Clima 1O clima do Funchal e a tísica
Clima
O clima da Madeira: a reputação antiga do Funchal como estância para pessoas com tuberculose, elogiada por médicos desde 1751, e a atribuição da tuberculose entre os habitantes locais ao alcoolismo e à pobreza. Dados meteorológicos de 1901–1909 abrangem temperatura, radiação solar, pressão atmosférica, humidade, precipitação, neve, granizo e nebulosidade no Funchal, nas zonas altas e no Porto Santo, seguindo-se a descrição do ciclo diário das nuvens, das brisas marítimas e das noites límpidas, bem como da formação de nevoeiros nas montanhas.
1O clima do Funchal e a tísica
O clima do Funchal tem sido considerado por muitos medicos como susceptivel de exercer acção benefica no tratamento das molestias pulmonares. Dizia Sir James Clark que de todos os climas de que tinha conhecimento, o da Madeira era o melhor para as pessoas atacadas de tisica pulmonar, e o Dr. Barral numa obra que escreveu acêrca desta ilha, não hesitou em aconselhar a residencia no Funchal *aos individuos que tendo predisposições hereditarias para a tuberculose, começam a sofrer tosse, ou hemoptises, ou cansaço, ou emmagrecimento, ou qualquer sintoma que possa fazer recear a invasão dessa molestia. Segundo o mesmo medico, o clima do Funchal deve também ser aconselhado a todos aqueles que sofram de tisica incipiente ou no primeiro periodo, podendo mesmo ser util quando a molestia tenha chegado ao chamado segundo periodo, uma vez que o doente se sinta com fôrças e bem disposto. Foi o Dr. Heberden quem primeiro deu uma noticia favoravel do clima da Madeira, em 1751, seguindo-se-lhe o Dr. Fothergill em 1755, o Dr. Adams em 1801, o Dr. Gourlay em 1811, o Dr. Nicolau Pita em 1812, o Dr. Heineken em 1824, o Dr. Sousa Vaz em 1832, Sir James Clark em 1835 e 1842, o Dr. Kampfer em 1847, Roberto White em 1851, Eduardo Harcourt no mesmo ano, o Dr. Lund em 1853, o Dr. Barral em 1854, o Dr. Mittermayer em 1855, o Dr. Garnier em 1858, o Dr. Acursio G. Ramos em 1880, o Dr. Jacoud em 1881, o Dr. Embleton em 1882, o Dr. C. Taylor em 1889 e o Dr. Mourão Pita em 1859 e 1889.
É certo que o dr. Mason não aprovou a residencia no Funchal para os tuberculosos, e que até pretendeu provar que o ar era mais umido aqui do que em Londres, mas se atendermos a que as observações desse medico foram feitas num ano excepcionalmente chuvoso e num dos pontos da cidade em que a atmosfera se apresenta sempre mais carregada de vapores aquosos, somos levados naturalmente á conclusão de que tais observações não podem ser aproveitadas em desabôno do nosso clima.
A frequencia da tuberculose entre os naturais é um argumento de que amiudadas vezes se servem os detractores do nosso clima para afugentar daqui não só os doentes, mas também as pessoas que costumam visitar-nos por outros motivos, mas, embora essa frequencia seja um facto comprovado pelas estatisticas, não nos parece que ela possa ter a significação que se lhe tem querido atribuir. O alcoolismo e outros excessos, a falta de higiene e as privações, predispõem aqui como em tôda a parte para a tuberculose, sendo essas as principais causas de ser tão vulgar na ilha uma das piores molestias que afligem a humanidade.
