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Poiso 1O sítio e a Casa do Poiso
Artigo Nº 2919 Sítio ou localidade Ribeira Brava Vol. III · pp. 153–155 5 min de leitura

Poiso

O Poiso é um local serrano muito frequentado da freguesia da Camacha, na estrada do Funchal para o norte da Madeira. Ali, o governador civil José Silvestre Ribeiro mandou construir, por volta de 1850–51, uma casa de abrigo para proteger os viajantes do frio e das tempestades da serra.

Poiso
Mapa: Madeira (11)

1O sítio e a Casa do Poiso

A cêrca de 10 quilómetros de distancia da cidade e aproximadamente a sete da Igreja Paroquial do Monte, mas dentro dos limites da freguesia da Camacha, levanta-se a melhor casa de abrigo das nossas serras, que tem o nome de Casa do Poiso, por se achar no conhecido sitio do mesmo nome. É um lugar muito transitado, pois, a estrada que o atravessa põe em comunicação o Funchal com várias freguesias do norte da Madeira. Sendo um lugar bastante desabrigado e exposto a freqüentes vendavais, mandou o benemerito governador civil José Silvestre Ribeiro edificar neste local, no ano de 1850, uma casa de abrigo para os viandantes, que tem prestado os mais assinalados serviços e livrado de morte inevitavel a muitas das pessoas que por ali transitaram. A antiga estrada que atravessava este lugar, pondo-o em comunicação com o encantador e muito freqüentado sitio do Ribeiro Frio e várias freguesias do norte, foi notavelmente melhorada, havendo-se estabelecido carreiras regulares de automovel entre o Funchal, o Poiso e o Ribeiro Frio. Existe também uma estrada, já transitada por automoveis, entre o Poiso e a aprazivel estancia do Santo da Serra, crendo-se que dentro de pouco tempo se possa atingir a freguesia de Santana. A Casa de Abrigo do Poiso está provida com uma Cabine Telefónica. Acêrca dos excelentes serviços que ela presta, e da sua fundação, deixámos já uma desenvolvida noticia a pag. 195 do vol. I desta obra.

Oferece particular interesse a este assunto o artigo que um dos autores do Elucidário Madeirense, publicou no Diário da Madeira, e que vamos transcrever:

2A Casa de Abrigo

«Quem nunca atravessou as serras da Madeira, durante a estação invernosa, não pode fazer ideia de quanto o frio é alli intenso em certos dias e de quão grande é a violencia com que n'essa região se desencadeiam os temporaes.

A temperatura, que na cidade do Funchal raras vezes desce abaixo de 7 graus, póde, nas serras, ser, em alguns casos, de 2 e 3 graus abaixo de zero, e se o posto do Areeiro, para vergonha nossa, não estivesse votado ao mais completo abandono, estamos convencidos de que seria frequente registarem-se alli velocidades para os ventos de 60 e 70 kilometros por hora, as quaes rarissimas vezes são observadas na região baixa da ilha.

Não é só o granizo que cahe a miudo nas serras da Madeira, durante a estação invernosa; também a neve em floco se observa nas altas regiões algumas vezes, sendo então o frio intensissimo e dificil de supportar.

Na serra do Poiso, um dos pontos da montanha mais frios e mais açoutados pelos temporaes, muitas foram as pessoas que morreram n'outras epochas por falta de abrigo e de soccorros, e caso identico se daria ainda hoje se o benemerito conselheiro José Silvestre Ribeiro, quando governador civil do districto, não tivesse procurado remediar tamanho mal, mandando construir n'essa serra, um pouco além da fonte das Moças, uma casa destinada a recolher os viandantes em todas as estações do anno e a qualquer hora do dia ou da noite.

A casa de abrigo denominada do Poiso foi edificada em 1851, e desde então tem ella estado sempre aberta ao público que por ahi transita e que encontra n'esse edifício um abrigo seguro contra o frio e as tempestades da montanha.

