Administração Judicial 1Donatários e corregedores
Administração Judicial
Percorre a história da administração judicial na Madeira, desde a ampla jurisdição dos capitães-donatários, passando pelos corregedores régios e pela criação dos cargos de corregedor e juiz de fora em 1767, até às comarcas oitocentistas do Funchal, Ponta do Sol, Santa Cruz e São Vicente.
1Donatários e corregedores
Na Madeira, ao menos nos tempos primitivos da colonização, toda a jurisdição civil e criminal residia nos donatários. Eram muito latitudinárias as suas atribuições na administração de todos os negócios públicos e ainda no julgamento das causas crimes, a não ser que se tratasse de delitos graves de morte ou atalhamento de membro, que então pertencia ao rei ou aos tribunais superiores da corte a aplicação da respectiva pena. Essas amplas faculdades foram-se a pouco e pouco cerceando com o decorrer dos tempos. Os reis avocando a si os privilégios que neste arquipélago tinha a Ordem de Cristo, a criação dos municípios, a instituição das sesmarias e dos morgadios, as diversas leis agrárias, sobretudo acerca de águas, madeiras, gados e açucares, e ainda outras medidas do poder central contribuíram poderosamente para o gradual cerceamento das atribuições civis militares e judiciais de que os capitães donatários largamente gozavam neste arquipélago. Os abusos de jurisdição cometidos pelos donatários, que às vezes iam até a invasão do poder real, não eram raros, o que, em muitas ocasiões, determinou a vinda a esta ilha de ouvidores e corregedores, investidos de poderes quasi discricionários, que tinham por missão especial o sindicarem e julgarem desses excessos de jurisdição. Eram estes magistrados, enviados primitivamente em casos extraordinários e depois em circunstâncias mais normais, os que atenuavam e corrigiam aquelas invasões de poder, levantando-se por vezes conflitos entre eles e os capitães donatários, a que sempre vinha por termo o governo central nos recursos interpostos perante a coroa.
Temos disso vários exemplos, especialmente o da vinda à Madeira no último quartel do século XV, do corregedor Álvaro Fernandes com “alçada por el rei em toda a ilha” e mais tarde a do bacharel Rui Pires, também com jurisdição judicial em todo o arquipélago.
No primeiro quartel do século XVI, mandou D. Manuel a esta ilha o corregedor Dr. Diogo Taveira, “por certas razões que a isso o moveram, em respeito ao capitão Simão Gonçalves”, diz Gaspar Frutuoso, o que em extremo irritou o capitão donatário, a ponto de que resolveu abandonar a capitania, chegando a embarcar em duas caravelas com sua família e o melhor móvel da sua casa em direcção a Espanha, o que não realizou por ter arribado ao Algarve e lhe ter sido dada por el rei satisfação da afronta, “por que, como afirma o citado cronista, pelos serviços que tinha feito a el rei lhe não merecia meter corregedor”.
Mais tarde, pelos anos de 1579, o cardeal rei cerceou consideravelmente o poder e jurisdição dos donatários, determinando especialmente que os ofícios e empregos de Justiça fossem de apresentação régia, o que antes pertencia aos capitães donatários. Com a dominação filipina, ainda mais se restringiu o poder dos donatários. O governo espanhol criou os cargos de governadores gerais para a administração das nossas possessões e enviou para este arquipélago o desembargador Dr. João Leitão, que vinha também encarregado de proceder a uma devassa acerca dos acontecimentos políticos ocorridos nesta ilha por ocasião da proclamação de Filipe II. Desde então, os capitães donatários deixaram de residir entre nós e exerciam as suas faculdades jurisdicionais por intermédio dos seus ouvidores, que eram da sua nomeação e aos quais outorgavam todas as atribuições de que gozavam. É fácil, porém, de presumir que a ausência dos donatários das suas capitanias e a autoridade exercida com verdadeiro despotismo pelos representantes do governo espanhol, teriam imensamente concorrido para reduzir a proporções mesquinhas o poder dos mesmos donatários no governo destas ilhas. A pesar de serem quasi meramente honoríficas, a partir desta época, as atribuições dos donatários na administração local e na aplicação da justiça, continuavam, no entretanto, a receber importantes rendas dos diversos impostos cobrados no arquipélago, tendo, por meados do século XVIII, sido largamente indemnizados da perda, que então começaram a sofrer, dessas mesmas rendas e impostos.
Será hoje difícil e talvez mesmo impossível determinar com precisão a esfera das atribuições, na época em que começou a ocupação castelhana, tanto dos capitães donatários, como dos diversos magistrados enviados a este arquipélago pelos monarcas. O mesmo diremos acerca do período da dominação espanhola e da época decorrida desde 1640 até o tempo do marquês de Pombal.
