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Lemos (D. Jorge de) 1Primeiro prelado residente
Artigo Nº 2042 Clero e religiosos Vol. II · pp. 442–443 3 min de leitura

Lemos (D. Jorge de)

Biografia de D. Frei Jorge de Lemos, frade dominicano e quarto bispo do Funchal (1558–1569), o primeiro a residir na diocese. Combateu abusos do clero, reorganizou o serviço da Sé Catedral e acompanhou a divisão do Funchal em freguesias.

Lemos (D. Jorge de)

1Primeiro prelado residente

Antes do estabelecimento da diocese, esteve em 1508 nesta ilha o bispo D. João Lobo (V. este nome), e depois da criação do bispado vieram à Madeira os prelados D. Duarte, no ano de 1516, e D. Ambrosio em 1538 (V. estes nomes), que aqui exerceram as funções episcopais em vez dos respectivos bispos proprietários D. Diogo Pinheiro e D. Martinho de Portugal, que nunca visitaram as terras da sua Jurisdição, bem como o terceiro bispo D. Fr. Gaspar do Casal. Foi o quarto prelado D. Fr. Jorge de Lemos o primeiro que pessoalmente assumiu a direcção episcopal deste bispado, que administrou no período decorrido de 1558 a 1569, tendo porém, residido apenas cinco anos nesta ilha.

Pertencia a nobres famílias e era filho de Francisco Velho e de D. Brites de Lemos. Professou no convento de São Domingos, de Lisboa, e, entre os cargos que exerceu na sua ordem, conta-se o de professor de teologia. Sendo já adiantado em anos, foi confirmado bispo do Funchal a 9 de Março de 1556 pelo papa Paulo IV, tendo tomado posse do cargo no ano de 1558. Cinco anos depois, ausentou-se para o reino e em 1569 renunciou à mitra. Morreu passado pouco tempo e foi sepultado na igreja do convento onde professara.

2Reformas e renúncia

Sendo o primeiro prelado diocesano que viera a este bispado, foi recebido com especiais demonstrações de consideração e estima pelo clero e por todo o povo desta ilha. Havia mais de 130 anos que começara a colonização, e, apesar das faculdades especiais de que gozava o delegado do vigário de Tomar e ainda de já existir no Funchal uma comunidade religiosa franciscana de austera observância, é certo que alguns abusos se introduziram na doutrina eclesiástica e no cumprimento das diversas leis canónicas. Tendo o prelado que corrigir esses abusos e de reformar antigos e inveterados costumes, incorreu naturalmente no desagrado de muitos, donde resultaram graves dificuldades e atritos, que soube no entretanto aplanar com o seu espírito de justiça e com a irrepreensível conduta do seu proceder. «Foi, diz D. António Caetano de Sousa, de condição áspera, que temperou sempre com a prudência; no trato magnífico e grande premiador dos beneméritos».

Mereceu-lhe especiais atenções o serviço da Sé Catedral, solicitando e conseguindo que se criassem alguns lugares novos, como o de sub-chantre, mestre de capela e moços do coro, o aumento dos vencimentos dos cónegos e dignidades, a reforma da música e a criação dos curatos, desligando assim o deão do encargo do serviço paroquial. No seu tempo se dividiu em duas paróquias a única freguesia que havia no Funchal, que ficaram tendo suas sedes na Sé Catedral e em Santa Maria Maior. Pouco depois impetrou a criação da freguesia de São Pedro, que não teve larga existência, pois foi extinta em 1579, sendo novamente restaurada no ano de 1587. Empregou diligências para a criação do Seminário Diocesano, que somente alguns anos mais tarde foi estabelecido nesta cidade (Seminário).

Em 1563, saiu D. Jorge de Lemos para o reino, onde exerceu o cargo de esmoler-mor do rei D. Sebastião. A 15 de Novembro de 1569, aceitou o papa a renuncia que D. Jorge fez deste bispado e nomeou para o substituir D. Fernando de Távora, religioso da Ordem dos Pregadores.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 09
  1. A Ordem de Cristo enviou o bispo D. João Lobo à Madeira. Foi o primeiro bispo a visitar a ilha, antes da criação da diocese.

  2. O bispo D. Duarte, que visitava a Madeira para exercer funções episcopais, consagrou a Sé Catedral do Funchal no dia de São Lucas.

  3. O Bispo Ambrósio Brandão veio à Madeira e exerceu funções episcopais em nome do Arcebispo D. Martinho de Portugal, conferindo ordens menores, entre outros, a Manuel Álvares.

  4. O papa Paulo IV confirmou Jorge de Lemos como bispo do Funchal.

  5. D. Frei Jorge de Lemos passou a governar a diocese do Funchal como seu primeiro bispo residente e reorganizou a música da capela da Sé Catedral.

  6. O bispo Jorge de Lemos deixou a Madeira e partiu para Portugal, onde se tornou esmoler-mor de D. Sebastião.

  7. Por nomeação de D. Sebastião, Fernando de Távora foi designado bispo do Funchal pelo papa, que aceitou a renúncia de Jorge de Lemos.

  8. Uma carta régia do Cardeal-Rei extinguiu a freguesia de São Pedro, no Funchal, e autorizou o bispo D. Jerónimo Barreto a criar as freguesias de São Roque e São Martinho.

  9. A freguesia de São Pedro, no Funchal, foi restabelecida por Filipe I.

Lugar

Lugares mencionados · 06

No estrangeiro

Mapa: Madeira (5)
  1. Convento de São Domingos (Lisboa)

    Portugal. Convento dominicano onde o bispo professou e foi sepultado.

  2. Funchal

    Sede da diocese, cuja única freguesia foi dividida em duas no tempo de Jorge de Lemos.

  3. Santa Maria Maior

    Funchal. Nova freguesia criada quando o Funchal foi dividido em duas freguesias.

  4. São Pedro

    Funchal. Freguesia cuja criação o bispo pediu; foi extinta em 1579 e restabelecida em 1587.

  5. Sé do Funchal

    Funchal. Sé Catedral cujo serviço o bispo reorganizou e que se tornou sede de uma das duas freguesias do Funchal.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 13
  1. Frade dominicano e quarto bispo do Funchal (1558–1569), o primeiro a governar pessoalmente a diocese.

  2. Historiador citado a propósito do caráter severo, mas prudente, do bispo.

  3. Mãe do bispo Jorge de Lemos.

  4. Prelado que veio à Madeira em 1538 para exercer funções episcopais em representação do bispo.

  5. Primeiro bispo do Funchal, que nunca visitou a sua diocese.

  6. Prelado que veio à Madeira em 1516 para exercer funções episcopais em representação do bispo.

  7. Dominicano nomeado pelo papa em 1569 para suceder a Jorge de Lemos como bispo do Funchal.

  8. Terceiro bispo do Funchal, que também nunca visitou a diocese.

  9. Bispo que esteve na Madeira em 1508, antes da criação da diocese.

  10. Bispo do Funchal que nunca residiu nem visitou a diocese.

+ 3 mais
  1. Rei de Portugal a quem Jorge de Lemos serviu como esmoler-mor depois de 1563.

  2. Pai do bispo Jorge de Lemos.

  3. Papa que confirmou Jorge de Lemos como bispo do Funchal em 1556.

Na folha L

Vistos recentemente

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