Ocupação do Porto Santo pelas Tropas Constitucionais
Relato da ocupação do Porto Santo por forças liberais (constitucionais) vindas da Terceira entre abril e maio de 1832, durante a guerra civil, seguida do breve restabelecimento do domínio miguelista e da aclamação definitiva de D. Maria II em 1834.
Ocupação do Porto Santo
A 4 de Abril de 1832, foi o Porto Santo ocupado por uma força constitucional de 60 praças de artilharia, chegada da ilha Terceira no brigue de guerra Conde de Vila Flor e escuna de guerra Terceira. Comandava a mesma força o capitão Bento José de Oliveira, o qual fêz imediatamente aclamar na ilha a rainha D. Maria II. No dia 7 do mesmo mês, chegou ao Porto Santo a fragata D. Maria II, que voltava do bloqueio da Madeira, e que trazia a seu bordo o almirante Sertorio, o futuro prefeito Luís da Silva Mousinho de Albuquerque, o deão da Sé do Funchal, Januário Vicente Camacho, e outros constitucionais, tendo a ocupação durado até 5 de Maio, em que a referida força e as demais pessoas que haviam desembarcado na ilha partiram com destino aos Açores.
Além da força de 60 praças já mencionada, embarcaram 104 voluntários que haviam fugido da ilha da Madeira para se alistarem no exercito constitucional.
Enquanto a expedição se conservou no Porto Santo, foram aprisionados alguns navios, cuja carga serviu para o abastecimento dos habitantes, que padeciam já alguma fome, tanto porque a produção da ilha no ano anterior havia sido escassa, como pela impossibilidade de virem mantimentos da Madeira, por causa do bloqueio.
Reinou o maior sossego no Porto Santo enquanto durou a ocupação, em virtude da disciplina das tropas e da vigilância exercida por Mousinho de Albuquerque e oficiais sob as suas ordens.
A 29 de Maio, depois da partida das tropas constitucionais, chegou ao Porto Santo o iate Bomfim, vindo da Madeira e trazendo a seu bordo o juiz de fora Esperança Freire, o inspector do Trem José Joaquim de Amorim, o engenheiro Pegado e um destacamento de 30 soldados de caçadores 7 e infantaria 8, comandado pelo alferes António Pedro de Azevedo, procedendo-se imediatamente á aclamação de D. Miguel e regressando todos á Madeira na noite do mesmo dia.
D. Maria II foi novamente aclamada na ilha do Porto Santo, a 7 de Junho de 1834.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
Uma força constitucional de 60 artilheiros da Terceira ocupou o Porto Santo e proclamou D. Maria II. Em 7 de abril, juntaram-se-lhe o almirante Sartorius e Mousinho de Albuquerque; em maio, partiu para os Açores com 104 voluntários madeirenses.
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Um grupo miguelista vindo da Madeira proclamou D. Miguel no Porto Santo e regressou nessa mesma noite.
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D. Maria II foi novamente proclamada rainha no Porto Santo.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Açores
Portugal. Destino da força constitucional que partiu em maio de 1832.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Funchal
Cidade onde se situava a Sé Catedral cujo deão se juntou aos liberais.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto Santo
Ilha ocupada por tropas constitucionais em 1832.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Terceira
Portugal. Ilha açoriana que serviu de base liberal e de onde partiu a força ocupante.
Ilha açoriana que serviu de base aos liberais, onde se reuniu a expedição de D. Pedro e de onde partiu a força que ocupou Porto Santo. Nicolau Pita foi ali desterrado, João Bettencourt de Vasconcellos foi ali executado e Acursio Garcia Ramos nasceu na ilha.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 10- António Pedro de Azevedo1814–1889
Alferes que comandou o destacamento miguelista de 30 homens enviado ao Porto Santo em maio de 1832.
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Capitão de artilharia que comandou a força constitucional que ocupou o Porto Santo em 1832 e mandou proclamar D. Maria II na ilha.
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Rainha liberal de Portugal proclamada no Porto Santo em 1832 e novamente em 1834.
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Rei absolutista proclamado no Porto Santo em 29 de maio de 1832, após a partida dos liberais.
- Januário Vicente Camacho1792–1872
Deão da Sé Catedral do Funchal e constitucionalista que chegou ao Porto Santo a bordo da fragata D. Maria II em 1832.
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Inspetor do Trem integrado no grupo miguelista que visitou o Porto Santo em 29 de maio de 1832.
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Futuro prefeito liberal que desembarcou no Porto Santo em 1832 e manteve a ordem durante a ocupação.
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Juiz de fora que veio da Madeira em maio de 1832 para proclamar D. Miguel no Porto Santo.
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Engenheiro integrado no grupo miguelista que visitou o Porto Santo em 29 de maio de 1832.
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Almirante da esquadra liberal que, a bordo da fragata D. Maria II, regressava do bloqueio da Madeira e fez escala no Porto Santo em abril de 1832.