pessoas, o que parece ter sido o fim principal da vinda da corveta ao nosso porto. Tendo Travassos Valdez capitulado perante as forças invasoras desembarcadas em Machico (V. Ocupação da Madeira pelas tropas miguelistas), refugiou-se pela tarde de 23 de Agosto de 1828 a bordo da corveta Alligator, acompanhado de sua esposa, seis filhos, dois criados e de outras pessoas, entre as quais algumas das de maior categoria social na Madeira.
Entre M. G. Canning, comandante da Alligator e o vice-almirante Fonseca de Sousa Prego, comandante da esquadra miguelista, e José Maria Monteiro, governador e capitão general trocou-se uma interessante correspondência, em que os representantes de D. Miguel exigiam a imediata entrega dos refugiados a bordo daquele navio, mas a que o comandante inglês se recusou terminantemente.
Depois de varias entrevistas entre o cônsul inglês no Funchal, Henrique Veitch e o governador José Maria Monteiro, ficou resolvido o que consta do seguinte trecho do oficio que o mesmo cônsul dirigiu ao referido governador e capitão general: "Em consequência dos desejos que V. E. tem mostrado que os refugiados a bordo da fragata Alligator deixassem quanto antes este porto, e da conferencia que com V. E. tive ha dias a este respeito, eu, de acordo com o capitão Canning, temos fretado, por conta do governo de Sua Magestade Britannica, o bergantim inglez Jane, o qual como transporte capitaneado por um oficial de fragata deve sahir amanhã 6 do corrente, tomando a seu bordo, fora da vista da terra e do alcance das baterias os ditos refugiados e seguir viagem com elles em direitura para Plymouth".
2Partida e relação dos emigrados
No dia 6 de Setembro de 1828, isto é 15 dias depois da Alliggator ter recebido a seu bordo Travassos Valdez e os outros refugiados politicos, levantou ferro do nosso porto em direcção á Inglaterra. No alto mar fez a baldeação dos refugiados para o bergantim Jane, que tomou o rumo de Saint-Ives, pequena cidade marítima nas costas da Gran-Bretanha, onde chegou no dia 18 de Setembro, depois de 12 dias de viagem. Damos em seguida a relação completa das pessoas que saíram da Madeira na Alligator e que desembarcaram em Saint-Ives, relação que pela primeira vez foi publicada no 5.° vol. da obra do Barão de S. Clemente, mas que é de poucos conhecida:
José Lúcio Travassos Valdez, ex-governador da Madeira e mais tarde conde de Bonfim, sua esposa, seis filhos, o mais velho dos quais tinha 14 anos, e dois criados, Luiz Godinho Valdez, irmão e ajudante do governador, João do Carvalhal, depois conde de Carvalhal, corregedor Dr. José Duarte Machado Ferraz, juiz de fora Dr. Manuel Ferreira de Seabra da Mota e Silva; tenente coronel Filipe Joaquim Aciaioly, capitão Joaquim Carlos Fernandes de Couto, deão da Sé do Funchal, Januario Vicente Camacho, cónego Sebastião Casimiro de Vasconcelos, coronel Francisco Manuel Patrone, tenente-coronel Antonio Fernandes Camacho, major Joaquim Guilherme da Costa, capitão Pedro Cipriano de Ornelas, major Luiz Antonio Figueiroa, major Jeronimo Martins Salgado, coronel de milícias J. A. Freitas Albuquerque, sargento-mor Francisco Moniz Escorcio, voluntários de D. Pedro Luiz Sauvaire e Luiz Monteiro, capitão João de Betencourt, tenente Antonio José Gonçalves de Ornelas, Julio da Câmara Leme, juiz ordinário Antonio Joaquim Moderno, Fr. Antonio das Dores, provincial dos franciscanos, Domingos Alexandre da Silva, Miguel Ferreira Jardim e Vicente de Sousa, criado de João do Carvalhal.
Três dias antes da rendição da Madeira ás tropas miguelistas, tinham chegado ao Funchal, vindos de Inglaterra e enviados pelo conde de Palmela, alguns oficiais para auxiliarem o governador Travassos Valdez na resistência que preparou contra as forças absolutistas. Estes oficiais depois de permanecerem três dias em terra e quinze dias a bordo da corveta Alligator, seguiram para Inglaterra e ali desembarcaram em Saint-Ives com os outros emigrados. Foram eles o tenente-coronel João Schwalbach, o major Francisco Xavier da Silva Pereira, depois conde das Antas, o capitão Tomaz Carcy de Araujo, o madeirense capitão e lente da Academia de Marinha Antonio Aloísio Jervis de Atouguia, depois visconde de Atouguia, o tenente Francisco José da Mota, o madeirense alferes D. Diogo da Câmara Leme, o tenente Francisco de Paula Lima e o furriel Francisco Pacheco Guimarães.
