Voto a S. Tiago 1Os Autos e a sua publicação
Voto a S. Tiago
Relato do voto feito pela cidade do Funchal ao apóstolo Santiago Menor, escolhido por sorteio como padroeiro durante a peste de 1521–1538. Reproduz os autos municipais do milagre e do voto e acompanha a sucessão de igrejas construídas em sua honra.
1Os Autos e a sua publicação
– No artigo Padroeiros (III-36), já nos ocupámos com alguma largueza do apóstolo S. Tiago escolhido para Padroeiro da Diocese do Funchal no primeiro quartel do século XVI e dos «votos» que solenemente lhe foram feitos nessa ocasião, destacando-se a construção duma igreja dedicada ao seu culto e á celebração dos diversos actos religiosos.
Os trechos dos Autos, que nesse artigo ficaram transcritos, foram extraídos das «Notas» das Saudades da Terra, informando-nos o seu ilustre comentador que os trasladara de uma antiga e desconhecida «Miscelanea» A Câmara Municipal do Funchal prestou um apreciável serviço fazendo publicar em opúsculo a copia integral e fac-similada desses importantes documentos, conforme os originais que se acham exarados em um dos livros pertencentes ao antigo arquivo da mesma Câmara. Tem o folheto o título de «Auto do Milagre do bem-aventurado Apostolo São Tiago Auto do Voto feito pela mesma Cidade do Funchal, ao mesmo Apostolo– 1521-1538, extracto do Tomo I.° do Registo Geral da Câmara Municipal do Funchal, depositado no Arquivo Distrital do Funchal. É precedido de uma interessante «Introdução» e está encerrado com estas palavras: «Artigo de introdução, leitura e conversão para moderna linguagem pelo conservador, servindo de Director do Arquivo Distrital, Alvaro Rogério Manso de Sousa».
Em virtude da verdadeira autenticidade que oferece essa publicação e das divergências que se encontram entre ela e a transcrição feita nas Saudades da Terra, resolvemos reproduzir integralmente o texto desses documentos, que têm a mais íntima relação com o assunto deste artigo.
2Auto do Milagre
«Auto do Milagre- Em o ano do nascimento de Nosso Salvador Jesus Cristo de mil e quinhentos e vinte e um anos, aos dezassete dias do mes de Março, Domingo de Lázaro, nesta cidade do Funchal, estando nela o Doutor Pero Vaz por Corregedor por El-Rei Nosso Senhor nesta jurisdição do Funchal se acharam muitos doentes de peste e havia já dias que morriam da dita enfermidade, sem ser descoberta, e apartaram por guardas e regimento da terra todos os impedidos, e os tiraram da cidade, e sem embargo do dito apartamento a enfermidade foi em crescimento em tanta maneira que se saíram dela o Capitão e Corregedor e oficiais e o mais do povo dela, e no mês de Janeiro do ano de mil quinhentos e vinte e três, crescendo muito o mal, vieram-se ajuntar em câmara o Capitão Simão Gonçalves e os Juízes e Vereadores e o povo que na cidade havia, e se foram ao coro da Sé da dita cidade, onde foram juntos com o Deão e Cabido da dita Sé, e todos em louvor de Deus, lançaram sortes sobre os doze apóstolos para que deles algum saísse por padroeiro e advogado desta cidade, e logo, no dito coro, estando todos juntos saiu por sortes o Bem-aventurado São Tiago, o qual aceitaram por seu defensor e advogado, e todos juraram e prometeram que, por seu dia, lhe fariam uma procissão solene, e lhe festejariam, e que dois vereadores seriam sempre mordomos da Igreja do dito apóstolo, que lhe logo foi edificada novamente, e o procurador da cidade seria escrivão, e por esta ordenança ficassem para sempre. E do dito ano de vinte e um até Janeiro de trinta e oito sempre houve Guardas-Mores, que tinham carrego dos impedimentos que na cidade havia e de os pôr em degredo, e, neste meio tempo, havia andadores pela cidade, que cada dia corriam as ruas e sabiam dos doentes que na cidade havia e o faziam saber aos Guarda-Mores. E nenhum mestre nem sangrador