O Dr. Gourlay numa obra que publicou em 1811, aconselhava os tisicos a procurarem no Funchal um abrigo para o inverno dos seus países, a pesar de conhecer muito bem quanto a tuberculose atacava os naturais, e o Dr. Barral cuja seriedade e conhecimento da materia ninguém pode pôr em duvida, exprimiu-se do modo seguinte ao falar do clima da capital da Madeira: “a impressão que elle faz no viajante é de uma suavidade e de uma brandura tão agradavel, que parece que as constituições mais delicadas e deterioradas podem ahi viver ao ar livre. Em geral uma temperatura quasi uniforme e sempre moderada durante o dia, pouco vento que não encomoda, as horas de calor modificadas por algumas nuvens que abrandam os raios do sol, e pela viração do mar; nunca frio notavel; chuvas ás vezes abundantes, mas passageiras, e deixando logo o terreno em estado de se poder passear; uma atmosphera em que se não sente humidade, nem poeira ou efluvios encomodos. Tudo isto dá logo a medida de um clima excepcional e proprio para o tratamento de padecimentos chronicos em constituições delicadas; e no homem do norte que, fugindo ao rigor de um clima inhospito, ali aborda no inverno, e encontra uma extensa vegetação em pleno vigor, em que figuram muitas das mais bellas e uteis plantas de todos os climas, produz o efeito maravilhoso de um desses paraizos imaginados e descritos pelos poetas. . . ”.
Os dados que em seguida apresentamos, resumem o que se sabe sôbre o clima da Madeira e confirmam o que ficou dito sôbre o clima do Funchal. São esses dados elementos indispensaveis ao medico e ao fisiologista, e podem ser uteis também ao agricultor e ás pessoas que pretendam visitar o nosso país, quer para beneficio da sua saúde, quer por outra qualquer causa.
2Temperatura
Temperatura. No Funchal não há, em regra, nem frios nem calores excessivos; a temperatura á sombra raras vezes desce abaixo de 8º centigrados, ou sobe acima de 26º sendo somente em dias de leste que o termometro regista aqui temperaturas um tanto elevadas. A pequena variação no grau de calor de mês para mês e de estação para estação, é um dos caracteristicos do clima do Funchal, sendo de notar também que durante o dia não sofre a temperatura grandes alterações. As temperaturas mais altas observam-se entre a 1 e as 3 horas da tarde e as mais baixas entre as 4 e as 6 horas da manhã, o que equivale a dizer que as maiores oscilações termicas que ocorrem durante o dia se tornam pouco sensiveis para os doentes, os quais raras vezes se expoem ao ar livre antes das 8 ou 9 horas da manhã e depois das 7 ou 8 horas da tarde. As observações feitas no Pôsto Meteorologico do Funchal no periodo de 9 anos (1901 a 1909) apresentam os seguintes resultados com relação á temperatura media do Funchal, em graus centigrados:
| Mês | Temperatura média |
|---|---|
| Janeiro | 15,00 |
| Fevereiro | 14,92 |
| Março | 15,35 |
| Abril | 16,24 |
| Maio | 17,32 |
| Junho | 19,16 |
| Julho | 20,78 |
| Agosto | 22,19 |
| Mês | Temperatura média |
|---|---|
| Setembro | 21,47 |
| Outubro | 19,97 |
| Novembro | 17,50 |
| Dezembro | 15,80 |
A temperatura media no referido periodo foi 17,97, e se procurarmos a diferença entre a maxima e a minima das medias mensais (22,19 e 14,92), acharemos 7,27. A maxima absoluta foi 37,3 em 13 de Agôsto de 1907, e a minima absoluta 4,5 em 25 de Fevereiro de 1904, sendo a diferença, portanto, 32,8. A media das medias anuais foi 18,61 desde 1865 a 1893, e 18,67 desde 1865 a 1874. Pelo que respeita ás estações do ano, a media das respectivas temperaturas desde 1901 a 1909, foi a seguinte:
| Estação | Temperatura media |
|---|---|
| Inverno | 15,24 |
| Primavera | 16,30 |
| Verão | 20,71 |
| Outono | 19,64 |
O inglês White que fêz observações meteorologicas em Machico e em Santo Antonio da Serra desde Junho a Setembro de 1850, achou para aquelas localidades as seguintes medias termicas:
MACHICO S. ANTONIO DA SERRA
| Mês | Temperatura media |
|---|---|
| Junho | 19,35 |
| Junho | 17,03 |
| Julho | 21,10 |
| Julho | 18,03 |
| Agosto | 21,16 |
| Agosto | 18,40 |
| Setembro | 21,12 |
| Setembro | - |
A temperatura media no Poiso (1400 m.) foi 13º,4 nos meses de Julho a Novembro de 1904, e no Areeiro (1700 m.) 12º,2 nos meses de Junho a Outubro de 1895. O sr. Guilherme Teles de Meneses, a quem se devem estas observações meteorologicas, viu o termometro no Areeiro marcar 2 graus abaixo de zero em Novembro de 1895, e lemos nas Excursões na Madeira, do falecido Padre Pontes, que quando a temperatura no Funchal é 14 graus centigrados, o termometro está ás vezes no Paul da Serra a zero e abaixo de zero.