A corveta Alligator não acompanhou o Jane e voltou ao Funchal. A 24 de Setembro o comandante da Alligator M. G. Canning, estando a tomar banho no tanque duma quinta dum seu compatriota nos arredores do Funchal, ali morreu afogado. Era filho do conhecido estadista inglês Canning.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 01-
A corveta britânica Alligator chegou à Madeira para proteger os residentes britânicos.
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Após a capitulação, o governador Travassos Valdez refugiou-se com a família a bordo da Alligator, tal como o Conde de Carvalhal.
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A Alligator saiu do Funchal e transferiu Travassos Valdez e outros emigrados liberais, em alto-mar, para o brigue Jane, com destino a Inglaterra.
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O brigue Jane chegou a St Ives com os refugiados madeirenses.
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O comandante W. P. Canning, da Alligator, afogou-se no tanque da quinta de um comerciante inglês, perto do Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Funchal
Porto onde a Alligator fundeou e perto do qual Canning se afogou.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. Destino dos refugiados.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Machico
Local onde desembarcaram as forças invasoras miguelistas.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Plymouth
United Kingdom. Destino previsto do brigue Jane.
Plymouth é um porto inglês, situado, segundo o registo, a 1220 milhas do Funchal. Era o porto de partida dos navios da African Steam Ship Company que faziam escala na Madeira e o destino previsto do brigue Jane.
- Saint Ives
United Kingdom. Porto inglês onde os refugiados desembarcaram em 18 de setembro de 1828.
Porto inglês onde os refugiados desembarcaram em 18 de setembro de 1828.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 43- António Aluísio Jervis de Atouguia1797–1861
Capitão madeirense e lente da Academia de Marinha enviado por Palmela; mais tarde, Visconde de Atouguia.
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Provincial franciscano entre os refugiados.
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Tenente-coronel entre os refugiados.
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Juiz ordinário entre os refugiados.
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Tenente entre os refugiados.
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Autor em cujo quinto volume foi publicada pela primeira vez a lista dos refugiados.
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Líder liberal que enviou oficiais de Inglaterra para ajudar Travassos Valdez a resistir.
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Pretendente absolutista cujas forças ocuparam a Madeira em 1828.
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Alferes madeirense enviado por Palmela.
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Um dos refugiados.
+ 33 mais
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Tenente-coronel entre os refugiados.
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Vice-almirante que comandava a esquadra miguelista e exigiu a entrega dos refugiados.
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Tenente enviado por Palmela.
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Tenente enviado por Palmela.
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Coronel entre os refugiados.
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Sargento-mor entre os refugiados.
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Furriel enviado por Palmela.
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Major enviado por Palmela; mais tarde, Conde das Antas.
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Conhecido estadista inglês, pai do comandante da Alligator.
- Henrique Veitchm. 1857
Cônsul britânico no Funchal que fretou o brigue Jane para levar os refugiados a Inglaterra.
- Januário Vicente Camacho1792–1872
Deão da Sé Catedral do Funchal que fugiu com os liberais em 1828.
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Major entre os refugiados.
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Notável madeirense, mais tarde Conde de Carvalhal, entre os refugiados de 1828.
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Coronel da Milícia entre os refugiados.
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Capitão entre os refugiados.
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Tenente-coronel enviado por Palmela que partiu na Alligator.
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Capitão entre os refugiados.
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Major entre os refugiados.
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Corregedor que fugiu da Madeira na Alligator em 1828.
- José Lúcio Travassos Valdez1787–1862
Governador e capitão-general liberal da Madeira que capitulou perante os miguelistas em 1828 e se refugiou a bordo da Alligator; mais tarde, Conde de Bonfim.
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Governador e capitão-general miguelista da Madeira em 1828, que negociou a partida dos refugiados.
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Major entre os refugiados.
- Luís Monteiron. 1773
Voluntário de D. Pedro entre os refugiados.
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Voluntário de D. Pedro entre os refugiados.
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Irmão e ajudante do governador Travassos Valdez, entre os refugiados.
- M. G. Canningm. 1828
Comandante da Alligator que recusou entregar os refugiados e se afogou perto do Funchal em 24 de setembro de 1828; filho do estadista Canning.
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Juiz de fora entre os refugiados de 1828.
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Um dos refugiados.
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Capitão que se encontrava entre os refugiados.
- Pedro Júlio da Câmara Leme1695–1556
Um dos refugiados que partiram a bordo da Alligator.
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Cónego que se encontrava entre os refugiados.
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Capitão enviado por Palmela.
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Criado de João do Carvalhal que partiu com os refugiados.