sangrava sem licença dos ditos guardas, e, sempre, neste meio tempo, todos os anos, houve impedimentos na dita cidade, e sempre se usou de apartar os impedidos e de lhes dar degredo fora da cidade, e, para isso, se fizeram umas casas aos ilhéus, onde se lavavam os doentes. E, com todas estas diligências nunca cessou a peste, e no ano de quinhentos e trinta e oito, no segundo dia de Janeiro, tremeu a terra mui grandemente e de ali até o mês de Maio adoeceram e morreram muitos do dito mal e foi o rebate tão grande que nenhum ano foi maior. E sempre neste tempo houve os ditos Guarda-mores e homens apartados para enterrar os mortos que do dito mal morriam, os quais enterravam, de noite, pelos adros, parecendo aos que governavam a terra que pelo mal ser contagioso acertavam em apartarem os doentes dos sãos. E, com todos os apartamentos, o mal foi sempre em crescimento, o qual visto pelos vereadores do dito ano de quinhentos trinta e oito determinaram que, de aí avante, os que adoecessem se curassem em suas casas, fossem enterrados de dia, dentro das Igrejas, com aquela pompa que se requeria. E, assim, como se começou de alargar isto, começou o mal a deminuir, e em o dia do Bem-aventurado Apóstolo, querendo-se mover a procissão, supitamente foram tocados, não sem permissão divina, os corações dos que tinham carrego da guarda da cidade, que eram o Licenciado Gaspar da Nóbrega, que servia de loco-tenente do Capitão, e os Juízes João Lourenço Leitão e Diogo Paes, e Vereadores Manuel Afonso Ferreira Dromondo e Simão Darja e Heitor Homem de Sousa, e procurador do Concelho Manuel Carvalho, e todos a uma voz acordaram que daquele dia em diante, na cidade não houvesse mais guardas e que os que adoecessem desse mal fossem curados como são os das outras enfermidades, e que fossem visitados de quem quisessem pois em tanto tempo tão pouco tinham aproveitado tantas diligências, e às vezes mui rigorosas, que bem puderam ter remediado, se o remédio houvera de ser humano. Mas como seja verdade aquele dito do Bem-aventurado São Tiago, que toda a boa dádiva e dom perfeito sempre vem do Céu do Padre das Claridades, – neste, outrossim, nos vem de lá, porque todos os sobreditos juntamente conheceram e confessaram a verdade, que sua guarda e rigor não consentia a saúde da cidade, mas nas mãos do Senhor Deus a quem se encomendavam e dele esperavam a saúde da cidade. E que daquele dia em diante entregavam a guarda ao Bem-aventurado Apóstolo São Tiago, Padroeiro e Advogado da dita cidade, para ele ser guarda dela e alcançar do Nosso Senhor a saúde para ela e para o seu povo.
E logo moveram com a dita procissão para a Igreja do Bem-aventurado Apóstolo, com toda a solenidade, onde, tanto que chegaram, logo pelos Vereadores foram entregues e postas sobre o altar as varas dos Guardas-Mores, e aí ficaram e estão em memória. E o Padre Licenciado Frei Vicente, pregador da cidade, logo na pregação denunciou publicamente a todo o povo a determinação dos regedores, louvando-a muito e a confiança que puseram em as mãos do Senhor Deus, o que muito contentou a todo o povo, e deram muitos louvores ao Senhor Deus pela tal determinação, a qual não era em sua permissão, e todos de uma vontade e coração tiveram logo o mal ser miraculosamente alevantado pelo Senhor Deus, e a saúde da terra nos ser enviada. E logo pelos ditos regedores foi mandado que todos os que estavam pelos degredos que pudessem entrar na cidade e em suas casas, e nelas estar e andar por onde quisessem, ao qual foi logo satisfeito no dia dia. E todos os que estavam pelos degredos, muitos com as chagas abertas e outros com os inchaços por abrir, se meteram na cidade e se misturaram com todos, e daquele dia em diante foi miraculosamente alevantado o mal, e foi a cidade sã, e nunca mais houve impedimento algum.
