Dragoeiro (Dracaena Draco)
O dragoeiro (Dracaena draco), nativo da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde, foi outrora utilizado na construção de barcos e pela sua resina, o sangue-de-dragão, mas está agora quase extinto em estado selvagem na Madeira. A entrada regista exemplares notáveis, na sua maioria desaparecidos, e os poucos que ainda sobrevivem.
Descrição, usos e exemplares notáveis
Árvore peculiar da Madeira, Canárias e Cabo Verde, com 6 a 15 metros de alto; caules a princípio simples, depois ramosos no cimo, mas com os ramos partindo sempre da mesma altura; folhas terminais, alongadas, lineares; flores esbranquiçadas; bagas globosas, amarelas.
Esta árvore, quasi extinta na Madeira, há muito que desapareceu do Porto Santo, onde, segundo conta Frutuoso, se faziam com os seus troncos barcos em que podiam pescar 6 ou 7 homens.
Em antigos tempos extraía-se do dragoeiro, por meio de incisões, o sangue-drago, mas hoje ninguém pensa em utilizar a mesma árvore para tal fim, em razão da sua extrema raridade.
Não consta que na Madeira se encontrasse nunca dragoeiro algum com as dimensões do celebre dragoeiro de Tenerife, destruído pelo temporal de 23 de Janeiro de 1868; o maior exemplar madeirense de que há noticia, existiu no sítio da Pontinha de Cima, em Machico, e foi derrubado por uma tempestade em 16 de Fevereiro de 1843. O seu caule, que alguém fez medir, tinha 5,m40 de circunferência e 11,m85 de comprimento, o que deveria dar para toda a árvore uma altura total de 15 a 16 metros, enquanto que o dragoeiro de Tenerife media, segundo Broussonet, um pouco mais de 15 metros de circunferência na base, por 24,m33 de altura.
Dois dragoeiros seculares que há cerca de 10 anos se viam ainda numa quinta do Monte, que pertencera ao falecido conde da Calçada, foram mandados arrancar pelo actual proprietário da mesma quinta, e o mesmo destino teve um outro indivíduo da mesma espécie que existia na entrada da “Quinta da Palmeira”, á Levada de Santa Luzia. Os exemplares do Monte eram muito admirados pelos estrangeiros por causa da sua beleza e grandes dimensões.
Nas quintas do Funchal e subúrbios encontram-se ainda vários dragoeiros, mas fora delas só conhecemos agora um exemplar no Garajau, outro no Caniço, outro na Ribeira Brava e um grupo de indivíduos no sítio das Neves.
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Lugares mencionados · 15No estrangeiro
- Cabo Verde
Cape Verde. Parte da área de distribuição natural do dragoeiro.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Canárias
Spain. Parte da área de distribuição natural do dragoeiro.
As Canárias são o arquipélago vizinho da Madeira, cuja descoberta é objeto de relatos divergentes. Segundo a tradição, o seu rei Béthencourt vendeu-as ao Infante D. Henrique em troca de terras na Madeira. O Elucidário refere numerosos contactos entre os dois arquipélagos, incluindo visitas científicas, a digressão do Orfeão Madeirense em maio de 1922 e o massacre de quarenta Jesuítas nas suas águas.
- Caniço
Santa Cruz. Local onde sobrevive um dragoeiro.
O Caniço é uma freguesia do concelho de Santa Cruz, situada na fronteira entre as capitanias do Funchal e de Machico. Entre os seus primeiros povoadores contavam-se Gaspar Rego, Vasco Fernandes Rego e Álvaro de Ornelas, cuja família aí instituiu morgados; o seu alcaide e juiz eram nomeados pelo Senado do Funchal. Na freguesia encontram-se a estátua do Garajau, a residência dos Jesuítas no Socorro e a Quinta do Barão da Conceição.
- Funchal
Ainda sobrevivem vários dragoeiros nas quintas do Funchal e dos seus arredores.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Garajau
Santa Cruz. Local onde sobrevive um dos poucos dragoeiros existentes fora das quintas.
O Garajau é um cabo que delimita a baía do Funchal a leste, a 2,9 milhas do Funchal, assim chamado pelos garajaus ali encontrados pelos descobridores. No seu cume há um dique basáltico, uma capela de Nossa Senhora das Neves e a estátua do Sagrado Coração de Jesus, de 1927; teve um telégrafo de 1839 a 1847. É conhecido pelas bombas vulcânicas, por um dragoeiro sobrevivente, pela única norça em estado selvagem, por Senecio incrassatus e pelos moluscos de águas profundas, sendo recomendado como miradouro.
- Levada de Santa Luzia
Funchal. Levada junto à qual se situa a Quinta da Palmeira.
A Levada de Santa Luzia é a mais antiga e importante levada particular da Madeira. Nasce na bacia da ribeira de Santa Luzia e foi protegida por um alvará régio de 1515. No século XVI, regava canaviais; atravessa grande parte da freguesia de Santa Luzia, assinalando o seu limite norte, e é acompanhada por uma estrada com vistas panorâmicas e quintas. A sua comissão disputou com a Câmara as nascentes dos Tornos, onde foi construído um reservatório em 1934.
- Machico
Localização do maior dragoeiro registado na Madeira.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Monte
Funchal. Freguesia onde se situava a quinta que tinha dois admirados dragoeiros, posteriormente arrancados.
Freguesia de Nossa Senhora do Monte, acima do Funchal, a cerca de 600 m de altitude, onde o aparecimento das folhas ocorre mais tarde do que no Funchal. Inclui os sítios do Jardim Botânico, da Igreja e dos Marmeleiros e a Quinta de Sant'Ana. O Elucidário regista as suas numerosas plantas, entre elas acácias e Sonchus fruticosus.
- Neves
Funchal. Sítio onde sobrevive um grupo de dragoeiros.
Sítio que recebeu o nome da Capela de Nossa Senhora das Neves, onde subsiste um grupo de dragoeiros.
- Pontinha de Cima
Machico. Local do maior dragoeiro registado na Madeira, derrubado por uma tempestade em 1843.
Local onde se encontrava o maior dragoeiro de que há registo na Madeira, derrubado por uma tempestade em 1843.
- Porto Santo
O dragoeiro desapareceu do Porto Santo há muito tempo; outrora, os seus troncos eram aí usados para fazer barcos de pesca.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Quinta da Palmeira
Funchal. Foi arrancado um dragoeiro que se encontrava à entrada desta quinta.
Bela quinta perto do Funchal, na Estrada da Levada de Santa Luzia, pertencente ao industrial Henrique Hinton e conhecida pela sua vegetação. Em 1940, conservava no jardim uma janela da casa onde se diz que viveu Cristóvão Colombo. Serviu também de residência episcopal, com uma capela construída pouco tempo antes; o proprietário ofereceu ali um almoço a aviadores de visita, e um dragoeiro à entrada da quinta foi arrancado pela raiz.
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Pessoas
Pessoas mencionadas · 03-
Naturalista citado pelas medições do célebre dragoeiro de Tenerife.
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Antigo proprietário, já falecido, de uma quinta no Monte onde existiam dois admirados dragoeiros centenários, posteriormente arrancados por outro proprietário.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista que relatou que, no Porto Santo, se faziam dos troncos dos dragoeiros barcos capazes de transportar seis ou sete pescadores.