A tabela seguinte, extraída das observações feitas pelo sr. Adolfo Cesar de Noronha, mostra a temperatura media, á sombra, da vila do Pôrto Santo (15 m. acima do nivel do mar), desde Dezembro de 1900 a Novembro de 1901 e desde Junho a Dezembro de 1902:
| Mês | Temperatura media |
|---|---|
| Dezembro | 18,6 |
| Junho | 21,3 |
| Janeiro | 17,3 |
| Julho | 22,5 |
| Fevereiro | 17,4 |
| Agosto | 24,0 |
| Março | 17,9 |
| Setembro | 23,8 |
| Abril | 19,0 |
| Outubro | 21,7 |
| Maio | 20,1 |
| Novembro | 20,0 |
A mais alta temperatura observada durante o referido periodo foi 29º,2, a 24 de Agôsto de 1902; a mais baixa foi 12,0, a 10 de Janeiro de 1901. Estas temperaturas, e em especial a ultima, não devem ser consideradas como extremas absolutas, visto o observador se não ter servido do termometro de maxima e minima nas suas observações.
A maior fôrça solar no Funchal, diz o Dr. Mason, apresenta-se ordinariamente das 0 até ás 11 horas da manhã, e mais de uma vez tivemos ocasião de notar durante o ano de 1907, que em dias claros, os termometros expostos ao sol marcam ao meio dia temperaturas mais altas do que ás 3 horas da tarde. Segundo o Dr. Mason, a maior fôrça absoluta do sol é 761, 11 centigrados e a media maxima 466,96, sendo as medias das estações as seguintes: inverno 34,90; primavera 49,50; verão 56,11; e outono 47,35. Em Agosto de 1907, em ocasião de leste e com o céu claro, vimos o termometro do pôsto de S. Lourenço marcar ao sol 62,5, á hora do meio dia, e 59,2 ás 3 horas da tarde:
3Pressão atmosférica e umidade
Pressão atmosferica. Das observações meteorologicas feitas no pôsto de S. Lourenço desde 1901 a 1909, colhem-se as seguintes medias com respeito á pressão atmosferica:
| Mês | Pressão atmosferica media |
|---|---|
| Janeiro | 765,71 |
| Julho | 763,98 |
| Fevereiro | 765,51 |
| Agosto | 763,43 |
| Mês | Pressão media |
|---|---|
| Março | 763,60 |
| Setembro | 763,46 |
| Abril | 762,81 |
| Outubro | 761,86 |
| Maio | 762,75 |
| Novembro | 761,90 |
| Junho | 762,95 |
| Dezembro | 763,61 |
| Estação | Pressão media |
|---|---|
| Inverno | 764,94 |
| Verão | 763,45 |
| Primavera | 763,05 |
| Outono | 762,40 |
A mais baixa pressão atmosferica observada até hoje no Funchal, 737,61, deu-se em 23 de Janeiro de 1868, com tempo calmo, tendo havido porém nesse dia um violento vendaval em Tenerife, que derrubou o celebre dragoeiro do vale de Orotava. Segundo o sr. Teles de Meneses, no Poiso a pressão media foi 636mm nos meses de Julho a Novembro de 1894, e no Areeiro 617,5, nos meses de Julho a Outubro de 1895.
As observações feitas pelo sr. A. C. de Noronha na vila do Pôrto Santo desde 1 de Junho a 9 de Dezembro de 1902, deram as seguintes medias:
| Mês | Pressão media |
|---|---|
| Junho | 763,46 |
| Julho | 763,20 |
| Agôsto | 761,61 |
| Setembro | 762,31 |
| Outubro | 762,32 |
| Novembro | 763,12 |
| Dezembro | 761,15 |
A diferença entre a maxima absoluta 768,40 (24 de Novembro) e a minima absoluta 752,83 (3 de
Novembro) foi 15,67.