E não tão somente alevantou o Senhor Deus o mal da terra mas, também, o alevantou do coração e boca dos homens, pelo qual lhe damos muitas graças e louvores.
E por que tão grande milagre e mercê do Senhor Deus recebida não ficasse esquecida, por sermos livres de uma praga não menor que a do Faraó, os Vereadores do dito ano o fizeram escrever em este livro do Tombo, para ficar em memória para sempre e grande encargo que somos a nosso Padroeiro e Advogado, por cuja intercessão alcançámos tão alto benefício e mercê do Senhor Deus, – os quais assinaram aqui, com os juízes e procurador. E eu, Simão Lopes, Escrivão da Câmara, que o escrevi.
3Auto do Voto
«Auto do Voto – Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil e quinhentos e vinte / e três anos em Sábado vinte e quatro dias do mês de Janeiro em a ilha da / Madeira em a Sé da cidade do Funchal em o coro da dita / Sé pareceram aí o Sr. Capitão Simão Gonçalves da Câmara / e vereadores e oficiais da Câmara ci / dadãos e mesteres e outro muito povo e assim o Snr. deão e cabido com toda a outra clerezia e logo / entre eles foi apresentado que aos onze dias do mês de Junho / do ano de quinhentos e vinte e um sendo a dita cidade posta / em muita tempestade e tribulação de peste e fomes e outros / muitos trabalhos se acordou em câmara pelos oficiais/ que então eram, scilicet: João Correia, vereador, Vicente Gonçalves e Pero da Luz / juízes, e o bacharel João de Évora, procurador e mesteres de tomarem / um rol de santos, scilicet: o nome de Jesus Nosso Senhor, e a Virgem / Maria, Nossa Senhora, e São João Baptista e os doze apóstolos, cada / um por seu nome, de que fizeram quinze escritos em cada um seu nome, e os lançaram em um barrete e por um / menino por nome João de idade de sete anos. pondo-se / todos primeiramente em joelhos em oração prometendo de fazer uma / casa à honra daquele santo que por sorte saísse / e quis o Senhor Deus que por sorte saiu o bem-aventurado / apóstolo São Tiago o Menor, à honra do qual, logo no dito dia se festejou pela cidade, e aos vinte e um de Julho lhe começaram sua casa, indo a cidade e o dito cabido com procissão solene,/ descalços, e o mestre escola Gonçalo Martins com o retábulo / da imagem do bem-aventurado apóstolo, e deu a / primeira enxadada no cunhal da capela, da banda do Evangelho, a qual casa se edificou em uma terra que Antonio de Spinola deu para a dita casa. E por que à dita cidade tornou algum tanto a picar da dita peste, acordando-se eles do sobredito, scilicet: ele Snr. Capitão e oficiais da Câmara e mesteres e cidadãos e povo e deão e cabido / determinaram de logo fazerem acabar a dita casa / e de hoje por diante o tomaram por seu protector / e defensor ante Nosso Senhor Jesus Cristo, para que / ele fosse intercessor ao eterno Deus pelos trabalhos deste povo que a ele se encomendava, e o / votaram assim ele Snr. Capitão como os oficiais da Câmara e mesteres e ele Snr. deão e cabido, scilicet: o dito Snr. Capitão em seu, nome e dos que dele descenderem, e os oficiais da Câmara em nome da dita Cidade, e o dito Snr. deão e cabido em nome de toda a clerezia da dita Sé e cidade, de, para sempre, em cada um ano dos do mundo, eles louvarem e festejarem a festa do dito glorioso Santo, que é / o primeiro de Maio, ao qual farão procissão solene, a qual sairá da Sé da dita Cidade, solenemente, e irão a dita casa do dito bem-aventurado / santo, onde lhe farão vésperas solenes, e assim outro, tanto se fará ao próprio dia, com missa solene e procissão, as quais procissões se farão como o próprio dia do Corpus Cristi. E os ditos Cidadãos lhes / aprouve de mandarem pintar o dito santo / na Câmara e na bandeira e Selo da Cidade assim como se / traz São Vicente na bandeira da Cidade de Lisboa, e os sobre / ditos votaram isto em as mãos do dito deão para / tudo cumprirem, por si e por seus sucessores, e em testemunho / e fé de verdade dele o assinaram aqui. E eu / António de Almada, notário público, escrivão que ora / sou da Câmara, em ausência de Afonso Anes, o escrevi / e assim lhes aprouve de tomarem por seus protectores os bem-aventurados São Sebastião e São Roque, e lhe / fazerem a dita solenidade».