N'um officio datado de 6 de outubro de 1851 recommendava o fallecido conselheiro José Silvestre Ribeiro á camara municipal do Funchal que se entendesse immediatamente e sem perda de um momento com a camara de Sant'Anna sobre as quotas com que cada uma deveria contribuir para a sustentação a dar a um homem e familia que residisse na mesma casa e se encarregasse de prestar aos viajantes o auxilio e soccorros de que estes carecessem.

Recommendava ainda o mesmo governador, no referido officio, que a escolha de quem tivesse que morar na casa a que alludimos e ter as incumbencias que ficaram mencionadas, fosse feita com o maior escrupulo, afim de sómente ser collocada alli pessoa ou familia de reconhecida probidade e capaz de compenetrar-se dos deveres que lhe assistiam em logar tão ermo e distante dos povoados.

Não sabemos quem foi o primeiro guarda que teve a casa d'abrigo do Poiso; o que sabemos é que o penultimo que alli esteve foi demittido pelo seu desmazelo e pouco cuidado com a limpeza, passando desde então o edifício a ficar sob a superintendencia do sr. Caminata que n'elle introduziu ou vae introduzir alguns melhoramentos de reconhecido interesse para o publico (1921).

Além do rez-do-chão, onde se acham os quartos do guarda, a taberna e uma grande cosinha, tem a casa um primeiro andar com tres divisões, sendo a do lado sul bastante espaçosa. Na cosinha existem algumas tarimbas destinadas á gente rude dos campos; o primeiro andar serve geralmente para as pessoas d'uma certa cathegoria que queiram pernoitar no edifício.

Segundo os regulamentos, o guarda deve ter sempre pão, vinho, aguardente e café para fornecer aos viandantes. Tambem é obrigado a ter um depósito de lenha e a prestar a todos os necessitados o socorro possivel.

As obras da primitiva casa do Poiso foram arrematadas pela quantia de 1.442$950 réis, mas posteriormente outras verbas se teem consumido em melhoramentos e accrescentamentos no edifício. Tal qual elle se acha hoje, preenche perfeitamente o fim a que é destinado, podendo mesmo servir para estação de polícia florestal, se houvesse empenho em pôr termo aos abusos dos lenheiros e carvoeiros que devastam as nossas serras» (1921).

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 03
  1. Segundo um relato, José Silvestre Ribeiro mandou construir a casa de abrigo do Poiso.

  2. Foi construída a casa de abrigo do Poiso.

  3. José Silvestre Ribeiro pediu à Câmara Municipal do Funchal que chegasse a acordo com a de Santana sobre o financiamento de um guarda residente no Poiso.

  4. A casa de abrigo do Poiso passou a estar sob a direção de Caminata.

Lugar

Lugares mencionados · 11
  1. Poiso · Assunto

    Ribeira Brava

  2. Poiso · Assunto

    Santa Cruz. Local a que se refere a entrada: uma passagem de montanha exposta.

  3. Areeiro

    Câmara de Lobos. Local de um posto meteorológico ao abandono.

  4. Camacha

    Santa Cruz. Freguesia onde se situa o Poiso.

  5. Casa de Abrigo do Poiso

    Santa Cruz. Casa de abrigo para viajantes construída por ordem de José Silvestre Ribeiro.

  6. Fonte das Moças

    Funchal. Fonte situada pouco antes da casa de abrigo.

  7. Funchal

    Cidade situada a cerca de 10 km do Poiso, ao qual está ligada por estrada.

  8. Monte

    Funchal. A sua igreja paroquial fica a cerca de sete km do Poiso.

  9. Ribeiro Frio

    Santana. Local muito procurado, acessível pela estrada e pelo serviço de automóveis que passam pelo Poiso.

  10. Santana

    Destino previsto do prolongamento da estrada; a sua Câmara Municipal comparticipava na manutenção do abrigo.

  11. Santo da Serra

    Machico. Estância ligada ao Poiso por uma estrada para automóveis.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 02
  1. Homem que assumiu a direção da casa de abrigo do Poiso por volta de 1921 e introduziu melhorias.

  2. Governador civil do distrito do Funchal que mandou construir a casa de abrigo do Poiso para os viajantes.

Na folha P

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.