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Diniz (Julio) 1Estadas no Funchal
Artigo Nº 1202 Escritor, jornalista ou erudito Vol. I · pp. 697–699 3 min de leitura

Diniz (Julio)

Entrada biográfica sobre o romancista português Júlio Dinis (Joaquim Guilherme Gomes Coelho), que esteve no Funchal entre 1869 e 1871 à procura de alívio para uma doença pulmonar e ali escreveu o romance Os Fidalgos da Casa Mourisca.

Diniz (Julio)

1Estadas no Funchal

Joaquim Guilherme Gomes Coelho, o eminente romancista que em todos os seus escritos adoptou o pseudónimo de Julio Diniz, tem a sua existencia ligada á historia desta ilha, porque várias vezes a visitou e nela escreveu um dos seus mais conhecidos e primorosos livros.

Atacado duma pertinaz doença pulmonar, veio pedir á benignidade do nosso clima lenitivo aos seus padecimentos e procurar aqui esse ideal que se chama saude, segundo a sua própria e já desalentada expressão.

Chegou pela primeira vez ao Funchal a 8 de Fevereiro de 1869 e aqui voltou nos anos de 1870 e 1871. Conforme umas notas publicadas na antiga revista Serões e que temos por fidedignas, Julio Diniz habitou, embora por pouco tempo numa casa aos Ilhéus onde já residiu o distinto advogado Nuno Ferreira Jardim, e mais demoradamente num prédio á rua da Carreira, pertencente á família do falecido comerciante Antonio Pinto Correia, em cujo rés-do-chão se acha instalada uma farmácia, e que fica quasi fronteiro á rua de São Francisco. A Câmara do Funchal praticaria um acto, que todos os seus munícipes olhariam com reconhecido louvor, mandando colocar naquela casa uma simples placa de metal, que mais não pudesse ser, comemorando a estada na nossa terra dum dos maiores vultos da nossa literatura contemporânea.

2Obras escritas na Madeira

Julio Diniz escreveu nesta cidade o seu notável romance Os Fidalgos da Casa Mourisca que alguns julgam superior e muitos colocam no plano das Pupilas do Senhor Reitor e da Morgadinha dos Cannaviaes. Durante trinta e tantos anos se conservou inédita uma extensa carta que escreveu da Madeira e em que a largos traços descreve as suas incomparáveis belezas, comunicando a um amigo as impressões pessoais recebidas ao chegar á formosa ilha que se levanta da espuma do mar com a mitologica Citheréa... segundo uma frase do grande escritor. É um trecho de bela e sugestiva prosa, que pela primeira vez se publicou na citada revista os Serões e que foi reproduzido no livro de escritos inéditos de Julio Diniz intitulado Ineditos e Esparsos. Nesta obra publicaram-se 17 cartas de Julio Diniz, escritas no Funchal, sendo a ultima datada de 20 de Fevereiro de 1870. Na edição desta obra, de 1919, insere 31 cartas escritas no Funchal, omitindo 7 daquela edição, o que perfaz a totalidade de 38. O “Diário da Madeira”, de 24 de Agosto de 1919, publicou mais duas cartas inéditas do grande romancista também datadas da Madeira.

O grande romancista demorou-se nesta ilha nos períodos decorridos de Março a Maio de 1869, de Outubro de 1869 a Maio de 1870 e de Outubro de 1870 a Maio de 1871. Durante a sua permanência no Funchal, manteve a mais estreita intimidade com o seu patrício e amigo o cónego Dr. Custódio de Morais e Brito, que era homem de não vulgar talento e de rara ilustração.

As seguintes palavras foram encontradas num livro manuscrito do ilustre escritor e eram do seu próprio punho: “Principiei a escrever Os Fidalgos da Casa Mourisca, no Funchal, em Março de 1869. Levava-o em meio do capítulo 8.º quando voltei de Porto em Maio do mesmo ano. Trabalhei no Porto e escrevi até o princípio do capítulo 17.º, desde Junho até Outubro, época em que voltei para a Madeira. Concluiu-o no Funchal em 11 de Abril de 1870”.

Julio Diniz morreu no Porto a 12 de Setembro de 1871, quatro meses depois de sair da Madeira, tendo apenas 31 anos de idade.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. Júlio Dinis chegou ao Funchal pela primeira vez e, em março, começou ali a escrever Os Fidalgos da Casa Mourisca.

  2. Júlio Dinis concluiu Os Fidalgos da Casa Mourisca no Funchal.

  3. Júlio Dinis fez a sua última estadia na Madeira.

  4. Júlio Dinis morreu no Porto aos 31 anos.

  5. O Diário da Madeira publicou duas cartas inéditas escritas por Júlio Dinis na Madeira.

Lugar

Lugares mencionados · 05

No estrangeiro

Mapa: Madeira (5)
  1. Funchal

    Cidade onde Júlio Dinis esteve e escreveu.

  2. Ilhéus

    Funchal. Zona onde morou por pouco tempo numa casa.

  3. Porto

    Portugal. Cidade onde continuou a escrever e onde morreu.

  4. Rua da Carreira

    Funchal. Rua onde ficava a sua principal residência no Funchal.

  5. Rua de São Francisco

    Funchal. Rua situada quase em frente da sua residência.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Romancista português que escreveu sob o nome de Júlio Dinis, convalesceu no Funchal entre 1869 e 1871 e ali escreveu Os Fidalgos da Casa Mourisca.

  2. Comerciante do Funchal, já falecido, cuja família era proprietária da casa da Rua da Carreira onde Júlio Dinis morou.

  3. Cónego e conterrâneo de Júlio Dinis, de quem foi amigo próximo durante as estadias do romancista no Funchal.

  4. Advogado que tinha vivido na casa dos Ilhéus onde Júlio Dinis esteve por pouco tempo.

Na folha D

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.