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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 1238 Planta Vol. I · pp. 729–730 2 min de leitura

Dragoeiro (Dracaena Draco)

O dragoeiro (Dracaena draco), nativo da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde, foi outrora utilizado na construção de barcos e pela sua resina, o sangue-de-dragão, mas está agora quase extinto em estado selvagem na Madeira. A entrada regista exemplares notáveis, na sua maioria desaparecidos, e os poucos que ainda sobrevivem.

Dragoeiro (Dracaena Draco)

Descrição, usos e exemplares notáveis

Árvore peculiar da Madeira, Canárias e Cabo Verde, com 6 a 15 metros de alto; caules a princípio simples, depois ramosos no cimo, mas com os ramos partindo sempre da mesma altura; folhas terminais, alongadas, lineares; flores esbranquiçadas; bagas globosas, amarelas.

Esta árvore, quasi extinta na Madeira, há muito que desapareceu do Porto Santo, onde, segundo conta Frutuoso, se faziam com os seus troncos barcos em que podiam pescar 6 ou 7 homens.

Em antigos tempos extraía-se do dragoeiro, por meio de incisões, o sangue-drago, mas hoje ninguém pensa em utilizar a mesma árvore para tal fim, em razão da sua extrema raridade.

Não consta que na Madeira se encontrasse nunca dragoeiro algum com as dimensões do celebre dragoeiro de Tenerife, destruído pelo temporal de 23 de Janeiro de 1868; o maior exemplar madeirense de que há noticia, existiu no sítio da Pontinha de Cima, em Machico, e foi derrubado por uma tempestade em 16 de Fevereiro de 1843. O seu caule, que alguém fez medir, tinha 5,m40 de circunferência e 11,m85 de comprimento, o que deveria dar para toda a árvore uma altura total de 15 a 16 metros, enquanto que o dragoeiro de Tenerife media, segundo Broussonet, um pouco mais de 15 metros de circunferência na base, por 24,m33 de altura.

Dois dragoeiros seculares que há cerca de 10 anos se viam ainda numa quinta do Monte, que pertencera ao falecido conde da Calçada, foram mandados arrancar pelo actual proprietário da mesma quinta, e o mesmo destino teve um outro indivíduo da mesma espécie que existia na entrada da “Quinta da Palmeira”, á Levada de Santa Luzia. Os exemplares do Monte eram muito admirados pelos estrangeiros por causa da sua beleza e grandes dimensões.

Nas quintas do Funchal e subúrbios encontram-se ainda vários dragoeiros, mas fora delas só conhecemos agora um exemplar no Garajau, outro no Caniço, outro na Ribeira Brava e um grupo de indivíduos no sítio das Neves.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. Uma tempestade derrubou o maior dragoeiro registado na Madeira, na Pontinha de Cima, em Machico.

  2. O Funchal registou a sua pressão atmosférica mais baixa de sempre, 737,61 mm, durante um temporal que destruiu o célebre dragoeiro gigante de Orotava, em Tenerife.

Lugar

Lugares mencionados · 15

No estrangeiro

Mapa: Arquipélago da Madeira (14)
  1. Cabo Verde

    Cape Verde. Parte da área de distribuição natural do dragoeiro.

  2. Canárias

    Spain. Parte da área de distribuição natural do dragoeiro.

  3. Caniço

    Santa Cruz. Local onde sobrevive um dragoeiro.

  4. Funchal

    Ainda sobrevivem vários dragoeiros nas quintas do Funchal e dos seus arredores.

  5. Garajau

    Santa Cruz. Local onde sobrevive um dos poucos dragoeiros existentes fora das quintas.

  6. Levada de Santa Luzia

    Funchal. Levada junto à qual se situa a Quinta da Palmeira.

  7. Machico

    Localização do maior dragoeiro registado na Madeira.

  8. Monte

    Funchal. Freguesia onde se situava a quinta que tinha dois admirados dragoeiros, posteriormente arrancados.

  9. Neves

    Funchal. Sítio onde sobrevive um grupo de dragoeiros.

  10. Pontinha de Cima

    Machico. Local do maior dragoeiro registado na Madeira, derrubado por uma tempestade em 1843.

  11. Porto Santo

    O dragoeiro desapareceu do Porto Santo há muito tempo; outrora, os seus troncos eram aí usados para fazer barcos de pesca.

  12. Quinta da Palmeira

    Funchal. Foi arrancado um dragoeiro que se encontrava à entrada desta quinta.

+ 2 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 03
  1. Naturalista citado pelas medições do célebre dragoeiro de Tenerife.

  2. Antigo proprietário, já falecido, de uma quinta no Monte onde existiam dois admirados dragoeiros centenários, posteriormente arrancados por outro proprietário.

  3. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Cronista que relatou que, no Porto Santo, se faziam dos troncos dos dragoeiros barcos capazes de transportar seis ou sete pescadores.

Na folha D

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.