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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 2371 Cargo ou ofício Vol. II · p. 692 2 min de leitura

Mesteres

Os mesteres eram representantes eleitos dos ofícios, com assento na Câmara Municipal do Funchal como membros da Casa dos Vinte e Quatro, até à extinção desta instituição em 1834. A entrada acompanha as disputas sobre os seus lugares à mesa e as mudanças do seu estatuto no início do século XIX.

Mesteres

Os procuradores dos mesteres ou mesteres, como também eram chamados, eram os oficiais mecânicos que faziam parte da chamada Casa dos Vinte e Quatro. Todos os anos, em Janeiro, o Juiz do Povo apresentava à Câmara Municipal a pauta dos quatro procuradores dos mesteres que deviam tomar parte nos trabalhos da vereação, os quais podiam ser rejeitados quando não tivessem seis anos pelo menos de exercício na mesma Casa.

Em antigos tempos, assistiam os mesteres ás sessões camararias, sentados em cadeiras rasas, junto duma mesa independente da dos vereadores, mas em 1803 permitiu-lhes o Juiz de Fora José Júlio Henriques Gordilho que se sentassem à mesa das vereações, o que deu motivo a protestos do procurador do concelho João da Câmara Leme, que considerou essa concessão aviltante para a sua qualidade de fidalgo.

Em 7 de Agosto de 1811, deliberou a Câmara que os mesteres voltassem a ocupar os seus antigos lugares, mas, tendo eles interposto recurso dessa resolução, conseguiram que ela fosse anulada. Os representantes dos ofícios mecânicos deixaram durante cerca dum ano de assistir ás reuniões camarárias, por se haverem considerado agravados com a deliberação tomada a seu respeito pelos vereadores.

Os mesteres eram em antigos tempos mal vistos pelos vereadores, que chegavam muitas vezes a insultá-los e humilhá-los, mas nos princípios do século XIX melhorou bastante a sua situação, devido às profundas transformações sociais que se operaram no nosso país antes do movimento emancipador de 1820.

Os mesteres deixaram de fazer parte das vereações depois da proclamação dos princípios constitucionais na Madeira, em 1834, tendo a Casa dos Vinte e Quatro de que eles eram representantes, sido extinta pelo decreto de 7 de Maio do mesmo ano. A Câmara Constitucional, eleita em 3 de Novembro de 1822, não tinha mesteres.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 05
  1. O juiz de fora permitiu que os mesteres se sentassem à mesa da Câmara do Funchal, o que provocou protestos dos fidalgos e uma sessão tumultuosa.

  2. A Câmara Municipal do Funchal mandou os mesteres regressar aos seus antigos lugares, decisão mais tarde anulada em recurso.

  3. A Revolução Liberal portuguesa eclodiu no Porto em 24 de agosto de 1820, acontecimento mais tarde evocado na medalha do Monumento Constitucional, no Funchal.

  4. Foi eleita uma câmara municipal constitucional sem os mesteres, representantes dos ofícios.

  5. Um decreto extinguiu a Casa dos Vinte e Quatro e a representação dos ofícios.

Lugar

Lugares mencionados · 01

Pessoas

Pessoas mencionadas · 02
  1. Procurador municipal que protestou, em 1803, por considerar que dar assento aos mesteres à mesa da Câmara diminuía a sua condição de nobre.

  2. Juiz de fora que, em 1803, permitiu aos mesteres sentar-se à mesa dos vereadores.

Na folha M

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