2Juiz de fora, julgados e comarcas
O decreto de 2 de Agosto de 1766 criou para os Açores os cargos de corregedor e de juiz de fora, e, no ano seguinte, teve esse decreto aplicação à Madeira, sendo para eles respectivamente nomeados o Dr. Francisco de Matos Correia e o Dr. Luiz António Tavares de Abreu, que tomaram posse dos seus lugares a 15 de Outubro de 1767. Com a nomeação desses magistrados, entrou a administração judicial neste arquipélago num período regular e normal, quando até então, o exercício das funções de corregedor e juiz de fora, acumuladas num só indivíduo, era bastante irregular e principalmente destinado a atender às circunstâncias de ocasião. Durante 68 anos, contados de dia a dia, se manteve deste modo a administração da Justiça até o dia 15 de Outubro de 1835.
A reforma judiciária de 16 de Maio de 1832 só teve execução na Madeira em 1835, e, assim, a pesar da proclamação do governo constitucional nesta ilha a 5 de Junho de 1834, continuou a justiça a ser administrada pelo juiz de fora e corregedor ou seus substitutos legais, até que, em 15 de Outubro de 1835, foram instalados os dois julgados judiciais, ambos com sede no Funchal.
O Dr. Manuel Cirilo Esperança Freire, que foi o último juiz de fora efectivo, serviu até o dia 14 de Junho de 1834, e o Dr. Francisco António Rodrigues Nogueira, que foi também o último corregedor efectivo, deixou o cargo a 23 do mês e anos referidos foram interinamente substituídos pelos membros mais velhos do senado, segundo as disposições legais vigentes, até que o governador e capitão general Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque nomeou a 13 de Outubro de 1834, em virtude de ordens superiores, juiz de fora e corregedor os bacharéis Daniel de Ornelas e Vasconcelos e João Jose Vitorino Duarte e Silva.
A 15 de Outubro de 1835, como já fica dito, terminou o antigo regimen judicial e foram instalados os dois julgados com sede no Funchal. Em 1838, uma nova reforma judicial dividiu o arquipélago em duas comarcas, ocidental e oriental, ambas com sede nesta cidade, e que foram estabelecidas a 7 de Maio daquele ano.
O primeiro magistrado que serviu no julgado e comarca oriental foi o Dr. Domingos Olavo Correia de Azevedo e igualmente o primeiro juiz que serviu no julgado e comarca ocidental foi o Dr. José Pereira Leite Pita Ortigueira Negrão.
O decreto de 12 de Novembro de 1875 alterou a divisão comarca neste arquipélago, ficando deste então existindo as comarcas do Funchal, Ponta do Sol, Santa Cruz e S. Vicente.
A comarca de Santa Cruz instalou-se a 17 de Junho de 1876, dia em que tomou posse o seu primeiro juiz, o Dr. Manuel Inácio Rum do Canto, sendo seu primeiro delegado do procurador régio o Dr. Bernardo Vieira Pinto de Andrade, que foi nomeado por decreto de 17 de Fevereiro de 1876.
A instalação da comarca de S. Vicente realizou-se a 16 de Novembro de 1876. Neste mesmo dia, tomaram posse o mesmo juiz e o primeiro delegado, o Dr. João Pereira dos Ramos e Silveira, e o Dr. Aníbal Correia Taborda. Instalou-se a comarca da Ponta do Sol no dia 28 de Abril de 1876. Foi seu primeiro juiz seu primeiro delegado, respectivamente, o Dr. Martinho da Rocha Guimarães Camões e o Dr. António Augusto Freire Ribeiro de Campos, que tomaram posse dos seus cargos no dia e por ocasião da instalação da comarca.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 10-
O corregedor Álvaro Fernandes chegou à Madeira com jurisdição sobre toda a ilha.
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O cardeal-rei D. Henrique tornou os cargos judiciais de nomeação régia, limitando os poderes dos donatários.
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Um decreto criou os cargos de corregedor e juiz de fora para os Açores, posteriormente alargados à Madeira.
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O decreto de 1766 foi aplicado à Madeira, e entraram em funções o primeiro corregedor e o primeiro juiz de fora permanentes e com cargos distintos, regularizando a administração da justiça na ilha.
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Foi decretada uma reforma judicial nacional que extinguia os corregedores, aplicada na Madeira apenas em 1835.
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O governo constitucional (liberal) e a Carta Constitucional foram proclamados no Funchal, pacificamente na cidade, embora com violência em algumas freguesias, estabelecendo as instituições liberais na Madeira.
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O governador Mousinho de Albuquerque nomeou um novo juiz de fora e um novo corregedor na Madeira.
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A reforma judicial de 1832 entrou em vigor na Madeira, pondo fim ao antigo regime dos corregedores e instituindo dois julgados com juízes de direito no Funchal.
