Câmara Leme (D. Joâo Frederico da)
Capitão do Exército nascido no Funchal e oriundo de uma antiga família nobre, foi duas vezes governador civil da Madeira (1868 e 1870–1876). O primeiro mandato ficou marcado pelos motins de março de 1868.
Nasceu nesta cidade e pertencia a uma das mais antigas e nobres familias da Madeira, sendo filho de D. João Frederico da Camara Leme e D. Maria Carolina Correia Pinto.
Seguiu a carreira das armas, e tinha o pôsto de capitão do extinto batalhão de caçadores nº. 12, aquartelado nesta cidade, quando foi nomeado governador civil deste arquipelago a 25 de Janeiro de 1868, tendo tomado posse do seu cargo a 10 de Fevereiro do mesmo ano.
Foi a 8 de Março seguinte que na praia e nas imediações da alfandega desta cidade se deram os lamentaveis tumultos populares destinados a impedir violentamente o desembarque do candidato a deputado Jacinto de Sant’Ana e Vasconcelos, e a que fazemos mais larga referencia em artigo especial deste Elucidário.
Poucos meses se conservou na administração superior do distrito, porque subindo ao poder o ministerio presidido pelo marquês de Loulé, foi Camara Leme transferido para o govêrno civil de Santarém, logar que não aceitou.
Por decreto de 21 de Maio de 1870, foi D. João Frederico da Camara Leme pela segunda vez nomeado governador civil da Madeira, tendo assumido o govêrno a 27 do mesmo mês e ano. Deixou a administração deste distrito em fins de Março de 1876. Morreu na cidade de Tomar a 6 de Fevereiro de 1878. Era irmão do general D. Luiz da Camara Leme e de D. Jorge da Camara Leme.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
João Frederico da Câmara Leme foi nomeado governador civil da Madeira e tomou posse em 10 de fevereiro.
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O motim da Pedrada, incitado pelo Partido Popular na praia do Funchal, impediu o desembarque do candidato Jacinto de Sant'Ana e Vasconcelos e causou várias mortes.
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D. João Frederico da Câmara Leme foi nomeado governador civil da Madeira pela segunda vez em 21 de maio e tomou posse em 27 de maio.
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D. João Frederico da Câmara Leme deixou o cargo de governador da Madeira.
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D. João Frederico da Câmara Leme morreu em Tomar.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Alfândega do Funchal
Funchal. Os motins de 1868 ocorreram na praia junto à Alfândega do Funchal.
Alfândega manuelina do Funchal, cuja construção foi ordenada em 1508, com arcadas e uma capela de Santo António no pátio, construída em 1714 e hoje dessacralizada. Esteve sob a direção do provedor até 1775 e foi reparada após o terramoto de 1748. Foi cercada por tropas amotinadas em 1626 e invadida em 1641; o motim de 1868 ocorreu na praia próxima. Mais tarde, acolheu os serviços e o arquivo do Governo Civil.
- Funchal
Cidade natal do governador e palco dos motins de 1868.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Santarém
Portugal. Foi transferido para o cargo de governador civil de Santarém, mas recusou-o.
Santarém é uma cidade portuguesa. Foi a terra natal dos bispos D. Jerónimo Fernando e D. Fernando de Távora, de D. Frei Gaspar do Casal, e a residência do avô materno de Zarco. Maximiliano Eugénio de Azevedo serviu ali como segundo-tenente, e D. João Frederico da Câmara Leme foi transferido para o cargo de governador civil do distrito de Santarém, mas recusou-o.
- Tomar
Portugal. Local onde morreu em 1878.
Cidade portuguesa, sede da Ordem de Cristo, que tinha jurisdição eclesiástica sobre a Madeira. D. Diogo Pinheiro foi ali prior, morreu e foi sepultado na cidade. É apontada como possível terra natal de Zargo, cuja família ali possuía propriedades. As Cortes reuniram-se em Tomar em 1619; o seu moinho de água serviu de modelo ao primeiro da Madeira; e D. João Frederico da Câmara Leme morreu ali em 1878.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- D. João Frederico da Câmara Leme1865–1878
Capitão do Exército e governador civil da Madeira por duas vezes (1868; 1870–1876), biografado nesta entrada.
- D. Jorge da Câmara Leme1807–1889
Oficial do Exército liberal e irmão do governador.
- D. Luís da Câmara Leme1817–1904
General e irmão do governador.
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Mãe do governador D. João Frederico da Câmara Leme.
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Candidato a deputado cujo desembarque no Funchal, em março de 1868, sofreu a oposição violenta de amotinados.
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Chefe do governo cuja subida ao poder levou à transferência do governador para Santarém.