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Santa Maria Maior (Freguesia de) 1Denominação e origem
Artigo Nº 3322 Freguesia Funchal Vol. III · pp. 438–440 4 min de leitura

Santa Maria Maior (Freguesia de)

Entrada sobre a freguesia de Santa Maria Maior, na parte oriental do Funchal, a mais antiga do arquipélago, também conhecida por Nossa Senhora do Calhau ou freguesia do Socorro. Aborda a origem dos seus nomes, as mudanças da sede paroquial, o clero e a colegiada, as capelas, os locais de referência, a população e os limites disputados.

Santa Maria Maior (Freguesia de)
Mapa: Madeira (25)

1Denominação e origem

No lado oriental da cidade do Funchal e constituindo uma das suas quatro freguesias, fica situada a freguesia de Santa Maria Maior.

Provém-lhe esta denominação da circunstância de ter a sua primitiva igreja paroquial mais amplas proporções do que a capela edificada por João Gonçalves Zarco no local onde hoje se levanta a igreja de Santa Clara, sendo ambas consagradas a Nossa Senhora da Conceição. Também foi em outros tempos conhecida pelo nome de Conceição de Baixo e a outra por Conceição de Cima, tendo-se-lhe igualmente chamado Nossa Senhora do Calhau, por estar construída não muito longe da praia, sendo este nome que mais perdurou entre o povo e que ainda hoje conserva. Tornou-se esta paróquia muito conhecida, e ainda presentemente o é, pelo nome de freguesia do Socorro, sendo esta denominação aplicada de modo especial á parte dela compreendida entre a igreja paroquial e a margem esquerda da ribeira de João Gomes. Teve este nome origem na imagem de Nossa Senhora do Socorro, que se venerava na igreja paroquial e que em outros tempos era objecto de fervoroso culto por parte dos habitantes do Funchal.

Da igreja de Nossa Senhora do Calhau, já demos noticia em outro lugar (volume II, página 451), e da igreja de S. Tiago, para onde foi transferida a sede da freguesia no ano de 1803, nos ocuparemos na altura competente desta obra.

Acerca da criação desta paróquia, dissemos o suficiente no artigo Freguesias (volume II, página 52) e para lá remetemos o leitor, podendo afirmar-se que foi esta a primeira e é ao presente a mais antiga freguesia deste arquipélago.

2Sede, clero e colegiada

Com a construção do magnífico templo da Sé Catedral, foi a sede da paróquia de Santa Maria Maior transferida para a nova e ampla igreja, pelos anos de 1508. Aproximadamente cinquenta anos depois, com o aumento sempre crescente da população foi a freguesia, pelo alvará régio de 18 de Novembro de 1557, dividida em duas paróquias autónomas, sendo as suas respectivas sedes na Sé Catedral e na igreja de Nossa Senhora do Calhau.

Depois dos religiosos franciscanos, parece que foi Nuno Cão (V. este nome) um dos primeiros sacerdotes que exerceram funções paroquiais nesta freguesia, passando em 1508 para a Sé Catedral e sendo em 1514 elevado a deão da mesma Sé. Dividida a paróquia em 1537, foi primeiro vigário de Santa Maria Maior o licenciado Antonio Mourão, ao qual se estabeleceu, pelo alvará de 23 de Fevereiro de 1558 a congrua anual de 20:000 réis, uma pipa de vinho e dois moios de trigo.

O curato, desta freguesia foi criado por alvará régio de 27 de Agosto de 1589, com o vencimento anual de 20.000 réis.

Teve esta igreja uma colegiada, criada pelo alvará de 18 de Novembro de 1557, composta, além do vigário e cura, de mais três beneficiados, que depois foram elevados ao numero de seis, e de um tesoureiro, pregador e organista.

Esta paróquia tem as capelas do Corpo Santo, Nossa Senhora do Bom Sucesso, Nossa Senhora do Faial, Nossa Senhora Mãe dos Homens e outras que já desapareceram, de todas as quais daremos sucinta noticia.

3População e limites

Na área desta freguesia, ficam o antigo campo de D. Carlos, hoje do Almirante Reis, a fortaleza de São Tiago, o Campo da Barca ou de Miguel Bombarda, o Posto de Desinfecção Terrestre, a fabrica da luz eléctrica e outros estabelecimentos industriais.