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Os dois julgados foram convertidos nas comarcas oriental e ocidental, ambas sediadas no Funchal.
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Um decreto reorganizou a administração judicial da Madeira em quatro comarcas — Funchal, Ponta do Sol, Santa Cruz e São Vicente —, tornando São Vicente sede de comarca.
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Foi instalada a comarca da Ponta do Sol.
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Foi instalada a comarca de Santa Cruz.
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Na reorganização judicial, foi instalada a comarca de São Vicente, e a comarca única do Funchal, dividida em nove julgados, substituiu as comarcas ocidental e oriental.
Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- Açores
Portugal. O decreto de 1766 criou primeiro para os Açores os cargos de corregedor e de juiz de fora.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Algarve
Portugal. Região onde Simão Gonçalves aportou, interrompendo a viagem para Espanha.
O Algarve é uma região de Portugal Continental de onde vieram muitos dos primeiros povoadores da Madeira, nomeadamente de Boliqueime, e provavelmente gado. Zarco vigiou a sua costa como capitão, e Bartolomeu Perestrelo morreu ali. Simão Gonçalves da Câmara aportou ao Algarve durante a sua viagem interrompida para Espanha.
- Espanha
Spain. Destino pretendido pelo donatário, ofendido com a nomeação.
Espanha surge como destino do exílio voluntário que o donatário Simão Gonçalves da Câmara planeou, mas não concretizou, e como o país para o qual se pediu à Madeira que enviasse 1 000 soldados durante o domínio castelhano. Foi o país de origem de muitos frades eremitas que vieram para a Madeira e onde ocorreu a revolução fracassada de 1866.
- Funchal
Sede dos julgados de 1835 e das comarcas de 1838.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Ponta do Sol
Sede de comarca desde 1876.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Santa Cruz
Sede de comarca desde 1876.
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
- São Vicente
Sede de comarca desde 1876.
São Vicente é descrita como a maior e mais populosa freguesia do norte da Madeira e sede da única vila da costa norte. O Elucidário aborda o seu povoamento, a história da igreja, os sítios e a paisagem, bem como o deslizamento de terras de 1929, que causou vítimas mortais.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 25- Aires de Ornelas de Vasconcelos1837–1880
Bacharel nomeado em 1834 para o cargo de juiz de fora ou de corregedor.
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Corregedor enviado à Madeira no final do século XV, com jurisdição sobre toda a ilha.
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Primeiro delegado do procurador régio na comarca de São Vicente.
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Primeiro delegado do procurador régio na comarca da Ponta do Sol.
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Primeiro juiz de fora da Madeira, que tomou posse em 15 de outubro de 1767.
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Primeiro delegado do procurador régio na comarca de Santa Cruz.
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D. Manuel I enviou o corregedor Diogo Taveira à Madeira no início do século XVI.
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Corregedor cujo despacho ofendeu de tal modo o capitão Simão Gonçalves que este quase abandonou a sua capitania.
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Primeiro juiz do julgado oriental e da comarca oriental.
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Rei de Espanha cuja proclamação na Madeira levou João Leitão a realizar uma investigação.
+ 15 mais
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Último corregedor efetivo, que deixou o cargo em 23 de junho de 1834.
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Primeiro corregedor ao abrigo do decreto de 1766, que tomou posse em 15 de outubro de 1767.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista citado a propósito do caso Taveira.
- Infante D. Henrique1394–1460
Cardeal-rei D. Henrique, que em 1579 tornou os cargos judiciais de nomeação régia, limitando os poderes dos donatários.
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Bacharel nomeado em 1834 para o cargo de juiz de fora ou de corregedor.
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Desembargador enviado pelo governo espanhol para investigar os acontecimentos ocorridos aquando da proclamação de Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal).
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Primeiro juiz da comarca de São Vicente, em 16 de novembro de 1876.
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Primeiro juiz do julgado ocidental e da comarca ocidental.
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Governador e capitão-general que nomeou um novo juiz de fora e um novo corregedor em 13 de outubro de 1834.
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Último juiz de fora efetivo, exerceu funções até 14 de junho de 1834.
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Primeiro juiz da comarca de Santa Cruz, empossado em 17 de junho de 1876.
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Ministro cuja época marcou o fim do período de jurisdições mal definidas.
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Primeiro juiz da comarca da Ponta do Sol, em 28 de abril de 1876.
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Magistrado letrado a quem foi posteriormente atribuída autoridade judicial sobre todo o arquipélago.
- Simão Gonçalves da Camara1579–1580
Capitão-donatário do Funchal que partiu para Espanha em protesto contra a nomeação do corregedor, mas aportou ao Algarve e obteve satisfação do rei.