Umidade. A umidade no Funchal está de tal modo combinada com a temperatura que nunca se manifesta sob a forma de nevoa, nem é incomoda aqueles que a ela andam sujeitos. Invisivel como é, essa umidade desempenha no entanto um papel importante nas condições climatologicas da ilha, visto ser ela que tempera a aspereza do ar e evita os excessos de temperatura a que estão sujeitas as regiões do interior dos continentes.
Entre 800 e 1000 metros, no lado sul da Madeira, e entre 700 e 800 do lado norte, vêem-se com frequencia densos nevoeiros cingirem os montes, principalmente durante o dia, em razão das condições termicas se tornarem desfavoraveis á conservação da agua no estado vaporoso e diáfano, mas para cima e para baixo dessas altitudes a umidade cresce gradualmente, sendo já pouco apreciavel na altitude de 1700 metros.
O maior grau de secura observa-se nas ocasiões de leste, podendo a umidade relativa descer então até 18 por cento, como foi notado por Mac Euen em 17 de Fevereiro de 1849 na Quinta Holloway, a cêrca de 85 metros acima do nivel do mar.
| Mês | umidade relativa |
|---|---|
| Janeiro | 62,2 |
| Fevereiro | 62,7 |
| Março | 57,5 |
| Mês | Umidade relativa |
|---|---|
| Abril | 61,3 |
| Maio | 61,5 |
| Junho | 65,1 |
| Julho | 66,3 |
| Agôsto | 63,0 |
| Setembro | 62,3 |
| Outubro | 63,4 |
| Novembro | 65,3 |
| Dezembro | 64,6 |
Maxima media mensal nos 5 anos 68,9 (Outubro, 1904). Minima media mensal nos 5 anos 55,6 (Março, 1902). Media dos 5 anos 62,9. Media das estações: inverno 63,1; primavera 60,1; verão 64,8: outono 61.6.
| Mês | Tensão do vapor |
|---|---|
| Janeiro | 8,97 |
| Fevereiro | 9,08 |
| Março | 8,51 |
| Abril | 9,56 |
| Maio | 9,99 |
| Junho | 11,85 |
| Julho | 13,59 |
| Agosto | 13,92 |
| Setembro | 13,20 |
| Outubro | 11,95 |
| Novembro | 10,86 |
| Dezembro | 9,70 |
Maxima media mensal durante os 5 anos 14,14 (Agosto, 1904). Minima media mensal durante o mesmo periodo 7,77 (Março, 1904). Media dos 5 anos 10,93.
Segundo White, a umidade relativa media em Santo Antonio da Serra foi 76 % em Junho e Julho de 1850, e 72 % em Agôsto do mesma ano; e segundo o sr. Teles de Meneses, foi essa humidade de 58,8 % no Poiso e de 65,6 % no Areeiro, nos períodos atrás mencionados.
A humidade relativa no Funchal, diz o sr. Teles de Meneses, é em geral maior á tarde e menor de manhã; no Areeiro é exactamente o contrario; ao elevar-se o sol no horizonte, as nuvens condensadas muito abaixo desta zona levantam-se pela dilatação do ar aquecido, e por este facto a umidade aumenta pelas 7 horas da manhã, decrescendo das 9 em diante até o dia seguinte á mesma hora. No Areeiro, á tarde, o ar é tão seco que permite estar fora de casa até ás 11 horas da noite e mais, em tempo calmo, sem se experimentar o mais leve encommodo”.
Os dados seguintes mostram a umidade relativa media na vila do Pôrto Santo nos meses de Junho a Dezembro de 1902:
| Mês | Umidade relativa media |
|---|---|
| Junho | 70,2 |
| Julho | 72,2 |
| Agosto | 67,3 |
| Setembro | 71,1 |
| Outubro | 70,0 |
| Novembro | 76,0 |
| Dezembro | 76,1 |
4Chuvas, neve e nuvens
Chuvas. As chuvas caiem em todos os meses do ano na região alta da Madeira, mas no Funchal faltam algumas vezes, principalmente durante o verão. As primeiras chuvas fortes aparecem geralmente em Outubro; e desde então até Abril chove mais ou menos copiosamente no Funchal, mas sem que as precipitações atmosfericas tenham um caracter periodico bem acentuado. Em Maio e Junho há ás vezes falta de chuva, e em Julho e Agôsto não cai em certos anos uma unica gota de agua no Funchal. As chuvas do outono são em regra mais copiosas e violentas que as do inverno.
