Agrela (João Agostinho Pereira de)
João Agostinho Pereira de Agrela (1777–1835) foi um erudito genealogista funchalense que mandou copiar Saudades da Terra e esteve preso pelas suas ideias liberais.
Nasceu no Funchal em Maio de 1777, e pertencia a uma antiga e nobre família, que tinha a propriedade do lugar de escrivão da Câmara do Funchal, concedida por D. João IV em 1645 a um dos ascendentes de Pereira de Agrela. Diz o Dr. Álvaro de Azevedo que era um dos madeirenses mais eruditos do seu tempo. Foi ele que, no princípio do século passado, mandou extrair a cópia das Saudades da Terra, que serviu de texto à publicação que desta obra fez o Dr. Azevedo em 1873. V. artigo Saudades da Terra. "Era homem, diz o Diccionário Popular, muito lido e grande investigador de antiguidades; escreveu uma colecção de memórias genealógicas, que existem inéditas em 5 grossos volumes em poder dos seus herdeiros, e que trata de todas as famílias nobres que se passaram à ilha da Madeira e suas gerações, com bastantes curiosidades relativas a algumas delas. Esta obra revela aturado estudo de um espírito curioso e uma critica esclarecida, sendo certamente a mais expurgada de erros e a mais desenvolvida que se encontra neste ramo da história daquela ilha.
Como professasse ideias liberais, foi preso em 1828 e enviado para Lisboa, onde esteve na fragata D. Pedro um ano, e na cadeia do Limoeiro outro ano, sendo por fim condenado a não voltar à Madeira por mais um ano. Regressando à pátria em 1834, aqui faleceu no ano imediato, no mês de Fevereiro.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
D. João IV concedeu à família Agrela o ofício de escrivão da Câmara do Funchal.
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João Agostinho Pereira de Agrela nasceu no Funchal.
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A alçada de D. Miguel chegou à Madeira, pronunciou 216 liberais e maçons e mandou prender 101; alguns, como Nery e Agrela, foram enviados para Lisboa, enquanto outros fugiram ou se esconderam.
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João Agostinho Pereira de Agrela regressou à Madeira.
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João Agostinho Pereira de Agrela morreu.
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Álvaro Rodrigues de Azevedo publicou no Funchal a sua edição anotada do livro II de Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, feita a partir da cópia de Agrela e acompanhada de extensas notas, incluindo uma lista de governadores.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Cadeia do Limoeiro
Portugal. Cadeia de Lisboa onde esteve preso durante um ano.
A Cadeia do Limoeiro era uma prisão em Lisboa. Manuel Alexandre de Sousa dirigiu-a, e João Agostinho Pereira de Agrela passou lá um ano.
- Funchal
Local de nascimento.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Local onde esteve preso.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03- João Agostinho Pereira de Agrela1777–1835
Erudito e genealogista funchalense, liberal preso entre 1828 e 1830.
- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Organizador da edição de 1873 de Saudades da Terra, baseada na cópia de Agrela.
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Rei que, em 1645, concedeu à família o ofício de escrivão da Câmara do Funchal.