Azevedo (Dr. Alvaro Rodrigues de) 1Vida e cargos públicos
Azevedo (Dr. Alvaro Rodrigues de)
Biografia do Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo (1825–1898), advogado e professor de retórica e literatura no liceu do Funchal, sobretudo lembrado pela sua edição anotada da parte dedicada à Madeira nas Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso.
1Vida e cargos públicos
Nasceu em Vila Franca de Xira a 20 de Março de 1825 e era filho de Antonio Plácido de Azevedo, natural de Benavente, e de D. Maria Amelia Ribeiro de Azevedo. Tendo-se chamado a princípio José Rodrigues de Azevedo, mudou de nome ao entrar na Universidade, onde frequentou a faculdade de direito, cujo curso concluiu em 1849.
Vindo em seguida para Lisboa, esteve aí cerca de seis anos, passando depois a esta ilha a fim de tomar conta da cadeira de oratória, poética e literatura do nosso liceu, que conquistara em concurso publico. Antes disso pretendera, mas sem resultado, ser despachado para um logar na magistratura judicial.
O Dr. Azevedo regeu com a maior proficiência e brilho a referida cadeira, durante vinte e seis anos, retirando em Janeiro de 1881 para Lisboa, onde fixou residência. Foi também durante alguns anos professor de português e recitação do nosso liceu, e em 1856, por ocasião da epidemia da colera-morbus, prestou relevantes serviços á cidade no desempenho do cargo de administrador do concelho.
Foi ainda procurador á Junta Geral e membro do Concelho de Distrito e da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericordia do Funchal. Em 1870 recusou o cargo de secretario geral do distrito e a comenda da Conceição.
O Dr. Azevedo tomou parte activa, como membro do partido reformista, nas lutas que houve na Madeira em 1868, revelando-se por essa ocasião político hábil, tolerante e de aspirações liberais.
2Obras e memória
Colaborou em muitos jornais e foi um dos redactores da Discussão e da Madeira, tendo publicado no primeiro destes periódicos um artigo de critica literária sobre o Bosquejo Histórico de literatura classica, grega, latina e portuguesa, de Antonio Cardoso Borges de Figueiredo. Publicou também nos números 181 a 183 do Diário de Noticias desta cidade um interessante estudo intitulado A Casa em que Christovâo Colombo habitou na Ilha da Madeira.
São dele as seguintes obras:
- O Livro d'um Democrata (Coimbra, 1848)
- Esboço critico-literario (Funchal, 1866)
- Curso Elementar de Recitação (Funchal, 1869)
- e Romanceiro do Archipelago da Madeira (Funchal, 1880).
Publicou também o manuscrito de Gaspar Frutuoso intitulado Saudades da Terra, na parte respeitante ao arquipelago da Madeira, enriquecendo-o com muitas notas destinadas a esclarecer certos pontos da nossa historia. Estas notas, fruto de pacientissimos estudos e investigações, são, no nosso entender, o mais valioso trabalho do Dr. Azevedo.
Os artigos Machico, Machim, Madeira e Maçonaria na Madeira, publicados no Diccionario Universal Portuguêz, dirigido por Fernandes Costa, são do Dr. Azevedo, o qual escreveu também quando ainda bastante novo, um drama intitulado Miguel de Vasconcellos. Por causa deste drama, que não chegou a ver a luz da publicidade, teve de sustentar uma polémica um tanto azeda por meio da imprensa com o distinto bibliografo e publicista, o falecido Inocencio Francisco da Silva.
O Dr. Azevedo foi um distinto jurisconsulto, e no tribunal muitas vezes se revelou orador eloquente e argumentador astuto e hábil. Possuía uma voz mal timbrada, mas supria este defeito com a sua verbosidade fácil e o seu muito saber das coisas jurídicas.
Como professor, foi dos mais distintos e zelosos que teve o nosso liceu, e como escritor, distinguiu-se sempre pela sua prosa vernácula e pela facilidade com que manejava a língua.