É raro, informa o Dr. Barral, chover na cidade durante todo o dia ou tôda a noite; geralmente há intervalos em que não cai chuva alguma, podendo mesmo o tempo apresentar-se claro durante esses intervalos. As chuvas torrenciais são trazidas pelos ventos de sudoeste, nordeste e oeste, e duram ás vezes alguns dias, embora com intensidade variavel.
As medias que em seguida apresentamos referem-se á quantidade de chuva, em milimetros, recolhida pelo udometro do Pôsto Meteorologico do Funchal, no periodo decorrido de 1901 a 1909:
| Mês | Quantidade de chuva |
|---|---|
| Janeiro | 78,3 |
| Fevereiro | 79,8 |
| Março | 58,8 |
| Abril | 33,4 |
| Maio | 21,4 |
| Junho | 16,0 |
| Julho | 2,9 |
| Agosto | 6,7 |
| Setembro | 20,4 |
| Outubro | 97,4 |
| Novembro | 137,3 |
| Dezembro | 85,4 |
Em 1901, ano muito chuvoso, caíram no Funchal 1138mm de chuva; em 1906, ano muito sêco, apenas 488mm. Em Junho de 1904, em Julho de 1903, 1905 e 1909, e em Agosto de 1901, 1903, 1905, 1906, 1908 e 1909, não caíu chuva alguma no Funchal. A maxima chuva diaria foi 155,1mm em 10 de Novembro de 1901.
No Funchal chove em media durante 79 dias por ano, tendo sido de 101 o maior numero de dias chuvosos registados até hoje em 1 ano, e de 52 o menor. De Dezembro de 1900 a Novembro de 1901 houve no Pôrto Santo 40 dias de chuva forte e 84 de chuva fraca, ou chuviscos.
Neve, geada e granizo. Estes meteoros aquosos aparecem na região alta da Madeira, como diremos noutro logar.
(V
Dente de cão, Granizo e Neve)
Nuvens e nevoeiros. “Ha na Madeira, diz o Dr. Barral, um bom numero de dias claros em que o ceu se apresenta puro e quasi sem nuvens, porem ha um maior numero de dias claros, e de tempo excellente, mas em que durante o dia apparecem nuvens em maior ou menor numero - cumulus e cirrus, mostrando-se agora, desvanecendo-se logo, refrescando a temperatura e interceptando por pequenos espaços de tempo a luz solar... Não são muitos os dias em que o ceu se conserva nublado, sem que durante todo o dia se possa ver o sol, mas ha muitos em que o sol se não vê por horas, estando antes e depois o dia claro e bom tempo... Uma atmosphera clara e serena, com um ceu resplandecente, luminoso e puro, como se vê frequentemente nos climas de Italia, principalmente da Italia meridional, muito poucas vezes se observa na Madeira...”
5Nuvens, ventos e nevoeiros
Pela manhã, diz ainda o mesmo autor, o alto dos montes apparece claro e o horizonte sobre o mar carregado de grossas, espessas e escuras nuvens, nimbus, ou se elevam sobre o Oceano nuvens brancas acastelladas, e mais ou menos separadas umas das outras, cirrus, cumulus; a viração do mar impelle-as sobre a terra durante parte do dia, refrescando a atmosphera e moderando o ardor dos raios do sol; para a tarde o tempo está nublado. Então passa o vento ao quadrante norte, ordinariamente desde o norte até o nordeste, e leva as nuvens para o lado do mar; muitas espalham-se e dispersam-se com o vento; as noites são frequentissimamente claras, sobretudo até á meia noite, e as estrellas brilham com um fulgor tropical: e isto se repete por muitos dias, fazendo-se as referidas variações quasi á mesma hora em todos os dias. Tambem se vê em algumas noites pequena nevoa sobre o mar, ou sobre os montes, e o arco iris noturno não é alli um phenomeno muito raro. Durante o dia é um phenomeno frequente e ás vezes de uma grande belleza.