4Os templos de S. Tiago
A página 280 deste volume do Elucidário lê-se uma breve notícia da igreja de S. Tiago, hoje paroquial de Santa Maria Maior, a que queremos adicionar mais algumas informações.
Ia dar-se cumprimento à promessa feita e proceder-se à construção da capela dedicada ao Santo Padroeiro, mas devido talvez à falta de recursos ou por ter arrefecido o primeiro entusiasmo manifestado por ocasião do «voto» solene, a verdade é que o novo templo do Padroeiro foi concebido na mais modesta traça e edificado em bem acanhadas proporções, não passando duma pobre e sertaneja ermida como outras que se encontravam espalhadas em diversos pontos desta ilha.
Essa lamentável falta ou errada compreensão das obrigações contraídas em 1521 e 1538 foram parcialmente reparadas no segundo quartel do século XVII com a construção duma nova capela, e mais tarde satisfeitas inteiramente ao ser levantado o templo actual, na segunda metade do século XVIII, como abaixo veremos.
Nos primeiros anos do segundo quartel do século XVII, resolveu o senado funchalense proceder à edificação duma nova capela, em atenção à pequenez da antiga ermida e ao estado de já adiantada ruína em que ela se encontrava. Concluída a construção, fez a câmara a 22 de Junho de 1632 a renovação dos antigos compromissos tomados pelas vereações transactas, e no dia 25 do mês de Julho do mesmo ano o bispo diocesano D. Jerónimo Fernando lançou, com a maior solenidade, à nova capela, a bênção do ritual. Despertaram-se o antigo fervor e a antiga veneração pelo Santo Padroeiro, revestindo grande imponência e desusado brilhantismo as festividades então realizadas em sua honra, o que perdurou por largos anos.
Na vereação de 30 de Janeiro de 1754, toma o senado funchalense uma importante resolução, que hoje nos parece um pouco estranha, por ignorarmos os motivos que a determinaram: a demolição da capela de São Tiago e a erecção duma igreja de mais amplas proporções e mais condigna ao fim a que se destinava.
Recolhida à Sé Catedral a imagem do Santo Padroeiro e sendo demolida a velha capela, iniciou-se a construção do novo templo no referido ano de 1754. Foram demorados os trabalhos da sua edificação, porque, embora se afirme algures que eles foram dados por concluídos no ano de 1768, a verdade é que a trasladação da veneranda imagem da Sé Catedral para a nova igreja somente se realizou em 1789, revestindo esse acto uma desusada solenidade e um brilhantismo fora do comum, devendo conjecturar-se que foi aproximadamente por esse tempo que terminou aquela demorada construção.
Segundo se vê no «Arquivo Histórico da Madeira» (1-4 e ss.), encontram-se no arquivo da Câmara Municipal os livros «Reedificação da Igreja de São Tiago» e «Inventários e Rendas da Igreja de São Tiago», que não tivemos ensejo de consultar, devendo neles encontrar-se alguns elementos apreciáveis acerca da construção do novo templo e das ponderosas razões que levariam o senado a tomar essa deliberação. É de presumir que se procedesse sem grande demora ao lançamento da respectiva bênção canónica e fosse logo entregue ao serviço do culto.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
A peste atingiu o Funchal desde antes de 1521, tendo os doentes sido isolados fora da cidade, até cessar em 1538.
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Em plena peste e fome, a Câmara Municipal do Funchal escolheu por sorteio São Tiago Menor como padroeiro da cidade.
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A construção da capela de São Tiago, no Funchal, começou com uma procissão solene.
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Em plena peste e fome, o capitão, a Câmara Municipal e o Cabido do Funchal fizeram um voto solene e perpétuo a São Tiago, com festa a 1 de maio.
