Garcia Ramos (Acursio)
Médico militar nascido nos Açores e professor da Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, autor de Ilha da Madeira (1880), preso em 1874 sob acusações políticas que mais tarde foram consideradas infundadas.
Nasceu na ilha Terceira no ano de 1834. Durante alguns anos residiu no Funchal, exercendo as funções de medico militar. Em 1872 foi nomeado professor interino da Escola Medico-Cirurgica desta cidade e medico do hospital da Misericórdia. Entre ele e a Comissão Administrativa da Santa Casa, levantou-se um grave conflito, tendo por tal motivo o Dr. Acursio Ramos publicado em 1874 um folheto intitulado O Hospital de Santa Isabel da cidade do Funchal visto á luz da hygiene. Em 1880 publicou em Lisboa a obra Ilha da Madeira, em dois volumes, de 276 e 200 pags. Deixou outras obras impressas.
Tendo-se envolvido nas lutas políticas da Madeira, conseguiram os seus inimigos que o coronel Antonio Augusto de Macedo e Couto o fizesse prender no ilhéu sob a acusação de pretender anarquizar o batalhão de caçadores n.° 12 e de ser a alma de um conluio maçónico que tinha por fim entregar a ilha aos americanos, mandando-o seguir dali para Lisboa, onde deu entrada no Castelo de S. Jorge e depois na torre de S. Julião da Barra. Tendo sido preso em 19 de Abril de 1874, só em 8 de Dezembro do mesmo ano conseguiu o Dr. Acursio recuperar a liberdade, depois do conselho de investigação do ridículo processo que lhe fora instaurado pelo referido coronel Macedo e Couto ter declarado que não havia fundamento para um conselho de guerra. Faleceu em Lisboa a 14 de Setembro de 1892.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
Acúrsio Garcia Ramos nasceu na Terceira.
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Acúrsio Garcia Ramos tornou-se professor interino da Escola Médico-Cirúrgica do Funchal e médico do Hospital da Misericórdia.
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Acúrsio Garcia Ramos publicou um opúsculo sobre a higiene do Hospital de Santa Isabel, no Funchal, ao qual responderam Júlio Augusto Leiria e Francisco Clementino de Sousa.
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Acúrsio Garcia Ramos foi preso sob a acusação de subverter o 12.º Batalhão de Caçadores e de participar numa conspiração maçónica. Foi libertado em dezembro, quando as acusações foram consideradas infundadas.
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Acúrsio Garcia Ramos publicou Ilha da Madeira em dois volumes, em Lisboa.
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Acúrsio Garcia Ramos morreu em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- Castelo de São Jorge
Portugal. Castelo de Lisboa onde esteve detido.
O Castelo de São Jorge, em Lisboa, foi utilizado como prisão. Nele estiveram presos Acursio Garcia Ramos, o corregedor aquando da Alçada de 1823 e Arsénio Pompílio Pompeu do Carpo, em 1846.
- Forte de São Julião da Barra
Portugal. Forte perto de Lisboa onde esteve posteriormente detido.
O Forte de São Julião da Barra é uma fortaleza perto de Lisboa que defendia o porto e que Tristão Vaz da Veiga entregou aos espanhóis. Serviu mais tarde de prisão, tendo detido Acursio Garcia Ramos, José Ferreira Pestana antes da deportação e Aires de Ornelas de Vasconcelos por atividade monárquica.
- Funchal
Cidade onde exerceu funções de médico militar e professor.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospital de Santa Isabel
Funchal. Hospital da Misericórdia criticado no seu opúsculo de 1874.
Hospital da Misericórdia no Funchal, cuja construção começou depois de 1686 e que deu nome à Rua do Hospital Velho. Foi utilizado durante 240 anos e vendido à Junta Geral em 1933. Foi criticado num folheto de 1874, e os seus regulamentos foram impressos em 1819 e 1840.
- Ilhéu (Forte do)
Funchal. Forte onde esteve inicialmente preso.
O Forte do Ilhéu é uma fortificação num ilhéu do Funchal, assinalada como perigo para a navegação na costa sul. Acursio Garcia Ramos esteve ali preso inicialmente, e as ondas atingiram a sua esplanada em 1842.
- Lisboa
Portugal. Local onde publicou o seu livro e morreu.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Terceira
Portugal. Ilha açoriana onde Garcia Ramos nasceu.
Ilha açoriana que serviu de base aos liberais, onde se reuniu a expedição de D. Pedro e de onde partiu a força que ocupou Porto Santo. Nicolau Pita foi ali desterrado, João Bettencourt de Vasconcellos foi ali executado e Acursio Garcia Ramos nasceu na ilha.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- Acúrsio Garcia Ramos1834–1892
Médico militar e professor interino da Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, autor de obras sobre o Hospital de Santa Isabel e a Madeira.
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Coronel que mandou prender Garcia Ramos em 1874 sob acusações de subversão mais tarde consideradas infundadas.