Os nevoeiros que cingem as montanhas na zona de condensação e de que já falámos atrás, provêm dos vapores transportados pelas correntes ascendentes que se estabelecem durante o dia ao longo das encostas. Estes nevoeiros desaparecem muitas vezes ao cair da tarde, tornando-se as noites limpidas e estreladas. No verão os nevoeiros formam-se mais abaixo do que no inverno, sendo portanto a zona de maxima umidade mais elevada nesta do que naquela estação.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 08-
O Dr. Heberden fez a primeira apreciação favorável do clima da Madeira.
-
Durante um episódio de leste, Carlos Mac Euen mediu uma humidade relativa de 18 % na Quinta Holloway.
-
O Funchal registou a sua pressão atmosférica mais baixa de sempre, 737,61 mm, durante um temporal que destruiu o célebre dragoeiro gigante de Orotava, em Tenerife.
-
Foi registada uma temperatura de −2 °C no Areeiro.
-
As observações realizadas na estação do Funchal entre 1901 e 1909 foram utilizadas no cálculo das médias climáticas.
-
Ano muito chuvoso, com 1138 mm de precipitação registados no Funchal.
-
A chuva intensa causou danos nas ruas do Funchal, tendo sido registada uma precipitação diária máxima de 155,1 mm.
-
Foi registada no Funchal uma temperatura mínima absoluta de 4,5 °C.
-
Ano muito seco, com apenas 488 mm de precipitação registados no Funchal.
-
Um vento de leste trouxe ao Funchal uma temperatura máxima absoluta de 37,3 °C à sombra.
Lugar
Lugares mencionados · 14No estrangeiro
- Fortaleza de São Lourenço
Funchal. Local da estação meteorológica do Funchal.
A Fortaleza de São Lourenço, no Funchal, começou por ser um simples baluarte no tempo do quarto e do quinto capitães-donatários e ficou concluída até ao reinado de D. Sebastião; a entrada principal está voltada para o Largo da Restauração. Mais tarde, serviu de palácio e acolheu a estação meteorológica do Funchal. Nela foi hasteada a bandeira republicana nos dias 6 e 7 de outubro de 1910. O Elucidário regista ainda os seus emblemas heráldicos, uma inscrição de 1635, uma antiga Capela de São Lourenço e a destruição da estátua do santo em 1911.
- Funchal
Principal local a que se referem os dados climáticos e estância de saúde abordada.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Itália
Italy. O seu céu límpido é contrastado com o da Madeira.
A Itália é referida em vários contextos. Foi o local de exílio do bispo D. Francisco José Rodrigues de Andrade em 1834 e foi visitada durante a peregrinação madeirense de 1926. Um santuário italiano terá servido de modelo à Capela de Nossa Senhora da Graça.
- Londres
United Kingdom. Mason afirmou que o ar do Funchal era mais húmido do que o de Londres.
Capital britânica onde foram publicadas muitas obras inglesas sobre a Madeira, incluindo as dos du Cane, de Embleton e de Bloxam. Mason comparou a sua humidade com a do Funchal, e de lá veio artilharia para a Fortaleza de São Tiago. Acolheu o congresso de química aplicada de 1909.
- Machico
White efetuou aqui medições da temperatura em 1850.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Paul da Serra
Ponta do Sol. Planalto onde as temperaturas podem descer até ao ponto de congelação.
O Paul da Serra é o único planalto extenso da Madeira, situado a cerca de 1 500 m de altitude e abrangendo quatro concelhos, onde as temperaturas podem descer até ao ponto de congelação. Nas suas margens nascem as fontes do Rabaçal e do Risco, a Ribeira da Tabua e a Ribeira da Janela, e dele são alimentadas as principais levadas. O Elucidário regista a sua vegetação, os ensaios agrícolas, as Casas de Abrigo, os encontros para a tosquia das ovelhas, o uso dos terrenos comuns e um projeto de estrada inacabado.
- Pico do Areeiro
Câmara de Lobos. Local de altitude, a 1700 m, onde se registaram −2 °C em novembro de 1895.