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Um forte terramoto atingiu o Funchal, seguido de uma grave peste que durou até maio e terminou, segundo Frutuoso, após uma procissão à capela de São Tiago; o voto é recordado na procissão de 1 de maio.
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A Câmara Municipal do Funchal renovou os seus antigos votos a São Tiago por meio de uma nova escritura, reafirmando a gratidão dos madeirenses após a ajuda em cereais e a construção de uma nova capela.
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O bispo D. Jerónimo Fernando benzeu a nova capela de São Tiago, no Funchal.
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A Câmara do Funchal decidiu demolir a antiga capela de São Tiago e construir uma igreja maior, concluída em 1768.
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Data por vezes indicada para a conclusão da nova igreja associada ao Voto a São Tiago.
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A imagem de São Tiago foi solenemente trasladada da Sé Catedral para a nova igreja.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Funchal
Cidade atingida pela peste que se colocou sob a proteção de São Tiago por meio de um voto.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Igreja de São Tiago
Funchal. Igreja construída em cumprimento do voto, hoje igreja paroquial de Santa Maria Maior.
A Igreja de São Tiago (atualmente chamada Igreja do Socorro) é uma igreja do Funchal fundada em 1523 para cumprir uma promessa feita a São Tiago durante um período de peste e fome, e reconstruída entre 1752 e 1768. Após a aluvião de 1803, tornou-se a sede da freguesia de Santa Maria Maior, tendo recebido as imagens da Capela de São Sebastião.
- Ilhéus do Funchal
Funchal. Local onde foram construídas casas para lavar os doentes de peste.
Local onde foram construídas casas para lavar os doentes com peste.
- Lisboa
Portugal. A sua bandeira, com a imagem de São Vicente, serviu de modelo à do Funchal.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Santa Maria Maior
Funchal. Freguesia cuja igreja foi anteriormente a Igreja de São Tiago.
Freguesia parcialmente urbana na zona oriental do Funchal, a mais antiga do arquipélago, também conhecida como Nossa Senhora do Calhau ou Socorro. A sua igreja é a antiga Igreja de São Tiago, e a freguesia destaca-se pelas bordadeiras que produzem os trabalhos mais finos. Tornou-se um julgado da comarca do Funchal em 1927.
- Sé do Funchal
Funchal. Coro da Sé Catedral onde se tiraram as sortes e se fez o voto; mais tarde, a Sé guardou a imagem do santo.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 22-
Escrivão da Câmara ausente em 1523.
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Diretor interino do Arquivo Distrital do Funchal que preparou a edição moderna dos Autos.
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Doador do terreno onde foi construída a primeira capela de São Tiago.
- D. Jerónimo Fernandom. 1650
Bispo do Funchal que benzeu a nova Capela de São Tiago em 25 de julho de 1632.
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Menino de sete anos que tirou a sorte pela qual São Tiago foi escolhido em 1521.
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Juiz municipal em 1538.
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Pregador da cidade que elogiou publicamente a decisão de 1538 de confiar a cidade a São Tiago.
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Lugar-tenente do capitão que, em 1538, participou na decisão de dispensar as guardas contra a peste.
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Mestre-escola da Sé Catedral que deu o primeiro golpe para a fundação da capela de São Tiago em 1521.
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Vereador do Funchal em 1538.
+ 12 mais
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Procurador do concelho em 1521.
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Juiz municipal que assinou o Auto do Milagre em 1538.
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Vereador em 1521, quando se tiraram sortes para escolher um santo padroeiro.
- José de Almada1880–1885
Tabelião que redigiu o Auto do Voto em 1523.
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Vereador do Funchal em 1538.
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Procurador do concelho do Funchal em 1538.
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Juiz municipal em 1521.
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Corregedor régio no Funchal quando a peste deflagrou em 1521.
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Vereador do Funchal em 1538.
- Simão Gonçalves da Camara1579–1580
Capitão do Funchal que participou no voto a São Tiago em 1523.
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Escrivão da Câmara que redigiu o Auto do Milagre.
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Juiz municipal em 1521.