Sousa (Francisco Clementino de)
Biografia de Francisco Clementino de Sousa (1846–1896), médico natural do Funchal, inspetor sanitário e tesoureiro de um banco, recordado sobretudo como talentoso poeta satírico e jornalista que frequentemente assinava «Faustino Brasão».
Vida, carreira e escritos satíricos
Nasceu nesta cidade a 26 de Fevereiro de 1846 e era filho do farmacêutico Francisco Xavier de Sousa e de D. Virginia Medina de Sousa. Concluiu o curso da Escola Medico-Cirurgica do Funchal no ano de 1868 e por duas vezes regeu interinamente uma cadeira neste estabelecimento de instrução. Exerceu durante muitos anos o lugar de fiscal sanitário do matadouro deste concelho e foi tesoureiro do antigo Banco Comercial da Madeira.
Teve uma larga e distinta colaboração, em prosa em verso, no antigo jornal O Direito, no Diário de Noticias e ainda em outros periódicos. Em defesa de seu pai e em discussão com o conde de Canavial, publicou um folheto em 1868, que saiu anónimo, com o título de a questão entre o Dr. João da Câmara Leme. . . e o pharmaceutico Francisco Xavier de Sousa, e em 1874, publicou outro opúsculo intitulado Resposta ao Sr. Acurcio Garcia Ramos.
A feição característica dos escritos de Francisco Clementino de Sousa, especialmente as suas composições poéticas, era a sátira e a ironia, manejadas com rara habilidade, com excepcional talento e com uma graça inimitavel. As suas produções eram lidas com a maior avidez e causavam sempre extraordinária sensação no nosso meio literário. Não há exagero em afirmar-se que muitas das suas composições rivalizavam com as de Tolentino e com as de outros poetas que, no género satírico, deixaram nome aureolado na nossa literatura. Se tivesse vivido noutro meio, teria facilmente alcançado uma grande celebridade. Apesar duma parte considerável dos seus escritos ter perdido a actualidade, por se referir a pessoas e a acontecimentos desconhecidos da presente geração, é ainda com grande aprazimento do nosso espírito que podem ser lidos e apreciados esses escritos, pela espontaneidade, beleza de forma e graça inexcedível que neles notavelmente se revelam. Seria um apreciável serviço prestado ás letras, a publicação em volume dalgumas dessas produções, salvando-se dum injusto e imerecido esquecimento tantas composições, que são verdadeiras obras primas no seu género. Francisco Clementino de Sousa adoptou em muitos dos seus escritos o pseudónimo de Faustino Brasão. Morreu nesta cidade a 24 de Julho de 1896.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Francisco Clementino de Sousa nasceu no Funchal.
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Francisco Clementino de Sousa concluiu o curso da Escola Medico-Cirurgica do Funchal e publicou um opúsculo anónimo em defesa do pai.
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Acúrsio Garcia Ramos publicou um opúsculo sobre a higiene do Hospital de Santa Isabel, no Funchal, ao qual responderam Júlio Augusto Leiria e Francisco Clementino de Sousa.
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Francisco Clementino de Sousa morreu no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 01- Funchal
Cidade onde Sousa nasceu, trabalhou e morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- Francisco Clementino de Sousa1846–1896
Médico e poeta satírico do Funchal, biografado nesta entrada, que escreveu sob o pseudónimo Faustino Brasão.
- Acúrsio Garcia Ramos1834–1892
Escritor a quem Sousa dirigiu um opúsculo de resposta em 1874.
- D. João Frederico da Câmara Leme1865–1878
Médico madeirense envolvido num litígio com o pai de Sousa, tema do opúsculo anónimo que Sousa publicou em 1868.
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Farmacêutico do Funchal e pai de Francisco Clementino de Sousa, que o defendeu num opúsculo de 1868.
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Poeta satírico português com cuja obra são comparadas as composições de Sousa.
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Mãe de Francisco Clementino de Sousa.