O Pico do Areeiro é um pico das montanhas centrais da Madeira, com 1 796 m de altitude, perto do qual ainda subsistem poços de neve. Foi o local das observações de Guilherme Teles de Meneses, da casa de abrigo de montanha construída em 1895 e da posterior estação meteorológica do Areeiro, que acabou por ser abandonada. É também um local de nidificação do boieiro (Puffinus anglorum).
- Poiso
Santa Cruz. Local de altitude, a 1400 m, onde se efetuaram medições da temperatura, pressão e humidade.
O Poiso é um local de altitude no interior da Madeira, situado a cerca de 1 390–1 414 m, na estrada n.º 24 e perto do Chão das Feiteiras, do planalto das Alagoas e do Areeiro. Foi uma estação astronómica do interior, onde se realizaram observações meteorológicas, incluindo as de Guilherme Teles de Meneses e observações dos ventos em 1894. Na sua área nascem a Ribeira de João Gomes e a Ribeira do Porto Novo.
- Quinta Holloway
Funchal. Local onde se registou um valor mínimo de humidade em 1849.
Local onde foi registado um valor mínimo recorde de humidade em 1849.
- Santa Luzia
Funchal. Zona mais húmida do Funchal, onde Mason residia.
Santa Luzia é uma das quatro freguesias urbanas do Funchal, situada na parte alta e norte da cidade. Foi criada em 1676 a partir de áreas das freguesias da Sé e do Monte; a sua igreja atual foi concluída por volta de 1741, e em 1927 passou a constituir um julgado da comarca do Funchal. É referida como a zona mais húmida do Funchal, e o arquivo da Câmara esteve ali guardado a partir de 1807.
- Santo António da Serra
Machico. White registou aqui a temperatura e a humidade em 1850.
Freguesia serrana situada num planalto acima de Santa Cruz e Machico, dividida entre esses dois concelhos. O Elucidário aborda o seu povoamento, a igreja, os conflitos ligados ao protestantismo e a efémera colónia da Aldeia da Rainha, formada por habitantes do Porto Santo. Regista ainda as suas quintas, a lagoa, a fábrica de laticínios de Burnay e o desterro de um bispo na freguesia.
+ 2 mais
Pessoas
Pessoas mencionadas · 25-
Realizou observações meteorológicas na vila do Porto Santo em 1900–1902.
- Acúrsio Garcia Ramos1834–1892
Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1880.
-
Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1801.
-
Médico que, numa obra de 1854 sobre a Madeira, recomendou o Funchal a pessoas em risco de contrair tuberculose. A obra é longamente citada.
-
Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1889.
-
Registou uma humidade relativa de 18 % na Quinta Holloway, em 17 de fevereiro de 1849, durante um vento de leste.
- César Augusto Mourão Pita1837–1906/1907
Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1859 e 1889.
-
Autor que escreveu sobre o clima da Madeira em 1851.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1882.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1832.
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Médico que escreveu favoravelmente sobre o clima da Madeira em 1755.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1858.
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Médico que, numa obra de 1811, aconselhou os doentes com tuberculose a passar o inverno no Funchal.
- Guilherme Teles de Menesesn. 1855
Observador que efetuou medições meteorológicas no Poiso e no Areeiro entre a década de 1890 e a de 1900.
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Primeiro médico a pronunciar-se favoravelmente sobre o clima da Madeira, em 1751.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1824.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1881.
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Médico britânico que escreveu, em 1835 e 1842, que o clima da Madeira era o melhor para os doentes com tuberculose.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1847.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1853.
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Médico que se opôs à recomendação do Funchal para doentes com tuberculose; o Elucidário desvaloriza as suas medições da humidade por terem sido feitas num ano chuvoso, na húmida Santa Luzia.
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Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1855.
- Nicolau Caetano de Bettencourt Pita1788–1857
Médico que escreveu sobre o clima da Madeira em 1812.
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Padre já falecido, autor de Excursões na Madeira, citado a propósito das temperaturas de congelação no Paul da Serra.
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Inglês que escreveu sobre o clima em 1851 e efetuou observações em Machico e Santo António da Serra em 1850.