Governadores Gerais 1Os Governadores Gerais
Governadores Gerais
Entrada sobre os Governadores-Gerais que governaram a Madeira em nome da Coroa espanhola durante o período filipino (1581–1640), com uma lista dos titulares, notas sobre as manifestações cerimoniais de respeito para com os governadores e uma referência à controvérsia académica em torno do seu título.
1Os Governadores Gerais
Com o domínio filipino terminou o governo dos Capitães-Donatarios (V. Donatarios), passando este arquipélago a ser administrado por Governadores Gerais, da imediata nomeação do governo espanhol. A administração dos Governadores Gerais durou todo o período da administração castelhana. Foram eles:
- João Leitão (1581), D. Agostinho Herrera (1582), João Leitão (1583), Tristão Vaz da Veiga (1585), Antonio Pereira de Barredo (1590), Diogo de Azambuja e Melo (1594), Cristovão Falcão de Sousa (1600), João Fogaça de Eça (1603), D. Manuel Pereira Coutinho (1609), Jorge da Câmara (1614), Pedro da Silva (1618), D. Francisco Henriques (1622), Fernão de Saldanha (1625), D. Francisco de Sousa (1627), D. João de Meneses (1632) e Luiz de Miranda Henriques Pinto (1635).
2Posse, respeito e controvérsia
Os governadores e capitãis-generais e depois deles os primeiros governadores civis, tomavam posse dos seus cargos na sala das sessões da Câmara Municipal do Funchal, na presença da municipalidade reunida. Era tal o respeito que inspiravam os antigos capitães-tenentes que, quando saíam, todos os homens paravam e tiravam os chapéus quando eles se aproximavam, devendo os cavaleiros apear-se á sua passagem. Em 3 de Setembro de 1803 recolheu ás prisões do ilhéu um tal Henrique Correia de famílias fidalgas, por se não haver apeado á passagem do governador D. José Manuel da Câmara e responder um tanto desabridamente a esta autoridade ao ser admoestado pela sua desatenção, e o falecido morgado Antonio João da Silva Betencourt Favila também foi preso em certa ocasião por não ter cumprimentado um governador e capitão-general! Quantum matatus ab illo!
O Dr. Damião Peres, ilustre professor da Universidade de Coimbra e antigo reitor do liceu do Funchal, que tem o seu nome ligado a valiosos trabalhos acerca da historia do nosso país, publicou nos anos de 1924 e 1925 dois interessantes opúsculos intitulados O Desembargador João Leitão Governador Geral da Madeira e O Problema dos Governadores Gerais da Madeira, em que se propôs demonstrar que carecia de fundamento a designação genérica de Governadores gerais dada pelo Dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo, erudito comentador das Saudades da Terra, ás autoridades superiores deste arquipelago durante a dominação castelhana, competindo-lhes apenas o nome de capitâis gerais, segundo se lê em alguns documentos oficiais da época. O co-autor deste Elucidário C. A. de Meneses, numa série de artigos publicados no Diário da Madeira do mês de Setembro de 1925, explica e justifica a designação empregada pelo Dr. A. R. de Azevedo, aduzindo ponderosos argumentos que invalidam a afirmação do Dr. Damião Peres. Bom é notar que se trata duma particularidade de secundaria importância, que não oferece grande interesse á historia desta ilha.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Durante o domínio filipino, a Madeira foi governada por governadores-gerais, a começar por João Leitão, que assumiu a administração de todo o arquipélago; os capitães-donatários ficaram reduzidos a uma posição honorífica.
-
Henrique Correia foi preso na fortaleza do Ilhéu por não ter desmontado perante o governador José Manuel da Câmara.
-
Damião Peres publicou dois opúsculos em que contestou o título de Governadores-Gerais.
-
C. A. de Meneses respondeu no Diário da Madeira, defendendo esse título.
Lugar
Lugares mencionados · 02- Câmara Municipal do Funchal
Funchal. Os governadores tomavam posse na sua sala de sessões.
Os governadores tomavam posse na sua sala de sessões.
- Ilhéu (Fortaleza do)
Funchal. Prisão onde Henrique Correia esteve detido em 1803.
Cadeia onde Henrique Correia esteve preso em 1803.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 21-
Governador-Geral da Madeira em 1582.
- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador de Saudades da Terra, que introduziu a designação «Governadores-Gerais» para os governantes do período espanhol.
-
Morgado que foi preso por não ter saudado um governador e capitão-general.
-
Governador-Geral da Madeira a partir de 1590.
- Carlos Azevedo de Meneses1863–1928
Coautor do Elucidário que defendeu a designação usada por Azevedo em artigos publicados no Diário da Madeira em setembro de 1925.
-
Governador-Geral da Madeira a partir de 1600.
- D. Francisco Henriquesm. 1624
Governador-Geral da Madeira a partir de 1622.
- D. João de Meneses1854–1649
Governador-Geral da Madeira a partir de 1632.
- D. Manuel Coutinho1671–1742
Governador-geral da Madeira a partir de 1609.
- Damião Peresn. 1889
Professor da Universidade de Coimbra e antigo reitor do Liceu do Funchal que defendeu, em 1924–1925, que estes oficiais deviam ser chamados capitães-generais, e não governadores-gerais.
+ 11 mais
- Diogo de Azambuja de Melom. 1600
Governador-Geral da Madeira a partir de 1594.
- Fernão Saldanham. 1626
Governador-Geral da Madeira a partir de 1625.
-
Governador-Geral da Madeira a partir de 1627.
-
Homem de família nobre, preso no ilhéu em 1803 por não ter desmontado quando o governador D. José Manuel da Câmara passou e por lhe ter respondido com rudeza.
-
Governador-Geral da Madeira a partir de 1603.
-
Governador-Geral da Madeira em 1581 e novamente em 1583; foi objeto de um estudo de Damião Peres em 1924.
-
Governador-Geral da Madeira a partir de 1614.
-
Governador e capitão-general da Madeira que mandou prender Henrique Correia em 1803.
-
Governador-geral da Madeira a partir de 1635, o último da lista.
- Pedro Pereira da Silvam. 1918
Governador-geral da Madeira a partir de 1618.
- Tristão Vaz da Veigam. 1604
Governador-geral da Madeira a partir de 1585.