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Epidemias 1Principais epidemias e o sarampo de 1751
Artigo Nº 1280 Epidemia Vol. I · pp. 759–760 3 min de leitura

Epidemias

Panorama das epidemias mais mortíferas da história da Madeira, com relatos pormenorizados da epidemia de sarampo de 1751 e das epidemias de varíola de 1815, 1872–1873 e 1907; a peste e a cólera são tratadas em entradas próprias.

Epidemias

1Principais epidemias e o sarampo de 1751

As que mais triste recordação deixaram na Madeira pela mortalidade que causaram, foram as seguintes:

  • a da peste, que começou antes de 1521 e durou até 1538
  • a do sarampo, em 1751
  • a das bexigas, em 1815 e em 1873
  • e a da colera-morbus em 1856 e em 1910 e 1911.

Como nos ocupamos em artigos especiais das epidemias da peste e da colera-morbus, falaremos aqui tão somente das epidemias de sarampo e de bexigas acima mencionadas, não nos referindo a outras que têm havido também nesta ilha porque, além de menos importantes, foram assinaladas já no artigo Doenças, publicado neste Elucidário.

No livro de Dr. Julião Fernandes da Silva intitulado Carta critica sobre o método curativo dos médicos funchalenses, encontram-se informações valiosas sôbre a epidemia de sarampo que grassou na Madeira no ano de 1751. “Tudo era pranto, dizia o Dr. Fernandes da Silva, onde os corações eram mais ternos; tudo pavor onde o perigo era contingente; e tudo fúnebres espectáculos nas pias conduções dos cadaveres para as sepulturas”.

Enquanto alguns médicos aplicavam as sangrias, os medicamentos frios e permitiam o uso da água aos indivíduos atacados de sarampo, outros prescreviam o tratamento contrario, dando-se o caso, segundo afirma o Dr. Fernandes da Silva, de ter sido menor a mortalidade entre os doentes submetidos aquele regimen.

2Epidemias de bexigas

Os médicos partidários da sangria eram apenas o Dr. Silva e o celebre Dr. Heberden, a esse tempo residente na Madeira, tendo chegado este ultimo, a ser exacto o que afirma o aludido autor, a curar mais de duzentas pessoas atacadas de sarampo, sem que perigasse doente algum. A teimosia de alguns médicos em não darem água aos doentes, acrescenta o Dr. Silva, foi o único motivo das muitas mortes que houve na ilha. Sôbre a epidemia da varíola de 1815, diz o Dr. Heineken que foi trazida por um navio vindo de Cabo Verde, e que vitimou cerca de 2.000 pessoas. A esse tempo, e mesmo muito depois, a utilidade da vacina era ainda pouco conhecida do nosso povo, sendo esta, decerto, a principal razão porque a referida epidemia foi tão mortífera entre nós. (V. Adams e Vacina).

A epidemia de 1872 e 1873 vitimou 1007 indivíduos, sendo depois da de 1815 a que mais estragos causou nesta ilha. Foi um passageiro do Maria Pia, vindo de Lisboa em Outubro de 1872 e que recolheu ao Hospital Civil, quem trouxe a moléstia para a Madeira, tendo esta durado até os fins de 1873 ou princípios de 1874, e feito grandes estragos especialmente nos concelhos do Funchal, Santa Cruz, Calheta e Câmara de Lobos. A varíola algumas vezes apareceu na Madeira depois de 1873, mas mercê da vulgarização da vacina e de certas medidas acertadas adoptadas pelas autoridades, nunca mais tomou o incremento das antigas epidemias. Em 1907 morreram muitos variolosos no Funchal, mas a epidemia durou pouco tempo e não chegou a adquirir a intensidade das de 1815 e 1873, devido aos doentes que não podiam ser isolados em suas casas terem recolhido ao Lazareto a partir duma certa época, onde encontraram da parte dos médicos e de enfermeiras desveladas e conhecedoras do seu mister, cuidados e atenções que não lhes seriam dispensados nos seus domicílios.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 07
  1. A peste atingiu o Funchal desde antes de 1521, tendo os doentes sido isolados fora da cidade, até cessar em 1538.

  2. Uma epidemia de sarampo causou uma mortalidade considerável na Madeira; o Dr. Thomas Heberden prestou excelentes serviços durante a epidemia no Funchal.

  3. Uma epidemia de varíola, trazida por um navio de Cabo Verde, matou cerca de 2 000 pessoas na Madeira.

  4. Uma epidemia de cólera, trazida pelo Regimento de Infantaria n.º 1, assolou a Madeira de julho a outubro de 1856, causando, segundo a tradição, cerca de dez mil mortes e deixando muitos órfãos. Álvaro Rodrigues de Azevedo, Luiz Albino Gonçalves e outros prestaram serviço durante a epidemia.

  5. A varíola, trazida ao Funchal por um passageiro do Maria Pia proveniente de Lisboa, propagou-se até ao fim de 1873 ou ao início de 1874 e causou 1007 mortes.

  6. Um breve surto de varíola no Funchal foi contido pelo isolamento dos doentes no lazareto de Gonçalo Aires, onde Miss Mary Jane Wilson dirigia o hospital de isolamento.

  7. Uma epidemia de cólera atingiu a Madeira e causou cerca de 550 mortes; o Dr. Carlos França foi enviado para dirigir os serviços sanitários, e o lazareto e um hospital improvisado no forte de Machico trataram os doentes.

Lugar

Lugares mencionados · 09

No estrangeiro

Mapa: Madeira (8)
  1. Cabo Verde

    Cape Verde. Local de origem do navio que trouxe a varíola em 1815.

  2. Calheta

    Concelho duramente atingido pela varíola em 1872–1873.

  3. Camara de Lôbos

    Câmara de Lobos. Concelho fortemente afetado pela varíola em 1872–1873.

  4. Funchal

    Concelho fortemente afetado em 1872–1873 e onde ocorreu o surto de 1907.

  5. Hospital Civil

    Funchal. Hospital onde foi internado o passageiro que introduziu a varíola em 1872.

  6. Lazareto

    Funchal. Hospital de isolamento onde foram tratados doentes com varíola em 1907.

  7. Lisboa

    Portugal. Porto de onde partiu, em 1872, o passageiro infetado que viajou no Maria Pia.

  8. Santa Cruz

    Concelho fortemente afetado pela varíola em 1872–1873.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 03
  1. Médico que escreveu a Carta critica sobre o método curativo dos médicos funchalenses, a principal fonte sobre a epidemia de sarampo de 1751 na Madeira.

  2. Médico célebre que vivia na Madeira em 1751 e que, segundo Fernandes da Silva, curou mais de duzentos doentes de sarampo com sangrias.

  3. Médico segundo cujo relato a epidemia de varíola de 1815 chegou num navio proveniente de Cabo Verde e causou cerca de 2000 mortes.

Na folha E

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.