O Dr. Alvaro de Azevedo tem o seu nome indissoluvelmente ligado á historia da Madeira pelo assinalado e nunca assaz encarecido serviço que prestou a este arquipelago com a publicação das Saudades da Terra e especialmente pelas eruditas e valiosissimas anotações com que enriqueceu o texto de Gaspar Frutuoso (V. Saudades da Terra) O Romanceiro do Archipelago da Madeira (V. este nome), os artigos já citados, que ocupam cerca de 100 paginas do grande Diccionario Universal Português Ilustrado, a comedia de costumes madeirenses A familia do Demerarista e o Almanach para a Ilha da Madeira, para os anos de 1867 e 1868, são ainda outros poderosos motivos que inteiramente justificam o reconhecimento desta terra para com a memória do distinto advogado e professor. Além dos seus importantes e valiosos trabalhos sôbre a Madeira, nada há entre nós que recorde ás gerações futuras a sua grata memória, sendo de inteira justiça que o seu nome benemérito ficasse perpetuado ao menos na esquina duma rua, já que não se torna fácil nem talvez possível prestar-lhe mais condigno e merecido preito e homenagem.
O Dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo faleceu em Lisboa a 6 de Janeiro de 1898. V. Koebel.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 08-
Álvaro Rodrigues de Azevedo nasceu em Vila Franca de Xira.
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Álvaro Rodrigues de Azevedo concluiu o curso de Direito.
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Uma epidemia de cólera, trazida pelo Regimento de Infantaria n.º 1, assolou a Madeira de julho a outubro de 1856, causando, segundo a tradição, cerca de dez mil mortes e deixando muitos órfãos. Álvaro Rodrigues de Azevedo, Luiz Albino Gonçalves e outros prestaram serviço durante a epidemia.
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A Madeira viveu intensas lutas políticas, nas quais participaram Álvaro Rodrigues de Azevedo, como reformista, e José Leite Monteiro, como fusionista.
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Álvaro Rodrigues de Azevedo recusou o cargo de secretário-geral do distrito e a comenda da Conceição.
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Álvaro Rodrigues de Azevedo publicou o Romanceiro do Archipelago da Madeira no Funchal.
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Álvaro Rodrigues de Azevedo reformou-se do liceu do Funchal e mudou-se para Lisboa.
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O Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo morreu em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Coimbra
Portugal. Local onde foi publicado o seu primeiro livro.
Cidade universitária de Portugal continental onde muitos madeirenses estudaram Direito ou Medicina e onde o Padre Luís Gonçalves da Câmara lecionou e foi reitor do colégio dos Jesuítas. Acolheu o campeonato académico de ténis de mesa de 1921, e os seus dados de dormência e pluviosidade são comparados com os do Funchal.
- Funchal
Cidade onde lecionou e exerceu cargos públicos.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde viveu antes e depois da sua passagem pela Madeira e onde morreu.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Vila Franca de Xira
Portugal. Terra natal de Azevedo.
Vila Franca de Xira é uma localidade fora da Madeira onde nasceu o Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo. D. Patrício Xavier de Moura foi prior da sua freguesia, onde conheceu o futuro visconde.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 09- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Advogado e professor do liceu no Funchal que editou e anotou as Saudades da Terra, de Frutuoso; é o biografado nesta entrada.
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Autor de uma história da literatura clássica recenseada por Azevedo em A Discussão.
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Pai de Álvaro Rodrigues de Azevedo, natural de Benavente.
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Navegador cuja alegada casa na Madeira foi objeto de um estudo de Azevedo.
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Diretor do Diccionario Universal Portuguêz, para o qual Azevedo escreveu artigos.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista açoriano cujas Saudades da Terra, até então manuscritas, Azevedo publicou com notas.
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Bibliógrafo com quem Azevedo travou uma polémica na imprensa a propósito do seu drama.
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Mãe de Álvaro Rodrigues de Azevedo.
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Figura histórica que deu título a um drama de juventude inédito de Azevedo.