Tem a freguesia de Santa Maria Maior a população de 7823 habitantes (1921) e principia na Ribeira de João Gomes, sendo uso dar-lhe como limites, da parte do nascente, a metade ocidental ou esquerda dos caminhos do Palheiro e do Terça, pertencendo a metade oriental ou direita, á freguesia de S. Gonçalo. Convém advertir, porém, que tais limites não concordam com os que se acham assinalados no Mappa Alphabetico das ruas da cidade, aprovado pelo Governador Civil em 15 de Dezembro de 1863, no qual claramente se declara que toda a rua do Palheiro, desde a Quinta do Acciaioly ou do Faial até a rua Bela de S. Tiago, pertence à freguesia de Santa Maria Maior, e que esta paróquia se estende até o sítio dos Louros, ficando todavia a travessa da Olaria, hoje do Lazareto, na freguesia de S. Gonçalo. Segundo o mesmo Mappa, o espaço compreendido entre a Rua Bela de S. Tiago e o prédio de Tomás Teodoro, na Calçada do Socorro, pertence do lado norte a Santa Maria Maior e do lado sul a São Gonçalo, devendo considerar-se, portanto, como fazendo parte desta ultima freguesia a parte sul do largo da Forca e do caminho do Lazareto até ao ponto em que começa o sítio dos Louros

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 09
  1. O bispo D. João Lobo benzeu a Igreja Grande do Funchal, ainda inacabada e mais tarde convertida em Sé, para onde foi transferida a sede da freguesia.

  2. A bula Pro excellenti praeeminentia, do Papa Leão X, criou a diocese do Funchal, pondo fim à supremacia espiritual da Ordem de Cristo; a igreja tornou-se catedral, D. Diogo Pinheiro foi nomeado primeiro bispo e Frei Nuno Cão primeiro deão.

  3. A freguesia de Santa Maria Maior, no Funchal, foi criada por divisão de outra freguesia, tendo António Mourão como primeiro vigário.

  4. Uma carta régia dividiu a única freguesia do Funchal nas freguesias da Sé e de Santa Maria Maior (Calhau) e instituiu uma colegiada na igreja.

  5. Um alvará fixou a côngrua anual do vigário de Santa Maria Maior.

  6. Cartas régias criaram curatos em várias freguesias, incluindo Porto Santo (20 000 réis por ano), Calheta, Santa Cruz, Santa Maria Maior e São Pedro.

  7. Depois de a aluvião destruir a igreja do Calhau, a sede da freguesia de Santa Maria Maior foi transferida para a Igreja de São Tiago Menor.

  8. O governador civil aprovou o mapa alfabético das ruas do Funchal que definia os limites das freguesias da Sé e de Santa Maria Maior.

  9. O censo de 1921 registou a população das freguesias da Madeira, incluindo 4 083 habitantes na Sé, 3 107 em Santana e 7 061 em São Pedro.

Lugar

Lugares mencionados · 25
  1. Santa Maria Maior · Assunto

    Funchal

  2. Calçada do Socorro

    Funchal. Rua usada como referência para os limites.

  3. Caminho da Terça

    Funchal. Caminho cuja metade ocidental constitui, tradicionalmente, um dos limites da freguesia.

  4. Caminho do Lazareto

    Funchal. Caminho cujo lado sul pertence a São Gonçalo.

  5. Caminho do Palheiro

    Funchal. Caminho cuja metade ocidental constitui tradicionalmente um limite da freguesia.

  6. Campo Almirante Reis

    Funchal. Praça situada na freguesia.

  7. Campo da Barca

    Funchal. Praça situada na freguesia.

  8. Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso

    Calheta. Capela situada na freguesia.

  9. Capela de Nossa Senhora do Faial

    Funchal. Capela situada na freguesia.

  10. Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens

    Funchal. Capela situada na freguesia.

  11. Capela do Corpo Santo

    Funchal. Capela situada na freguesia.

  12. Fortaleza de São Tiago

    Funchal. Fortaleza situada na freguesia.

+ 13 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Primeiro vigário de Santa Maria Maior após a divisão da freguesia; foi-lhe atribuída uma côngrua em 1558.

  2. Um dos primeiros sacerdotes da freguesia; passou para a Sé Catedral em 1508 e tornou-se seu deão em 1514.

  3. Descobridor e primeiro capitão do Funchal; construiu a capela no local da atual Igreja de Santa Clara.

  4. Proprietário de um edifício na Calçada do Socorro usado como ponto de referência para os limites no mapa das ruas de 1863.

Na folha S

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.