Camacho (Januario Vicente)
Biografia de Januário Vicente Camacho (1792–1872), sacerdote nascido no Funchal que foi deão da Sé Catedral do Funchal, bispo eleito de Castelo Branco, governador das dioceses do Funchal e de Angra, deputado pela Madeira e par do reino.
Vida de Januário Vicente Camacho
Este distinto madeirense nasceu no Funchal em 1792 e era filho do coronel de artilharia Antonio Fernandes Camacho e de D. Barbara Junqueiro Camacho.
Ordenado de presbítero em 1815, paroquiou em seguida nas freguesias da Serra de Água, Ribeira Brava e Santo Antonio, do Funchal. Conta-se, não sabemos com que fundamento, que sendo preterido no concurso em que entrara para a vigairaria de Santo Antonio, se queixara a D. João VI da injustiça que lhe fora feita, e que o rei, reconhecendo o direito que assistia ao queixoso, lhe perguntara se na Madeira não haveria outro logar vago que lhe conviesse. Respondeu prontamente Januário Camacho: no Funchal só há vago o deado. Diz mais a anedota, pois como tal a tomamos, que D. João VI ignorando o que fosse o deado, dera logo o importante cargo de deão da Sé do Funchal a Januario Vicente Camacho.
O governo central apresentou o bispo na diocese de Castelo Branco, mas não foi confirmado pela Santa Sé, nem chegou a receber a sagração episcopal. Por decreto de 26 de Fevereiro de 1840 foi nomeado governador da diocese do Funchal e eleito vigário capitular a 27 de Março do mesmo ano, e mais tarde desempenhou igual cargo no bispado de Angra, intitulando-se nos documentos oficiais bispo eleito de Castelo Branco, e precedendo sempre o seu nome de Dom, que era de uso e direito adoptarem os prelados portugueses. Parece que não foi das mais exemplares a sua administração episcopal na diocese dos Açores.
Representou a Madeira em cortes na legislatura de 1848 a 1851, e anteriormente tinha sido várias vezes eleito deputado e senador substituto por este arquipelago. Em 1851 foi elevado ao pariato, cargo a que então não era fácil chegar, sem que no agraciado se reconhecessem méritos incontestáveis. Faleceu em Lisboa a 22 de Dezembro de 1872.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Januário Vicente Camacho nasceu no Funchal.
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Januário Vicente Camacho foi ordenado sacerdote.
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Januário Vicente Camacho foi nomeado governador da diocese do Funchal por decreto.
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Januário Vicente Camacho foi eleito vigário capitular do Funchal.
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Januário Vicente Camacho representou a Madeira nas Cortes.
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Januário Vicente Camacho foi elevado à dignidade de par do reino.
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Januário Vicente Camacho morreu em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Angra
Portugal. Diocese açoriana que Camacho viria a governar.
Sede episcopal açoriana, tornada sufragânea do Funchal quando esta diocese foi elevada a arquidiocese em 1533. D. Luís Figueiredo de Lemos foi ali deão e, mais tarde, vigário-geral; Januário Vicente Camacho veio depois a governar a diocese.
- Castelo Branco
Portugal. Diocese de Portugal continental para a qual Camacho foi apresentado como bispo, sem nunca ter sido confirmado.
Castelo Branco é um distrito e uma diocese de Portugal Continental, citado pela sua baixa densidade populacional. Jaime Moniz representou o distrito como deputado, e António José de Sousa Almada foi seu governador civil. Januário Vicente Camacho foi apresentado para bispo da diocese, mas nunca confirmado.
- Funchal
Local de nascimento de Camacho e sede da diocese que governou.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Local onde Camacho morreu.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Ribeira Brava
Freguesia onde Camacho exerceu funções como sacerdote.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.
- Santo António
Funchal. Freguesia do Funchal onde Camacho exerceu funções e de cuja vigararia procurou tomar posse.
Santo António é uma freguesia do concelho do Funchal, na Madeira, onde nasce a ribeira de São João e onde os Jesuítas tinham a sua residência do Pico do Cardo. A igreja possui uma inscrição latina de 1783, e na freguesia encontram-se as capelas da Madalena, de São João e Santana e do Pópulo; a freguesia dá também nome a uma elevação de cerca de 400 metros perto da igreja.
- Sé do Funchal
Funchal. Sé Catedral do Funchal, da qual Camacho se tornou deão.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
- Serra de Água
Ribeira Brava. Freguesia onde Camacho exerceu funções como sacerdote.
Serra de Água é uma freguesia do interior do concelho da Ribeira Brava cujo nome recorda antigas serras movidas a água. Foi criada como vigararia em 1676 e, em 1834, integrou o concelho do Funchal. Confina com o Estreito de Câmara de Lobos e com o passo da Encumeada, onde foi construída uma casa de repouso em 1939. É uma zona de produção de cerejas e foi o local previsto para uma central hidroelétrica.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04- Januário Vicente Camacho1792–1872
Sacerdote madeirense, deão da Sé Catedral do Funchal, governador das dioceses do Funchal e de Angra, deputado e par do reino, biografado nesta entrada.
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Coronel de artilharia e pai de Januário Vicente Camacho.
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Mãe de Januário Vicente Camacho.
- João VIm. 1826
Rei de Portugal que, segundo uma anedota, nomeou Camacho deão da Sé Catedral do Funchal.