Epidemias 1Principais epidemias e o sarampo de 1751
Epidemias
Panorama das epidemias mais mortíferas da história da Madeira, com relatos pormenorizados da epidemia de sarampo de 1751 e das epidemias de varíola de 1815, 1872–1873 e 1907; a peste e a cólera são tratadas em entradas próprias.
1Principais epidemias e o sarampo de 1751
As que mais triste recordação deixaram na Madeira pela mortalidade que causaram, foram as seguintes:
Como nos ocupamos em artigos especiais das epidemias da peste e da colera-morbus, falaremos aqui tão somente das epidemias de sarampo e de bexigas acima mencionadas, não nos referindo a outras que têm havido também nesta ilha porque, além de menos importantes, foram assinaladas já no artigo Doenças, publicado neste Elucidário.
No livro de Dr. Julião Fernandes da Silva intitulado Carta critica sobre o método curativo dos médicos funchalenses, encontram-se informações valiosas sôbre a epidemia de sarampo que grassou na Madeira no ano de 1751. “Tudo era pranto, dizia o Dr. Fernandes da Silva, onde os corações eram mais ternos; tudo pavor onde o perigo era contingente; e tudo fúnebres espectáculos nas pias conduções dos cadaveres para as sepulturas”.
Enquanto alguns médicos aplicavam as sangrias, os medicamentos frios e permitiam o uso da água aos indivíduos atacados de sarampo, outros prescreviam o tratamento contrario, dando-se o caso, segundo afirma o Dr. Fernandes da Silva, de ter sido menor a mortalidade entre os doentes submetidos aquele regimen.
2Epidemias de bexigas
Os médicos partidários da sangria eram apenas o Dr. Silva e o celebre Dr. Heberden, a esse tempo residente na Madeira, tendo chegado este ultimo, a ser exacto o que afirma o aludido autor, a curar mais de duzentas pessoas atacadas de sarampo, sem que perigasse doente algum. A teimosia de alguns médicos em não darem água aos doentes, acrescenta o Dr. Silva, foi o único motivo das muitas mortes que houve na ilha. Sôbre a epidemia da varíola de 1815, diz o Dr. Heineken que foi trazida por um navio vindo de Cabo Verde, e que vitimou cerca de 2.000 pessoas. A esse tempo, e mesmo muito depois, a utilidade da vacina era ainda pouco conhecida do nosso povo, sendo esta, decerto, a principal razão porque a referida epidemia foi tão mortífera entre nós. (V. Adams e Vacina).
A epidemia de 1872 e 1873 vitimou 1007 indivíduos, sendo depois da de 1815 a que mais estragos causou nesta ilha. Foi um passageiro do Maria Pia, vindo de Lisboa em Outubro de 1872 e que recolheu ao Hospital Civil, quem trouxe a moléstia para a Madeira, tendo esta durado até os fins de 1873 ou princípios de 1874, e feito grandes estragos especialmente nos concelhos do Funchal, Santa Cruz, Calheta e Câmara de Lobos. A varíola algumas vezes apareceu na Madeira depois de 1873, mas mercê da vulgarização da vacina e de certas medidas acertadas adoptadas pelas autoridades, nunca mais tomou o incremento das antigas epidemias. Em 1907 morreram muitos variolosos no Funchal, mas a epidemia durou pouco tempo e não chegou a adquirir a intensidade das de 1815 e 1873, devido aos doentes que não podiam ser isolados em suas casas terem recolhido ao Lazareto a partir duma certa época, onde encontraram da parte dos médicos e de enfermeiras desveladas e conhecedoras do seu mister, cuidados e atenções que não lhes seriam dispensados nos seus domicílios.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
A peste atingiu o Funchal desde antes de 1521, tendo os doentes sido isolados fora da cidade, até cessar em 1538.
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Uma epidemia de sarampo causou uma mortalidade considerável na Madeira; o Dr. Thomas Heberden prestou excelentes serviços durante a epidemia no Funchal.
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Uma epidemia de varíola, trazida por um navio de Cabo Verde, matou cerca de 2 000 pessoas na Madeira.
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Uma epidemia de cólera, trazida pelo Regimento de Infantaria n.º 1, assolou a Madeira de julho a outubro de 1856, causando, segundo a tradição, cerca de dez mil mortes e deixando muitos órfãos. Álvaro Rodrigues de Azevedo, Luiz Albino Gonçalves e outros prestaram serviço durante a epidemia.
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A varíola, trazida ao Funchal por um passageiro do Maria Pia proveniente de Lisboa, propagou-se até ao fim de 1873 ou ao início de 1874 e causou 1007 mortes.
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Um breve surto de varíola no Funchal foi contido pelo isolamento dos doentes no lazareto de Gonçalo Aires, onde Miss Mary Jane Wilson dirigia o hospital de isolamento.
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Uma epidemia de cólera atingiu a Madeira e causou cerca de 550 mortes; o Dr. Carlos França foi enviado para dirigir os serviços sanitários, e o lazareto e um hospital improvisado no forte de Machico trataram os doentes.
Lugar
Lugares mencionados · 09No estrangeiro
- Cabo Verde
Cape Verde. Local de origem do navio que trouxe a varíola em 1815.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Calheta
Concelho duramente atingido pela varíola em 1872–1873.
A Calheta é uma vila e concelho no oeste da Madeira, criado por carta régia de 1 de julho de 1502. Mais tarde, tornou-se sede de um condado concedido aos capitães do Funchal e foi reorganizado como concelho em 1835.
- Camara de Lôbos
Câmara de Lobos. Concelho fortemente afetado pela varíola em 1872–1873.
Câmara de Lobos é um concelho da Madeira cuja sede era historicamente um «lugar», e não uma vila. O Elucidário Madeirense cita a descrição de Gaspar Frutuoso e apresenta a criação do concelho em 1835 e as alterações posteriores às suas freguesias.
- Funchal
Concelho fortemente afetado em 1872–1873 e onde ocorreu o surto de 1907.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospital Civil
Funchal. Hospital onde foi internado o passageiro que introduziu a varíola em 1872.
O Hospital Civil situa-se no Funchal. Alexandre Luís da Cunha morreu ali, e o passageiro que introduziu a varíola em 1872 foi ali internado.
- Lazareto
Funchal. Hospital de isolamento onde foram tratados doentes com varíola em 1907.
Lazareto do Funchal. Os planos de 1816 não se concretizaram e foram usadas instalações provisórias antes da construção de edifícios na foz da Ribeira de Gonçalo Aires (1866–1874). Estes foram posteriormente utilizados durante epidemias e para deter presos políticos.
- Lisboa
Portugal. Porto de onde partiu, em 1872, o passageiro infetado que viajou no Maria Pia.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Santa Cruz
Concelho fortemente afetado pela varíola em 1872–1873.
Santa Cruz é uma vila e um concelho no leste da Madeira. Foi elevada a vila em 1515, no âmbito da Capitania de Machico. O Elucidário aborda a sua alfândega, a Misericórdia, a rivalidade com Machico e as posteriores alterações dos limites do concelho.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03-
Médico que escreveu a Carta critica sobre o método curativo dos médicos funchalenses, a principal fonte sobre a epidemia de sarampo de 1751 na Madeira.
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Médico célebre que vivia na Madeira em 1751 e que, segundo Fernandes da Silva, curou mais de duzentos doentes de sarampo com sangrias.
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Médico segundo cujo relato a epidemia de varíola de 1815 chegou num navio proveniente de Cabo Verde e causou cerca de 2000 mortes.