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Asilo da Infância 1Asilo da Infância
Artigo Nº 0300 Instituição de beneficência Vol. I · pp. 176–178 3 min de leitura

Asilo da Infância

História do asilo de órfãos fundado no Funchal em 1834 pelo governador Luís da Silva Mousinho de Albuquerque e pela mulher, que entrou em declínio após a partida de ambos, e do projeto municipal de 1837, não concretizado, para um asilo de mendigos nas Angústias.

Asilo da Infância

1Asilo da Infância

Ao primeiro governador da Madeira no periodo do constitucionalismo, o ilustre Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque, se deve o estabelecimento dum asilo, que parece ter sido o segundo que neste genero se criou no nosso país. A pesar de ser muito curto o periodo do seu governo, pois apenas durou de Agosto de 1834 a Setembro de 1835, não descurou nenhum ponto essencial da administração publica, e ainda teve a iniciativa da criação dum asilo para a orfandade desvalida do Funchal, encontrando em sua esposa D. Ana Mascarenhas de Ataíde a mais activa e eficaz colaboradora da benemérita obra que empreendera. A ideia, que era nova e vinha satisfazer uma grande necessidade publica, teve a mais geral aceitação e foi saudada por toda a população funchalense com o mais entusiástico alvoroço, que infelizmente não durou muito.

Quatro meses depois da chegada de Luiz Mousinho a esta ilha, isto é por meados de Dezembro de 1834, começou a funcionar o novo estabelecimento de caridade, que ficou provisoriamente instalado nalgumas das dependências do palácio de São Lourenço, sob as vistas imediatas e sob a solicita e carinhosa direcção dos seus próprios fundadores. Chegou a albergar 120 crianças e manteve-se em estado de relativa prosperidade durante o tempo em que os seus iniciadores permaneceram nesta ilha. Foi ainda devido ao impulso inicial que por portaria de 13 de Janeiro de 1836 se obteve uma casa situada no Campo da Barca e pertencente á Fazenda Nacional, para a mudança do asilo, que ali funcionou alguns anos e que deixou de existir em época que não podemos precisar com inteira exactidão. Depois da ausência de Luiz Mousinho de Albuquerque e de sua dedicada e benemérita esposa, começou a definhar-se lentamente a obra que eles com tanta dedicação a carinho tinham criado, até que completamente se extinguiu, deixando apenas da sua existência a memória abençoada dos seus ilustres fundadores.

José Silvestre Ribeiro considerava-se, na fundação do Asilo da Mendicidade do Funchal apenas o continuador da obra de Mousinho, e ainda hoje, no vestíbulo do edifício do mesmo asilo se encontram duas telas, já bastante danificadas pelo tempo, representando Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque e sua esposa D. Ana de Mascarenhas e Ataíde, que devem ser ali religiosamente conservadas e também retocadas convenientemente.

2Projecto de um Asilo nas Angústias

Projecto de um Asilo nas Angústias. Em 1837, de novo a Câmara Municipal do Funchal tomou a deliberação de fundar um asilo para recolher os velhos e inválidos que mendigam pelas ruas da cidade. Tendo comunicado ao governo central esta resolução foi por ele louvada em portaria de 7 de Junho de 1838. Para a realização desta alevantada e humanitária ideia, tratou a vereação sem demora da construção dum edifício apropriado, tendo sido escolhido o terreno onde hoje se encontra o Asilo da Mendicidade e Orfãos, que o primeiro Conde do Carvalhal cedera para esse fim pouco antes da sua morte. Os trabalhos de construção, realizados segundo o plano e projecto elaborados pelo director das obras publicas, engenheiro Vicente de Paula Teixeira, começaram no dia 8 de Agosto de 1837, tendo o município dispendido nessa construção aproximadamente treze contos de reis. O edifício ficou quási concluído, mas não teve a aplicação para que primitivamente fora destinado. Não chegou a abrir as suas portas aos asilados porque a vereação que tomara aquela iniciativa ou a que lhe sucedeu nas cadeiras camarárias abandonou a ideia da criação do asilo, por motivos que inteiramente desconhecemos.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. Mousinho de Albuquerque chegou à Madeira e tomou posse como prefeito e governador militar em 6 de agosto de 1834, exercendo o governo até setembro de 1835.

  2. O Asilo da Infância abriu no Palácio de São Lourenço em meados de dezembro de 1834.

  3. Uma ordem concedeu ao Asilo da Infância uma casa no Campo da Barca.

  4. A Câmara Municipal do Funchal iniciou a construção da Casa das Angústias, destinada a asilo municipal de mendigos.

  5. O governo central elogiou o projeto da Câmara Municipal do Funchal para um asilo de crianças.

Lugar

Lugares mencionados · 04
Mapa: Madeira (4)
  1. Angústias

    Funchal. Local do asilo inacabado de 1837, mais tarde Asilo da Mendicidade.

  2. Campo da Barca

    Funchal. Local da casa do Estado para onde o asilo se mudou em 1836.

  3. Funchal

    Cidade servida pelo asilo.

  4. Palácio de São Lourenço

    Funchal. Primeira instalação provisória do asilo.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Cedeu, pouco antes de morrer, o terreno nas Angústias para o asilo projetado.

  2. Mulher do governador Mousinho de Albuquerque e cofundadora ativa do asilo de órfãos.

  3. Fundador do Asilo da Mendicidade do Funchal, que se considerava continuador da obra de Mousinho.

  4. Primeiro governador constitucional da Madeira (1834–1835), fundador do asilo de órfãos do Funchal.

  5. Diretor das obras públicas que elaborou os planos do edifício do asilo de 1837.

Na folha A

Vistos recentemente

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